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A Medicina do Cavalo: O Resgate do Poder Interior

Poderoso cavalo, que traz o poder de correr pelas amplas planícies, traga-me a visão clara, traga-me o reequilíbrio dos meus escudos e a conexão com a sabedoria ancestral do meu espírito, e juntos dancemos na chuva púrpura do sonho.

É a medicina do poder interior, da ação, da força, da liberdade. O cavalo simboliza as jornadas xamânicas e a projeção astral, uma vez que através delas os xamãs são capazes de voar pelos ares para alcançar os céus e dialogar com o Grande Espírito.

É evocado para trabalhar a liberdade de espírito, a força para progredir, o dom da clarividência – esta última no sentido de trazer foco, clareza mental e compreensão da jornada para sintonizarmos com nosso propósito, o que no xamanismo representa a busca da visão. Esta compreensão o cavalo nos ensina dia-a-dia, a cada passo no caminho, dado de forma firme e paciente. É uma grande medicina capaz de nos mostra como carregar nossa carga – tudo aquilo cujo compromisso material e espiritual nos dispomos – com calma e dignidade, fibra e resistência. Nos adverte de possíveis perigos, guiando na superação de obstáculos. Nos ensina a mantermos nossa liberdade em todos os níveis.

Quando evocamos o espírito do cavalo, podemos utilizar de meios de movimento no plano físico que sejam análogos ao seu trotar, através dos quais possamos sintonizar. Esses meios podem representar: fazer um percurso de corrida, andar de bicicleta em meio a natureza, dirigir uma moto ou um carro exercitando a presença nessa medicina ou mesmo cavalgar com o animal, procurando em qualquer um desses momentos pedir para estar em sintonia com seu espirito. Pode ser evocado com respeito para focalizar novos estudos e pesquisas ou para iniciar algum projeto.

Importante aqui é conectar conscientemente com o espírito do cavalo e sua alma grupo, estando aberto e atento para perceber a linguagem de resposta, ocorrendo por meio de sinais simbólicos na rotina, através de sonhos, de insights, de meditações, de memórias de outras existências ou desta vida para os que tiveram ou tem contato com cavalos. De outra forma, o retorno pode vir através de outras formas de linguagem que sua alma escolherá para se comunicar com você.

Essa medicina nos auxilia a aumentar o poder pessoal, a acessar nosso próprio poder interior e saber como usá-lo com sabedoria. Ajuda-nos a encontrar o nosso lugar no mundo, a tornar-nos independentes não apenas no nível da matéria, mas também no nível do espírito, nos ajudando a nos libertarmos, muitas vezes, de antigos obstáculos. Quando encontramos nosso propósito e desenvolvemos nosso poder interior, a liberdade e a paz habitam qualquer espaço do nosso ser, no passado, no presente e no futuro.

O espírito do cavalo nos ensina isso, a transcender o tempo e o espaço para trazermos a força motriz, a sabedoria e o senso de oportunidade para conquistarmos nosso lugar, mesmo que leve tempo – um tempo regido pela alma e pelo coração – porque o cavalo segue por caminhos que até mesmo o mais forte dos homens sucumbiu. Portanto, a lição é que nosso espírito encontre seu próprio ritmo, trilhe sua própria jornada de encontro à sabedoria interior para caminhar com beleza, leveza e graça.

Ao mesmo tempo, nos impulsiona a conhecermos os nossos limites, principalmente ao sairmos “a galope”, muitas vezes sem prestar atenção ao que está o nosso redor. Isso representa não nos deixarmos dominar pelo ego, assim como procurar evitar qualquer abuso de poder. Lembremos da compaixão, da bondade e do amor pelos outros, uma base de toda a sabedoria regida por esse animal totêmico. Na tradição dos Guerreiros do Arco-Íris, somente unidos são capazes de chegar ao Grande Espírito, galopando nas asas do cavalo alado do destino e levando consigo todos os ensinamentos dessa medicina sagrada há milênios.

No Xamanismo Ancestral, são levados em consideração os animais selvagens, não domesticados, de forma a conectar com sua força verdadeira, original. Nessa linhagem de trabalho, nada representa melhor o espírito de liberdade do que os cavalos selvagens. Para os xamãs de uma forma geral, eles são considerados elos, veículos seguros para viajar tanto no mundo físico quanto no espiritual.

Esse animal também está relacionado ao planeta Marte, cujas escrituras sagradas dos Vedas exterioriza o arquétipo de Agni – Deus Fogo. No xamanismo, devemos aprender a trabalhar, equilibrar e nutrir nosso fogo interior para que, enquanto caminhamos em meio a terras férteis ou áridas, não nos esqueçamos da alegria de viver e de criar, do prazer de cantar e dançar, da força que temos em estar no nosso lugar cumprindo nosso propósito para compartilhá-lo com aqueles que amamos e nos são importantes. O fogo rege os rituais, as celebrações e as cerimônias sagradas e, como o cavalo, é um elo entre o plano da matéria e do espírito, um elemento sagrado que nos ensina a partilharmos o conhecimento que adquirimos ao longo da jornada.

Segundo o livro das Cartas Xamânicas, um guia maravilhoso para exercitarmos o estudo das diversas medicinas dos animais e aprender a colocá-las em prática em nossa rotina, a simbologia do cavalo nos é mostrada através de uma lenda que diz:

“Roubar cavalos é roubar poder, afirmava um ditado repetido com frequência pelos antigos índios, ilustrando a estima que devotavam ao cavalo (…) O Andarilho dos Sonhos, um poderoso xamã, estava caminhando pela planície para visitar a nação Arapaho. Ele carregava seu cachimbo e a pena amarrada em seu longos cabelos negros apontava para o chão, indicando que ele era um homem de boa paz, até que ao transpor uma elevação, ele percebeu uma manada de cavalos selvagens correndo em sua direção.

O Garanhão Negro aproximou-se de Andarilho dos Sonhos e perguntou-lhe se ele empreendera sua jornada em busca de uma resposta, dizendo-lhe: – Eu venho do vazio, onde reside a resposta. Monte em meu dorso e conheça o poder de atravessar as trevas para encontrar a luz. O Andarilho dos Sonhos agradeceu o convite do garanhão negro e aquiesceu em visitá-lo quando seu poder se fizesse necessário.

A seguir, o Garanhão Amarelo aproximou-se do Andarilho dos Sonhos e ofereceu-se para conduzi-lo ao leste, onde reside a iluminação, pois assim ele poderia partilhar as respostas que lá encontrasse com os outros, instruindo-os e iluminando-os. O Andarilho dos Sonhos agradeceu, afirmando que não deixaria de usar os presentes de poder que lhe oferecera ao longo de sua jornada.

O Garanhão Vermelho então se aproximou, empinando-se alegremente, e falou com o Andarilho dos Sonhos a respeito das alegrias contidas no equilíbrio entre o trabalho, o poder e as doces alegrias dos divertimentos. Ele advertiu Andarilho dos Sonhos que prestasse atenção àqueles que entremeavam suas lições com o humor. O xamã agradeceu e prometeu-lhe que não se esqueceria de usar sempre o dom da alegria.

Quando o Andarilho dos Sonhos já estava próximo de seu destino e já podia perceber ao longe a nação Arapaho, o Garanhão Branco destacou-se da manada para permitir que o Andarilho dos Sonhos pudesse montá-lo, pois ele era o portador que carregava as mensagens de todos os demais cavalos da manada, representando a sabedoria do poder. Personificação do escudo mágico bem equilibrado, este magnifico cavalo reitera que nenhum abuso de poder será capaz de conduzir à sabedoria. O Garanhão Branco disse ao seu cavaleiro: – Andarilho dos Sonhos, você empreendeu esta jornada para aliviar o sofrimento de seus irmãos, para partilhar o cachimbo sagrado e curar a Mãe Terra.

