Artigos, Constelação Familiar

Vínculos de Destino: A Fonte não precisa perguntar pelo caminho

“Quando em uma família surge um buscador, é porque este encarna o desejo de todo o clã de sair das repetições e do conhecido e ir adiante.”

Com base nas obras de Bert Hellinger, trago mais algumas reflexões sobre temas da Constelação Familiar, um trabalho profundo e importante que não vem para trazer verdades absolutas, mas para trazer à luz aquilo que não estávamos conseguindo perceber através do emaranhamento de fios em que estamos inseridos, dos vínculos familiares e do nosso destino.

Por mais que esses fios pareçam não ter uma ordem, quando temos conhecimento das leis que regem a vida – compreendidas por Hellinger através da sua experiência, formação e trabalho – e trazemos à luz o que estava emaranhado – por exemplo, quando assumimos a responsabilidade, o papel ou o lugar de outro na família – tudo faz sentido, tudo segue um fluxo, tudo tem uma ordem e busca por ela naturalmente, busca por uma compensação para trazer o equilíbrio novamente, assim como um rio corre em direção ao mar.

Nesse contexto, Hellinger entende que as 3 leis que regem a vida são: Ordem, Equilíbrio e Pertencimento.

VÍNCULOS DE DESTINO

Os vínculos de destino mais fortes são os que ligam os filhos a seus pais, os irmãos entre si e os parceiros reciprocamente. (…) O vínculo faz com que os membros mais recentes e mais fracos queiram segurar os mais antigos e mais fortes para que não se vão, ou segui-los quando já partiram.

O vínculo faz também com que aqueles que estão em vantagem queiram assemelhar-se aos que ficaram em desvantagem. Assim, filhos saudáveis querem assemelhar-se a pais doentes, e filhos inocentes a pais culpados. O vínculo faz ainda com que os saudáveis se sintam responsáveis pelos doentes, os inocentes pelos culpados, os felizes pelos infelizes e os vivos pelos mortos.

Assim, aqueles que estão em vantagem também se dispõem a arriscar e sacrificar sua saúde e inocência, sua vida e felicidade pela saúde, a inocência, a vida e a felicidade dos outros. Eles alimentam a esperança de que, renunciando à própria vida e à própria felicidade, poderão assegurar ou salvar a vida e a felicidade de outros nessa comunidade de destinos. Eles julgam que podem recuperar e restabelecer a vida e a felicidade dos outros, mesmo que já tenham sido perdidas.

Portanto: “Tudo que rejeitamos, apodera-se de nós. Tudo que respeitamos, deixa-nos livres. (…) Precisamos ter força para concordar com o que foi, do jeito que foi, senão estaremos desligados de acontecimentos que envolvem uma dor profunda. Essa concordância só é possível quando percebemos isso como algo que está inserido em algo maior, o qual não compreendemos. Temos a necessidade de desviar do terrível como se isso não pudesse existir. Entretanto, é o terrível que, no fim, está na origem de tudo e o sustenta. Apenas aquele que pode concordar com o terrível é totalmente livre”.

Livre é aquele que sabe transformar-se…E só sabe transformar-se quem é capaz de desprender-se e de seguir a própria grande marcha para o desconhecido.”

PADRÕES DE PENSAMENTO E DE DESTINO

Segundo Bert Hellinger: “Rupert Sheldrake descreveu em seus livros as propriedades e o efeito dos campos morfogenéticos, isto é, de campos de força que determinam certas estruturas. Ele me disse que se pode ver, diretamente nas constelações familiares, como os campos morfogenéticos atuam.

Agora, algumas vezes, reflito se as observações que ele faz valem também em outras áreas. Se determinados padrões de pensamento não determinam um grupo e, por isso, dificultam novas compreensões, e se evoluções de comportamento na família também não são padrões que resultam do campo morfogenético dessa família. Se, por exemplo, alguém se suicidou então, algumas vezes, alguém se suicida também na próxima geração. Entretanto, não somente porque ele quer seguir alguém de uma geração anterior, mas porque existe um padrão.

