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Uso de Fitoterápicos e Plantas Medicinais: SUS disponibiliza cursos gratuitos e online

Para quem ainda não conhece, o SUS (Sistema Único de Saúde) junto ao Ministério da Saúde no Brasil e parceiros criaram uma plataforma de cursos online, cujos temas oferecidos complementam o trabalho de profissionais através das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS). O site chama-se AVASUS e a maioria dos cursos é aberto ao público.

O curso “Uso de Plantas Medicinais e Fitoterápicos para Agentes Comunitários de Saúde” é oferecido gratuitamente, como um módulo de extensão, introdutório e educacional. A capacitação prepara o aluno para o uso seguro e correto das plantas medicinais e fitoterápicos, fortalecendo ações e serviços das PICS na Rede de Atenção à Saúde.

O objetivo é orientar os agentes sobre a importância do uso correto de plantas medicinais e fitoterápicos, disponibilizando informações básicas sobre o cultivo, assim como orientações sobre a preparação, a toxicologia e o uso de remédios caseiros. Procura também promover a interação e a troca de experiências entre os profissionais envolvidos com essas práticas, consolidando uma rede colaborativa de aprendizagem.

Esse módulo tem como base as diretrizes da Política Nacional das PICS, em conformidade com os princípios estabelecidos para a Educação Permanente, com parcerias de Centros de Formação e plataformas virtuais de conhecimento. Embora tenha sido desenvolvido, inicialmente, para os Agentes Comunitários, o curso pode ser de utilidade para profissionais de saúde básica, que estejam atuando ou que gostariam de ter uma noção introdutória sobre o tema. Um dos focos do curso direciona-lo para aqueles que estão inseridos nas comunidades indígenas, por exemplo.

O curso possui carga horária de 60 horas na modalidade à distância, sem limite de vagas, e permanece disponível para acesso através de cadastro e inscrição dos interessados. A metodologia envolve história em quadrinhos, apresentações, vídeos, textos, sínteses e fóruns para compartilhar experiências e reflexões. Para conhecer sobre os módulos que serão abordados e cadastrar-se, acesse aqui.

Já para os profissionais que possuem nível superior, há um outro curso sendo oferecido como módulo de extensão: “Qualificação em Plantas Medicinais e Fitoterápicos na Atenção Básica – Módulo I”. Este é direcionado para os que atuam nas equipes da Estratégia de Saúde da Família (ESF) e Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), utilizando plantas medicinais e fitoterápicos como forma de ampliar e qualificar o cuidado à saúde da população, mas da mesma forma é aberto ao público.

O conteúdo dialoga com o processo de trabalho dessas equipes, com questões relacionadas desde o histórico da Fitoterapia e aspectos botânicos das plantas medicinais, até a farmacologia, a prescrição, a legislação e a implementação de programas envolvendo a Fitoterapia. O módulo conta com recursos didáticos elaborados por pesquisadores e profissionais de todo o país, seguindo as mesmas diretrizes da Política Nacional das PICS no SUS e do Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF).

Como objetivo também procura sensibilizar profissionais de outras áreas da saúde, assim como outras categorias profissionais sobre o tema. Segundo o site, esta oferta pedagógica trata-se de módulo introdutório que contará ainda com um segundo módulo. Contudo, ressalta que a habilitação para a prática terapêutica de plantas medicinais e fitoterápicos no cuidado à saúde depende da formação prévia do participante, estando de acordo com as orientações e resoluções dos conselhos de classe de cada categoria profissional.

Ficam as dicas a todos os profissionais da área da saúde e outros que tiverem interesse. Meu objetivo na divulgação de cursos através de plataformas online gratuitas e pagas – desde que com valores acessíveis – principalmente na área da saúde onde também atuo, é fomentar, incentivar e colaborar na difusão do conhecimento. Uma forma de sermos agentes de mudança e colaboração! Boa leitura e bons estudos!

Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

Fonte complementar: AVASUS – Cursos/ Fitoterápicos 

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Medicamentos Naturais: A Legislação na Prescrição e o Movimento “Medicina sem Pressa”

Nos cursos que ministro e nos projetos que presto consultoria, quando se trata daqueles que buscam trabalhar como terapeutas naturalistas e/ou holísticos, naturopatas, terapeutas florais, homeopatas prescritores ou outra profissão correlacionada, procuro sempre enfatizar a importância de conhecermos e estarmos atualizados sobre a legislação que regulamenta a prescrição de fitoterápicos e homeopatias.

Isso se aplica tanto no que diz respeito ao respaldo do profissional para que possa executar o seu trabalho dentro da lei, quanto à constante atualização do seu conhecimento por meio de formações e especializações devidamente registradas e/ou sob respaldo de conselhos, associações e sindicatos regionais ou nacionais. Da mesma forma, no caso da prescrição de medicamentos naturais, precisamos estar aptos para fazê-la, assim como cientes das mudanças registradas pela ANVISA de tempos em tempos, uma vez que é este órgão que regulamenta tais alterações. Hoje, algumas ervas, mesmo em forma de chás, por exemplo, já não podem mais ser comercializadas em lojas de produtos naturais em razão disso.

Mesmo a prescrição de medicamentos naturais que estejam prontos para venda – comercializados por laboratórios como Welleda, Vidora, Klein, Herbarium, Hertz, Schreiber, entre outros – ou que sejam manipulados por uma farmácia de confiança, ou ainda elaborados em consultório e/ou laboratório particular pelo próprio terapeuta – como é o caso dos florais – é imprescindível que estejamos a par desses pormenores legislativos, por mais burocráticos que sejam, e que tenhamos conhecimento e experiência para saber quando, como e em que condições prescrevê-los. Para tanto, cursos de farmacologia aplicada já existem no mercado, assim como as formações destinadas a terapeutas florais, homeopatas prescritores e fitoterapia aplicada, ministrados pelos Conselhos e Faculdades de Farmácia, Enfermagem e/ou profissionais da área da saúde.

Além dos florais, os produtos de medicina tradicional chinesa e de medicina ayurvédica também estiveram sob os olhos da Agência de Vigilância Sanitária. Em novembro de 2018 houve uma nova tentativa de regulamentação. Contudo, as decisões indicaram que uma nova regulamentação estará voltada para o estabelecimento de regras no que diz respeito a: composição do produto, rotulagem e fabricação, entre outros quesitos, para que possam ser comercializados. Mas, sem a necessidade de registro ou de outro tipo de autorização prévia.

Sigamos observando como se processará esse movimento de regulamentação de produtos se, antes, o projeto de lei que regulamenta a profissão de terapeuta naturalista e toda a lista de modalidades/terapias alternativas e complementares em saúde ainda não foi aprovado – embora reconhecido já seja pelo Ministério do Trabalho e da Saúde, pela OMS, e seja desempenhado por milhares de pessoas. É ainda a discrepância que vivemos numa sociedade capitalista. Leia o documento na íntegra: Proposta de Atuação Regulatória_Florais e MTC.