Você adquiriu a sabedoria por meio da humildade, pois soube reconhecer que é um instrumento do Grande Espírito. Assim, enquanto eu o carrego em meu dorso, você carrega todo o seu povo em suas costas. Em sua grande sabedoria você sabe que o poder não é concedido a quem não o merece, mas unicamente àqueles predispostos a empregá-lo com discernimento e equilíbrio. O Andarilho dos Sonhos, o xamã, foi curado e transformado pela visita dos cavalos selvagens e compreendeu que sua missão, ao chegar na nação Arapaho, era a de compartilhar os presentes de sabedoria que recebera ao longo do caminho.

Ao compreender o poder do cavalo, você irá sentir-se compelido a confeccionar um escudo de equilíbrio. O verdadeiro poder é a sabedoria e esta somente é obtida quando se mantém viva a lembrança de tudo o que ocorreu com você ao longo de sua jornada aqui na terra. A sabedoria brotará dentro de você quando lembrar-se de jornadas percorridas com outros mocassins. A compaixão, a bondade, o amor e a disposição em ensinar e compartilhar os dons e os talentos que lhe foram concedidos constituem as verdadeiras sendas para o poder.”

Por Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

Fonte complementar: Cartas Xamânicas: A Descoberta do poder através da energia dos animais – Jamie Sams e David Carson

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Seja Bem Vinda PRIMAVERA! Sou os olhos da Águia e sigo pelo Caminho da Visionária!

tulipas_primaveraArtigo atualizado em 21 de setembro/ 2018

Povos de muitas culturas celebravam as transformações ocorridas na natureza através dos Festivais Solares. Direcionavam seus esforços para honrar e compreender o relacionamento da Terra com o Sol. Os Festivais Solares aconteciam em datas específicas, marcando os pontos intermediários entre os solstícios e os equinócios. Hoje, tendo em vista a aceleração energética e a verticalização do eixo planetário, essas datas podem ser variáveis pelo simples fato de vermos a antecipação do desabrochar das flores e seus inebriantes perfumes, a mudança da posição solar e a migração de pássaros que anunciam seus cantos na madrugada e ao nascer do sol.

Tanto os equinócios quanto os solstícios são excepcionalmente poderosos e servem a vários propósitos, sendo verdadeiros portais e catalisadores desta frequência energética de ascensão. Durante esses dias, podemos sentir maior energia e alegria, assim como toda vida que desabrocha na natureza. Podemos reservar um momento para meditação, yoga, oração ou para uma profunda revisão pessoal. Essas “Forças Verdadeiras” acessadas desde o princípio, através da história espiritual da Terra, são resgatadas através dos séculos e podemos sentir essa “atmosfera sagrada” atuando em muitos momentos, permeando nossos sentimentos e atitudes. 

Esses períodos são repletos de significado e carregados com múltiplas frequências energéticas que objetivam a evolução da humanidade e do planeta. O programa de ascensão planetária, disparado pelos solstícios e equinócios, são impulsos frequenciais necessários para completar e aperfeiçoar a grade cristalina, assim como aprimorar a transformação da Terra enquanto ela consolida a passagem da humanidade para uma consciência cada vez mais multidimensional.

Nos princípios do xamanismo – conhecimento herdado dos xamãs de várias partes do mundo – o Equinócio da Primavera é regido pela direção e o poder do espírito do Leste, representado pela Águia nos conhecimentos oriundos de nossos ancestrais mais longínquos. Representa a Iluminação que abre o olho espiritual: o Caminho do Visionário(a), trazendo discernimento e claridade. É o poder de um novo começo e uma nova vida, o despertar da Primavera através do voo da Águia após o sono do Inverno, representado pela hibernação do urso.

É um momento para acessar a força de vida, entrar em sintonia com a natureza e direcionar nossa atenção para movimentar novamente situações que estavam estagnadas em nosso caminho. Sobre a influência do espírito guardião do Leste vem a habilidade de ver mais adiante, claramente, como a Águia planando para ver de uma perspectiva mais ampla. Esta jornada fornece energia abundante, intensidade, vitalidade, persistência e coragem. Ajuda a ver o mundo com outros olhos quando se deseja abrir novas fontes de criatividade, tornar-se mais otimista, observador, apaixonado e determinado diante de escolhas a serem realizadas.

Vibrando nessa energia, muitas sementes plantadas no inverno nascem na primavera, e podem ser representadas por objetivos, projetos e sonhos nossos. Entre aquilo que nasce ou renasce, observamos nosso jeito de ser, nossa transformação interior ao longo de cada estação, aprendendo com a Vida que sempre nos convida à celebração! E com os olhos da Águia, voamos acima dos preconceitos, da escuridão, das regras e dos julgamentos do ego, observando do alto da consciência aquilo que nos serve e que nos eleva, e também aquilo que queremos deixar ir, soltar e nos desprender.

A Primavera nos traz o impulso da inspiração, da iluminação, da clareza e da sabedoria. No Caminho do Visionário(a), voamos para perceber que nossas vidas tem um propósito e aqui estamos por uma razão. Com os olhos da Águia do Leste, novamente buscamos olhar para o Todo que nos forma, a fim de alinharmos todas as partes de nós mesmos. Nos direcionamos para o horizonte, renascendo com o Sol que ilumina todas as manhãs da nossa existência e, dentro dessa elevada frequência dourada de energia solar, nos posicionamos em nosso centro de Luz, amor, sabedoria, força e fé. E nesse centro, tudo podemos naquilo que nos fortalece!

Nesta direção, adquirimos a clareza para levantarmos os véus que porventura ainda nos nublam e nos conectamos com a Origem: o Poder Divino que habita em nós e que criou o Universo. Quando a força do dia e a força da noite tornam-se iguais, a Primavera nos convida a integrar-nos conscientemente à Mãe Terra, renovando nossos ciclos de vida-morte-vida, nossos nascimentos e renascimentos! Ahow, a todos os irmão de alma!

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O Xamanismo na Atualidade: Um Legado para o Ocidente

 “...Longe de serem trapaceiros, charlatães ou ignorantes, os curandeiros aborígenes são homens de alta categoria, ou seja, homens que alcançaram, na vida secreta, um grau muito mais elevado do que a maior parte dos homens adultos — um passo que implica disciplina, treinamento mental, coragem e perseverança. São homens respeitáveis, quase sempre dotados de notável personalidade (…) Eles têm uma imensa importância social, pois a saúde psicológica do grupo depende em muito da fé que seus poderes nele despertam(…) Os vários poderes psíquicos que lhes são atribuídos não devem ser de imediato repelidos como simples magia primitiva e ‘faz de conta’, porque muitos deles se especializaram no trabalho da mente humana, na influência da mente sobre o corpo e da mente sobre a mente…” Do livro: Aboriginal Men of High Degree – do antropólogo australiano A. P. Elkin (1945).

O texto que segue foi retirado de uma das obras mais famosas do antropólogo Michael Harner: The Way of The Shaman, cuja trajetória em contato com Xamãs de várias partes do mundo deixou um maravilhoso legado para o Ocidente.

O autor, através de suas experiências e pesquisas que perfazem mais de 50 anos de trabalho, traz uma visão mais clara quanto a diferença entre o que chamo de xamanismo ancestral – com as devidas diferenças relativo à cada cultura visitada e conhecida, adaptado por ele para a atualidade com o nome de Core Xamanismo – e o que hoje é chamado de Neo Xamanismo, este segundo fazendo uso, nos trabalhos xamânicos tradicionais, de drogas alucinógenas e enteógenas, mesclado a cultos e rituais religiosos.

