Artigos, Xamanismo: Sabedorias Ancestrais

A Medicina do Búfalo: Cultivando a Humildade, Honrando o Espírito, Recebendo a Abundância

“Búfalo: você nos permite reconquistar os dons da vida. Ouça nossas preces que se elevam da fumaça sagrada, assim como a Fênix. Nós podemos renascer através das Palavras Sagradas que seguem em direção ao Grande Espírito.”

Neste dia que marca a entrada do Solstício de Inverno no Hemisfério Sul, trazendo a noite mais longa do ano, trago a lembrança da lenda e medicina do Búfalo, um dos animais de poder que rege esta estação junto ao urso.

Considerado sagrado para os nativos americanos porque dele tudo aproveitavam para sua sobrevivência, servindo como sustento para todo o inverno, o Búfalo também era uma simbologia de abundância e plenitude. Prenunciando um período de serenidade por ser visto como o pacificador, trazia o ensinamento de que todas as relações devem ser honradas, da importância da prece e da meditação para manter a paz interior, do cultivo da humildade e do sentido da gratidão por tudo o que recebiam em comunhão e respeito ao Grande Espírito e à Mãe terra.

Mesmo que o Búfalo não seja um animal que exista em nosso país, os valores e princípios da sua medicina são comuns a todos nós, a todos os continentes e a todas as “tribos da atualidade”. Essa medicina vem para nos lembrar de cultivarmos o trabalho interior contínuo da nossa espiritualidade, uma parte de nós muito esquecida, mas que mantém nosso equilíbrio e paz interior.

Considero a lenda e o arquétipo da Mulher Búfalo Branco um presente, um bálsamo para a alma em tempos tão difíceis e desafiadores. Que através dessas palavras, possamos relembrar de nutrir e manter acesa a chama do fogo sagrado do nosso coração, honrando a sua verdade e também todos os que nos cercam, respeitando os caminhos que escolherem mesmo que esses não sejam vistos como certos para nós.

Lembremos de exercitar a humildade e a paciência diante das adversidades e tempestades da vida, de agradecer sempre pela vida que nos foi dada para aqui estarmos desempenhando o nosso propósito, por tudo o que somos, temos e recebemos.

Todos os que se identificarem com essas palavras sentirão-as nas profundezas do seu ser – como um eco de verdade vindo do passado – e saberão, através das suas raízes além do tempo e do espaço, que somos aqueles com a missão de mantermos a luz da verdade acesa em nossos corações, espargindo-a como sementes, nutrindo-as no silêncio da alma.

Sigamos com humildade e gratidão à Mãe terra, nutrindo e honrando este fogo sagrado, mesmo que este seja apenas uma brasa no coração, aguardando a tempestade desse momento da humanidade passar e elevando nossas preces e melhores intenções ao Grande Espírito. À cada passo, precisaremos exercitar o salto de fé no escuro para continuar a jornada. Namaste!

A Lenda da Mulher Búfalo Branco

Um dia, dois jovens guerreiros Sioux estavam caçando nas pradarias do Minesota. Ao subirem uma colina em busca de caça, eles foram surpreendidos ao verem uma jovem mulher muito bonita surgir diante deles numa nuvem.

Retendo o fôlego, eles a observavam. Ela trajava vestes feitas de corça branca. Levava à tiracolo uma sacola de pele e uma pele de búfalo em uma das mãos. Uma pena de águia, trançada nos seus longos cabelos negros, reluzia à luz do sol. “Não tema”, disse a mulher, “eu trago paz e felicidade para vocês. Agora me falem, por que vocês estão longe de sua aldeia?”

A graça e a beleza dela incendiou o guerreiro mais velho com pensamentos lascivos, que calou-se. O mais jovem então respondeu: – Nossa aldeia está com falta de comida. Nós estamos caçando. Aqui – ela disse – leve de volta este pacote aos seus. Diga para os Chefes das sete fogueiras da sua tribo para reunirem-se na fogueira do conselho e esperarem por mim.

Ao escutar essas palavras, o mais velho deu voz ao seu desejo de acasalar-se com ela, ali mesmo na pradaria, debaixo do sol. No momento em que o guerreiro mais velho tentou agarrá-la, a mulher envolveu-o na pele de búfalo. Uma nuvem envolveu o corpo dele, e quando o pó assentou, no lugar do guerreiro havia um esqueleto recoberto de vermes.

Foi então que Mulher Búfalo Branco, falou ao jovem guerreiro: – O homem que olha primeiro a beleza exterior de uma mulher nunca conhecerá sua beleza divina, pois ele é um cego. Mas o homem que primeiro vê a beleza de seu espírito e sua verdade, esse homem conhecerá o Grande Espírito nessa mulher; se ela quiser deitar-se com ele, ele compartilhará com ela um prazer mais pleno do que poderia imaginar.

– Você, quando me olhou, não ficou cego com a minha beleza, mas seu primeiro pensamento foi: ‘Quem é essa mulher?’ ‘De onde ela vem?’ ‘Será ela uma mulher sagrada?’ – Meu jovem, você também terá o que deseja. – Você e seu amigo simbolizam dois caminhos que os homens podem seguir. Se procurar primeiro a sagrada visão do Grande Espírito, estará vendo da mesma maneira que o Criador, e por isso você saberá que aquilo que necessitar da terra chegará às suas mãos. Mas se preferir seguir primeiro, esquecer o Grande Espírito, satisfazer os seus desejos terrenos, você morrerá por dentro.

Foi então que o jovem guerreiro resolveu perguntar quem era ela. Ela olhou profundamente nos olhos dele e respondeu: Eu sou o Espírito da Verdade. Seu povo me conhece como a Mãe dos Mais Velhos; mas como você pode ver, não sou tão velha assim. Sou a Grande Mãe, que vive dentro de cada Mãe, a moça que brinca em cada criança. Sou a face do Grande Espírito que seu povo esqueceu. Vim para falar às nações da planície. Vá para sua aldeia e prepare a minha chegada. Tenho algumas coisas a ensinar, coisas sagradas que sua tribo esqueceu.

O jovem então correu ao seu povo, para transmitir a mensagem de Mulher Búfalo Branco aos Chefes das Sete Fogueiras de sua tribo. Após ouvirem o jovem, toda tribo começou a trabalhar numa enorme cabana, coberta de muitas peles, na qual toda tribo pudesse se reunir. Quando viram Mulher Búfalo Branco se aproximando pela pradaria, ficaram atônitos. Esperavam por alguém de mais idade. E ela parecia uma donzela, graciosa como a relva que se movia em torno dela no crepúsculo. Seu rosto brilhava como uma luz que falava das flores e das mais finas ervas.

Descalça como sempre andava nas sua viagens pela terra, ela entrou na grande cabana. Seu vestido de pele de Búfalo Branco irradiava a presença de seu espírito. Sem dizer uma palavra, andou em círculo em torno do fogo que ardia no centro da cabana. Cada vez que seus delicados pés tocavam a areia ao redor do fogo, os que a observavam sentiam que cada gesto seu era uma prece de profunda reverência à terra.

Devagar, em silêncio, ela contornou o fogo sete vezes. Quando por fim ela falou, sua voz era como a canção dos pássaros das pradarias. “Sete vezes, andei em sete círculos em torno deste fogo, em reverência e silêncio. O fogo simboliza o amor que arde para sempre no coração do Grande Espírito. É o fogo que aquece cada criatura no mundo. Vocês são como um ser único. Esta cabana, feita de muitas peles, é o corpo de vocês. O fogo que arde no centro dela é o amor de vocês.”

Parou um momento e, devagar, curvou-se para tirar um graveto incandescente das chamas. “Este fogo é mais forte que qualquer um de vocês. Seu povo esqueceu o que é mais precioso que a água. Vocês esqueceram suas ligações com o Grande Espírito. Eu vim – disse ela erguendo o graveto – como um fogo do céu para reavivar a memória daquilo que foi, e fortalecê-los para os tempos que virão.

Pousou novamente o graveto no fogo e pegou uma sacola de pele que trazia: – Nesta sacola, trago um cachimbo para ajudá-los a recordarem os ensinamentos que eu trago. Tratem-no sempre com respeito. Levem-no sempre em sacolas das mais finas peles, enfeitadas pela mãos mais reverentes. Ponham neste cachimbo um tabaco sagrado plantado especialmente para esse fim. Fumem-no com um sentimento de gratidão ao Grande Espírito, de cujo sopro vocês receberam a vida. Usem o fumo para representar seus pensamentos, suas orações e aspirações ao Grande Espírito.

Até então, ela ainda não tinha aberto a sacola na qual estava o cachimbo. Desatou as tiras de couro que a amarrava, e retirou o cachimbo com tal reverência que todos que estavam na cabana sentiram o coração transbordando e os olhos cheios de lágrimas. – Este cachimbo sagrado, assim como cada tragada do fumo sagrado que vocês inalam pelo seu tubo, ajudará vocês a recordarem que cada sopro de vocês é sagrado. O fornilho do cachimbo é feito de pedra vermelha. Tem o formato de círculo. Simboliza a Roda Sagrada, o sagrado círculo da vida, o dar e o receber, a inalação e a exalação pelo qual todas as coisas vivas ingressam na vida através do poder do Grande Espírito.

Pedindo um pouco de tabaco, Mulher Búfalo Branco colocou-o no fornilho do cachimbo dizendo: – Este tabaco, simboliza o mundo das plantas, o musgo das pedras, as flores, as ervas, as folhas das relvas que cobrem a colina para que sua mãe terra não repouse nua ao sol. Vocês estão aqui para cuidar da terra. Suas vidas são acesas pelo mesmo fogo que arde no coração do Grande Espírito.

Assim falando, ela colocou um pequeno graveto no fogo para que ardesse como chama viva: – Da mesma forma que acendo esse graveto no grande fogo, assim todo ser humano é uma chama que faz parte do fogo eterno do amor do Grande Espírito. Devagar, ela tirou o graveto em chamas do fogo, e ergueu-o para que todos o pudessem ver: – Quando vocês viverem em harmonia com o Grande Espírito, sua chama de amor será vivida sempre por aqueles ventos espirituais.

Vocês serão tomados de amor pela própria razão de viver! Acenderão o fogo do amor em todos os que encontrarem. Conhecerão o propósito de sua travessia por esse mundo e saberão que o Grande Ser deu uma chama da vida a todos: não para guardarem sua pequenina chama somente para si, amando apenas aquilo que é necessário às suas vidas, mas sim para que pudessem dar o seu amor, e com o fogo desse amor trazer consciência para a terra.

Dizendo isto, ela segurou o graveto bem em cima do fornilho vermelho do cachimbo. Encostou a chama no centro do cachimbo, aspirando suavemente até o tabaco incandescer. O cheiro do fumo invadiu o ambiente: – Assim como o tabaco queima neste cachimbo de terra que representa as plantas – continuou Mulher Búfalo Branco – assim também esse búfalo que vocês vêem entalhado no fornilho de pedra do cachimbo representa as criaturas quadrúpedes que compartilham com vocês esse mundo sagrado. As doze penas que pendem o tubo do cachimbo representam os seres alados com os quais vocês compartilham o grande círculo do céu.

Em seguida ela passou o cachimbo ao chefe do conselho dizendo: – Tomem este cachimbo. Agradeçam ao Grande Espírito, e passem o cachimbo aos outros do nosso círculo. Que seus pensamentos sejam elevados ao Grande Espírito que vem agora mexer com suas memórias, abrindo os olhos de seus narradores. Cada amanhecer que nasce vermelho no céu do leste, como o fornilho vermelho deste cachimbo, é o nascimento de um novo dia, de um dia sagrado. Lembrem-se sempre de tratar cada criatura como um ser sagrado: as pessoas que vivem além das montanhas, os pássaros, os peixes e os outros animais, todos eles são irmãs e irmãos de vocês. Todos constituem partes sagradas do corpo do Grande Espírito. Tudo é Sagrado.

Neste momento, o cachimbo começa a ser passado de mão em mão. Depois que todos que estavam na cabana deram uma baforada, Mulher Búfalo Branco levantou com reverência o cachimbo para que todos vissem. – Levem sempre o cachimbo com vocês. Trate-o como um objeto sagrado. Honrem todas as criaturas e vivam suas vidas em harmonia com o Caminho Sagrado do Equilíbrio de que fala cada árvore, cada flor e cada novo dia.