AS FARMACOPEIAS BRASILEIRAS

Da mesma forma, para estarmos nos atualizando podemos consultar online os bancos de dados de estudos científicos relacionados às matéria-primas e/ou remédios naturais que temos interesse, assim como as publicações que a ANVISA disponibiliza gratuitamente. Entre essas publicações temos as Farmacopeias Virtuais Brasileiras, além de documentos atualizados por meio de consulta pública, extensiva a profissionais da área da saúde, setores sociais, órgãos públicos e conselhos regulatórios, que visam debater formulações relacionadas nos Formulários Fitoterápicos e Homeopáticos da Farmacopeia Brasileira, geralmente publicados no site da Agência. O foco para a prescrição das dosagens corretas e sua forma de preparo podem ser encontradas de forma objetiva nesses formulários.

A Farmacopeia Brasileira é o Código Oficial Farmacêutico do País, que estabelece os requisitos mínimos de qualidade para fármacos, insumos, drogas vegetais, medicamentos e produtos para a saúde. O código contém 592 monografias, sendo que 367 destas fazem parte da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename). Desde 1999, quando foi criada, a Anvisa assumiu a gestão da Farmacopeia Brasileira. A quinta edição representa uma revisão de todas as monografias e métodos farmacêuticos – a qual relaciono abaixo. Para sua elaboração, o trabalho conta com a participação de membros acadêmicos, representantes da indústria farmacêutica, Anvisa, Ministério da Saúde, entre outros.

Segundo a diretora da Anvisa, Maria Cecília Brito: “Uma farmacopeia sólida proporciona a obtenção de matérias-primas de qualidade, além de reduzir custos para os fabricantes e a ocorrência de eventos adversos para os usuários”. Assim, meu objetivo em relacioná-las aqui é porque representam uma ótima base para prescrições realizadas de forma segura e aprovadas a partir das dosagens permitidas por lei. Fora das dosagens permitidas, somente profissionais da área da medicina poderão estar aptos para prescrever doses maiores e/ou já consideradas tóxicas para o organismo.

  1. Farmacopeia Homeopática Brasileira – 3ª edição (2011)
  2. Formulário Homeopático – Farmacopeia Brasileira 1ª edição (2017)/ A 2ª edição está em andamento.
  3. Farmacopeia Brasileira – 5ª edição/ Volume 1Farmacopeia Brasileira – 5ª edição/ Volume 2
  4. Formulário ou Memento Fitoterápico – Farmacopeia Brasileira – 1ª edição (2016)
  5. Farmacopeia Brasileira 1º Suplemento (2018)/ Farmacopeia Brasileira – 2º Suplemento (2017)

Com esse cenário, nossa atenção quanto à prescrição deve ser redobrada, uma vez que um medicamento de origem natural também possui uma composição bioquímica vasta, contra-indicações devido à sua toxicologia e à interação com outros medicamentos alopáticos. É preciso uma análise do histórico do paciente e uma lista da relação de medicamentos que utiliza e/ou que já usou recentemente. E o mais importante, avaliar o tempo que deverá seguir com o tratamento de acordo com cada caso. Muitas vezes, é importante que haja a troca de informações entre o terapeuta e o médico ou profissional de saúde, caso o paciente esteja fazendo uso de medicação controlada, por exemplo.

Lembremos que o nosso corpo tem uma bioquímica própria, que funciona perfeitamente quando estamos equilibrados e em harmonia conosco internamente, com a nossa vida, o que reflete na saúde em vários níveis. Assim, a importância de termos consciência de que um medicamento natural também tem o seu tempo de atuação. Que precisamos cada vez mais buscar formas de não nos medicarmos, mas sim buscar as respostas através de práticas e mudanças de hábitos e padrões para nos trazer mais saúde, tanto física, emocional, quanto mental e espiritual.

TENDÊNCIA: “SLOW MEDICINE” – A MEDICINA SEM PRESSA

O movimento chamado Slow Medicine ou “medicina sem pressa” está no rol de outros movimentos crescentes e direcionados à busca de mais qualidade de vida e saúde do paciente. Isso significa destinar tempo para identificar a causa da doença, incluindo a prescrição de medicamentos em alguns casos, mas dar ao corpo uma chance de se curar. O movimento nasceu em 2011, na Itália, através de uma associação de médicos, enfermeiros, pacientes e cidadãos que defendem uma medicina sóbria (faz tudo o que é necessário para tratar cada pessoa doente, mas não desperdiça preciosos recursos com excesso de exames), respeitosa (considera as exigências, expectativas e valores dos pacientes) e justa (é igualitária e garante tratamento essenciais para todos).

Esse movimento vem de encontro ao retorno da saúde integral, que visa o fortalecimento tanto do corpo, da mente, do emocional, quanto do ambiente em que a pessoa convive e interage, padrões de pensamento, emoções e comportamento, seus hábitos e estilo de vida. É claro que os índices de maior adesão desses movimentos começam sempre fora do Brasil – como também foi o caso do slow food, relativo à importância do consumo de alimentos orgânicos de produção própria e/ou de produtores locais, incluindo a agroecologia, e o minimalismo como forma de minimizar o consumo excessivo e a produção de lixo.

Mas, já estamos vendo essa tendência inserida e praticada através das terapias alternativas e naturalistas e/ou das práticas integrativas e complementares em saúde – mesmo que em passos lentos aqui no Brasil – que objetivam ir além do tratamento sintomático e auxiliarem no encontro da causa do desequilíbrio. Alguns hospitais também já estão aplicando esses princípios junto ao tratamento médico de seus pacientes. Para o Dr. Michael Finkelstein, especialista em Slow Medicine, ainda vemos uma medicina que é essencialmente rápida, cirúrgica e com base em medicamentos prescritos – diria focados nos sintomas. O sistema de saúde está condicionado com esse tipo de abordagem(…).

É importante trazermos essa consciência quanto às prescrições que fazemos e também das que recebemos dos profissionais de saúde com os quais nos consultamos. Um diálogo respeitoso e esclarecedor entre profissional e paciente deve ser sempre bem vindo, uma forma de esclarecer –  por parte do paciente – e de avaliar, por parte do médico ou profissional de saúde, se os medicamentos prescritos ainda são necessários, em quais condições mantê-los, se é possível reduzir as dosagens ou procurar opções de tratamento mais naturais que aliviem ou que tragam menos reações adversas.

A prescrição de medicamentos naturais, portanto, também necessita estar inserida nesta “medicina sem pressa”. Essa é a atenção à saúde do paciente que vai além do corpo. Como sempre digo, uma fórmula floral, um fitoterápico, uma homeopatia ou mesmo um composto de ervas calmantes são apenas auxiliares ou complementares num tratamento terapêutico. Precisamos honrar essa sagrada medicina e os remédios que dela são derivados, mas nosso maior compromisso é não precisarmos depender deles.

Luciane Strähuber – Consultora e Educadora da Terapêutica Integrada

Fontes complementares: Anvisa: http://portal.anvisa.gov.br/farmacopeia / “Medicina sem pressa” no Brasil: Slow Medicine Brasil/ Sugestão de livros: https://www.slowmedicine.com.br/livros/ 

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Óleos Essenciais: Como Usar com Segurança

Toda vez que prescrevo ou ensino a confeccionar qualquer tipo de produto cuja composição possua óleos essenciais, procuro chamar a atenção para a quantidade de gotas. Devem ser respeitados o seu uso de acordo com o tipo de produto, se para o ambiente ou para o corpo, o tipo de pele e a parte do corpo, a condição da saúde e o objetivo do tratamento, se há sensibilidade e/ou alergia, assim como gravidez, uso de certos medicamentos e o histórico do paciente.