É importante mencionar aqui que, para os leigos, parece não haver diferença entre um e outro, entretanto o diferencial é que o Core Xamanismo não faz uso de drogas através de qualquer uma de suas técnicas e métodos por não haver necessidade. Existem muitas outras formas de ativarmos nosso cérebro para alcançar estados alterados de consciência sem o uso delas – falo também como experiência própria. Essa informação é importante para aqueles que tem receio de ingressar ou experienciar trabalhos xamânicos pela primeira vez, podendo ser alvo de pessoas mal preparadas e que não tem consciência da responsabilidade que significa trabalhar como um xamã, assim como participar de um atendimento individual ou um trabalho em grupo.

Ainda relativo ao antropólogo, tamanha foi sua responsabilidade ao visitar tribos remotas que não tinham mais contato com humanos ao longo de décadas que, para sua surpresa, reavivou na própria tribo o conhecimento esquecido ou perdido no tempo, a ponto de um antigo xamã acreditar que não haviam mais xamãs no mundo – vide documentário no final do artigo. Junto à criação de uma Fundação que abarca todos os trabalhos do casal até hoje, também reside um dos maiores acervos de artigos xamânicos conhecidos.

Foto: Xamã da Sibéria

O XAMÃ E O XAMANISMO

Os Xamãs — conhecidos no mundo “civilizado” como “curandeiros” — preservam um notável conjunto de antigas técnicas, que usam para obter e manter o bem-estar e a cura para eles próprios e para os membros das suas comunidades. Esses métodos xamânicos revelam-se de notável semelhança em todo o mundo, mesmo para povos cujas culturas são bastante diversas sob outros aspectos, povos que estão separados uns dos outros por oceanos e continentes há dezenas de milhares de anos.

Carecendo do nosso avançado nível de tecnologia médica, esses povos chamados primitivos tiveram excelente razão para se sentirem motivados a desenvolver capacidades não tecnológicas da mente humana, para a saúde e a cura. A uniformidade básica dos métodos xamânicos sugere que, por meio de tentativas e erros, os povos chegam às mesmas conclusões.

O xamanismo é uma grande jornada mental e emocional, onde tanto o paciente como o curandeiro xamã ficam envolvidos. Através de sua heróica viagem e de seus esforços, o xamã ajuda seus pacientes a transcenderem a noção normal e comum que têm acerca da realidade, inclusive a noção de si próprios como doentes. Faz sentir aos seus pacientes que eles não estão emocional e espiritualmente sozinhos em suas lutas contra a doença e a morte. Faz com que eles partilhem de seus poderes especiais, convencendo-os, em profundo nível de consciência, de que há outro ser humano desejoso de oferecer seu próprio Eu para ajudá-los. A abnegação do xamã provoca no paciente um compromisso emotivo correspondente, um senso de obrigação de lutar ao lado do xamã para se salvar. Zelo e cura caminham juntos.

Hoje, estamos descobrindo que mesmo os quase milagres da moderna medicina ocidental nem sempre são próprios para resolver completamente todos os problemas dos doentes, ou dos que desejam evitar doenças. Cada vez mais, os profissionais da saúde, e seus pacientes, estão procurando métodos de cura suplementares, e muita gente sadia também se empenha em experimentos pessoais para descobrir abordagens alternativas que sejam viáveis na busca do bem-estar.

Muitas vezes, nesses experimentos, surgem dificuldades para o leigo, e mesmo para o profissional da saúde, no que tange a distinguir o espúrio do efetivo. Os antigos métodos do xamanismo, ao contrário, já foram testados pelo tempo. De fato, eles vem sendo testados há um tempo imensuravelmente maior, por exemplo, que a psicanálise e inúmeras outras técnicas psicoterapêuticas (…) Fundamentalmente, o conhecimento xamânico só pode ser adquirido através da experiência individual. Contudo, será necessário que se aprenda os métodos a fim de utilizá-los. E eles podem ser aprendidos de diversas maneiras.

Por exemplo, entre os Conibo do Alto Amazonas, “aprender com as árvores” é considerado um aprendizado superior ao que se tem por intermédio de um xamã. Entre os aborígenes da Sibéria, a experiência morte/renascimento era, com freqüência, a principal fonte do conhecimento xamânico. Em certas culturas pré-letradas, há pessoas que respondem espontaneamente ao “chamado” do xamanismo, sem nenhum treinamento formal, enquanto outras treinam sob orientação de um xamã prático, em qualquer outro lugar, por um dia ou até por cinco anos ou mais.

Na cultura ocidental, a maioria das pessoas jamais chegará a conhecer um xamã, muito menos será treinada por algum deles. Ainda assim, como a nossa cultura é letrada, não é necessário que se esteja numa situação de aprendizado para aprender. Uma orientação escrita pode fornecer a informação metodológica essencial. Embora de início possa parecer embaraçoso aprender técnicas xamânicas através de um livro, persista. Sua experiência xamânica provará seu valor. Como em qualquer outro campo de aprendizado, claro que considera-se mais importante aprender diretamente com um profissional. Os que desejarem ter essa experiência podem participar de centros de treinamento especializados.

No xamanismo, a manutenção do poder pessoal é fundamental para o bem-estar. Este livro apresentará alguns dos métodos xamânicos para restabelecer e manter esse poder, e, através do seu uso, ajudar outros que estejam fracos, doentes ou feridos. As técnicas são simples e eficazes. Seu uso não exige “crença” nem mudança nas noções que se tem sobre a realidade no estado comum de consciência. Na verdade, o sistema nem sempre requer mudança na mente inconsciente, porque ele apenas desperta o que já existia ali. Contudo, embora as técnicas básicas do xamanismo sejam simples e relativamente fáceis de aprender, a prática efetiva do xamanismo exige autodisciplina e dedicação.

Ao se envolver com prática xamânica, a pessoa move-se entre o que chamo de um Estado Comum de Consciência (ECC) e um Estado Xamânico de Consciência (EXC). Esses estados de consciência constituem as chaves da compreensão de como, por exemplo, Carlos Castañeda pode falar de uma “realidade comum” e de uma “realidade incomum”. A diferença entre esses estados de consciência pode ser exemplificada, talvez, por meio de animais.

Dragões, grifos e outros animais que consideraríamos “míticos” quando estamos em ECC, são “reais” quando estamos em EXC. A idéia de que há animais “míticos” é válida e útil interpretação na vida ECC, mas supérflua e irrelevante em experiências EXC. Pode-se dizer que “fantasia” é uma palavra aplicada por uma pessoa em ECC ao que está sendo experimentado em EXC. Em contrapartida, uma pessoa em EXC pode perceber as experiências em ECC como ilusórias, em termos de EXC. Ambas estarão certas, conforme o estado de consciência de cada uma.

O xamã tem uma vantagem: é capaz de mover-se entre estados de consciência à vontade. Pode entrar no ECC de alguém que não seja xamã e concordar honestamente com ele, sobre a natureza da realidade vista a partir daquela perspectiva. Então, o xamã pode voltar ao EXC e obter uma informação direta do testemunho de outras pessoas, que relataram suas experiências quando naquele estado.

A observação a partir dos próprios sentidos é a base para uma interpretação empírica da realidade. E ainda não existe ninguém, mesmo nas ciências da realidade comum, que tenha provado, incontestavelmente, que existe apenas um estado de consciência válido para observações diretas. O mito do EXC é a realidade comum, e o mito do ECC é a realidade incomum. Fazer um julgamento imparcial da validade das experiências em estados contrastantes de consciência é algo extremamente difícil.