Haverão muitas estações nas quais o coração de vocês se sentirá claro e puro como uma nascente nas montanhas, e vocês conhecerão a paz e a alegria do Grande Espírito. Mas, se vocês sentirem que se afastaram da trilha do Caminho Sagrado, se seus corações passarem a pesar dentro de vocês, não percam tempo em arrependimento. Ensinar-lhe-eis uma cerimônia,” disse ela acendendo o cachimbo mais uma vez no fogo sagrado, “uma cerimônia que cada um de vocês pode fazer em companhia de outros, a sós em suas tendas, ou lá fora, na pradaria.

Ela deu uma pequena baforada no cachimbo e disse: – Parem suas atividades. Procurem uma pedra sobre a qual sentar. Rogando orientação do Grande Espírito, acendam o cachimbo e deixem que o fornilho vermelho lhes lembre a sagrada escritura, o caminho da vida, o trilho vermelho do sol. Depois de ter aspirado seu fumo em honra ao Grande Espírito, em honra à Mãe Terra, em honra aos animais e às pessoas que são fiéis à realidade, depois de ter dado graças às quatro direções, então aspirem uma vez mais para pedirem orientação aos grandes seres alados do mundo dos espíritos.

Peça-os para ajudá-los a ver o melhor procedimento a seguir. Peçam para que eles ajudem a vocês fazerem a escolha mais sábia e a reconhecer os passos que devem tomar na trilha que seu EU mais profundo escolher para vocês. Isso permitirá que o fogo que arde dentro de vocês fale em termos claros, sem interrupções. Peça que os seres espirituais que os cercam entrem em sua vida. Diga-lhes que desejam ajudá-los e ao Grande Espírito no seu trabalho, e perguntem-lhes como fazer isto. Ao ajudarem o Grande Espírito, vocês se ajudarão. Os seres humanos não são inteiramente felizes nem saudáveis senão quando servem aos propósitos para os quais o Grande Espírito os criou.

Novamente ela entregou o cachimbo, para que fosse passado de mão em mão. Durante muito tempo, Mulher Búfalo Branco permaneceu em silêncio, mesmo após ser completado o círculo com o cachimbo. Quando falou novamente, comparou seus ensinamentos a uma árvore; uma árvore que iria florescer à medida que tomavam a si essas coisas, plantando-as no coração de cada um e aplicando-as no dia a dia.

Então, ela continuou: – Durante longo tempo, vocês viverão sob a sombra sagrada da Árvore da Compreensão que estou plantando nas suas consciências. E, nas gerações vindouras, seu povo estará unido novamente no Sagrado Círculo da Vida. Infelizmente, essa árvore será derrubada depois de algumas gerações. A árvore parecerá morrer. A Roda Sagrada murchará até ser esquecida. Alguns poucos manterão a luz da verdade ardendo nos seus corações, mas a luz será fraca e, mesmo neles, passará a ser uma brasa pequena e imperceptível.

Guardando o cachimbo na sacola, ela continuou: – Mas a brasinha permanecerá. Em silêncio, continuará. Mesmo quando vocês tiverem sua terras invadidas, vendidas e roubadas, essa brasa ainda manterá sua luz acesa, e saibam, meu povo, que um grande fogo pode sair de uma única brasa! Quando a tempestade passar, essa brasa acenderá um alvorecer mais forte do que qualquer outra alvorada. Uma nova árvore crescerá, mais gloriosa do que esta que agora deixo com vocês.

– Com o novo alvorecer, eu voltarei e viverei com vocês. Debaixo da sombra dessa árvore, estarão reunidos não somente as tribos vermelhas, mas as tribos brancas, as tribos negras e as tribos amarelas, vindo de todas as direções. Em harmonia, as quatro raças viverão sob os ramos da nova árvore. Tudo que foi quebrado será refeito por inteiro. A Roda Sagrada será consertada. A comida será farta e os espíritos de todas as criaturas alegrar-se-ão na harmonia de uma nova ordem, perfeita. O Grande Espírito estará atuando dentro das raças, vivendo, respirando, criando através dos povos da terra. A paz virá às nações.

Despediu-se dizendo que voltaria um dia, então transformou-se num Búfalo Branco e sumiu envolta nas nuvens. Nunca mais foi vista. Sua última frase foi: “Grandes mudanças estão a caminho com o nascimento do Búfalo Branco.”

Após essa lenda ter se mantido por muito tempo naquelas terras, em 1994 foi registrado o nascimento de um Búfalo Branco em Janesville, no estado de Wisconsin, nos Estados Unidos. Com esse fato raro, tornou-se mais próximo o cumprimento dessas palavras em todos os corações, do que até hoje é visto como uma profecia sagrada, do surgimento de uma nova idade de unificação e espiritualidade global que ainda habita dentro de cada um de nós.

Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

Fonte complementar da lenda: xamanismo.com

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A Medicina do Grilo: O Salto de Fé no Escuro

Através da medicina dos animais, mais propriamente estudada pelo xamanismo enquanto simbologia arquetípica, podemos compreender muito a respeito de nós mesmos e dos ciclos de nossas vidas. A Natureza e tudo o que faz parte dos seus inúmeros reinos que considero sagrados, está constantemente nos trazendo sinais, respostas e ensinamentos para nossos próprios questionamentos.

Iniciando 2020, trago o significado da Medicina do Grilo, aquela que nos ensina sobre fé, confiança, entrega, ação e coragem diante dos momentos mais desafiadores de nossa jornada, quando precisamos dar aquele passo que só depende de nós e precisa ser assertivo em direção ao objetivo: o salto de fé.

Isso inclui as provas que a vida e nossa alma nos traz quando precisamos encarar de frente e com racionalidade os nossos medos, dúvidas, inseguranças, padrões ou crenças que nos limitam e nos travam justamente naquele instante em que estamos sendo chamados a dar um salto no escuro, um salto de confiança em direção a algo completamente novo para nós. Isso significa confiar com entrega e coragem de que o que nos aguarda já é conhecido pela nossa alma, sem a interferência do controle da mente.

Essa medicina tem tudo para nos trazer aquele impulso para frente, em direção à qualquer projeto que estejamos iniciando agora ou mesmo nos inspirando para um recomeço, uma ressignificação de trajetória. Ela também nos ensina sobre autoconfiança, auto-estima, autoconhecimento e silêncio interior, a fim de sermos capazes de saber a hora certa de saltar no escuro e encontrar o chão logo adiante.

Use e medite sobre esses ensinamentos para recomeçar, ressignificar e renascer, desaprendendo algo velho para aprender ou começar algo novo! Conecte-se com sua alma e seu coração sem pressa, atento(a) ao chamado interno que traz a clareza e a força para agir. Abra-se para receber o novo, salte com fé e confiança, salte alto e seja certeiro(a)! Namaste!

Complementando essas reflexões, transcrevo a seguir o belo texto da autoria de Flávia Esper de Andrade:

“Ninguém pode dar o primeiro passo por você. O primeiro passo é um dos atos mais profundos e solitários de alguém. Mas, é só no primeiro passo que há a solidão, e ela é profundamente necessária.

É na solidão que conseguimos escutar nossa voz interior, saber a verdade do coração e decidir mudar de vida, ir na direção de um sonho, colocar nossa vocação no mundo. Quando damos o primeiro passo, conectados ao nosso coração e à nossa verdade, quando a força para esse passo vem de um chamado interno, tudo se move para que a estrada surja diante dos nossos pés.

Existe um momento de fé, um momento de saltar sem saber se haverá chão ao pisar. A certeza do chão vem da conexão profunda com o coração e o próprio caminho. O grilo salta no escuro, numa distância muito maior do que pode enxergar, mas está tão conectado à sua verdade de grilo, ao seu instinto, ao impulso de exercer aquilo que é, que salta na certeza do chão. É o chão que surge para o pouso seguro. Esta é a medicina do grilo: o salto de fé, a força da conexão com o que realmente somos.

Se nos movemos na direção de ser quem viemos aqui para ser, sempre haverá caminho para o nosso salto. Se estivermos conectados com ser quem realmente somos, com a nossa natureza e verdade, podemos dar nosso passo com confiança, na fé de que, se estamos no nosso caminho, não existe outra possibilidade: a estrada vai aparecer.

Essa é a fé que move montanhas, é a fé da conexão profunda com a verdade de ser quem você é, inteiramente, exercendo seu papel no todo. Cada um de nós tem uma singularidade. Você é único e eu também. E cada um de nós tem um talento, uma sabedoria, uma medicina, uma vocação. Somos como peças de um grande relógio cósmico que precisa de cada engrenagem funcionando no melhor de si. E todas são necessárias.

A vida trava quando não estamos alinhados com nossa verdadeira grandeza, quando desmerecemos quem somos, não damos valor aos nossos talentos, não estamos expressando nossa singularidade, funcionando no melhor de nós. Se negamos a expressão da nossa verdade profunda, negamos a vida dentro de nós.

Se entramos no caminho de nos tornar quem somos e expressar nossa grandeza no mundo, a vida destrava. O que ela quer de nós é coragem! Já dizia Guimarães Rosa: a coragem é a de ser quem somos e assumir nossa grandeza diante do mundo.”

Luciane Strähuber – Consultora e Educadora da Terapêutica Integrada

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Mensagem de um Guardião: Crie a sua Plataforma de Estabilidade Interior

Há muito tempo atrás, numa tribo dos pele vermelhas da América do Norte, um Xamã contava uma história ao redor da fogueira sagrada. O céu estrelado abençoava a todos. Na sua magia luminescente, clareava mentes e aquecia corações. A noite escura de um dia de primavera parecia tornar-se dia.

O Xamã, então, trazendo das suas memórias mais longínquas, estava prestes a lhes contar sobre um dos encontros mais importantes de sua jornada, um ensinamento que recebeu daquele que chamou de O Guardião das Estrelas do Sul.

A mensagem do Guardião foi clara como água de cachoeira, lembrou-se o Xamã, procurando repetir as mesmas palavras recebidas deste irmão das estrelas: “Essa mensagem é um antigo ensinamento que ficará registrado nos corações de todos os que aqui a irão receber. Ela vem do futuro e no futuro estará junto daqueles que se prontificaram a passar adiante a palavra perdida, levando paz à Terra através do plantio das sementes de amor e união.” Ela diz:

Vocês estão sendo ensinados a não pensar. Estão sendo ensinados a perceber os fatos sem abalarem-se através das emoções. Estão sendo ensinados a observar para sentir depois, sem o julgamento da mente ou o desequilíbrio do emocional em sofrimento.

Estão aprendendo a manter o autocontrole e o sistema nervoso em equilíbrio em tempos de guerras que são invisíveis aos olhos humanos, para não ficarem assoberbados com tamanha avalanche de frequências mentais desordenadas, advindas das tecnologias chamadas de digitais ou virtuais.

Quando atingirem o ponto de estarem existindo completamente através do portal do coração, onde não há dor nem sofrimento, onde há sentir sem emoções destorcidas e desequilibradas, vocês terão atingido o ponto de mutação, que os permitirá migrarem de um estágio para outro com mais leveza, conquistando o que desejam: a paz no lar e o ofício em paz.

Atingir esse ponto de transformação significa liberar emoções antigas que já causaram dor e sofrimento em qualquer tempo de suas existências, registros de memória que ainda ressoam no sistema nervoso, na mente e no corpo.

Após a liberação e a desidentificação com essas emoções, serão capazes de atingir um estágio mais estabilizado de interação com territórios dos mais diversos, sem com isso desgastarem-se energeticamente.

Ainda há o desgaste energético porque ainda há a identificação com a mente e com as emoções. Não tenham pressa. Este processo de liberação e aprendizado está aqui para ser sentido, não passado à limpo para ser levado pelo vento como uma folha de rascunho, para que depois não se lembrem mais dela.

Cada etapa do processo foi feita para ser sentida, para que fique registrado na memória do corpo, da mente e do emocional – à semelhança dessa mensagem que recebem agora. A alma já sabe sobre tudo isso. Ela não está nesse tempo. Confiem em suas almas e deixem ela vos guiar.

Assim sendo, o processo como um todo jamais será esquecido, levando-os para o próximo estágio de estabilização: o portal que os conecta através da região do coração. Não o coração propriamente dito, mas a região que os conecta através do tempo, além do corpo e da consciência; a região que atravessa o tempo: para frente, no agora, no presente e no futuro, e para trás, no passado; além do corpo e da consciência: para baixo, em sintonia à terra, e para cima, em sintonia ao céu e ao Grande Espírito, aos planos dimensionais não humanos , fora da zona de atuação dos corpos mais densos ligados ao físico, ao mental e ao emocional.