Sheldrake viu que, quando se forma um novo cristal, esse ainda não está pré-estruturado e, quando se forma um cristal do mesmo composto, ele já se estrutura segundo o modelo do anterior. Então, já existe uma memória do cristal anterior. O campo morfogenético tem, portanto, uma memória. Por isso, o próximo cristal se desenvolve, com grande probabilidade, de forma semelhante ao primeiro. Quando isso se repete muitas vezes, então existe um padrão fixo. Assim, talvez também os destinos possam se reproduzir de forma semelhante.

INTERRUPÇÃO DO PADRÃO

Esse movimento deve ser interrompido. O reconhecimento desse movimento e a interrupção exigem muita coragem para o totalmente novo. Quando a interrupção dá certo, isto é uma conquista especial. A interrupção não dá certo simplesmente deixando-se levar pela corrente. Devemos retroceder. Em vez de nadar na corrente, vai-se até a margem, olha-se a corrente até compreender o velho e reconhecer o novo e, então, decide-se o que fazer.

CONSCIÊNCIA DE GRUPO (OU CLÃ)

Existe uma consciência de grupo que influencia todos os membros do sistema familiar. A este pertencem os filhos, os pais, os avós, os irmãos dos pais e aqueles que foram substituídos por outras pessoas que se tornaram membros da família, por exemplo, parceiros anteriores (maridos/mulheres) ou noivos(as) dos pais.

Se qualquer um desses membros do grupo foi tratado injustamente, existirá nesse grupo uma necessidade irresistível de compensação. Isso significa que a injustiça que foi cometida em gerações anteriores será representada e sofrida posteriormente por alguém da família para que a ordem seja restaurada no grupo. É uma espécie de compulsão sistêmica de repetição. Mas essa forma de repetição nunca coloca nada em ordem.

Aqueles que devem assumir o destino de um membro excluído da família são escolhidos e tratados injustamente pela consciência de grupo. São, na verdade, completamente inocentes. Contudo, pode ser que aqueles que se tornaram realmente culpados, porque abandonaram ou excluíram um membro da família, por exemplo, sintam-se bem.

A consciência de grupo não conhece justiça para os descendentes, mas somente para os ascendentes. Obviamente, isso tem a ver com a ordem básica dos sistemas familiares. Ela atende à lei de que aquele que pertenceu uma vez ao sistema tem o mesmo direito de pertinência que todos os outros. Mas, quando alguém é condenado ou expulso, isso significa: “Você tem menos direito de pertencer ao sistema do que eu”. Essa é a injustiça expiada através do emaranhamento, sem que as pessoas afetadas saibam disso.

UM OLHAR PARA O PERTENCIMENTO

Bert Hellinger diz: “Aquele que não é mencionado, que é demonizado, deve sempre receber um lugar. Assim que ele recebe um lugar, o sistema é curado como um todo porque recebeu um lugar. Um excluído é novamente acolhido. Aí, todos os outros podem orientar-se de uma nova maneira.

É nos excluídos que reside grande parte da força necessária para transformar um sistema. Por isso, quando olhamos para o excluídos, passamos a ter uma força especial. Por quê?

1. Porque entramos em sintonia com uma força que não é vista e, portanto, pouco explorada pelos membros do sistema. Esse olhar nos dá uma vantagem como ajudantes.

2. Porque nos inserimos numa Grande Alma que não permite exclusão. Ao olharmos para os excluídos, nos inserimos de forma mais plena no fluxo dessa Grande Alma.

3. Porque ao olhar para os excluídos, ganhamos a confiança dos demais. Na profundidade, somos todos bons e sabemos que somos parte de uma grande família. Quando olhamos para todos, sem distinção, de alguma forma movimentamos a alma do grupo. Um bom líder sabe o efeito que tem essa postura a partir desse olhar inclusivo.

4. É nos excluídos que está o amor que deixou de fluir para os demais membros do grupo. Olhar para os excluídos significa acessar esse amor e permitir que ele flua no grupo, para os demais.

Fonte complementar (Livros de Bert Hellinger): A Fonte não precisa perguntar pelo caminho / Ordens da Ajuda / O reconhecimento das ordens do amor/ Ordens do Amor/ A Simetria Oculta do Amor/ Constelações Familiares. 

Leia também: Constelação Familiar: Encontrando o seu lugar na árvore ancestral da vida / Ensinamentos sobre a mãe: Visões da Constelação Familiar e Terapias Integrativas / Trauma pode ser transmitido entre gerações: como encontrar caminhos para a cura

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