Para compreender a arraigada hostilidade emocional com que foram recebidos os trabalhos de Castañeda, em alguns lugares é preciso ter em mente que esse tipo de preconceito aparece com frequência. Trata-se do etnocentrismo entre as culturas. Nesse caso, todavia, a questão fundamental não é a pouca experiência cultural da pessoa, mas a falta de experiência consciente. As pessoas mais preconceituosas a propósito de um conceito da realidade não comum são as que jamais a experimentaram. Isso pode ser chamado cognicentrismo, análogo, na percepção, ao etnocentrismo.

Um passo para a solução desse problema poderia ser o aumento do número de pessoas a se tornarem xamãs, que poderiam passar, por si mesmas, e em seus próprios termos, pelas experiências em EXC. Esses xamãs poderiam transmitir uma compreensão da realidade incomum, tal como têm feito os xamãs desde tempos imemoriais em suas culturas, aos que nela jamais tivessem entrado. Isso equivaleria ao papel do antropólogo que, tomando a si a observação participante em outras culturas que não a própria, está, conseqüentemente, habilitado para passar a compreensão dessa cultura a pessoas que, de outra maneira, poderiam considerá-la alheia, incompreensível e inferior.

Os antropólogos ensinam os outros a tentar evitar as armadilhas do etnocentrismo, aprendendo a compreender a cultura em termos de suas próprias suposições sobre a realidade. Os xamãs ocidentais podem prestar serviço idêntico em relação ao cognicentrismo. A lição do antropólogo é chamada de relativismo cultural. O que os xamãs ocidentais podem tentar criar, até certo ponto, é um relativismo cognitivo. Mais tarde, quando se obtiver um conhecimento empírico da experiência, poderá haver respeito por suas próprias suposições. Então, talvez tenha chegado o momento de fazer uma análise imparcial da experiência em EXC, cientificamente, em termos de ECC.

Pode-se argumentar que nós, seres humanos, passamos a maior parte da nossa vida, quando acordados em ECC, porque a seleção natural entende que assim deva ser, considerando que essa é a realidade real, e os outros estados de consciência, que não o do sono, são aberrações que interferem na nossa sobrevivência. Em outras palavras, tal argumento pode ser aceito, nós percebemos a realidade da forma como costumamos percebê-la porque esse é sempre o melhor modo, em termos de sobrevivência.

Todavia, avanços recentes em neuroquímica mostram que o cérebro humano leva consigo suas próprias drogas para alterar a consciência, incluindo alucinógenos tais como o dimetiltriptamina (DMT). Em termos de seleção natural, parece pouco provável que esses alteradores da consciência viessem a estar presentes, a menos que a sua capacidade de alterar o estado da consciência trouxesse alguma vantagem para a sobrevivência. Ao que parece, a própria Natureza resolveu que um estado alterado de consciência é, às vezes, superior ao estado comum.

No Ocidente, estamos apenas começando a apreciar o importante impacto que o estado da mente pode ter sobre aquilo que antes foi, com excessiva frequência, tomado como questões de propriedade puramente “física”. Quando, numa emergência, um xamã aborígene australiano ou um lama tibetano empenha-se numa “viagem rápida” — um transe da técnica em EXC para percorrer longas distâncias a grande velocidade — isso é, claramente, uma técnica de sobrevivência que, por definição, não é possível em ECC.

Da mesma maneira, estamos agora aprendendo que muitos dos nossos atletas mais bem-sucedidos entram em estado alterado de consciência quando estão tendo seus melhores desempenhos. Levando tudo isso em conta, parece impróprio argumentar que apenas determinado estado de consciência é superior em todas as circunstâncias. De há muito o xamã sabe que essa suposição não somente é falsa, mas também é perigosa para a saúde e o bem-estar. Usando milênios de conhecimentos acumulados, bem como suas experiências diretas, o xamã sabe quando a mudança de um estado de consciência é aconselhável ou mesmo necessária.

Em EXC, o xamã não só passa por experiências que são impossíveis em ECC, mas também as realiza. Mesmo que fosse provado que todas as experiências xamânicas em EXC estão apenas na mente do xamã, isso não faria esse domínio menos real para ele. Na verdade, tal conclusão significaria que as experiências e as realizações xamânicas não são impossíveis, seja qual for o seu sentido.

(…) Do ponto de vista do xamanismo, o poder pessoal é básico para a saúde, em todas as condições da vida de uma pessoa (…) E a que ponto podemos dizer que serão xamãs? Esse estado só lhes poderá ser conferido por aqueles aos quais tentarem prestar ajuda em assuntos de poder e de cura. Em outras palavras, é o sucesso obtido no trabalho xamânico que determina se as pessoas chegaram ou não a se tornar xamãs. Elas terão oportunidade de descobrir que, sem usar nenhum tipo de droga, podem alterar seu estado de consciência para formas xamânicas clássicas, e entrar na realidade incomum do xamanismo.

Em EXC, podem tornar-se videntes e fazer, pessoalmente, a famosa viagem xamânica, para adquirirem, em primeira mão, o conhecimento do universo oculto. Também podem descobrir a possibilidade de se beneficiar dessas viagens xamânicas, em termos de cura e de saúde, usando antigos métodos que fazem o prognóstico de ambas, e que vão além da psicologia, da medicina e da espiritualidade do Ocidente. Além disso, podem aprender métodos sem viagens, através dos quais a pessoa mantém o poder pessoal e o melhora.

Não é difícil que os ocidentais, ao se aproximarem pela primeira vez dos exercícios xamânicos, sintam certa perturbação. Ainda assim, em cada um dos casos que conheço, as ansiedades foram logo substituídas por sensações de descoberta, por excitação positiva e por confiança em si mesmo.(…)

Esta é, essencialmente, uma apresentação fenomenológica. Não estou tentando explicar concepções e práticas xamânicas cm termos de psicanálise, ou de qualquer outro sistema ocidental contemporâneo de teoria causai. A causalidade envolvida no xamanismo e na cura xamânica é, realmente, uma questão muito interessante, que merece detalhada pesquisa; entretanto, uma pesquisa científica orientada para a causalidade não é essencial para o ensino da prática xamânica, que aqui se trata do objetivo maior.

Em outras palavras, as indagações ocidentais sobre o porquê do funcionamento do xamanismo não são necessárias para que se façam experiências e se empreguem os métodos com resultado. Tentem conter qualquer pré-julgamento crítico quando começarem a praticar métodos xamânicos. Gozem, simplesmente, as aventuras de uma abordagem xamânica, absorvam e pratiquem o que leram e, então, vejam para onde as suas investigações os levam. Durante dias, semanas, e talvez anos depois de terem usado esses métodos, as pessoas terão muito tempo para refletir sobre a sua significação a partir de um ponto de vista ocidental.

A forma mais eficaz de aprender o sistema xamânico é usar os mesmos conceitos básicos que ele usa. Por exemplo, falo de “espíritos” porque é dessa maneira que os xamãs falam, dentro do seu sistema. Para praticar o xamanismo é desnecessário, e mesmo perturbador, estar preocupado com a obtenção de uma compreensão científica daquilo que os “espíritos” podem realmente representar e com o porquê da atividade do xamanismo (…)

A principal meta aqui é fornecer um manual introdutório de metodologia xamânica para a saúde e a cura. (…) os elementos essenciais básicos aqui estão, para quem quer que tenha a capacidade de começar a se tornar xamã e esteja predisposto a fazê-lo. O conhecimento do xamanismo, como outro conhecimento qualquer, pode ser usado para diferentes fins, dependendo da maneira pela qual ele é empregado. O caminho que lhes ofereço é o do curandeiro, não o do feiticeiro, e os métodos oferecidos têm por objetivo atingir bem-estar e saúde, bem como ajudar aos outros.