Para nós, essa explicação seria diferente, porque vemos o tempo como uma esfera. Mas, para vocês, está de bom tamanho para que compreendam.

O que parece novo agora não é, porque já dominaram essa prática há muito tempo atrás, antes mesmo desta vida nessas terras dos grandes lagos. Agora, estão aqui para relembrá-la e, quando dela se apropriarem novamente, ensinarão a outros como construírem suas próprias plataformas de estabilização energética individualmente.

Confiem e sigam pelo caminho que se apresentar, sem pestanejar, quando ele for claro para a consciência e leve para o corpo. Os outros, descartem. A estabilidade interior não é pesada nem obscura. Ela apenas é: de dentro para fora de vós.”

Mensagem recebida em canalização: ©Yehuá & O Guardião das Estrelas do Sul

Por Luciane Strähuber (©Yehuá – Todos os direitos reservados)

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A Medicina da Abelha: A Sabedoria Ancestral da Xamã das Flores

A Medicina da abelha é a medicina da comunicação, aquela que ensina a nos comunicarmos e nos organizarmos de forma harmônica, equilibrada e eficaz, principalmente em grupo. A comunicação entre as abelhas, assim como tudo o que é produzido por elas – a cera, o mel, o pólen, o própolis, a geléia real – possuem uma geometria harmônica, uma medicina em ressonância à geometria sagrada da vida planetária. Além de excelentes gestoras e operárias, são fabulosas alquimistas.

Tendo em vista o crescente número de notícias sobre o desaparecimento das abelhas em diferentes regiões do planeta, seja pelo uso excessivo de pesticidas ou pela crescente radiação eletromagnética, seja por motivos que fogem a nossa compreensão, reflitamos sobre a profunda importância  do seu papel como polinizadora e participante direta da criação da vida dentro de inúmeros e diferentes ecossistemas.

Sejamos os semeadores no agora e os jardineiros do amanhã, construindo e contribuindo com a criação de espaços harmônicos dentro e fora de nós, em nossas casas e locais de trabalho, com nossos familiares, conhecidos e amigos, para que as abelhas e sua consciência grupo venham até nós e nos relembrem sobre a nossa sabedoria interior.

Semeie e crie um jardim físico, conecte-se com a terra, tenha flores em casa, mas também semeie e crie o seu próprio jardim interior, trilhe o caminho do aprendiz para tornar-se mestre de si. Invoque a consciência grupo e a medicina da abelha em suas meditações para auxiliar você na criação e no resgate do seu jardim interior. Elas são mestres nesse ensinamento porque primeiro aprenderam a ser aprendizes, por isso são consideradas as Xamãs das flores, detentoras das sabedorias e dos códigos da geometria sagrada do planeta.  Namaste! ❤

“Uma flor branca desabrocha num jardim mágico. Essa adorável flor branca é o coração da alma humana. A Abelha está associada às escolas de mistérios e sociedades de soberania matriarcal. Em geral, a audaciosa Abelha é simbolizada por Vênus. O valor mágico do número 6 é associado às abelhas porque as operárias virgens, ao construir o favo de mel, criam hexagramas. As abelhas trabalham incansavelmente pelo bem comum. Sabem que o caminho das próprias vidas ruma para um nobre propósito.

A Abelha conhece várias propriedades naturais da geometria sagrada e usa esse conhecimento de maneiras notáveis. Esse grande matemático usa a geometria sagrada em padrões de voo e na criação do favo de mel. A Abelha é um operário inspirado e simboliza a busca pela doçura espiritual. Ela procura as flores perfumadas, assim como os aprendizes procuram a verdade espiritual.

Há muito tempo, antes de uma pessoa se tornar aprendiz de qualquer doutrina espiritual, ela aprendia primeiro a reunir-se com as abelhas. Ouvimos e aprendemos o seu mantra de zumbidos. Escutamos o que elas têm a dizer sobre o caminho do aprendiz. Se o conselho da Abelha for sim, um som doce, como o som que a Abelha faz, despertará no fundo do seu íntimo. É um som alegre, e os lábios, o coração, a mente, o corpo e a alma sorriem.

A Abelha é a xamã da flor. A Abelha cumpre as suas tarefas singulares de acordo com uma multiplicidade de seres. A Abelha ensina a cooperação com os outros e possui uma compreensão inata do bem para toda a tribo. Por essa e outras razões, as abelhas personificam a essência do espirito do aprendizado. Assim como um aprendiz procura o mel espiritual, a Abelha recolhe e compartilha a doçura de maneira similar.

O mundo está mudando. As abelhas e borboletas negligenciam o desabrochar. A Abelha pede que você encontre o doce perfume da rosa mística. Aprendizado significa procura. Aprendizado significa treinamento interior, espiritual. Significa aprender o caminho. Primeiro, você deve encontrar o mestre espiritual interior. O seu verdadeiro mestre espiritual o acolherá com bondade e amor – um amor que incendeia o universo interior. O ensinamento da Abelha é o coração aberto. É o segredo oculto na flor das flores. É a boa estrada para o bom lugar – o lugar do eu desperto, livre da ignorância.”

Fonte Complementar: “2013 Oracle” – Trecho da obra de David Carson e Nina Sammons 

Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

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A Medicina do Cavalo: O Resgate do Poder Interior

Poderoso cavalo, que traz o poder de correr pelas amplas planícies, traga-me a visão clara, traga-me o reequilíbrio dos meus escudos e a conexão com a sabedoria ancestral do meu espírito, e juntos dancemos na chuva púrpura do sonho.

É a medicina do poder interior, da ação, da força, da liberdade. O cavalo simboliza as jornadas xamânicas e a projeção astral, uma vez que através delas os xamãs são capazes de voar pelos ares para alcançar os céus e dialogar com o Grande Espírito.

É evocado para trabalhar a liberdade de espírito, a força para progredir, o dom da clarividência – esta última no sentido de trazer foco, clareza mental e compreensão da jornada para sintonizarmos com nosso propósito, o que no xamanismo representa a busca da visão. Esta compreensão o cavalo nos ensina dia-a-dia, a cada passo no caminho, dado de forma firme e paciente. É uma grande medicina capaz de nos mostra como carregar nossa carga – tudo aquilo cujo compromisso material e espiritual nos dispomos – com calma e dignidade, fibra e resistência. Nos adverte de possíveis perigos, guiando na superação de obstáculos. Nos ensina a mantermos nossa liberdade em todos os níveis.

Quando evocamos o espírito do cavalo, podemos utilizar de meios de movimento no plano físico que sejam análogos ao seu trotar, através dos quais possamos sintonizar. Esses meios podem representar: fazer um percurso de corrida, andar de bicicleta em meio a natureza, dirigir uma moto ou um carro exercitando a presença nessa medicina ou mesmo cavalgar com o animal, procurando em qualquer um desses momentos pedir para estar em sintonia com seu espirito. Pode ser evocado com respeito para focalizar novos estudos e pesquisas ou para iniciar algum projeto.

Importante aqui é conectar conscientemente com o espírito do cavalo e sua alma grupo, estando aberto e atento para perceber a linguagem de resposta, ocorrendo por meio de sinais simbólicos na rotina, através de sonhos, de insights, de meditações, de memórias de outras existências ou desta vida para os que tiveram ou tem contato com cavalos. De outra forma, o retorno pode vir através de outras formas de linguagem que sua alma escolherá para se comunicar com você.

Essa medicina nos auxilia a aumentar o poder pessoal, a acessar nosso próprio poder interior e saber como usá-lo com sabedoria. Ajuda-nos a encontrar o nosso lugar no mundo, a tornar-nos independentes não apenas no nível da matéria, mas também no nível do espírito, nos ajudando a nos libertarmos, muitas vezes, de antigos obstáculos. Quando encontramos nosso propósito e desenvolvemos nosso poder interior, a liberdade e a paz habitam qualquer espaço do nosso ser, no passado, no presente e no futuro.

O espírito do cavalo nos ensina isso, a transcender o tempo e o espaço para trazermos a força motriz, a sabedoria e o senso de oportunidade para conquistarmos nosso lugar, mesmo que leve tempo – um tempo regido pela alma e pelo coração – porque o cavalo segue por caminhos que até mesmo o mais forte dos homens sucumbiu. Portanto, a lição é que nosso espírito encontre seu próprio ritmo, trilhe sua própria jornada de encontro à sabedoria interior para caminhar com beleza, leveza e graça.

Ao mesmo tempo, nos impulsiona a conhecermos os nossos limites, principalmente ao sairmos “a galope”, muitas vezes sem prestar atenção ao que está o nosso redor. Isso representa não nos deixarmos dominar pelo ego, assim como procurar evitar qualquer abuso de poder. Lembremos da compaixão, da bondade e do amor pelos outros, uma base de toda a sabedoria regida por esse animal totêmico. Na tradição dos Guerreiros do Arco-Íris, somente unidos são capazes de chegar ao Grande Espírito, galopando nas asas do cavalo alado do destino e levando consigo todos os ensinamentos dessa medicina sagrada há milênios.

No Xamanismo Ancestral, são levados em consideração os animais selvagens, não domesticados, de forma a conectar com sua força verdadeira, original. Nessa linhagem de trabalho, nada representa melhor o espírito de liberdade do que os cavalos selvagens. Para os xamãs de uma forma geral, eles são considerados elos, veículos seguros para viajar tanto no mundo físico quanto no espiritual.

Esse animal também está relacionado ao planeta Marte, cujas escrituras sagradas dos Vedas exterioriza o arquétipo de Agni – Deus Fogo. No xamanismo, devemos aprender a trabalhar, equilibrar e nutrir nosso fogo interior para que, enquanto caminhamos em meio a terras férteis ou áridas, não nos esqueçamos da alegria de viver e de criar, do prazer de cantar e dançar, da força que temos em estar no nosso lugar cumprindo nosso propósito para compartilhá-lo com aqueles que amamos e nos são importantes. O fogo rege os rituais, as celebrações e as cerimônias sagradas e, como o cavalo, é um elo entre o plano da matéria e do espírito, um elemento sagrado que nos ensina a partilharmos o conhecimento que adquirimos ao longo da jornada.

Segundo o livro das Cartas Xamânicas, um guia maravilhoso para exercitarmos o estudo das diversas medicinas dos animais e aprender a colocá-las em prática em nossa rotina, a simbologia do cavalo nos é mostrada através de uma lenda que diz:

“Roubar cavalos é roubar poder, afirmava um ditado repetido com frequência pelos antigos índios, ilustrando a estima que devotavam ao cavalo (…) O Andarilho dos Sonhos, um poderoso xamã, estava caminhando pela planície para visitar a nação Arapaho. Ele carregava seu cachimbo e a pena amarrada em seu longos cabelos negros apontava para o chão, indicando que ele era um homem de boa paz, até que ao transpor uma elevação, ele percebeu uma manada de cavalos selvagens correndo em sua direção.

O Garanhão Negro aproximou-se de Andarilho dos Sonhos e perguntou-lhe se ele empreendera sua jornada em busca de uma resposta, dizendo-lhe: – Eu venho do vazio, onde reside a resposta. Monte em meu dorso e conheça o poder de atravessar as trevas para encontrar a luz. O Andarilho dos Sonhos agradeceu o convite do garanhão negro e aquiesceu em visitá-lo quando seu poder se fizesse necessário.

A seguir, o Garanhão Amarelo aproximou-se do Andarilho dos Sonhos e ofereceu-se para conduzi-lo ao leste, onde reside a iluminação, pois assim ele poderia partilhar as respostas que lá encontrasse com os outros, instruindo-os e iluminando-os. O Andarilho dos Sonhos agradeceu, afirmando que não deixaria de usar os presentes de poder que lhe oferecera ao longo de sua jornada.

O Garanhão Vermelho então se aproximou, empinando-se alegremente, e falou com o Andarilho dos Sonhos a respeito das alegrias contidas no equilíbrio entre o trabalho, o poder e as doces alegrias dos divertimentos. Ele advertiu Andarilho dos Sonhos que prestasse atenção àqueles que entremeavam suas lições com o humor. O xamã agradeceu e prometeu-lhe que não se esqueceria de usar sempre o dom da alegria.