Essa cautela tem um importante motivo: uma gota de óleo essencial equivale, em média, a 15 xícaras de chá da planta e/ou a 25 saquinhos de chá da erva. Justamente pelo fato de serem tão concentrados, os óleos essenciais são capazes de atuar de modo tão eficaz em nosso organismo. No entanto, é por este mesmo motivo que o seu uso terapêutico requer cuidado, conhecimento e orientação adequada. Essa também é a razão pela qual eles geralmente não são baratos e diferem dos óleos sintéticos ou artificiais.

A maioria dos óleos essenciais comercialmente disponíveis no mercado são vendidos de forma segura para o uso, e quando manuseados de maneira apropriada, os riscos envolvidos na sua utilização em ambientes domésticos ou profissionais/clínicos se tornam muito pequenos.

Registros de intoxicações graves causadas por óleos essenciais não são frequentes, contudo, podem ocorrer por ingestão de quantidades excessivas de óleo essencial puro (acima de 10 mL de óleo essencial puro) ou pela frequência de aplicação superior ao recomendado, especialmente em crianças menores de sete anos – atento aqui também aos nossos pets, cuja sensibilidade olfativa é elevada. 

Outra informação importante é o fato de que alguns óleos, dependendo da frequência com que são aplicados ou ingeridos, podem ser cumulativos para alguns órgãos – o hortelã-pimenta, por exemplo, é ótimo para a digestão, mas em doses excessivas é hepatotóxico. Assim, precisamos lembrar que a mãe natureza tem uma sabedoria própria: tem pronto na folha de cada planta a quantidade perfeita das moléculas de óleo essencial, a fim de não nos intoxicarmos. Mas, mesmo para os chazinhos que costumamos tomar, o ideal é que estejamos sempre variando as ervas para o corpo não ficar intoxicado através do efeito cumulativo da planta.

FATORES QUE INFLUENCIAM A SEGURANÇA 

  • 1. QUALIDADE DO ÓLEO ESSENCIAL 

Um óleo sintético, ou seja, adulterado, não possui a mesma composição química de um óleo essencial natural, logo não poderão dar os mesmos resultados terapêuticos, além de aumentarem a probabilidade de uma resposta adversa no organismo. Ao adulterar ou isolar um princípio considerado ativo, perde-se os compostos orgânicos responsáveis pelas propriedades medicinais dos óleos e eles não atuarão de modo medicinal e eficaz. Portanto, fique atento ao rótulo e compre apenas óleos essenciais que incluam o nome científico da planta e sua origem.

  • 2. COMPOSIÇÃO QUÍMICA

Cada óleo essencial possui características bioquímicas particulares, que irão designar a ação terapêutica e o método de utilização mais adequados. Conhecer a composição química do óleo essencial nos revela tanto o seu princípio ativo majoritário – que indicará as melhores vias de atuação dele – como também indicará a presença de componentes que requerem maior cautela no seu uso.

É o caso das furanocumarinas, componentes que indicam que o óleo tem a capacidade de tornar a pele fotossensível e, portanto, não devem ser utilizados antes da exposição solar. Esse é o caso dos óleos cítricos como limão siciliano ou taiti, laranja doce ou amarga, pettigraint, tangerina, entre outros. Óleos essenciais ricos em aldeídos como a citronela (por exemplo citronelal, citral) e em fenóis como a canela e o cravo (por exemplo, aldeído cinâmico e eugenol) podem causar reações na pele se aplicados sem diluição. Os óleos ricos nestes componentes nunca devem ser aplicados puros sobre a pele e, além da diluição, também podem ser associados a outros óleos com capacidade de atenuar seus efeitos irritantes.

  • 3. MÉTODO DE APLICAÇÃO

Os óleos essenciais atuam no organismo por vias fisiológica, psicológica e energética. Dentre as formas de aplicação e utilização mais comuns, temos: inalação, massagem, emprego em cosméticos, bandagem ou compressas, banhos e uso interno. Outras utilizações também envolvem produtos naturais de limpeza e higiene. O método de aplicação mais adequado pode variar de acordo com as características particulares de cada óleo essencial, bem como o próprio tratamento a ser realizado. Cada método de aplicação, por sua vez, possui orientações de segurança que precisam ser respeitadas. O uso interno de óleos essenciais não deve ser realizado sem a orientação e o acompanhamento de um profissional adequado – por exemplo, em dosagem superior a 300 mg (1 gota de óleo essencial = em média 30mg) ou emprego de óleos que não sejam puros.

  • 4. DOSAGEM E DILUIÇÃO

Para uma dosagem e diluição seguras devem ser respeitados tanto as características de cada óleo essencial, bem como a sensibilidade do próprio paciente. Qualquer uso excessivo de óleos essenciais pode causar irritação ou outros efeitos indesejados devido à sua natureza lipofílica. Como aromaterapeuta e alquimista, indico não se ultrapassar o uso de 2%. 

De modo geral, as diluições recomendadas para aplicação tópica variam entre 1 e 5%, o que normalmente não representa preocupações de segurança. Assim, por cautela estipulou-se, tendo por base os trabalhos na área da toxicologia, não ultrapassar a quantidade de 3% de óleo essencial em 15 mL de óleo vegetal carreador, de modo que a quantidade total dos componentes do óleo essencial seja inferior a 2000 vezes o valor da sua dose letal. Normalmente, utiliza-se a concentração de 2%, entretanto, em crianças com menos de 7 anos de idade e em pacientes muito enfermos e/ou debilitados, usam-se concentrações menores de 1%.

  • 5. INTEGRIDADE DA PELE

A pele sensibilizada, doente ou inflamada é frequentemente mais permeável aos óleos essenciais e encontra-se mais suscetível à ocorrência de reações adversas e irritações. Quando fragilizada ou inflamada, a pele tende a absorver uma quantidade de óleo essencial superior a quantidade que normalmente seria absorvida, não só piorando a condição da pele já fragilizada, como também provocando novas reações de sensibilização. Portanto, o ideal é não se utilizar os óleos diretamente na pele nesses casos ou, dependendo do problema, reduzir bastante a porcentagem. 

  • 6. TEMPO QUE PERMANECE NO ORGANISMO

Pelo fato de terem uma composição química muito complexa, podem chegar a ter mais de 200 componentes químicos diferentes em um único óleo essencial. Formados basicamente por terpenos e derivados terpênicos, os óleos essenciais possuem uma característica que os diferencia de grande parte dos medicamentos e cosméticos. Eles são lipossolúveis, isto significa que penetram facilmente na pele (através dos dutos da glândulas sudoríparas e do folículo piloso) e rapidamente chegam à corrente sanguínea.  E é por isso que atualmente existem muitas pesquisas utilizando os componentes dos óleos essenciais para aumentar ou facilitar a penetração de alguns medicamentos.