(…) Não aceitem, porém, só o que eu digo: o conhecimento xamânico verdadeiramente importante é o que se experimenta, e não pode ser obtido a partir de mim ou de outro xamã. O xamanismo, afinal, é, basicamente, uma estratégia de aprendizado pessoal e de ação segundo esse aprendizado. Eu lhes ofereço uma parte dessa estratégia, e os acolho com prazer nessa antiga aventura xamânica.

Foto: Xamã da Amazônia

XAMANISMO, MEDICINA E TERAPÊUTICA INTEGRADA

Consta que Albert Schweitzer disse certa vez; “(…) Cada paciente leva seu próprio médico dentro de si. Esse paciente nos procura sem saber dessa verdade. O melhor que fazemos é dar ao médico que reside dentro de cada paciente a chance de trabalhar.”

Entre os profissionais da arte de curar, talvez apenas o xamã tenha qualificação para dar “ao médico que reside dentro de cada paciente a chance de trabalhar”. Embora a falta de moderna tecnologia médica possa ter forçado os povos primitivos a desenvolver seus poderes xamânicos latentes, mesmo hoje se está reconhecendo cada vez mais que a saúde e a cura “física”, às vezes, exigem mais do que um tratamento técnico. Há um novo ponto de vista quanto ao fato de que a saúde “física” e a “mental” estão em íntima conexão, e de que os fatores emocionais podem ter um papel importante no início, no decorrer da cura e na cura de uma doença.

O recente acúmulo de dados experimentais que comprovam que os profissionais iogues e de casos regenerativos podem manipular processos físicos básicos, antes considerados pela medicina ocidental incontroláveis pela mente, é apenas uma parte do novo reconhecimento da importância que a prática espiritual e mental tem para a saúde. Particularmente estimulante e implicitamente a favor da abordagem xamânica da saúde e da cura é a nova evidência médica de que, em estado alterado de consciência, a mente pode pôr em ação o sistema imunológico do corpo, através do hipotálamo. É possível que, com o tempo, a ciência venha a descobrir que a mente inconsciente da pessoa que é tratada pelo xamã, sob a influência do som lento, está sendo “programada” pelo ritual a ativar o sistema imunológico do corpo contra a doença.

O campo da medicina holística, que vai desabrochando cada vez mais, mostra uma extraordinária quantidade de experimentos que se dirigem à reinvenção de várias técnicas de há muito praticadas no xamanismo, tais como a vidência, o estado alterado de consciência, aspectos da psicanálise, a hipnoterapia, a meditação, a atitude positiva, a redução do esforço e a expressão mental e emocional da vontade para a obtenção da saúde e da cura. Em certo sentido, o xamanismo está sendo reinventado no Ocidente, precisamente porque está sendo necessário.

Em conexão com a crescente compreensão das impropriedades do tratamento puramente técnico das doenças, existe a insatisfação diante da impessoalidade da medicina comercial e institucional moderna. No mundo primitivo, quase sempre os xamãs são membros da mesma grande família do paciente e têm um compromisso emocional com o bem-estar pessoal do enfermo, compromisso que nada tem de parecido com a visita de quinze minutos ao consultório do médico da sociedade contemporânea.

O xamã pode trabalhar a noite inteira, ou várias noites, pela recuperação de um só paciente, em dupla aliança que entrelaça o inconsciente de ambos numa heróica associação contra a doença e a morte. A aliança, contudo, vai além, porque se trata de uma aliança contra os poderes ocultos da Natureza, invisíveis à luz do dia, quando a intromissão da vida cotidiana confunde a consciência.

Em lugar disso, o par formado pelo xamã e pelo paciente aventura-se pela claridade das trevas, onde, sem ser interrompido pelos estímulos exteriores e superficiais, o xamã as forças ocultas encerradas nas profundezas do inconsciente e usa ou combate essas forças para o bem-estar e a sobrevivência do paciente. Alguns xamãs, como é natural, não são membros da família dos enfermos e, assim sendo, aceitam pagamento por seus trabalhos, em algumas sociedades. Entretanto, como ocorre entre os Tsimshian Gitksan, na costa noroeste da América do Norte, não raro o xamã devolve esse pagamento, se o doente morre.

As realizações da medicina científica e tecnológica do Ocidente são, sem dúvida, miraculosas, por si mesmas. Espero, entretanto, que o conhecimento e os métodos xamânicos venham a ser respeitados pelos ocidentais, como os xamãs respeitam a medicina tecnológica do Ocidente. Com o respeito mútuo, ambas as estratégias podem ajudar na efetivação da abordagem holística da cura e da saúde que tantos povos estão buscando. Para fazer uso do xamanismo, não precisamos saber, em termos científicos, por que ele funciona, assim como não precisamos saber por que a acupuntura funciona para tirarmos proveito dela.

Não há conflito entre a prática xamânica e o tratamento médico moderno. Todos os aborígenes xamãs da América do Sul e do Norte que tenho interrogado sobre esse assunto são unânimes em dizer que não há nenhuma competição. Os xamãs Jivaro estão plenamente dispostos a deixar que os seus pacientes visitem um médico missionário, por exemplo. Na verdade, eles encorajam seus pacientes a que busquem todo tratamento tecnológico que puderem obter. Antes de mais nada, o xamã deseja ver o paciente bem. Qualquer espécie de tratamento ou de medicação tecnológica que contribua para dar forças ao paciente, que ajude a combater qualquer tipo de doença, é bem-vindo.

Um exemplo comum da combinação de apoio mútuo entre o xamanismo e a medicina tecnológica ocidental é o conhecido trabalho do Dr. Carl Simonton e de Stephanie Matthews-Simonton, referente ao tratamento de pacientes com câncer. Embora os Simonton não tenham consciência de usarem métodos xamânicos, algumas de suas técnicas de apoio à quimioterapia são incrivelmente semelhantes às dos xamãs. Segundo se revela, os pacientes dos Simonton, às vezes, conseguem surpreendentemente o alívio da dor e a redução das áreas afetadas pelo câncer.

Como parte do tratamento, os pacientes descansam num aposento tranqüilo e se visualizam fazendo uma viagem até encontrarem o “guia interior”, que é uma pessoa ou um animal. O paciente, então, pede auxílio ao guia, para ficar bom. A semelhança com a viagem xamânica e a recuperação de um animal de poder, e seu uso xamânico, é, obviamente, notável. Além disso, os Simonton, sem sugerir seu conteúdo, fazem com que os pacientes visualizem e desenhem o câncer deles. Os pacientes, espontaneamente, desenham cobras e outras criaturas espantosamente semelhantes ás que os xamãs vêem como energias intrusas no corpo dos pacientes. Os Simonton estimulam os seus pacientes, então, a visualizar o câncer como “criatura de dor” e a se livrar dele.