Quando o Andarilho dos Sonhos já estava próximo de seu destino e já podia perceber ao longe a nação Arapaho, o Garanhão Branco destacou-se da manada para permitir que o Andarilho dos Sonhos pudesse montá-lo, pois ele era o portador que carregava as mensagens de todos os demais cavalos da manada, representando a sabedoria do poder. Personificação do escudo mágico bem equilibrado, este magnifico cavalo reitera que nenhum abuso de poder será capaz de conduzir à sabedoria. O Garanhão Branco disse ao seu cavaleiro: – Andarilho dos Sonhos, você empreendeu esta jornada para aliviar o sofrimento de seus irmãos, para partilhar o cachimbo sagrado e curar a Mãe Terra.

Você adquiriu a sabedoria por meio da humildade, pois soube reconhecer que é um instrumento do Grande Espírito. Assim, enquanto eu o carrego em meu dorso, você carrega todo o seu povo em suas costas. Em sua grande sabedoria você sabe que o poder não é concedido a quem não o merece, mas unicamente àqueles predispostos a empregá-lo com discernimento e equilíbrio. O Andarilho dos Sonhos, o xamã, foi curado e transformado pela visita dos cavalos selvagens e compreendeu que sua missão, ao chegar na nação Arapaho, era a de compartilhar os presentes de sabedoria que recebera ao longo do caminho.

Ao compreender o poder do cavalo, você irá sentir-se compelido a confeccionar um escudo de equilíbrio. O verdadeiro poder é a sabedoria e esta somente é obtida quando se mantém viva a lembrança de tudo o que ocorreu com você ao longo de sua jornada aqui na terra. A sabedoria brotará dentro de você quando lembrar-se de jornadas percorridas com outros mocassins. A compaixão, a bondade, o amor e a disposição em ensinar e compartilhar os dons e os talentos que lhe foram concedidos constituem as verdadeiras sendas para o poder.”

Por Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

Fonte complementar: Cartas Xamânicas: A Descoberta do poder através da energia dos animais – Jamie Sams e David Carson

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Seja Bem Vinda PRIMAVERA! Sou os olhos da Águia e sigo pelo Caminho da Visionária!

tulipas_primaveraArtigo atualizado em 21 de setembro/ 2018

Povos de muitas culturas celebravam as transformações ocorridas na natureza através dos Festivais Solares. Direcionavam seus esforços para honrar e compreender o relacionamento da Terra com o Sol. Os Festivais Solares aconteciam em datas específicas, marcando os pontos intermediários entre os solstícios e os equinócios. Hoje, tendo em vista a aceleração energética e a verticalização do eixo planetário, essas datas podem ser variáveis pelo simples fato de vermos a antecipação do desabrochar das flores e seus inebriantes perfumes, a mudança da posição solar e a migração de pássaros que anunciam seus cantos na madrugada e ao nascer do sol.

Tanto os equinócios quanto os solstícios são excepcionalmente poderosos e servem a vários propósitos, sendo verdadeiros portais e catalisadores desta frequência energética de ascensão. Durante esses dias, podemos sentir maior energia e alegria, assim como toda vida que desabrocha na natureza. Podemos reservar um momento para meditação, yoga, oração ou para uma profunda revisão pessoal. Essas “Forças Verdadeiras” acessadas desde o princípio, através da história espiritual da Terra, são resgatadas através dos séculos e podemos sentir essa “atmosfera sagrada” atuando em muitos momentos, permeando nossos sentimentos e atitudes. 

Esses períodos são repletos de significado e carregados com múltiplas frequências energéticas que objetivam a evolução da humanidade e do planeta. O programa de ascensão planetária, disparado pelos solstícios e equinócios, são impulsos frequenciais necessários para completar e aperfeiçoar a grade cristalina, assim como aprimorar a transformação da Terra enquanto ela consolida a passagem da humanidade para uma consciência cada vez mais multidimensional.

Nos princípios do xamanismo – conhecimento herdado dos xamãs de várias partes do mundo – o Equinócio da Primavera é regido pela direção e o poder do espírito do Leste, representado pela Águia nos conhecimentos oriundos de nossos ancestrais mais longínquos. Representa a Iluminação que abre o olho espiritual: o Caminho do Visionário(a), trazendo discernimento e claridade. É o poder de um novo começo e uma nova vida, o despertar da Primavera através do voo da Águia após o sono do Inverno, representado pela hibernação do urso.

É um momento para acessar a força de vida, entrar em sintonia com a natureza e direcionar nossa atenção para movimentar novamente situações que estavam estagnadas em nosso caminho. Sobre a influência do espírito guardião do Leste vem a habilidade de ver mais adiante, claramente, como a Águia planando para ver de uma perspectiva mais ampla. Esta jornada fornece energia abundante, intensidade, vitalidade, persistência e coragem. Ajuda a ver o mundo com outros olhos quando se deseja abrir novas fontes de criatividade, tornar-se mais otimista, observador, apaixonado e determinado diante de escolhas a serem realizadas.

Vibrando nessa energia, muitas sementes plantadas no inverno nascem na primavera, e podem ser representadas por objetivos, projetos e sonhos nossos. Entre aquilo que nasce ou renasce, observamos nosso jeito de ser, nossa transformação interior ao longo de cada estação, aprendendo com a Vida que sempre nos convida à celebração! E com os olhos da Águia, voamos acima dos preconceitos, da escuridão, das regras e dos julgamentos do ego, observando do alto da consciência aquilo que nos serve e que nos eleva, e também aquilo que queremos deixar ir, soltar e nos desprender.

A Primavera nos traz o impulso da inspiração, da iluminação, da clareza e da sabedoria. No Caminho do Visionário(a), voamos para perceber que nossas vidas tem um propósito e aqui estamos por uma razão. Com os olhos da Águia do Leste, novamente buscamos olhar para o Todo que nos forma, a fim de alinharmos todas as partes de nós mesmos. Nos direcionamos para o horizonte, renascendo com o Sol que ilumina todas as manhãs da nossa existência e, dentro dessa elevada frequência dourada de energia solar, nos posicionamos em nosso centro de Luz, amor, sabedoria, força e fé. E nesse centro, tudo podemos naquilo que nos fortalece!

Nesta direção, adquirimos a clareza para levantarmos os véus que porventura ainda nos nublam e nos conectamos com a Origem: o Poder Divino que habita em nós e que criou o Universo. Quando a força do dia e a força da noite tornam-se iguais, a Primavera nos convida a integrar-nos conscientemente à Mãe Terra, renovando nossos ciclos de vida-morte-vida, nossos nascimentos e renascimentos! Ahow, a todos os irmão de alma!

Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

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O Xamanismo na Atualidade: Um Legado para o Ocidente

 “...Longe de serem trapaceiros, charlatães ou ignorantes, os curandeiros aborígenes são homens de alta categoria, ou seja, homens que alcançaram, na vida secreta, um grau muito mais elevado do que a maior parte dos homens adultos — um passo que implica disciplina, treinamento mental, coragem e perseverança. São homens respeitáveis, quase sempre dotados de notável personalidade (…) Eles têm uma imensa importância social, pois a saúde psicológica do grupo depende em muito da fé que seus poderes nele despertam(…) Os vários poderes psíquicos que lhes são atribuídos não devem ser de imediato repelidos como simples magia primitiva e ‘faz de conta’, porque muitos deles se especializaram no trabalho da mente humana, na influência da mente sobre o corpo e da mente sobre a mente…” Do livro: Aboriginal Men of High Degree – do antropólogo australiano A. P. Elkin (1945).

O texto que segue foi retirado de uma das obras mais famosas do antropólogo Michael Harner: The Way of The Shaman, cuja trajetória em contato com Xamãs de várias partes do mundo deixou um maravilhoso legado para o Ocidente.

O autor, através de suas experiências e pesquisas que perfazem mais de 50 anos de trabalho, traz uma visão mais clara quanto a diferença entre o que chamo de xamanismo ancestral – com as devidas diferenças relativo à cada cultura visitada e conhecida, adaptado por ele para a atualidade com o nome de Core Xamanismo – e o que hoje é chamado de Neo Xamanismo, este segundo fazendo uso, nos trabalhos xamânicos tradicionais, de drogas alucinógenas e enteógenas, mesclado a cultos e rituais religiosos.

É importante mencionar aqui que, para os leigos, parece não haver diferença entre um e outro, entretanto o diferencial é que o Core Xamanismo não faz uso de drogas através de qualquer uma de suas técnicas e métodos por não haver necessidade. Existem muitas outras formas de ativarmos nosso cérebro para alcançar estados alterados de consciência sem o uso delas – falo também como experiência própria. Essa informação é importante para aqueles que tem receio de ingressar ou experienciar trabalhos xamânicos pela primeira vez, podendo ser alvo de pessoas mal preparadas e que não tem consciência da responsabilidade que significa trabalhar como um xamã, assim como participar de um atendimento individual ou um trabalho em grupo.

Ainda relativo ao antropólogo, tamanha foi sua responsabilidade ao visitar tribos remotas que não tinham mais contato com humanos ao longo de décadas que, para sua surpresa, reavivou na própria tribo o conhecimento esquecido ou perdido no tempo, a ponto de um antigo xamã acreditar que não haviam mais xamãs no mundo – vide documentário no final do artigo. Junto à criação de uma Fundação que abarca todos os trabalhos do casal até hoje, também reside um dos maiores acervos de artigos xamânicos conhecidos.

Foto: Xamã da Sibéria

O XAMÃ E O XAMANISMO

Os Xamãs — conhecidos no mundo “civilizado” como “curandeiros” — preservam um notável conjunto de antigas técnicas, que usam para obter e manter o bem-estar e a cura para eles próprios e para os membros das suas comunidades. Esses métodos xamânicos revelam-se de notável semelhança em todo o mundo, mesmo para povos cujas culturas são bastante diversas sob outros aspectos, povos que estão separados uns dos outros por oceanos e continentes há dezenas de milhares de anos.

Carecendo do nosso avançado nível de tecnologia médica, esses povos chamados primitivos tiveram excelente razão para se sentirem motivados a desenvolver capacidades não tecnológicas da mente humana, para a saúde e a cura. A uniformidade básica dos métodos xamânicos sugere que, por meio de tentativas e erros, os povos chegam às mesmas conclusões.

O xamanismo é uma grande jornada mental e emocional, onde tanto o paciente como o curandeiro xamã ficam envolvidos. Através de sua heróica viagem e de seus esforços, o xamã ajuda seus pacientes a transcenderem a noção normal e comum que têm acerca da realidade, inclusive a noção de si próprios como doentes. Faz sentir aos seus pacientes que eles não estão emocional e espiritualmente sozinhos em suas lutas contra a doença e a morte. Faz com que eles partilhem de seus poderes especiais, convencendo-os, em profundo nível de consciência, de que há outro ser humano desejoso de oferecer seu próprio Eu para ajudá-los. A abnegação do xamã provoca no paciente um compromisso emotivo correspondente, um senso de obrigação de lutar ao lado do xamã para se salvar. Zelo e cura caminham juntos.

Hoje, estamos descobrindo que mesmo os quase milagres da moderna medicina ocidental nem sempre são próprios para resolver completamente todos os problemas dos doentes, ou dos que desejam evitar doenças. Cada vez mais, os profissionais da saúde, e seus pacientes, estão procurando métodos de cura suplementares, e muita gente sadia também se empenha em experimentos pessoais para descobrir abordagens alternativas que sejam viáveis na busca do bem-estar.

Muitas vezes, nesses experimentos, surgem dificuldades para o leigo, e mesmo para o profissional da saúde, no que tange a distinguir o espúrio do efetivo. Os antigos métodos do xamanismo, ao contrário, já foram testados pelo tempo. De fato, eles vem sendo testados há um tempo imensuravelmente maior, por exemplo, que a psicanálise e inúmeras outras técnicas psicoterapêuticas (…) Fundamentalmente, o conhecimento xamânico só pode ser adquirido através da experiência individual. Contudo, será necessário que se aprenda os métodos a fim de utilizá-los. E eles podem ser aprendidos de diversas maneiras.

Por exemplo, entre os Conibo do Alto Amazonas, “aprender com as árvores” é considerado um aprendizado superior ao que se tem por intermédio de um xamã. Entre os aborígenes da Sibéria, a experiência morte/renascimento era, com freqüência, a principal fonte do conhecimento xamânico. Em certas culturas pré-letradas, há pessoas que respondem espontaneamente ao “chamado” do xamanismo, sem nenhum treinamento formal, enquanto outras treinam sob orientação de um xamã prático, em qualquer outro lugar, por um dia ou até por cinco anos ou mais.