É possível detectar seus componentes químicos no sangue, suor ou ar expelido cerca de 5 minutos após a aplicação feita por massagem ou compressa. Então, se em apenas 5 minutos estão na corrente sanguínea, quanto tempo permanecem no organismo? Pesquisas realizadas na França demonstram que alguns componentes dos óleos essenciais, como os sesquiterpenos, permanecem no organismo por até 5 dias. Já os monoterpenos permanecem por até 3 dias no corpo. Nesse sentido, menos é sempre mais na aromaterapia. Se houver exagero nas dosagens ou utilizar os óleos essenciais muitas vezes ao dia, o que vai acontecer a médio e longo prazo é ter um fígado e/ou rins lesionados por tanto trabalho para metabolizar os excessos.

  • 7. IDADE DO PACIENTE

Bebês e crianças pequenas são mais sensíveis à potência dos óleos essenciais e as diluições seguras geralmente variam de 0,5 a 2,5%, dependendo da condição. Certos óleos essenciais devem ser evitados ou devem ser empregados somente sob a orientação de um profissional responsável. Pacientes idosos podem ter mais sensibilidade cutânea e também devem utilizar concentrações reduzidas. O que recomendo é o uso de um frasco com roll-on, diluindo os óleos essenciais em óleos vegetais ou carreadores.

O uso incorreto dos óleos essenciais não apenas coloca em risco o bem-estar do paciente, como também inviabiliza a eficácia terapêutica, levando a deslegitimar a prática da aromaterapia. Por isso, para tratamentos adequados, de modo a se obter os melhores resultados e assegurar a sua segurança, sempre recomenda-se a orientação de um profissional especializado. Somente ele poderá avaliar e também acompanhar o caso em particular e assim indicar a melhor abordagem.

No caso da compra de óleos essenciais para o ambiente doméstico, pesquise, observe e/ou solicite informações que contenham as formas de uso de acordo com o que você deseja. Assim, estará aprendendo de forma eficaz e segura, e podendo passar adiante sua experiência com responsabilidade.

Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada, Aromaterapeuta e Alquimista.

Para aprofundar o conhecimento relativo à utilização dos óleos, suas funções, formas de uso e toxicidade, assim como estudos científicos sobre as matérias-primas e a bioquímica, super indico o livro Farmacognosia: da planta ao medicamento. SIMÕES, Cláudia Maria Oliveira – Artmed. Em edição mais atual, encontra-se com o título: Farmacognosia: do produto natural ao medicamento.

Fonte Complementar: Terra Flor Aromaterapia/ Grupo Laszlo – Aromaterapia e Aromatologia/ NATIONAL ASSOCIATION FOR HOLISTIC AROMATHERAPY, NAHA. Safety Information / WOLFFENBUTTEL, Adriana Nunes. Base da Química dos Óleos Essenciais e Aromaterapia: Abordagem Técnica e Científica 

Leia também: Receitas Caseiras com Óleos Essenciais

Artigos, Constelação Familiar, Terapias Integrativas

Ensinamentos sobre Irmãos e Hierarquia na Família: Visões da Constelação Familiar

Irmãos são indivíduos que participam de uma mesma comunidade de destino. Eles vem de um pai e de uma mãe em comum – ou de um deles em comum. Porém, em algum ponto de origem, seja no pai ou na mãe ou em ambos, compartilham da mesma história familiar.

Segundo Bert Hellinger, o criador da Constelação Familiar: “Pais e filhos constituem uma comunidade que partilha de um destino comum. Nela, cada um depende do outro de muitas maneiras e, na medida das suas possibilidades, precisam cooperar para o bem comum. Aqui, cada um simultaneamente dá e recebe.”

Entre irmãos, há sempre uma ordem a ser respeitada. Há o que chegou antes e existe os que vieram depois – a ordem de precedência. Mesmo no nascimento de gêmeos, um deles tem a precedência. É primordial essa ordem ser olhada e respeitada. Isso vale tanto entre pais e filhos, quanto entre irmãos na sua convivência.

Através da constelação familiar sistêmica, é necessário olhar também para os irmãos que não nasceram, para os que naturalmente não sobreviveram ou que foram abortados. Todos estes fazem parte da ordem familiar e têm o seu lugar por pertencimento. Dessa forma, podemos ter uma imagem completa desta comunidade de pessoas, unidas pela sua origem e que realizam um grande trabalho: caminhar, juntos ou separados, por uma jornada de vida. Leia mais sobre Abortos: Incluindo os Excluídos.

Levando em consideração a particularidade de cada caso, a Constelação Familiar como ferramenta terapêutica auxilia a encontrar o fluxo da ordem dentro da hierarquia familiar, mostrando onde reside a origem das desordens, dos conflitos e de situações desafiadoras em nossa vida. Ela pode revelar, a partir de nossa abertura interior, o que está atuando em nosso inconsciente, levando nosso olhar em direção às dificuldades que vivenciamos e descortinar aquilo que ainda não estava consciente. 

PAIS, FILHOS E IRMÃOS

Na ordem entre pais e filhos e também entre irmãos, existe uma dinâmica semelhante no dar e no receber: assim como os pais somente dão e os filhos somente recebem, entre irmãos o mais velho também poderá dar ao irmão mais novo, e este receberá mais.

Cabe porém ressaltar que o “dar” – a troca entre irmão mais velho e mais novo – diz respeito ao lugar de irmãos, jamais um irmão mais velho pode oferecer algo que só compete ao pai ou à mãe fazê-lo. Num caso assim, ele estaria saindo de seu lugar, ferindo inconscientemente a ordem ao querer fazer-se “maior” que os pais – aqui a palavra “maior” refere-se a ocupar um lugar de precedência daquele que veio antes.

É importante frisar bem este ponto: muitos filhos mais velhos podem tender a colocar-se fora de seu lugar, tomando para si algo que é da função do pai ou da mãe. A consequência sempre será a de que os irmãos mais novos não aceitarão tal desordem, sendo provável que nasçam desta dinâmica muitos conflitos, brigas e dificuldades de existir paz entre os irmãos.

Segundo Hellinger: “Quem vem primeiro deve dar mais porque também recebeu mais, e quem vem depois necessariamente recebe mais. Entretanto, também este último, quando já tiver recebido o bastante, dará aos que vierem depois. Assim, dando e tomando, todos se sujeitam à mesma ordem e seguem a mesma lei.”

Da mesma forma, os que recebem devem honrar a dádiva daquilo que receberam, e da forma como receberam. Quando esta boa ordem é respeitada, aqueles que dão são retribuídos pelos bons frutos do que cederam. E os que receberam ficam livres para passar isso adiante. Dessa forma a vida flui, em direção ao mais.

EQUIVALÊNCIA E BRIGAS 

Ainda que exista a precedência, irmãos são equivalentes. Não há diferença de valor entre eles para o sistema, apenas uma diferença de ordem. Da mesma forma como o fluxo entre o dar e o receber segue de cima para baixo, e o tempo flua do antes para o depois, a ordem entre irmãos não pode seguir por outro caminho diferente daquele estipulado pelo nascimento.