Foto: Xamã do Nepal

A semelhança com o xamanismo, entretanto, não cessa aí. Os Simonton descobriram que poderiam treinar os pacientes a visualizar o envio das células brancas de seu sangue para ingerir as células cancerosas e expeli-las – semelhante à cura de câncer que ocorreu na época com Louise Hay (observação da blogueira) – quase da mesma forma que o xamã procede ao sugar e remover do corpo do paciente as energias intrusas de poder nocivo. Uma das principais diferenças está no fato de que os pacientes dos Simonton agem como seus próprios curadores, algo que é difícil mesmo para os melhores xamãs (…)

Um dia, e espero que esse dia não demore a vir, uma versão moderna do xamã trabalhará lado a lado com os médicos ocidentais ortodoxos. Na verdade, isso já está acontecendo nos lugares onde existem xamãs aborígenes, como em algumas reservas indígenas da América do Norte e em algumas partes da Austrália. Igualmente emocionante é a perspectiva de médicos serem treinados nos métodos xamânicos de cura e de manutenção da saúde, para que eles possam combinar as duas abordagens em sua prática. Sinto-me feliz por notar que um pequeno número de médicos mais jovens já participou do meu treinamento nos centros que para isso mantenho, e parecem entusiasmados com o que aprenderam. Só o tempo dirá qual será o seu sucesso no uso dos princípios xamânicos em seu trabalho.

Quaisquer que sejam seus interesses e expectativas em relação à arte do xamã, uma questão básica existe: Daqui, para onde você vai? (…) Ser xamã incorre em que se tente seriamente dar auxílio às pessoas que têm problemas de poder e de saúde. Talvez, você não se sinta bem ao assumir essa responsabilidade. Mesmo nas sociedades primitivas, a maioria das pessoas se sente desse jeito. Ainda assim, todavia, você pode se ajudar por meio do uso diário e regular dos métodos que aprendeu. É possível trabalhar sozinho, mesmo sem um tamborileiro, usando uma mídia que tenha gravado o toque xamânico do tambor. Dessa maneira, temos a tecnologia do século XX combinada com o xamanismo!

Para os leitores que desejam se tomar xamãs profissionais, devo salientar que há mais a ser experimentado e aprendido do que o que foi tratado nas páginas precedentes, tal como: caminhar por regiões agrestes, buscar a “visão”, a experiência xamânica da morte e da ressurreição, a jornada órfica, o xamanismo e a vida após a morte, as viagens ao Mundo Profundo. Mas, por enquanto, o mais importante para você é praticar regularmente o que aprendeu. Pode ser assistido por um amigo ou parente que esteja disposto a trabalhar com você como parceiro, participando em centros de treinamento xamânico e criando um círculo de pessoas com tendências ao xamanismo, que se encontrem sempre para se ajudarem mutuamente e também para auxiliar os outros.

Conforme mencionei, você pode trabalhar simplesmente para se ajudar, mas talvez ache que isso não é suficiente e queira ajudar os outros, através do xamanismo. Os maiores obstáculos para tal serão culturais e sociais, e não xamânicos, pois vivemos numa civilização que perseguiu e destruiu os que possuíam o antigo conhecimento. Você não será queimado em fogueira, mas também não receberá o Prêmio Nobel de Medicina.

Entre os Koryak, na Sibéria, havia uma útil distinção entre o xamanismo familiar e o xamanismo profissional. O xamanismo familiar era o auxílio aos parentes mais próximos, que prestavam as pessoas que eram menos avançadas ou menos poderosas no que se referia ao conhecimento xamânico. O xamanismo profissional era praticado pelos mais avançados e mais poderosos e incluía o tratamento de todo e qualquer cliente. Se você deseja ajudar os outros através de métodos xamânicos, sugiro que siga o modelo do xamanismo familiar, trabalhando para ajudar amigos íntimos e membros da família que se mostrem predispostos. E lembre-se: trabalhe para suplementar o tratamento médico ocidental ortodoxo, não para competir com ele. O objetivos não é ser purista, mas ajudar os outros a obter saúde, felicidade e harmonia com a Natureza, de todas as formas viáveis.

Enfim, no xamanismo não há distinção entre ajudar os outros e ajudar a si próprio. Ao ajudar os outros xamanicamente, a pessoa se torna mais poderosa, no que se refere a estar mais plenamente realizada e jubilosa. O xamanismo vai muito além de uma transcendência essencialmente egoísta da realidade comum. Trata-se de uma transcendência para um propósito mais amplo, o auxílio à humanidade. O iluminismo dessa arte é a capacidade de aclarar o que os outros vêem como trevas, portanto de ver e de viajar em favor de uma humanidade que está perigosamente perto de perder o vínculo espiritual com todos os seus parentes, ou seja, as plantas e os animais desta boa terra.

Foto: Xamãs Inca – imagem do documentário

DOCUMENTÁRIO

(…) É na prática dos métodos xamânicos que encontramos a trilha que ninguém pode encontrar para nós. Tal como um espírito disse a um xamã Samoiedo siberiano: “Ao praticar o xamanismo, você encontrará seu caminho, sozinho.”

Fazendo jus ao texto de Michael Harner, sugiro o documentário sobre o trabalho e a vida do autor, baseado na obra The Way of The Shaman – disponível para baixar na internet – que percorreu o mundo e trouxe uma nova visão do xamanismo aplicado à atualidade.

Este documentário conta a história de Michael e Sandra Harner na história e no desenvolvimento do xamanismo central, as práticas universais e comuns dos xamãs em todo o mundo. O filme leva-nos através das primeiras expedições de Michael como um jovem estudante de antropologia às selvas da Amazônia equatoriana e peruana, e sua vida alterando insights sobre o poder xamânico.

Os Harners estabeleceram a Fundação para Estudos Xamânicos, objetivando preservar, estudar e ensinar o xamanismo em benefício de todos, levando a um renascimento mundial do xamanismo através dos primeiros programas internacionais de treinamento da Fundação.

O filme traz conceitos muito básicos sobre o xamanismo, mas um olhar informativo e inspirador para as pessoas por trás da evolução de uma nova metodologia, chamada por ele de Core Xamanism, que honra e constrói métodos baseados no antigo conhecimento dos xamãs do mundo, entretanto sem o uso de qualquer erva ou planta alucinógena ou enteógena, mas sim fazendo uso dos diversos tipos e toques de tambor para se atingir os estados alterados ou xamânicos de consciência.

Através desses métodos, milhares de estudantes descobriram recursos espirituais escondidos, transformaram suas vidas e a si, e aprenderam como ajudar os outros, assim como nossa preciosa Terra.

Fonte complementar do livro: O Caminho do Xamã (The Way of the Shaman) – Michael Harner

Leia também: Tambor: A Cura e a Sacralidade Ancestral / Chocalho: Instrumento de Purificação / Honrando a Anciã que habita em nós

Artigos, Feminino Sagrado, Purificadores Alquímicos, Xamanismo

Honrando a Anciã que habita em nós

Honrando a sabedoria ancestral provinda das mulheres que vieram antes de nós e a usaram com amor, honramos também nossa parte visionária e sábia, nossa curandeira, sacerdotisa, alquimista, xamã e anciã interior, e junto delas todas as ancestrais que estão na luz da consciência nos trazendo a força das suas raízes, as suas medicinas e seus conselhos – tão velhas e ao mesmo tempo tão novas sabedorias que ainda hoje são aplicadas com sucesso e eficácia.

Chegará um momento em nossa jornada interior que descobriremos nossa “parte velha”, a anciã que fomos, que somos e que habita em nós há tantas vidas, que passou por tantas culturas, que visitou tantas terras quantos foram os seus passos e as suas experiências, que teve registrada nas suas raízes a sabedoria passada também pelas suas ancestrais e adquirida ao longo dos caminhos pela dança da vida e as espirais da morte.

Quando ela se apresentar para nós, através do arquétipo que for – aquele através do qual estaremos mais identificadas – tenhamos nossa mente aberta para ouvi-la sem julgamentos, desaprendendo e desapegando nesse momento das nossas crenças, para aprender o novo que ela virá nos trazer, às vezes uma visão mais oxigenada, mais sábia e profunda de alguma experiência que estivermos vivenciando através de nossas transformações pessoais.