Na cultura ocidental, a maioria das pessoas jamais chegará a conhecer um xamã, muito menos será treinada por algum deles. Ainda assim, como a nossa cultura é letrada, não é necessário que se esteja numa situação de aprendizado para aprender. Uma orientação escrita pode fornecer a informação metodológica essencial. Embora de início possa parecer embaraçoso aprender técnicas xamânicas através de um livro, persista. Sua experiência xamânica provará seu valor. Como em qualquer outro campo de aprendizado, claro que considera-se mais importante aprender diretamente com um profissional. Os que desejarem ter essa experiência podem participar de centros de treinamento especializados.

No xamanismo, a manutenção do poder pessoal é fundamental para o bem-estar. Este livro apresentará alguns dos métodos xamânicos para restabelecer e manter esse poder, e, através do seu uso, ajudar outros que estejam fracos, doentes ou feridos. As técnicas são simples e eficazes. Seu uso não exige “crença” nem mudança nas noções que se tem sobre a realidade no estado comum de consciência. Na verdade, o sistema nem sempre requer mudança na mente inconsciente, porque ele apenas desperta o que já existia ali. Contudo, embora as técnicas básicas do xamanismo sejam simples e relativamente fáceis de aprender, a prática efetiva do xamanismo exige autodisciplina e dedicação.

Ao se envolver com prática xamânica, a pessoa move-se entre o que chamo de um Estado Comum de Consciência (ECC) e um Estado Xamânico de Consciência (EXC). Esses estados de consciência constituem as chaves da compreensão de como, por exemplo, Carlos Castañeda pode falar de uma “realidade comum” e de uma “realidade incomum”. A diferença entre esses estados de consciência pode ser exemplificada, talvez, por meio de animais.

Dragões, grifos e outros animais que consideraríamos “míticos” quando estamos em ECC, são “reais” quando estamos em EXC. A idéia de que há animais “míticos” é válida e útil interpretação na vida ECC, mas supérflua e irrelevante em experiências EXC. Pode-se dizer que “fantasia” é uma palavra aplicada por uma pessoa em ECC ao que está sendo experimentado em EXC. Em contrapartida, uma pessoa em EXC pode perceber as experiências em ECC como ilusórias, em termos de EXC. Ambas estarão certas, conforme o estado de consciência de cada uma.

O xamã tem uma vantagem: é capaz de mover-se entre estados de consciência à vontade. Pode entrar no ECC de alguém que não seja xamã e concordar honestamente com ele, sobre a natureza da realidade vista a partir daquela perspectiva. Então, o xamã pode voltar ao EXC e obter uma informação direta do testemunho de outras pessoas, que relataram suas experiências quando naquele estado.

A observação a partir dos próprios sentidos é a base para uma interpretação empírica da realidade. E ainda não existe ninguém, mesmo nas ciências da realidade comum, que tenha provado, incontestavelmente, que existe apenas um estado de consciência válido para observações diretas. O mito do EXC é a realidade comum, e o mito do ECC é a realidade incomum. Fazer um julgamento imparcial da validade das experiências em estados contrastantes de consciência é algo extremamente difícil.

Para compreender a arraigada hostilidade emocional com que foram recebidos os trabalhos de Castañeda, em alguns lugares é preciso ter em mente que esse tipo de preconceito aparece com frequência. Trata-se do etnocentrismo entre as culturas. Nesse caso, todavia, a questão fundamental não é a pouca experiência cultural da pessoa, mas a falta de experiência consciente. As pessoas mais preconceituosas a propósito de um conceito da realidade não comum são as que jamais a experimentaram. Isso pode ser chamado cognicentrismo, análogo, na percepção, ao etnocentrismo.

Um passo para a solução desse problema poderia ser o aumento do número de pessoas a se tornarem xamãs, que poderiam passar, por si mesmas, e em seus próprios termos, pelas experiências em EXC. Esses xamãs poderiam transmitir uma compreensão da realidade incomum, tal como têm feito os xamãs desde tempos imemoriais em suas culturas, aos que nela jamais tivessem entrado. Isso equivaleria ao papel do antropólogo que, tomando a si a observação participante em outras culturas que não a própria, está, conseqüentemente, habilitado para passar a compreensão dessa cultura a pessoas que, de outra maneira, poderiam considerá-la alheia, incompreensível e inferior.

Os antropólogos ensinam os outros a tentar evitar as armadilhas do etnocentrismo, aprendendo a compreender a cultura em termos de suas próprias suposições sobre a realidade. Os xamãs ocidentais podem prestar serviço idêntico em relação ao cognicentrismo. A lição do antropólogo é chamada de relativismo cultural. O que os xamãs ocidentais podem tentar criar, até certo ponto, é um relativismo cognitivo. Mais tarde, quando se obtiver um conhecimento empírico da experiência, poderá haver respeito por suas próprias suposições. Então, talvez tenha chegado o momento de fazer uma análise imparcial da experiência em EXC, cientificamente, em termos de ECC.

Pode-se argumentar que nós, seres humanos, passamos a maior parte da nossa vida, quando acordados em ECC, porque a seleção natural entende que assim deva ser, considerando que essa é a realidade real, e os outros estados de consciência, que não o do sono, são aberrações que interferem na nossa sobrevivência. Em outras palavras, tal argumento pode ser aceito, nós percebemos a realidade da forma como costumamos percebê-la porque esse é sempre o melhor modo, em termos de sobrevivência.

Todavia, avanços recentes em neuroquímica mostram que o cérebro humano leva consigo suas próprias drogas para alterar a consciência, incluindo alucinógenos tais como o dimetiltriptamina (DMT). Em termos de seleção natural, parece pouco provável que esses alteradores da consciência viessem a estar presentes, a menos que a sua capacidade de alterar o estado da consciência trouxesse alguma vantagem para a sobrevivência. Ao que parece, a própria Natureza resolveu que um estado alterado de consciência é, às vezes, superior ao estado comum.

No Ocidente, estamos apenas começando a apreciar o importante impacto que o estado da mente pode ter sobre aquilo que antes foi, com excessiva frequência, tomado como questões de propriedade puramente “física”. Quando, numa emergência, um xamã aborígene australiano ou um lama tibetano empenha-se numa “viagem rápida” — um transe da técnica em EXC para percorrer longas distâncias a grande velocidade — isso é, claramente, uma técnica de sobrevivência que, por definição, não é possível em ECC.

Da mesma maneira, estamos agora aprendendo que muitos dos nossos atletas mais bem-sucedidos entram em estado alterado de consciência quando estão tendo seus melhores desempenhos. Levando tudo isso em conta, parece impróprio argumentar que apenas determinado estado de consciência é superior em todas as circunstâncias. De há muito o xamã sabe que essa suposição não somente é falsa, mas também é perigosa para a saúde e o bem-estar. Usando milênios de conhecimentos acumulados, bem como suas experiências diretas, o xamã sabe quando a mudança de um estado de consciência é aconselhável ou mesmo necessária.

Em EXC, o xamã não só passa por experiências que são impossíveis em ECC, mas também as realiza. Mesmo que fosse provado que todas as experiências xamânicas em EXC estão apenas na mente do xamã, isso não faria esse domínio menos real para ele. Na verdade, tal conclusão significaria que as experiências e as realizações xamânicas não são impossíveis, seja qual for o seu sentido.

(…) Do ponto de vista do xamanismo, o poder pessoal é básico para a saúde, em todas as condições da vida de uma pessoa (…) E a que ponto podemos dizer que serão xamãs? Esse estado só lhes poderá ser conferido por aqueles aos quais tentarem prestar ajuda em assuntos de poder e de cura. Em outras palavras, é o sucesso obtido no trabalho xamânico que determina se as pessoas chegaram ou não a se tornar xamãs. Elas terão oportunidade de descobrir que, sem usar nenhum tipo de droga, podem alterar seu estado de consciência para formas xamânicas clássicas, e entrar na realidade incomum do xamanismo.

Em EXC, podem tornar-se videntes e fazer, pessoalmente, a famosa viagem xamânica, para adquirirem, em primeira mão, o conhecimento do universo oculto. Também podem descobrir a possibilidade de se beneficiar dessas viagens xamânicas, em termos de cura e de saúde, usando antigos métodos que fazem o prognóstico de ambas, e que vão além da psicologia, da medicina e da espiritualidade do Ocidente. Além disso, podem aprender métodos sem viagens, através dos quais a pessoa mantém o poder pessoal e o melhora.

Não é difícil que os ocidentais, ao se aproximarem pela primeira vez dos exercícios xamânicos, sintam certa perturbação. Ainda assim, em cada um dos casos que conheço, as ansiedades foram logo substituídas por sensações de descoberta, por excitação positiva e por confiança em si mesmo.(…)

Esta é, essencialmente, uma apresentação fenomenológica. Não estou tentando explicar concepções e práticas xamânicas cm termos de psicanálise, ou de qualquer outro sistema ocidental contemporâneo de teoria causai. A causalidade envolvida no xamanismo e na cura xamânica é, realmente, uma questão muito interessante, que merece detalhada pesquisa; entretanto, uma pesquisa científica orientada para a causalidade não é essencial para o ensino da prática xamânica, que aqui se trata do objetivo maior.

Em outras palavras, as indagações ocidentais sobre o porquê do funcionamento do xamanismo não são necessárias para que se façam experiências e se empreguem os métodos com resultado. Tentem conter qualquer pré-julgamento crítico quando começarem a praticar métodos xamânicos. Gozem, simplesmente, as aventuras de uma abordagem xamânica, absorvam e pratiquem o que leram e, então, vejam para onde as suas investigações os levam. Durante dias, semanas, e talvez anos depois de terem usado esses métodos, as pessoas terão muito tempo para refletir sobre a sua significação a partir de um ponto de vista ocidental.

A forma mais eficaz de aprender o sistema xamânico é usar os mesmos conceitos básicos que ele usa. Por exemplo, falo de “espíritos” porque é dessa maneira que os xamãs falam, dentro do seu sistema. Para praticar o xamanismo é desnecessário, e mesmo perturbador, estar preocupado com a obtenção de uma compreensão científica daquilo que os “espíritos” podem realmente representar e com o porquê da atividade do xamanismo (…)

A principal meta aqui é fornecer um manual introdutório de metodologia xamânica para a saúde e a cura. (…) os elementos essenciais básicos aqui estão, para quem quer que tenha a capacidade de começar a se tornar xamã e esteja predisposto a fazê-lo. O conhecimento do xamanismo, como outro conhecimento qualquer, pode ser usado para diferentes fins, dependendo da maneira pela qual ele é empregado. O caminho que lhes ofereço é o do curandeiro, não o do feiticeiro, e os métodos oferecidos têm por objetivo atingir bem-estar e saúde, bem como ajudar aos outros.

(…) Não aceitem, porém, só o que eu digo: o conhecimento xamânico verdadeiramente importante é o que se experimenta, e não pode ser obtido a partir de mim ou de outro xamã. O xamanismo, afinal, é, basicamente, uma estratégia de aprendizado pessoal e de ação segundo esse aprendizado. Eu lhes ofereço uma parte dessa estratégia, e os acolho com prazer nessa antiga aventura xamânica.

Foto: Xamã da Amazônia

XAMANISMO, MEDICINA E TERAPÊUTICA INTEGRADA

Consta que Albert Schweitzer disse certa vez; “(…) Cada paciente leva seu próprio médico dentro de si. Esse paciente nos procura sem saber dessa verdade. O melhor que fazemos é dar ao médico que reside dentro de cada paciente a chance de trabalhar.”

Entre os profissionais da arte de curar, talvez apenas o xamã tenha qualificação para dar “ao médico que reside dentro de cada paciente a chance de trabalhar”. Embora a falta de moderna tecnologia médica possa ter forçado os povos primitivos a desenvolver seus poderes xamânicos latentes, mesmo hoje se está reconhecendo cada vez mais que a saúde e a cura “física”, às vezes, exigem mais do que um tratamento técnico. Há um novo ponto de vista quanto ao fato de que a saúde “física” e a “mental” estão em íntima conexão, e de que os fatores emocionais podem ter um papel importante no início, no decorrer da cura e na cura de uma doença.