Assim, irmãos maiores tem um lugar diferente de seus irmãos menores, e sentir-se-ão ameaçados se houver uma tentativa de invasão de seu espaço. Isto trará conflitos. Esta é uma dinâmica comum que se mostra nas constelações, quando um caçula entende em seu interior que tem o direito de se intrometer no assunto de seus irmãos mais velhos, ou até mesmo de seus pais. Isso é geralmente a fonte de problemas entre irmãos, quando a ordem e o lugar de cada um não são respeitados. Isto é algo que atua no nível sutil ou inconsciente, porém mostra sua influência de forma concreta no dia-a-dia.

Por cada caso ser um caso, a solução deve ser tratada como única e irrepetível para cada família. Isto é um fato importante para não haver enganos ou julgamentos por parte do terapeuta, evitando caminhos que levam a verdades absolutas. Um exemplo disso são os casos de irmãos mais velhos que tendem a assumir, de forma compulsória, responsabilidades pelos irmãos mais novos em caso de morte de um dos pais ou de ambos, em caso de abandono ou de incapacidade dos pais por motivo de doença grave, ou ainda de situações extremas que envolvam o vício em drogas, tráfico, álcool, prostituição, entre outros.

É sempre importante olhar os movimentos de cada caso onde há desentendimentos entre irmãos. Em algumas situações, há uma força de exclusão nestas relações que pode ser a repetição de um caso acontecido anteriormente no sistema familiar. Exclusões sempre atuam tencionando o sistema e trazendo dificuldades para todos que dele fazem parte. Segundo a constelação familiar, a exclusão é um movimento “arrogante” de um membro ou de um sistema de retirar o pertencimento de alguém que tem esse direito, pelo fato de ali ter nascido. 

Trilhar um caminho de amor, harmonia e compreensão em meio às complexidades do sistema familiar é possível. Conhecer as “ordens do amor” que atuam muitas vezes de forma inconsciente é uma meta essencial, uma forma de evitarmos crises, conflitos e enfermidades. Elas ocorrem em virtude do desconhecimento das leis naturais que regem os nossos sistemas familiares e sociais. Da mesma forma, essas ordens não são um fim em si mesmas, assim como menciona Hellinger quando diz que a Constelação não é um método, mas um caminho.

Leia mais sobre essas leis e ordens em: Vínculos do Destino: A Fonte não precisa perguntar pelo caminho

ORDEM DE NASCIMENTO DOS IRMÃOS

Por Dra. Gail Gross – Especialista em família, educação e comportamento humano.

“Você vai fazer uma viagem de carro com seus irmãos adultos. Qual desses três cenários mais se parece com você?

1. Você vem planejando a viagem há semanas, já cuidou das reservas de hotel e restaurante, trocou o óleo do carro e encheu o tanque. E até já mapeou as paradas para descanso ao longo do caminho.

2. Você passou a manhã na correria, tentando aprontar tudo. No final, jogou lanches e roupas na mala de qualquer jeito, na última hora. Se é você quem vai dirigir, está torcendo para encontrar um posto na estrada e encher o tanque, que está pela metade.

3. Viagem em família? Vai ser divertido! Você aceitou o convite porque vai ser uma curtição e não planejou contribuir com nada, exceto suas piadas e historinhas divertidas.  Você também curte os lanches que seus irmãos mais velhos trouxeram. Percebe que talvez precise comprar um agasalho mais apropriado quando vocês chegarem ao destino.

Se você se identifica com o cenário nº 1, é provável que seja o filho primogênito. Se o cenário nº 2 o descreve bem, você é provavelmente o filho do meio. Você se identifica mais com o cenário nº 3? O mais provável é que seja o caçula.”

A ORDEM DE NASCIMENTO FAZ DIFERENÇA

Alguns pesquisadores consideram a ordem de nascimento tão importante quanto o gênero, e quase tão importante quanto questões genéticas. É a velha história da natureza versus criação. Em minha experiência como educadora e pesquisadora, sei que não existem dois irmãos que tenham os mesmos pai e mãe, mesmo que vivam na mesma família. Por que? Porque os pais são diferentes com cada um de seus filhos, e não há dois filhos que desempenhem o mesmo papel. Por exemplo, se você é o filho cuidador, o papel de cuidador já terá sido tomado, e seu irmão escolherá outro papel para exercer na família, talvez o do realizador.

Como pai ou mãe, você se lembra bem de seu primeiro filho. Foi aquele que você vigiava quando estava dormindo, para ter certeza de que continuava a respirar. Foi o bebê que você carregou no colo e amamentou e/ou para o qual esterilizou mamadeiras por mais tempo. Esse filho é o único que terá tido o monopólio dos pais; todos os outros filhos foram obrigados a dividi-los.

O filho primogênito nasce numa família de adultos que se orgulha de cada conquista dele e teme todo machucado ou acidente potencial. O filho do meio com frequência é dominado pelo primogênito, que é mais velho, sabe mais e é mais competente. Quando nasce o filho caçula, os pais geralmente já estão cansados e têm menos tendência a querer controlar tudo. Quando você tem seu caçula, já sabe que seu bebê não vai quebrar; logo, pode ser mais flexível em termos de atenção e disciplina. O resultado é que seu bebê aprende desde cedo a seduzir e divertir vocês.

O REALIZADOR, O PACIFICADOR E O BRINCALHÃO

Enquanto o filho mais velho é programado para alcançar excelência e realizações, o filho do meio é criado para ser compreensivo e conciliador, e o caçula quer atenção. Assim, a ordem de nascimento dos filhos é uma variável poderosa no desabrochar da personalidade de cada um.

* O primogênito: o realizador. O primogênito provavelmente terá mais em comum com outros primogênitos do que com seus próprios irmãos. Pelo fato de ter sido alvo de tanto controle e atenção de seus pais, marinheiros de primeira viagem, os primogênitos são responsáveis até demais, confiáveis, bem comportados, cuidadosos – versões menores de seus pais.

Se você é filho primogênito, é provável que seja um realizador que busca aprovação, domina e é aquele perfeccionista que suga todo o oxigênio que há na sala. Você pode ser encontrado em profissões que requerem liderança, como direito, medicina ou ser CEO de uma empresa. Como mini-pai ou mãe, também tenta dominar seus irmãos. O problema é que, quando nasce o bebê número dois, você tem um sentimento de perda. Ao perder seu lugar no trono familiar, você também perde o lugar especial decorrente da singularidade. Toda a atenção que era voltada exclusivamente a você agora terá que ser compartilhada entre você e seu irmão.

* O filho do meio: o pacificador. Se você é filho do meio, é provável que seja compreensivo, cooperador e flexível, mas também competitivo. Você se preocupa com o que é justo. Na realidade, como filho do meio, é muito provável que escolha um círculo íntimo de amigos para representar sua grande família. É nesse espaço que encontrará a atenção que lhe faz falta em sua família de origem.

Como filho do meio, você é quem recebe menos atenção de sua família, e por essa razão essa família que você escolheu é sua compensação. Embora em muitos casos você só se destaque mais tarde na vida, acabará em profissões poderosas que lhe permitam fazer bom uso de suas habilidades de negociador – e também conseguir aquela atenção que lhe faz tanta falta.

Você e seu irmão mais velho nunca vão se destacar na mesma coisa. O traço de personalidade que o define como filho do meio será o oposto daquele de seu irmão mais velho e do menor. Mas as ótimas habilidades sociais que você aprendeu por ser o filho do meio – negociar e orientar-se dentro de sua estrutura familiar – podem prepará-lo para um papel de empreendedor num palco maior.