É com profundo amor, trazendo a força dessas raízes e a sabedoria provinda de suas medicinas, que honro minha anciã com todas as suas faces. Honrar e aprender com nossa anciã é uma forma de resgatar uma parte de nós mesmas – talvez muitas delas – assim como manter acesa a chama da nossa sabedoria, força e poder interiores, desde os nossos ossos até a nossa pele, desde as nossas raízes até os frutos que gerarmos. Ela é capaz de nos ensinar sobre onde reside o equilíbrio dos ciclos da vida e da morte dentro de nós, para que sejamos capazes, da mesma forma, de encontrar o equilíbrio da vida onde exista morte e o equilíbrio da morte onde exista vida. Ahow! Namaste!

“Por todas as mulheres mais velhas, matreiras, que estão aprendendo quando chega a hora certa de dizer o que precisa ser dito e não se calar – ou calar-se quando o silêncio for mais eloquente que as palavras.

Por todas as velhas em formação, que estão aprendendo a ser gentis quando seria tão fácil ser cruel.

Que conseguem ver que podem ‘cortar’ quando for necessário, com um corte afiado e limpo.

Que estão praticando a arte de dizer verdades com total compaixão.

Por todas as que rejeitam as convenções e preferem apertar as mãos de desconhecidos, cumprimentando-os como se os tivessem criado desde filhotinhos e os tivessem conhecido desde sempre.

Por todas que estão aprendendo a chacoalhar os ossos, balançar o barco – e a cama – além de acalmar as tempestades.

Por aquelas que são guardiãs do azeite para a lâmpada, que se mantêm em silêncio interior no culto diário.

Por aquelas que cumprem os rituais, que se lembram de como fazer o fogo a partir da simples pederneira e palha.

Por aquelas que entoam antigas orações, que se lembram dos símbolos, das formas, das palavras, das canções, das danças e do que no passado os ritos tinham o objetivo de instaurar.

Por aquelas que abençoam com facilidade e frequência.

Por aquelas mais velhas que não têm medo – ou que têm medo – e que agem com eficácia de qualquer modo.

Por elas…Que vivam muito, com força e saúde, e com um imenso espírito aberto aos ventos.” AMÉM!

Fonte complementar: A Ciranda das Mulheres Sábias – Clarissa Pinkola Estes (Mesma autora do livro Mulheres que Correm com os Lobos)

Por Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

Conheça o Purificador de Ambientes Kaeté: Anciã da Sabedoria – Linha Xamânica 

 

 

Artigos, Xamanismo

Crises e a Medicina do Pato: O que precisamos aprender sobre Mudança e Adaptabilidade

No Xamanismo, enquanto estudo ancestral dos animais como totens de poder, levando em consideração sua personalidade, seu comportamento, os elementos da natureza a que estão vinculados, seus hábitos e forma de viver na natureza, uma das medicinas que pode nos trazer clareza e aprendizado em meio às crises, sejam elas internas ou externas a nós – levando em consideração a crise dos transportes que acontece aqui no Brasil – é a Medicina do Pato.

No Xamanismo, vê-se os ensinamentos oriundos dos animais como práticas medicinais que podemos aplicar em nossa rotina, em nossas vidas, em nossa forma de pensar, agir e sentir o nosso Ser no meio pessoal e ao interagirmos com outras pessoas, meios e com o planeta. Essas práticas são uma ferramenta auxiliar nos processos de transformação pessoal e no autoconhecimento.

A Medicina do Pato está ligada à proteção maternal, ao conforto e à nutrição de energia – para nutrir-se emocionalmente em primeiro lugar e, assim, poder auxiliar na nutrição emocional de outros no caminho, através do afeto, do carinho, do apoio, do respeito e da flexibilidade e adaptabilidade diante das mudanças.

Esta medicina pode ser evocada através de meditações, onde ancoramos e pedimos permissão para entrar em sintonia ao espírito do animal. Ela nos ensina a equilibrar as emoções com leveza, conforto e graça – a medicina da graça também é representada pelo Cisne, um complemento importante nesta equação para lidarmos com as diversas situações que a vida apresenta da melhor forma possível, sendo gratos por tudo o que nos chega como forma de aprendizado e evolução.

Já na simbologia onírica – incluindo os estudos simbólicos de Carl Jung – o pato pode ser considerado um dos símbolos do Self pela sua capacidade de adaptação e estilo de vida distintos. Essa interpretação tem pertinência porque o pato é capaz de adaptar-se em três meios: na terra, na água e no ar.

Essa função ligada ao Self, portanto, é considerada como sendo transcendental: a capacidade que tem a psique inconsciente de se transformar e de nos levar a uma nova situação que anteriormente nos parecia bloqueada – uma das razões pelas quais uma situação de crise pode gerar uma grande mudança.

O pato, assim, está em casa em todos os domínios da natureza. Numa interpretação pessoal, o fogo sendo o quarto elemento da natureza aqui está implícito, podendo representar a crise em si, que ocorre dentro ou fora de nós.

Complementando o artigo, segue um texto bastante propício para aprofundarmos nossas reflexões acerca das mudanças que já podemos estar desempenhando em meio às crises que se apresentam. Estejamos sintonizados à Medicina do Pato para aprendermos ainda mais sobre como podemos e somos capazes de nos adaptar a qualquer meio. Um pequeno passo em direção à mudança é um grande passo em direção ao progresso. Namastê! ❤

Por Lorena Ventura, Via Clã Sacerdotisas da terra – “Estamos passando por um ‘treinamento de apocalipse’. Sem combustível nos postos, poucas frutas e legumes, quase nada de verduras, faltam itens nos mercados. Parece cena de filme, mas não é.
No futuro, se continuarmos fazendo as coisas da mesma forma, será por falta real de recursos. Falta, aliás, que já existe constantemente para pelo menos um bilhão de pessoas pelo mundo.

Tudo isso me faz ver que nós ainda dependemos MUITO dos combustíveis fósseis. Dependemos MUITO de meios de transporte de longa distância. Dependemos MUITO daquelas coisas que podem até ser úteis atualmente, mas que irão nos destruir no futuro. Que esses dias apocalípticos nos sirvam de inspiração para alterar hábitos e rotinas destrutivas.

Menos carros nas ruas, mais bicicletas. Menos consumo de alimentos que vêm de todos os cantos do mundo, mais produção local.
Mais hortas urbanas nos bairros das grandes (e pequenas) cidades. Mais fontes de energia alternativas. Mais respeito por quem produz e transporta aquilo que necessitamos – independente da distância. Mais pessoas interessadas em promover mudanças em suas vidas pessoais.

Não vai adiantar estocar comida, quando recursos como o petróleo estiverem escassos e causando o caos completo numa sociedade que se sustenta em bases frágeis. Mas adianta aprender a plantar, se organizar e montar uma horta em casa ou no bairro, compostar as sobras de alimentos. Adianta buscar os pequenos agricultores que moram mais próximo de você.

Adianta buscar novas fontes de energia. Adianta aprender a reduzir a necessidade por itens que demandam gasto de energia ou combustíveis fósseis. Adianta aprender sobre veganismo, minimalismo, sustentabilidade, horta urbana, empreendedorismo, viver (mais e melhor) com menos. Adianta mudar. Primeiro sozinho, de dentro para fora. Depois unindo-se a outros que também estão promovendo mudanças nas estruturas da sociedade.