O recente acúmulo de dados experimentais que comprovam que os profissionais iogues e de casos regenerativos podem manipular processos físicos básicos, antes considerados pela medicina ocidental incontroláveis pela mente, é apenas uma parte do novo reconhecimento da importância que a prática espiritual e mental tem para a saúde. Particularmente estimulante e implicitamente a favor da abordagem xamânica da saúde e da cura é a nova evidência médica de que, em estado alterado de consciência, a mente pode pôr em ação o sistema imunológico do corpo, através do hipotálamo. É possível que, com o tempo, a ciência venha a descobrir que a mente inconsciente da pessoa que é tratada pelo xamã, sob a influência do som lento, está sendo “programada” pelo ritual a ativar o sistema imunológico do corpo contra a doença.

O campo da medicina holística, que vai desabrochando cada vez mais, mostra uma extraordinária quantidade de experimentos que se dirigem à reinvenção de várias técnicas de há muito praticadas no xamanismo, tais como a vidência, o estado alterado de consciência, aspectos da psicanálise, a hipnoterapia, a meditação, a atitude positiva, a redução do esforço e a expressão mental e emocional da vontade para a obtenção da saúde e da cura. Em certo sentido, o xamanismo está sendo reinventado no Ocidente, precisamente porque está sendo necessário.

Em conexão com a crescente compreensão das impropriedades do tratamento puramente técnico das doenças, existe a insatisfação diante da impessoalidade da medicina comercial e institucional moderna. No mundo primitivo, quase sempre os xamãs são membros da mesma grande família do paciente e têm um compromisso emocional com o bem-estar pessoal do enfermo, compromisso que nada tem de parecido com a visita de quinze minutos ao consultório do médico da sociedade contemporânea.

O xamã pode trabalhar a noite inteira, ou várias noites, pela recuperação de um só paciente, em dupla aliança que entrelaça o inconsciente de ambos numa heróica associação contra a doença e a morte. A aliança, contudo, vai além, porque se trata de uma aliança contra os poderes ocultos da Natureza, invisíveis à luz do dia, quando a intromissão da vida cotidiana confunde a consciência.

Em lugar disso, o par formado pelo xamã e pelo paciente aventura-se pela claridade das trevas, onde, sem ser interrompido pelos estímulos exteriores e superficiais, o xamã as forças ocultas encerradas nas profundezas do inconsciente e usa ou combate essas forças para o bem-estar e a sobrevivência do paciente. Alguns xamãs, como é natural, não são membros da família dos enfermos e, assim sendo, aceitam pagamento por seus trabalhos, em algumas sociedades. Entretanto, como ocorre entre os Tsimshian Gitksan, na costa noroeste da América do Norte, não raro o xamã devolve esse pagamento, se o doente morre.

As realizações da medicina científica e tecnológica do Ocidente são, sem dúvida, miraculosas, por si mesmas. Espero, entretanto, que o conhecimento e os métodos xamânicos venham a ser respeitados pelos ocidentais, como os xamãs respeitam a medicina tecnológica do Ocidente. Com o respeito mútuo, ambas as estratégias podem ajudar na efetivação da abordagem holística da cura e da saúde que tantos povos estão buscando. Para fazer uso do xamanismo, não precisamos saber, em termos científicos, por que ele funciona, assim como não precisamos saber por que a acupuntura funciona para tirarmos proveito dela.

Não há conflito entre a prática xamânica e o tratamento médico moderno. Todos os aborígenes xamãs da América do Sul e do Norte que tenho interrogado sobre esse assunto são unânimes em dizer que não há nenhuma competição. Os xamãs Jivaro estão plenamente dispostos a deixar que os seus pacientes visitem um médico missionário, por exemplo. Na verdade, eles encorajam seus pacientes a que busquem todo tratamento tecnológico que puderem obter. Antes de mais nada, o xamã deseja ver o paciente bem. Qualquer espécie de tratamento ou de medicação tecnológica que contribua para dar forças ao paciente, que ajude a combater qualquer tipo de doença, é bem-vindo.

Um exemplo comum da combinação de apoio mútuo entre o xamanismo e a medicina tecnológica ocidental é o conhecido trabalho do Dr. Carl Simonton e de Stephanie Matthews-Simonton, referente ao tratamento de pacientes com câncer. Embora os Simonton não tenham consciência de usarem métodos xamânicos, algumas de suas técnicas de apoio à quimioterapia são incrivelmente semelhantes às dos xamãs. Segundo se revela, os pacientes dos Simonton, às vezes, conseguem surpreendentemente o alívio da dor e a redução das áreas afetadas pelo câncer.

Como parte do tratamento, os pacientes descansam num aposento tranqüilo e se visualizam fazendo uma viagem até encontrarem o “guia interior”, que é uma pessoa ou um animal. O paciente, então, pede auxílio ao guia, para ficar bom. A semelhança com a viagem xamânica e a recuperação de um animal de poder, e seu uso xamânico, é, obviamente, notável. Além disso, os Simonton, sem sugerir seu conteúdo, fazem com que os pacientes visualizem e desenhem o câncer deles. Os pacientes, espontaneamente, desenham cobras e outras criaturas espantosamente semelhantes ás que os xamãs vêem como energias intrusas no corpo dos pacientes. Os Simonton estimulam os seus pacientes, então, a visualizar o câncer como “criatura de dor” e a se livrar dele.

Foto: Xamã do Nepal

A semelhança com o xamanismo, entretanto, não cessa aí. Os Simonton descobriram que poderiam treinar os pacientes a visualizar o envio das células brancas de seu sangue para ingerir as células cancerosas e expeli-las – semelhante à cura de câncer que ocorreu na época com Louise Hay (observação da blogueira) – quase da mesma forma que o xamã procede ao sugar e remover do corpo do paciente as energias intrusas de poder nocivo. Uma das principais diferenças está no fato de que os pacientes dos Simonton agem como seus próprios curadores, algo que é difícil mesmo para os melhores xamãs (…)

Um dia, e espero que esse dia não demore a vir, uma versão moderna do xamã trabalhará lado a lado com os médicos ocidentais ortodoxos. Na verdade, isso já está acontecendo nos lugares onde existem xamãs aborígenes, como em algumas reservas indígenas da América do Norte e em algumas partes da Austrália. Igualmente emocionante é a perspectiva de médicos serem treinados nos métodos xamânicos de cura e de manutenção da saúde, para que eles possam combinar as duas abordagens em sua prática. Sinto-me feliz por notar que um pequeno número de médicos mais jovens já participou do meu treinamento nos centros que para isso mantenho, e parecem entusiasmados com o que aprenderam. Só o tempo dirá qual será o seu sucesso no uso dos princípios xamânicos em seu trabalho.

Quaisquer que sejam seus interesses e expectativas em relação à arte do xamã, uma questão básica existe: Daqui, para onde você vai? (…) Ser xamã incorre em que se tente seriamente dar auxílio às pessoas que têm problemas de poder e de saúde. Talvez, você não se sinta bem ao assumir essa responsabilidade. Mesmo nas sociedades primitivas, a maioria das pessoas se sente desse jeito. Ainda assim, todavia, você pode se ajudar por meio do uso diário e regular dos métodos que aprendeu. É possível trabalhar sozinho, mesmo sem um tamborileiro, usando uma mídia que tenha gravado o toque xamânico do tambor. Dessa maneira, temos a tecnologia do século XX combinada com o xamanismo!

Para os leitores que desejam se tomar xamãs profissionais, devo salientar que há mais a ser experimentado e aprendido do que o que foi tratado nas páginas precedentes, tal como: caminhar por regiões agrestes, buscar a “visão”, a experiência xamânica da morte e da ressurreição, a jornada órfica, o xamanismo e a vida após a morte, as viagens ao Mundo Profundo. Mas, por enquanto, o mais importante para você é praticar regularmente o que aprendeu. Pode ser assistido por um amigo ou parente que esteja disposto a trabalhar com você como parceiro, participando em centros de treinamento xamânico e criando um círculo de pessoas com tendências ao xamanismo, que se encontrem sempre para se ajudarem mutuamente e também para auxiliar os outros.

Conforme mencionei, você pode trabalhar simplesmente para se ajudar, mas talvez ache que isso não é suficiente e queira ajudar os outros, através do xamanismo. Os maiores obstáculos para tal serão culturais e sociais, e não xamânicos, pois vivemos numa civilização que perseguiu e destruiu os que possuíam o antigo conhecimento. Você não será queimado em fogueira, mas também não receberá o Prêmio Nobel de Medicina.

Entre os Koryak, na Sibéria, havia uma útil distinção entre o xamanismo familiar e o xamanismo profissional. O xamanismo familiar era o auxílio aos parentes mais próximos, que prestavam as pessoas que eram menos avançadas ou menos poderosas no que se referia ao conhecimento xamânico. O xamanismo profissional era praticado pelos mais avançados e mais poderosos e incluía o tratamento de todo e qualquer cliente. Se você deseja ajudar os outros através de métodos xamânicos, sugiro que siga o modelo do xamanismo familiar, trabalhando para ajudar amigos íntimos e membros da família que se mostrem predispostos. E lembre-se: trabalhe para suplementar o tratamento médico ocidental ortodoxo, não para competir com ele. O objetivos não é ser purista, mas ajudar os outros a obter saúde, felicidade e harmonia com a Natureza, de todas as formas viáveis.

Enfim, no xamanismo não há distinção entre ajudar os outros e ajudar a si próprio. Ao ajudar os outros xamanicamente, a pessoa se torna mais poderosa, no que se refere a estar mais plenamente realizada e jubilosa. O xamanismo vai muito além de uma transcendência essencialmente egoísta da realidade comum. Trata-se de uma transcendência para um propósito mais amplo, o auxílio à humanidade. O iluminismo dessa arte é a capacidade de aclarar o que os outros vêem como trevas, portanto de ver e de viajar em favor de uma humanidade que está perigosamente perto de perder o vínculo espiritual com todos os seus parentes, ou seja, as plantas e os animais desta boa terra.

Foto: Xamãs Inca – imagem do documentário

DOCUMENTÁRIO

(…) É na prática dos métodos xamânicos que encontramos a trilha que ninguém pode encontrar para nós. Tal como um espírito disse a um xamã Samoiedo siberiano: “Ao praticar o xamanismo, você encontrará seu caminho, sozinho.”

Fazendo jus ao texto de Michael Harner, sugiro o documentário sobre o trabalho e a vida do autor, baseado na obra The Way of The Shaman – disponível para baixar na internet – que percorreu o mundo e trouxe uma nova visão do xamanismo aplicado à atualidade.

Este documentário conta a história de Michael e Sandra Harner na história e no desenvolvimento do xamanismo central, as práticas universais e comuns dos xamãs em todo o mundo. O filme leva-nos através das primeiras expedições de Michael como um jovem estudante de antropologia às selvas da Amazônia equatoriana e peruana, e sua vida alterando insights sobre o poder xamânico.

Os Harners estabeleceram a Fundação para Estudos Xamânicos, objetivando preservar, estudar e ensinar o xamanismo em benefício de todos, levando a um renascimento mundial do xamanismo através dos primeiros programas internacionais de treinamento da Fundação.

O filme traz conceitos muito básicos sobre o xamanismo, mas um olhar informativo e inspirador para as pessoas por trás da evolução de uma nova metodologia, chamada por ele de Core Xamanism, que honra e constrói métodos baseados no antigo conhecimento dos xamãs do mundo, entretanto sem o uso de qualquer erva ou planta alucinógena ou enteógena, mas sim fazendo uso dos diversos tipos e toques de tambor para se atingir os estados alterados ou xamânicos de consciência.

Através desses métodos, milhares de estudantes descobriram recursos espirituais escondidos, transformaram suas vidas e a si, e aprenderam como ajudar os outros, assim como nossa preciosa Terra.

Fonte complementar do livro: O Caminho do Xamã (The Way of the Shaman) – Michael Harner

Leia também: Tambor: A Cura e a Sacralidade Ancestral / Chocalho: Instrumento de Purificação / Honrando a Anciã que habita em nós

Artigos, Feminino Sagrado, Purificadores Alquímicos, Xamanismo: Sabedorias Ancestrais

Honrando a Anciã que habita em nós

Honrando a sabedoria ancestral provinda das mulheres que vieram antes de nós e a usaram com amor, honramos também nossa parte visionária e sábia, nossa curandeira, sacerdotisa, alquimista, xamã e anciã interior, e junto delas todas as ancestrais que estão na luz da consciência nos trazendo a força das suas raízes, as suas medicinas e seus conselhos – tão velhas e ao mesmo tempo tão novas sabedorias que ainda hoje são aplicadas com sucesso e eficácia.