* O filho caçula: aquele que anima a festa. Se você é o caçula da família, seus pais já se sentiam confiantes em seus papéis de cuidadores; por essa razão, eram menos rígidos e não necessariamente prestavam atenção a cada passo ou marco seu, assim como fizeram com seus irmãos mais velhos. Assim, você deve ter aprendido a seduzir as pessoas com seu charme e simpatia.

Como filho caçula, você tem mais liberdade que os irmãos mais velhos e, em certo sentido, é mais independente que eles. Como o caçula, você também tem muito em comum com seu irmão mais velho, já que vocês foram tratados como especiais, dotados de certos direitos inatos. Sua influência se estende a toda a família, que lhe dá apoio emocional e físico. Logo, você tem um sentimento de segurança e de ter seu lugar próprio.

Provavelmente, não o surpreenderá observar que os filhos caçulas com frequência encontram profissões ligados ao entretenimento, como atores, comediantes, artistas, escritores, diretores e assim por diante. Eles também dão bons médicos e professores. Como seus pais foram mais descontraídos e lenientes, você tem a expectativa de ter liberdade para seguir seu próprio caminho em estilo criativo. E, como o caçula da família, carrega menos responsabilidade, por essa razão não atrai experiências responsáveis.

* O filho único: Se você é filho único, cresce cercado por adultos e, por essa razão, com frequência sabe verbalizar as coisas bem e tem maturidade. Isso possibilita ganhos de inteligência que excedem outras diferenças de ordem de nascimento. Tendo passado tanto tempo sozinho, você é engenhoso, criativo e tem confiança em sua independência. Se você é filho único, na realidade tem muito em comum com os primogênitos e também com os caçulas.

Em última análise, é importante para os pais conhecerem seus filhos. Ainda mais importante que a ordem em que eles nasceram é criar um ambiente positivo, sadio, seguro e estimulante. Compreendendo a personalidade e o temperamento de cada filho, os pais podem organizar o ambiente dele de modo a aproximá-lo de seu potencial mais pleno. Por exemplo, sabendo que o filho primogênito tem grande senso de responsabilidade, podem aliviar a carga dele, e reconhecendo que o caçula está vivendo em um ambiente mais leniente, podem ser mais exigentes em termos de disciplina. A criança precisa ter direito de buscar seu próprio destino, seja qual for seu papel na família, e como mãe ou pai sua tarefa mais importante é apoiá-la nessa sua jornada individual.

ORDEM E HIERARQUIA

Hellinger diz: “Existe uma ordem nos relacionamentos que atribui aos membros mais antigos a precedência em relação àqueles que vieram depois. Denomino-a de ordem original. Neste sentido um casal encontra-se no mesmo nível, pois iniciam a relação ao mesmo tempo. O mesmo vale para os pais. Entre eles não existe uma preferência nesse sentido. Eles começam juntos. Aqui também são equivalentes.

Quando eles têm filhos, o primeiro tem uma preferência hierárquica em relação ao segundo, e o segundo tem uma preferência hierárquica em relação ao terceiro. Isso não significa que o primeiro filho possui o poder de dar ordens aos outros irmãos, mas de acordo com a hierarquia ele vem antes e, naturalmente, os pais têm a preferência hierárquica em relação aos seus filhos. O efeito é bom quando respeitamos a ordem original (…) Quando um mais novo assume algo de funesto em lugar de um mais velho, mesmo que seja por amor, ele se intromete na esfera mais pessoal de alguém que hierarquicamente o precede e tira dessa pessoa e de seus destino funesto sua dignidade e força.” 

Portanto, quando um filho infringe a hierarquia do dar e tomar, como resultado inconsciente ele se pune com severidade, frequentemente com o fracasso e o declínio, sem tomar consciência da culpa e do vínculo. Isto porque, como é por amor que ele transgride a ordem ao dar ou tomar o que não lhe compete, não se dá conta da própria arrogância e julga que está agindo bem.

Porém, a ordem não se deixa suplantar pelo amor. Pois o sentido de equilíbrio que atua na alma, anteriormente a qualquer amor, leva a ordem do amor a fazer justiça e compensação, mesmo ao preço da felicidade e da vida – aqui a lealdade à família é maior que a felicidade e a vida. Por essa razão, a luta do amor contra a ordem está no início e no fim de toda tragédia, e só existe um caminho para escapar disso: compreender a ordem e segui-la com amor. Compreender a ordem é sabedoria, segui-la com amor é humildade.

Independente de tudo o que aqui foi relatado, consideremos cada sistema e suas particularidades, além de uma série de fatores sociais como a nacionalidade, a educação, a cultura e os costumes, as crenças e os valores, entre as outras relações dentro da família. 

* Casal e filhos: O relacionamento entre marido e mulher existe antes de se tornarem pais: há adultos sem filhos, mas não existem filhos sem pais biológicos. O amor vence quando os pais cuidam bem dos filhos quando eles são jovens, mas a recíproca não é verdadeira. Assim, o relacionamento entre marido e mulher assume prioridade na família.

* Irmãos: A prioridade baseada no tempo também se aplica aos irmãos. Os que estão perto do começo da vida recebem dos que já viveram mais. O mais velho dá ao mais jovem, o mais jovem recebe do mais velho. O primeiro filho dá ao segundo e ao terceiro; o segundo recebe do primeiro e dá ao terceiro; e os caçulas recebem de todos os outros. O primogênito dá mais e o infante recebe mais. Por isso, muitas vezes, o filho mais velho é recompensado com privilégios e o mais novo assume maiores responsabilidades para com a velhice dos pais.

* Novos relacionamentos: Os novos sistemas de relacionamento também têm prioridade sistêmica sobre os antigos. Dá-se aí o contrário da dinâmica de precedência dentro de um sistema em que os membros mais velhos se sobrepõem aos que vêm depois. O relacionamento do casal tem prioridade sobre o relacionamento com a família de origem, do mesmo modo que o segundo casamento tem precedência sobre o primeiro. Os relacionamentos são prejudicados quando esse princípio não é acatado – quando os pais permanecem mais importantes que os parceiros e filhos, ou quando os primeiros parceiros são mais importantes que os novos, por dinâmicas conscientes ou inconscientes.

VALE O QUANTO PESA

Com respeito ao peso, o relacionamento mais importante na família é entre o pai e a mãe; vem em seguida o relacionamento entre pais e filhos, os relacionamentos com a família em geral e, finalmente, os relacionamentos com outros grupos livremente escolhidos. Algumas pessoas, assoberbadas por um destino particularmente difícil – um exemplo do que foi mencionado anteriormente, quando um irmão mais velho ou outro membro da família acaba por ter de assumir o lugar de um dos pais – podem ter bastante “peso sistêmico” para que a sequência normal da realidade, de acordo com o tempo, deva ser ajustada.