A estrutura primeira de toda civilização é o indivíduo. Mudando o indivíduo, muda-se a sociedade. E pouco a pouco começamos a ver as mudanças individuais reverberando no mundo ao nosso redor. Novas leis, novas iniciativas, novas formas de ver e viver a vida. Junte-se ao novo.

Mas por onde começar? Por onde você quiser. Todo despertar natural começa com apenas uma transformação.
Você quer reduzir a sua produção de lixo? Parar de comer animais? Diminuir o seu vício em consumo? Emagrecer com saúde? Deixar de depender dos mercados e grandes marcas para comer, se cuidar e se vestir? Defender uma causa?
Você escolhe por onde começar.

(…) Estamos vendo o nascer de um novo mundo – e o colapso de um mundo antigo.
Por isso, tome as providências necessárias para acessar cada vez mais a realidade do novo mundo, e depender cada vez menos do velho. É mais fácil e bem mais barato do que você pensa.

Quem continuar a depender do velho mundo, vai acabar junto com ele.
E a paralisação dos caminhoneiros é só um aviso para quem quiser entender as coisas com os olhos da transformação: não coloque a sua vida nas mãos de um sistema falido. Acorde e co-crie um novo sistema: mais justo, limpo e sustentável! 

Leia também: Medicina dos Animais – II ParteA Medicina do Alce: respeitando seu ritmo, proclamando a alegria, honrando seus dons com sabedoriaA Medicina do Golfinho: o guardião do sopro sagrado da vida, o mensageiro dos nossos progressos

Artigos, Orgânicos: Produtos e Alimentação, Purificadores Alquímicos, Terapias Integrativas, Xamanismo

Purificadores KAETÉ: A Força da terra, o Perfume da vida!

Neste mês de maio, estamos com uma promoção especial para o Dia das Mães! Presenteie quem você gosta e ama levando a energia, as elevadas vibrações, o amor e o carinho com que essa alquimia sagrada é produzida! Aproveite o valor com 20% de desconto nas compras pelo site! ❤

Na compra de 4 Puririfcadores Kaeté Linha Floral ou Linha Xamânica GRÁTIS 1 KIT RENOVADOR: Banho Energia Cigana OU Energia Relaxante OU Energia 7 Ervas * + Madeira sagrada de Palo Santo + 1 CD de Meditação (Namuria ou Arapahe).

Banho Energia Cigana (20g): Pétalas de rosas, Cravo, Canela, Cacau em pó, Pimenta Rosa ou Vermelha, Calêndula, Anis Estrelado e Hibisco.

Banho Energia Relaxante (20g): Camomila, Erva-doce, Melissa, Maracujá, Capim Cidró e Casca de Laranja Doce.

Banho Energia 7 Ervas (20g) : Alfazema, Alecrim, Arruda, Sálvia, Manjericão, Louro e Eucalipto.

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“Apaixonada por fórmulas, experiências e elementos da natureza desde os 4 anos de idade, onde o conhecimento registrado na alma já começava a aparecer, as brincadeiras prediletas envolviam misturas com flores, plantas, cristais colhidos na fazenda dos avós, frascos, água e muita cor. Na escola, as aulas favoritas eram as experiências nos laboratórios de química e biologia. Através desse histórico, incentivada e rodeada desde criança pela medicina naturalista e a homeopatia, especializando-me na fase adulta ao conhecimento adquirido, diria que a idealização e criação dos Purificadores Kaeté é certamente uma extensão da minha essência! Permaneço dedicando-me a esta linda jornada que trilho com profundo amor e gratidão. Namastê!”

Luciane Strähuber – Idealizadora e Criadora dos Purificadores Kaeté

Saiba mais: História dos Purificadores Kaeté/ Depoimentos de quem usou e adorou!

Artigos, Xamanismo

Finados: Honrando e Celebrando nossos Ancestrais

“De manhã, eu canto a canção singela de graças, como meus avós ensinaram. Canto por todos os meus parentes, por todos aqueles que vivem e respiram, até pelas pedras, pois os cristais são vivos e crescem como nós. Em nossas experiências com a vida, em nossas interações uns com os outros, aprendemos a deixar a ira de lado, aprendemos os modos da comunhão e encontramos os caminhos da resolução (…)

Muitos de nós buscam hoje, outra vez, maneiras simples de viver, maneiras dignas que não nos escravizem para pagarmos por coisas de que na realidade não precisamos, e não nos tornem cada vez mais dependentes das tecnologias que poluem a Terra. É bom cortar a nossa própria lenha, é bom fazer um fogo para cozinhar no quintal. Viver com simplicidade é viver sem grilhões.

Nossa condição, nossa posição são determinadas não pelo trabalho que realizamos externamente, mas pela obra em nossos corações e pelo modo como ajudamos os outros. O esforço para reconhecer e falar a verdade é o maior trabalho que qualquer um pode realizar. É perceber o poder da nossa mente límpida e fazer manifestar o melhor em todas as pessoas com quem percorremos o caminho da vida. Este é um dom de dar e receber. Nosso coração sente, então, que vai explodir de amor e apreço, livre dos medos que confinam.” (The Voices of Our Ancestors – As Vozes dos Nossos Ancestrais)

Em diversas culturas, o Dia de Finados é comemorado com alegria, música, dança e cor. Essa alegria tem por base honrar a vida que nos foi dada, reverenciar tanto os ciclos Vida quanto os ciclos de Morte, permitindo que a morte também tenha um lugar em nossos ciclos pessoais de vida sem que tenhamos que negá-la ou rejeitá-la, mas simplesmente percebê-la como necessária para qualquer movimento de renascimento, de recomeço, de mudança e transformação.

Nos alegramos, assim, por podermos honrar nossos antepassados e tudo o que por eles foi deixado de bom, de positivo em nosso caminhar: seus dons, talentos, realizações e avanços que imprimiram prosperidade e progresso em nossa família.

Mesmo que o legado tenha sido um caminho com “erros” ou acertos, temos a oportunidade de aprendermos e evoluirmos através dele fertilizando a terra dessas raízes naquilo que compete a nós. Muitos tendem a perder sua força porque não compreendem ou não conseguiram reconciliar-se, porque perderam a conexão com sua própria origem através da rejeição ou do não reconhecimento de seus ancestrais. Com isso, perdem a conexão com a Vida.

Neste movimento, temos a chance de nos reconciliarmos com algo que ficou pendente, que ficou incompleto, até mesmo com algo que impediu ou corrompeu o fluxo da vida por ações destorcidas. Temos, antes, o exercício da reconciliação para que haja espaço para o perdão acontecer em nosso coração. Honrando e sendo gratos pelos que vieram antes de nós adquirimos força provinda das nossas raízes – uma parte dessas raízes representa uma parte de nós, da nossa árvore ancestral.

Sob uma visão mais ampla, se pudéssemos percorrer a árvore genealógica da criação primordial do nosso ser chegaríamos à real origem de nossas vidas. Todas as pessoas que nos antecederam estão diretamente ligadas à nossa própria existência, pois caso uma delas não tivesse existido, nós também não teríamos a oportunidade de estarmos vivos.

Honrar e sintonizar com este olhar em direção ao passado, assim, significa ser grato pela vida que nos foi dada; incluir nela os que porventura foram excluídos e os que fizeram parte desta e de outras existências de nossa alma, nesta e em outras famílias – biológica, espiritual e cósmica.

É reverenciar aqueles que apenas neste plano dimensional não estão, mas que permanecem nos apoiando, nas memórias das nossas raízes, em nossos corações, nos trazendo força, vitalidade, impulso para olhar em direção ao horizonte, em direção à Vida e ao porvir dos nossos sonhos, objetivos e propósito! Namastê! ❤