Chegará um momento em nossa jornada interior que descobriremos nossa “parte velha”, a anciã que fomos, que somos e que habita em nós há tantas vidas, que passou por tantas culturas, que visitou tantas terras quantos foram os seus passos e as suas experiências, que teve registrada nas suas raízes a sabedoria passada também pelas suas ancestrais e adquirida ao longo dos caminhos pela dança da vida e as espirais da morte.

Quando ela se apresentar para nós, através do arquétipo que for – aquele através do qual estaremos mais identificadas – tenhamos nossa mente aberta para ouvi-la sem julgamentos, desaprendendo e desapegando nesse momento das nossas crenças, para aprender o novo que ela virá nos trazer, às vezes uma visão mais oxigenada, mais sábia e profunda de alguma experiência que estivermos vivenciando através de nossas transformações pessoais.

É com profundo amor, trazendo a força dessas raízes e a sabedoria provinda de suas medicinas, que honro minha anciã com todas as suas faces. Honrar e aprender com nossa anciã é uma forma de resgatar uma parte de nós mesmas – talvez muitas delas – assim como manter acesa a chama da nossa sabedoria, força e poder interiores, desde os nossos ossos até a nossa pele, desde as nossas raízes até os frutos que gerarmos. Ela é capaz de nos ensinar sobre onde reside o equilíbrio dos ciclos da vida e da morte dentro de nós, para que sejamos capazes, da mesma forma, de encontrar o equilíbrio da vida onde exista morte e o equilíbrio da morte onde exista vida. Ahow! Namaste!

“Por todas as mulheres mais velhas, matreiras, que estão aprendendo quando chega a hora certa de dizer o que precisa ser dito e não se calar – ou calar-se quando o silêncio for mais eloquente que as palavras.

Por todas as velhas em formação, que estão aprendendo a ser gentis quando seria tão fácil ser cruel.

Que conseguem ver que podem ‘cortar’ quando for necessário, com um corte afiado e limpo.

Que estão praticando a arte de dizer verdades com total compaixão.

Por todas as que rejeitam as convenções e preferem apertar as mãos de desconhecidos, cumprimentando-os como se os tivessem criado desde filhotinhos e os tivessem conhecido desde sempre.

Por todas que estão aprendendo a chacoalhar os ossos, balançar o barco – e a cama – além de acalmar as tempestades.

Por aquelas que são guardiãs do azeite para a lâmpada, que se mantêm em silêncio interior no culto diário.

Por aquelas que cumprem os rituais, que se lembram de como fazer o fogo a partir da simples pederneira e palha.

Por aquelas que entoam antigas orações, que se lembram dos símbolos, das formas, das palavras, das canções, das danças e do que no passado os ritos tinham o objetivo de instaurar.

Por aquelas que abençoam com facilidade e frequência.

Por aquelas mais velhas que não têm medo – ou que têm medo – e que agem com eficácia de qualquer modo.

Por elas…Que vivam muito, com força e saúde, e com um imenso espírito aberto aos ventos.” AMÉM!

Fonte complementar: A Ciranda das Mulheres Sábias – Clarissa Pinkola Estes (Mesma autora do livro Mulheres que Correm com os Lobos)

Por Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

Conheça o Purificador de Ambientes Kaeté: Anciã da Sabedoria – Linha Xamânica 

Artigos, Xamanismo: Sabedorias Ancestrais

Crises e a Medicina do Pato: O que precisamos aprender sobre Mudança e Adaptabilidade

No Xamanismo, enquanto estudo ancestral dos animais como totens de poder, levando em consideração sua personalidade, seu comportamento, os elementos da natureza a que estão vinculados, seus hábitos e forma de viver na natureza, uma das medicinas que pode nos trazer clareza e aprendizado em meio às crises, sejam elas internas ou externas a nós – levando em consideração a crise dos transportes que acontece aqui no Brasil – é a Medicina do Pato.

No Xamanismo, vê-se os ensinamentos oriundos dos animais como práticas medicinais que podemos aplicar em nossa rotina, em nossas vidas, em nossa forma de pensar, agir e sentir o nosso Ser no meio pessoal e ao interagirmos com outras pessoas, meios e com o planeta. Essas práticas são uma ferramenta auxiliar nos processos de transformação pessoal e no autoconhecimento.

A Medicina do Pato está ligada à proteção maternal, ao conforto e à nutrição de energia – para nutrir-se emocionalmente em primeiro lugar e, assim, poder auxiliar na nutrição emocional de outros no caminho, através do afeto, do carinho, do apoio, do respeito e da flexibilidade e adaptabilidade diante das mudanças.

Esta medicina pode ser evocada através de meditações, onde ancoramos e pedimos permissão para entrar em sintonia ao espírito do animal. Ela nos ensina a equilibrar as emoções com leveza, conforto e graça – a medicina da graça também é representada pelo Cisne, um complemento importante nesta equação para lidarmos com as diversas situações que a vida apresenta da melhor forma possível, sendo gratos por tudo o que nos chega como forma de aprendizado e evolução.

Já na simbologia onírica – incluindo os estudos simbólicos de Carl Jung – o pato pode ser considerado um dos símbolos do Self pela sua capacidade de adaptação e estilo de vida distintos. Essa interpretação tem pertinência porque o pato é capaz de adaptar-se em três meios: na terra, na água e no ar.

Essa função ligada ao Self, portanto, é considerada como sendo transcendental: a capacidade que tem a psique inconsciente de se transformar e de nos levar a uma nova situação que anteriormente nos parecia bloqueada – uma das razões pelas quais uma situação de crise pode gerar uma grande mudança.

O pato, assim, está em casa em todos os domínios da natureza. Numa interpretação pessoal, o fogo sendo o quarto elemento da natureza aqui está implícito, podendo representar a crise em si, que ocorre dentro ou fora de nós.

Complementando o artigo, segue um texto bastante propício para aprofundarmos nossas reflexões acerca das mudanças que já podemos estar desempenhando em meio às crises que se apresentam. Estejamos sintonizados à Medicina do Pato para aprendermos ainda mais sobre como podemos e somos capazes de nos adaptar a qualquer meio. Um pequeno passo em direção à mudança é um grande passo em direção ao progresso. Namastê! ❤

Por Lorena Ventura, Via Clã Sacerdotisas da terra – “Estamos passando por um ‘treinamento de apocalipse’. Sem combustível nos postos, poucas frutas e legumes, quase nada de verduras, faltam itens nos mercados. Parece cena de filme, mas não é.
No futuro, se continuarmos fazendo as coisas da mesma forma, será por falta real de recursos. Falta, aliás, que já existe constantemente para pelo menos um bilhão de pessoas pelo mundo.

Tudo isso me faz ver que nós ainda dependemos MUITO dos combustíveis fósseis. Dependemos MUITO de meios de transporte de longa distância. Dependemos MUITO daquelas coisas que podem até ser úteis atualmente, mas que irão nos destruir no futuro. Que esses dias apocalípticos nos sirvam de inspiração para alterar hábitos e rotinas destrutivas.

Menos carros nas ruas, mais bicicletas. Menos consumo de alimentos que vêm de todos os cantos do mundo, mais produção local.
Mais hortas urbanas nos bairros das grandes (e pequenas) cidades. Mais fontes de energia alternativas. Mais respeito por quem produz e transporta aquilo que necessitamos – independente da distância. Mais pessoas interessadas em promover mudanças em suas vidas pessoais.

Não vai adiantar estocar comida, quando recursos como o petróleo estiverem escassos e causando o caos completo numa sociedade que se sustenta em bases frágeis. Mas adianta aprender a plantar, se organizar e montar uma horta em casa ou no bairro, compostar as sobras de alimentos. Adianta buscar os pequenos agricultores que moram mais próximo de você.

Adianta buscar novas fontes de energia. Adianta aprender a reduzir a necessidade por itens que demandam gasto de energia ou combustíveis fósseis. Adianta aprender sobre veganismo, minimalismo, sustentabilidade, horta urbana, empreendedorismo, viver (mais e melhor) com menos. Adianta mudar. Primeiro sozinho, de dentro para fora. Depois unindo-se a outros que também estão promovendo mudanças nas estruturas da sociedade.

A estrutura primeira de toda civilização é o indivíduo. Mudando o indivíduo, muda-se a sociedade. E pouco a pouco começamos a ver as mudanças individuais reverberando no mundo ao nosso redor. Novas leis, novas iniciativas, novas formas de ver e viver a vida. Junte-se ao novo.

Mas por onde começar? Por onde você quiser. Todo despertar natural começa com apenas uma transformação.
Você quer reduzir a sua produção de lixo? Parar de comer animais? Diminuir o seu vício em consumo? Emagrecer com saúde? Deixar de depender dos mercados e grandes marcas para comer, se cuidar e se vestir? Defender uma causa?
Você escolhe por onde começar.

(…) Estamos vendo o nascer de um novo mundo – e o colapso de um mundo antigo.
Por isso, tome as providências necessárias para acessar cada vez mais a realidade do novo mundo, e depender cada vez menos do velho. É mais fácil e bem mais barato do que você pensa.

Quem continuar a depender do velho mundo, vai acabar junto com ele.
E a paralisação dos caminhoneiros é só um aviso para quem quiser entender as coisas com os olhos da transformação: não coloque a sua vida nas mãos de um sistema falido. Acorde e co-crie um novo sistema: mais justo, limpo e sustentável! 

Leia também: Medicina dos Animais – II ParteA Medicina do Alce: respeitando seu ritmo, proclamando a alegria, honrando seus dons com sabedoriaA Medicina do Golfinho: o guardião do sopro sagrado da vida, o mensageiro dos nossos progressos

Artigos, Xamanismo: Sabedorias Ancestrais

Finados: Honrando e Celebrando nossos Ancestrais

“De manhã, eu canto a canção singela de graças, como meus avós ensinaram. Canto por todos os meus parentes, por todos aqueles que vivem e respiram, até pelas pedras, pois os cristais são vivos e crescem como nós. Em nossas experiências com a vida, em nossas interações uns com os outros, aprendemos a deixar a ira de lado, aprendemos os modos da comunhão e encontramos os caminhos da resolução (…)

Muitos de nós buscam hoje, outra vez, maneiras simples de viver, maneiras dignas que não nos escravizem para pagarmos por coisas de que na realidade não precisamos, e não nos tornem cada vez mais dependentes das tecnologias que poluem a Terra. É bom cortar a nossa própria lenha, é bom fazer um fogo para cozinhar no quintal. Viver com simplicidade é viver sem grilhões.

Nossa condição, nossa posição são determinadas não pelo trabalho que realizamos externamente, mas pela obra em nossos corações e pelo modo como ajudamos os outros. O esforço para reconhecer e falar a verdade é o maior trabalho que qualquer um pode realizar. É perceber o poder da nossa mente límpida e fazer manifestar o melhor em todas as pessoas com quem percorremos o caminho da vida. Este é um dom de dar e receber. Nosso coração sente, então, que vai explodir de amor e apreço, livre dos medos que confinam.” (The Voices of Our Ancestors – As Vozes dos Nossos Ancestrais)

Em diversas culturas, o Dia de Finados é comemorado com alegria, música, dança e cor. Essa alegria tem por base honrar a vida que nos foi dada, reverenciar tanto os ciclos Vida quanto os ciclos de Morte, permitindo que a morte também tenha um lugar em nossos ciclos pessoais de vida sem que tenhamos que negá-la ou rejeitá-la, mas simplesmente percebê-la como necessária para qualquer movimento de renascimento, de recomeço, de mudança e transformação.

Nos alegramos, assim, por podermos honrar nossos antepassados e tudo o que por eles foi deixado de bom, de positivo em nosso caminhar: seus dons, talentos, realizações e avanços que imprimiram prosperidade e progresso em nossa família.

Mesmo que o legado tenha sido um caminho com “erros” ou acertos, temos a oportunidade de aprendermos e evoluirmos através dele fertilizando a terra dessas raízes naquilo que compete a nós. Muitos tendem a perder sua força porque não compreendem ou não conseguiram reconciliar-se, porque perderam a conexão com sua própria origem através da rejeição ou do não reconhecimento de seus ancestrais. Com isso, perdem a conexão com a Vida.

Neste movimento, temos a chance de nos reconciliarmos com algo que ficou pendente, que ficou incompleto, até mesmo com algo que impediu ou corrompeu o fluxo da vida por ações destorcidas. Temos, antes, o exercício da reconciliação para que haja espaço para o perdão acontecer em nosso coração. Honrando e sendo gratos pelos que vieram antes de nós adquirimos força provinda das nossas raízes – uma parte dessas raízes representa uma parte de nós, da nossa árvore ancestral.