Por Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

Fonte complementar de obras e referências: 1. Dra. Gail Gross –  http://www.huffingtonpost.com/dr-gail-gross/; 2. “A simetria oculta do Amor”, 3. “No centro sentimos leveza”, 4. “As Ordens do Amor” – Todos de Bert Hellinger/ 5. “Objetos transicionais e fenômenos transicionais”, 6. “O brincar e a realidade” – Donald Woods Winnicott; 7. “Irmãos e irmãs” – Karl König; “O complexo fraterno” – René Kaës/ “Família: Urgências e Turbulências” – Mário Sérgio Cortella.

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Um Avanço: Espiritualidade é disciplina na Faculdade de Medicina

“A espiritualidade não pode reduzir-se a mais uma terapia que os médicos podem receitar, da mesma maneira, por exemplo, que receitam antibióticos para uma infecção. A espiritualidade e a oração tem sentido em si mesmas e por si mesmas. Não são meros meios para melhorar a saúde; Nem a oração necessita ser justificada pela medicina, nem a medicina pela religião. Ambas são atividades genuínas e valiosas que se justificam a si mesmas, em sua própria esfera (…) Pessoas são seres bio-psico-sociais-espirituais, que se realizam na comunidade de pessoas e na comunidade dos povos do mundo.” (J. Ferrer)*

Essa notícia vem trazendo a confirmação de uma necessidade crescente: tratar o ser humano de forma integral. A busca pela união da medicina com a espiritualidade data de milênios, se levarmos nosso olhar através da história da humanidade por diferentes povos e tradições. Contudo, ainda vivemos cenários mercadológicos conflituosos, cujo interesse é o de mantê-las separadas – muito embora não estejam de fato.

Com o avanço das tecnologias, fomos esquecendo do essencial, de que somos seres multifacetados, multidimensionais. E agora, no pico da revolução tecnológica, vemos essa busca voltando com mais força porque ela prevê novamente uma ação de inclusão, de integração, de reconexão com o Ser e com a necessidade do pertencer e partilhar. Qual seria a razão de nossa existência e propósito se não pudéssemos compartilhar o que temos de melhor, o que nossa alma veio oferecer enquanto dons e talentos?

De um ponto de vista terapêutico, vejo que as tecnologias são capazes de gerar inclusão se somos capazes de torná-las ferramentas para unir e gerar colaboração, sem que nos tornemos dependentes delas. As dicas de seo positivo, as estratégias de marketing e os inúmeros  cursos de coaching no mercado ensinam tudo para ser o top, um influenciador nas mídias sociais, estar no topo do ranking do Google ou ter uma página com milhares de visitas e likes. Mas, em meio a isso, o essencial está ficando para trás e muitos estão se vendo depressivos, isolados pelas redes sociais e pelos aplicativos de relacionamento porque tudo gira em torno de um like, do ser reconhecido e ser aceito, como se as emoções pudessem ser rotuladas ou determinadas apenas por “curtir” ou “não curtir”.

Algumas faculdades das áreas da saúde no Brasil já possuem iniciativas que contemplam essa união. Em São Paulo, na faculdade de medicina de Taubaté, a disciplina de Medicina e Espiritualidade deixou de ser optativa para oficialmente fazer parte do currículo. Num comparativo a outros países, ainda estamos engatinhando para chegar a um ponto de equilíbrio entre ciência e espiritualidade, vivendo numa sociedade ainda mais competitiva do que igualitária, mais focada no ter e parecer do que no ser.

Contudo, através de um olhar otimista, se sairmos um pouco do meio acadêmico-científico e olharmos os vários pequenos grupos, podemos ver iniciativas louváveis acontecendo por parte de pessoas comuns – a força da colaboração e da união sendo construídas para criar algo novo, algo que vá de encontro a esse objetivo, seja em sua própria comunidade, em seu bairro, em sua cidade ou mesmo em sua casa ou ambiente de trabalho.

Médicos em oração antes de cirurgia

Exemplo disso estão sendo: o aumento das práticas de meditação nas escolas, hospitais cada vez mais preocupados em cuidar do cuidador, a fim de estender este equilíbrio aos seus pacientes – principalmente no que se refere aos núcleos de pacientes com câncer; universidades em parceria às faculdades da área da saúde que promovem painéis e encontros sobre o tema; notícias sobre médicos que incluem em seus tratamentos alimentos orgânicos, medicina ortomolecular, medicina oriental e terapias complementares para incentivar a melhoria da saúde geral e também promover a redução de medicação alopática.

Além disso, vemos a procura cada vez maior pelas práticas integrativas e complementares no Sistema Único de Saúde (SUS) do nosso país – Leia mais: Práticas Integrativas: Cresce 46% a procura no SUS – e ainda ações para resgatar a sabedoria de cura da medicina natural e integrá-la novamente à nossa rotina. Todo esse movimento vai além de religião, de crenças ou de panacéia popular, trata-se de resgatar uma parte esquecida de nós: o Ser. Sem o Ser, sem o que é essencial, estamos desconectados da alma, centralizados apenas no Eu, e assim distantes da espiritualidade que nos rege.

Enfim, fazendo a nossa parte de forma consciente, com responsabilidade e comprometimento, mesmo que seja um pequeno passo, já temos um bom começo. Ainda que o tradicionalismo das faculdades de medicina perdure por essas paragens do Sul, aos poucos estamos presenciando avanços importantes fazendo jus à essa união, a exemplo de instituições como a Santa Casa de Misericórdia, o Hospital de Clínicas de Porto Alegre e o Hospital Divina Providência da capital gaúcha. Esforços provindos de outras universidades e faculdades de saúde como enfermagem, fisioterapia, farmácia, veterinária, psicologia, entre outras, também são destaque. Um pequeno passo em direção a mudança é um grande passo em direção ao progresso!

José G. Ribeiro – Professor da Faculdade de Medicina da UFF (Foto: O Globo)

Mais informações sobre a notícia na UFF/ Rio de Janeiro – Artigo de Luiza Fletcher – 07/02/2019

“Todos já ouvimos falar, pelo menos uma vez, que os estados emocional e espiritual influenciam diretamente no tipo de vida que levamos, e apesar das opiniões acerca desse assunto serem controversas, a Medicina resolveu apoiar essa crença. Aspectos importantes para viver plenamente englobam aprender a cuidar do interior, perdoar, liberar sentimentos e pensamentos negativos e despertar a consciência. Essas práticas estão diretamente relacionadas ao entendimento espiritual.

Com o apoio desses conceitos, uma nova disciplina optativa foi introduzida no currículo da faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF), no Rio de Janeiro: Medicina e Espiritualidade. “Na Europa e nos Estados Unidos, cerca de 80% das faculdades já têm essa cadeira no currículo. No Brasil, ainda estamos devagar”, diz José Genilson Ribeiro, coordenador da disciplina na universidade.

Também explica como funciona o ensino: “Acreditamos que a doença começa na alma, instala-se no corpo físico, e que é preciso tratar o paciente de maneira integral. Não basta tratar o efeito da doença, mas os aspectos totais. Muitas pessoas têm mágoas e não conseguem perdoar. Isso as deixam presas em suas dores, o que dificulta a melhora física”, assegura.

Os professores que lecionam Medicina e Espiritualidade são guiados pela ideia de “medicina integrativa”, seguindo a proposta da Carta de Ottawa, de 1986, que tem o objetivo de contribuir com as políticas de saúde em todos os países de maneira igualitária. De acordo com o documento, a verdadeira saúde é uma consequência do bem-estar físico, psicológico, familiar, social e espiritual.