Sob uma visão mais ampla, se pudéssemos percorrer a árvore genealógica da criação primordial do nosso ser chegaríamos à real origem de nossas vidas. Todas as pessoas que nos antecederam estão diretamente ligadas à nossa própria existência, pois caso uma delas não tivesse existido, nós também não teríamos a oportunidade de estarmos vivos.

Honrar e sintonizar com este olhar em direção ao passado, assim, significa ser grato pela vida que nos foi dada; incluir nela os que porventura foram excluídos e os que fizeram parte desta e de outras existências de nossa alma, nesta e em outras famílias – biológica, espiritual e cósmica.

É reverenciar aqueles que apenas neste plano dimensional não estão, mas que permanecem nos apoiando, nas memórias das nossas raízes, em nossos corações, nos trazendo força, vitalidade, impulso para olhar em direção ao horizonte, em direção à Vida e ao porvir dos nossos sonhos, objetivos e propósito! Namastê! ❤

 

Artigos, Xamanismo: Sabedorias Ancestrais

A Medicina do Alce: Respeitando seu Ritmo, Proclamando a Alegria, Honrando seus Dons com Sabedoria

“Seus chifres almejam tocar o Sol. Mostre-me que força e energia são, na verdade, uma coisa só.”

Através da Medicina Ancestral Indígena e o estudo dos animais, podemos compreender e adaptar esses princípios à nossa realidade. Por essa razão, assim como a medicina proveniente das ervas, por exemplo, a medicina provinda dos animais também tem muito a nos ensinar, auxiliando profundamente em nossos processos de autoconhecimento, transformação interior, crescimento e evolução.

Essas medicinas nos relembram a sabedoria ancestral que ficou esquecida ou perdida no passado de nossa existência, assim como dos nossos ancestrais, mas cujo ensinamento ainda permanece lá, em algum lugar nos arquivos do nosso DNA e da nossa consciência. Não é por acaso que muitas práticas orientais tem por base o estudo desta sabedoria, intrínseca em todas as almas dos irmãos animais que se mantém em plena sintonia com a consciência de Gaia.

A Medicina do Alce nos ensina primeiramente sobre ENERGIA. Eis uma história para elucidar: O Alce perambulava pela floresta em busca de uma companheira. A estação de acasalamento estava no auge e os Alces que costumavam viajar com outros machos haviam se dispersado para encontrar as parceiras que os acompanhariam nesta temporada. Porém, enquanto o Alce lançava seu chamado floresta afora, ele involuntariamente alertou o Puma da possibilidade de realizar um inesperado banquete.O Puma cercou o Alce, descrevendo círculos cada vez menores em torno de sua presa à medida que o tempo passava.

O Alce percebeu o perigo iminente no momento em que a floresta silenciou de súbito, em muda expectativa, e correu então para as terras altas para tentar escapar de seu agressor. Mas, o Puma já o havia precedido e atirou-se sobre ele. Não conseguiu capturá-lo porque o Alce disparou à sua frente com incrível vigor, deixando-o exaurido de tanto saltar sobre troncos e pedras na inútil tentativa de capturá-la.O Alce continuou então a subir para as terras altas num ritmo constante e muito acelerado, pois ele sabia que sua única defesa consistia justamente nesta capacidade de ir mais longe e mais rápido do que qualquer um de seus inimigos, utilizando ao máximo suas reservas de energia e sua determinação.

O Alce ensina que sua energia aumentará se você for capaz de manter a disciplina e o ritmo em sua vida. Pode ser que as pessoas do totem do Alce não sejam as primeiras a atingir um determinado objetivo, mas elas certamente o alcançarão incólumes, em plena forma e ainda com reservas de energia para seguir em frente. Tudo é uma questão de encontrar o ritmo adequado para si mesmo.

Caso você tenha exigido excessivamente de suas forças nos últimos tempos, é melhor você rever seus planos e traçar uma nova estratégia de ação, para que seja capaz de terminar seu empreendimento sem dar entrada no hospital ou cair enfermo. O Alce possui uma curiosa espécie de energia guerreira, porque, exceto durante a estação de acasalamento, ele sabe honrar a amizade dos companheiros do mesmo sexo. Os Alces sempre podem apelar para a energia da fraternidade, para a energia de cura dos irmãos do mesmo sexo.

Quando você descobrir a energia que decorre do amor pela própria espécie, conseguirá sentir um novo tipo de camaradagem nascendo em seu coração. Esta energia amorosa faz com que a amizade entre as pessoas do mesmo sexo não seja conspurcada por sentimentos de ciúme, inveja ou de competitividade.

Se a imagem do Alce tem chamado sua atenção – como um recado do universo – seja em sonhos, meditações, figuras, filmes, etc., isto pode significar que você necessita procurar a companhia de pessoas do mesmo sexo para recuperar a energia fraterna típica de sua própria espécie. Isto pode ser conseguido, por exemplo, pela participação numa terapia de grupo ou simplesmente pela prática de um esporte realizado em equipe, tal como futebol, vôlei, basquete.

A interação com pessoas do mesmo sexo permite que você expresse seus sentimentos com segurança, ao mesmo tempo que você pode observar as reações dos outros às mesmas experiências. Isto o ajudará a desenvolver um novo sentimento de integração, baseado na comunicação e na comunhão de ideais.

O Alce pode estar advertindo-o também de que é necessário avaliar a forma como você está lidando com o estresse em sua vida. Talvez seja tempo de rever suas metas, de mudar a estratégia ou o ritmo de trabalho para cobrir a distância que o levará até seus objetivos sem graves traumas físicos nem psicológicos. Pode ser que você esteja necessitando apenas de umas vitaminas ou de uma alimentação mais balanceada, ou precisando de um período de repouso e meditação para reestruturar o seu universo interior.

“Ajude-me a honrar os dons que tenho a oferecer e a reconhecer meus méritos enquanto eu viver.”

Já a Medicina do Alce Americano nos ensina sobre AUTO-ESTIMA. Assim como o Búfalo, o Alce Americano é encontrado ao Norte da Roda de Cura, no lugar da Sabedoria. A energia de cura do Alce Americano é a auto-estima, porque representa o poder de reconhecer que esta energia tem sido usada em diversas situações, fazendo-o merecedor de aplauso e reconhecimento.

O Alce Americano é o maior animal da família dos cervos. O som do chamado deste Alce macho é uma coisa impressionante de se ouvir numa almiscarada noite de primavera. O orgulho de sua masculinidade e sua ânsia em compartilhar sua semente com uma fêmea de sua espécie são signos evidentes de sua forte auto-estima. A parte inferior do corpo de um Alce Americano pode ser encarada como uma força positiva, pois representa sua vontade de gritar ao mundo todos os seus sentimentos.

Essa vontade de comunicar a todos sua felicidade é decorrente de um sentimento de auto-realização. Não há satisfação maior do que aquela proporcionada por um trabalho bem feito. Esta ânsia em comunicar ao mundo suas realizações, presente na personalidade dele, não é sinal da busca de reconhecimento e de aplauso, e sim a espontânea explosão de alegria que emerge das profundezas de cada um de nós.

A sabedoria implícita no comportamento do Alce Americano é a Consciência de que a criação constantemente traz à tona novas idéias e novas realizações. O que o Alce Americano está tentando nos dizer é que a alegria deve ser orgulhosamente proclamada aos quatro ventos. Nisto reside a sabedoria de que a alegria é contagiante, beneficiando a todos os que entram em contato com ela.

Num certo sentido, aquele que festeja ruidosamente suas próprias vitórias está nos convidando a fazer o mesmo também, a saber comemorar os nossos sucessos e os sucessos dos outros. As pessoas do totem do Alce Americano possuem a capacidade de reconhecer quando é preciso usar a gentileza característica dos cervos ou quando é preciso recorrer à potência do Búfalo. Elas sabem encontrar o equilíbrio entre a necessidade de dar ordens para que as coisas sejam feitas e a disposição de fazer as coisas sozinhas, sem a ajuda de ninguém.

A sabedoria do Alce Americano é semelhante à do Avô Guerreiro que já abandonou sua pintura de guerra há muito tempo e agora se empenha em prevenir os jovens impetuosos da importância de manter a cabeça fria. A cura do Alce Americano é freqüentemente encontrada. entre os anciões que já trilharam a Boa Estrada Vermelha e já viram muitas coisas nesta sua Caminhada pela Terra. A alegria das pessoas do totem do Alce Americano reside em ensinar e encorajar as crianças, orientando-as em direção ao bom caminho. Elas sabem usar a sabedoria adquirida tanto para censurar quanto para elogiar, e sabem encontrar sempre o melhor momento para dizer a palavra certa para a pessoa necessitada de incentivo ou orientação.

As pessoas da energia do Alce Americano sempre sabem o que dizer, quando dizer e a quem dizer esta palavra certa. Nas sociedades dos índios norte-americanos, os anciões são louvados pelo dom da sabedoria pela capacidade que têm de ensinar, pela calma e pelo comedimento que demonstram nas reuniões do Conselho Tribal. Se você foi abençoado com a energia do Alce Americano e já adquiriu a sabedoria; apesar de não ser ainda um ancião, use este dom para encorajar os outros a aprender e a crescer.

Se a imagem do Alce Americano apareceu para você, isto significa que você tem motivos para orgulhar-se de algo que realizou. Pode ser um vício que você abandonou, a concretização de algum trabalho ou tarefa, uma intuição capaz de permitir a realização de uma meta ou a árdua superação de uma falha de caráter. É chegada a hora de orgulhar-se de sua vitória e de compartilhar o sucesso com aqueles que o auxiliaram nessa conquista.

Fonte complementar: Cartas Xamânicas – A Descoberta do poder através da energia dos animais/ Jamie Sams & David Carson

Mensagens Irmãos das Estrelas, Mensagens YEHUÁ, Xamanismo: Sabedorias Ancestrais

O Chamado: O Pulsar de Amor

Créditos da imagem: Colores Art Studio

Hoje, relembramos o chamado de ontem…

o chamado que ecoa por eons de existência

nos corações das almas-guerreiras que lutaram pela Paz:

as tribos dos Guerreiros do Arco-Íris,

dos Homens-Pássaro,

das Mulheres-Pachamama,

dos Filhos e Filhas das Estrelas.

Pó de estrelas e essência cristalina que habita em muitos de nós

nos relembra, nos convida a unificar, a unir forças e propósitos!

Eles vem, de tempos em tempos, trazer a luz no fim do túnel

quando a esperança se afasta e dá lugar à saudade de um tempo

em que todos vivíamos em harmonia com Gaia e o Grande Espírito.

Eles vem nos relembrar sobre nós mesmos,

sobre continuarmos firmes e fortes no propósito da alma,

sobre a verdade inabalável de que nunca estamos sós na jornada,

sobre o poder da vontade que sustenta a fé no porvir,

cria as experiências com gentileza e bênçãos,

materializa sonhos e mantém acesa a chama do amor,

para continuarmos nutrindo a ponte que nos leva de volta para casa

através do universo multidimensional do nosso coração.

Eles vem apenas nos relembrar do poder interior,

do fogo da criação divina e da sabedoria ancestral da alma

que nos traz sempre a força para seguir,

a coragem para continuar, a persistência para permanecer,

a sabedoria para alcançar o topo da montanha

e nos tornarmos mestres de nós mesmos.

Quando você receber esse chamado,

quando senti-lo nas profundezas do seu ser,

num misto de lágrimas e emoções inexplicáveis

que pairam entre a gratidão e a saudade,

lembre-se do elo que foi amorosamente acordado

em outros planos e, até mesmo, em outros orbes.

Esse chamado trará a memória de um amor fecundo, profundo,

que dói o peito e tira o fôlego, mas enche os pulmões com o ar da Vida!

Tenha a certeza que você é parte deste chamado que convida apenas a relembrar!

Muitos como você aguardam o reencontro destas tribos e,

quando esta hora chegar, campos floridos, terras férteis,

águas límpidas e ar fresco haverão ao seu redor

nutridos pelo alento caloroso da fogueira sagrada dos círculos do passado

em nome da Paz planetária, em nome da celebração da Vida e do Amor Universal!

Continue, confie, busque, conheça-se, acredite, ame!

Todos os Filhos das Estrelas como você

estão sintonizados por um único coração,

invisível aos olhos mas pulsante na alma.

Este pulsar de amor unirá todas as tribos da paz!

Yehuá© & Xamãs das Estrelas