Um ponto muito importante disso tudo é que os alunos têm a oportunidade de aplicar os conhecimentos sobre a disciplina fora das salas de aula. Eles podem atender pacientes gratuitamente pelo Núcleo de Estudos em Saúde, Medicina e Espiritualidade (Nesme) da UFF, local de trabalho de profissionais de medicina, psicologia e arteterapia.

Carlos Roberto Figueiredo, um estudante da Faculdade de Ciências Médicas da UERJ e fundador da Liame – Liga Acadêmica de Medicina e Espiritualidade, fala um pouco sobre o ensino da espiritualidade: “Criamos a Liame em 2014, com base no aumento do interesse acadêmico-científico pelo tema de saúde e espiritualidade. Em 1998, foi proposta pela OMS a inclusão da dimensão espiritual do ser à sua definição de saúde, convidando-nos a repensar o paradigma científico frente ao diálogo com o sentido espiritual da vida.”

Carmita Abdo, psiquiatra, diretora da Associação Médica Brasileira (AMB) e presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), diz que o ponto de vista da disciplina é comprovado e contextualiza sua opinião: “As emoções levam a modificações de substâncias no organismo. Quando liberamos ocitocina e endorfina, elas nos levam à melhora na imunidade e às sensações de bem-estar. O contrário ocorre com sensações negativas, que liberam substâncias que baixam a imunidade. Com o perdão não é diferente. Quando perdoamos alguém temos a sensação de alívio, de gratificação, o que é revertido em ocitocina”, diz.

Certamente, essa é uma matéria muito importante para a formação de médicos mais conectados aos seus pacientes, capazes de promover não apenas uma cura física, mas também auxiliá-los na busca por uma cura espiritual.”

Por Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

Fonte complementar: * Citação de Referência: Ferrer, J. Medicina y Espiritualidad: redescubriendo uma antigua alianza. In: Bioética: um diálogo Plural (Homenaje a Javier Gafo Fernández). Madrid: Ed. Univ. Pontificia Camillas, 2002./ * Resenha completa da Citação: Jennifer Braathen Salgueiro, PhD (GPPG/ Hospital de Clínicas de Porto Alegre/RS) – Bioética e Espiritualidade: https://www.ufrgs.br/bioetica/ferrer.htm

Artigos, Pesquisa e Conteúdo Gratuito, Terapias Integrativas

Práticas Integrativas e Complementares em Saúde: Cresce 46% a procura no SUS

Segundo dados do Ministério da Saúde no Brasil, o número de atividades coletivas como yoga e tai chi chuan aumentou nos últimos dois anos, passando de 216 mil para 315 mil, entre 2017 e 2018. São 29 práticas integrativas disponíveis no SUS até o momento.

O uso das Práticas Integrativas no Sistema Único de Saúde (SUS) vem crescendo a cada ano, como complemento de tratamentos em saúde. Nas atividades coletivas como yoga e tai chi chuan, o crescimento foi de 46%. Passou de 216 mil para 315 mil, entre 2017 e 2018. Por isso, o Ministério da Saúde, a partir da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares, passou a ofertar um rol de 29 dessas práticas.

A quantidade de procedimentos relacionados a essas práticas – como uma sessão individual de auriculoterapia ou uma sessão de atividade coletiva – registrada nos sistemas entre 2017 e 2018 mais que dobrou, passando de 157 mil para 355 mil, um aumento de mais de 126%. O reflexo desse aumento também pode ser visto no quantitativo de participantes nessas atividades, que cresceu 36%. Passou de 4,9 milhões de participantes para 6,67 milhões no período.

Quando o SUS começou a implementar a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em 2006, eram apenas cinco práticas disponíveis à população: medicina tradicional chinesa/acupuntura, homeopatia, medicina antroposófica, termalismo e fitoterapia. Atualmente esse rol conta com 29 práticas. Na última incorporação, o Ministério da Saúde adotou mais 14 práticas. Entre elas biodança, dança circular, musicoterapia, reiki, shantala, quiropraxia, yoga, entre outras.

Centro de Saúde em Brasília – DF

RECONHECIMENTO 

As Práticas Integrativas e Complementares – PICS, como são chamadas no Brasil, são reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Os documentos da OMS orientam os países a adoção dessas práticas nos seus sistemas nacionais de saúde. No Brasil, elas foram reconhecidas e tiveram a ampliação solicitada no SUS em diversas Conferências Nacionais de Saúde, maior espaço representativo de gestores, trabalhadores, profissionais e usuários. Diversos conselhos profissionais de saúde reconhecem e orientam o uso ético por seus profissionais. Incluem-se os conselhos de enfermagem, odontologia, fisioterapia, farmácia, agronomia, veterinária, entre outros.

A indicação desse tratamento complementar ocorre no âmbito da Atenção Básica, nas Unidades Básicas de Saúde do SUS e também no atendimento especializado, nas unidades hospitalares e centros especializados. Além de ampliar a diversidade da oferta, o número de estabelecimentos que atuam nessa linha também deram um salto de 13%. Passaram de 22.164 em 2017 para 25.197 estabelecimentos em 2018.

Os atendimentos podem ser individuais, quando realizados por profissionais de saúde com formação superior que utilizam as práticas como complemento ao tratamento. Dependendo do tipo de procedimento, as consultas também podem ser realizadas por profissionais capacitados de nível médio. A oferta dessas práticas não é obrigatória pelos municípios, uma vez que depende de profissionais capacitados para tal.

PESQUISA CIENTÍFICA

Diversas plataformas de estudos científicos como a Cochrane e o Pubmed publicam os benefícios das práticas integrativas como complemento das ações em saúde. Há estudos de revisões sistemáticas sobre o uso da meditação para redução de risco cardiovascular, por exemplo, e também para melhorar casos de depressão. Outras pesquisas mostram que as práticas complementam e trazem benefícios junto ao tratamento de câncer de mama. Revelam também o benefício da acupuntura na melhora da dor em casos de fibromialgia.

Para os interessados em aprofundar seu conhecimento e manter-se atualizado, os sites das principais universidades e faculdades na área da saúde também fornecem dados abertos de estudos científicos e teses que corroboram com os resultados positivos dessas práticas. Bibliotecas virtuais de institutos e associações ligadas à prática integrativa de interesse – homeopatia, por exemplo – são outra ferramenta de pesquisa que pode ser usada como alternativa.

Abaixo, sugiro os principais bancos de dados para a pesquisa científica. Neles, você encontra publicações nacionais e internacionais.

* Rede BiblioSus/ Biblioteca Virtual em Saúde/ MS / * Biblioteca Virtual em Saúde/ Brasil – Práticas Integrativas / * Portal Acadêmico – Práticas Integrativas em Saúde

* Bases de Dados Científicas: ColecionaSUS | Comunicação Científica em Saúde | LILACS | Revistas Científicas | MEDLINE |
SciELO – Livros | SciELO – Periódicos | SciELO – Brasil | SciELO – Saúde Pública | SciELO Livros – Fiocruz

Leia mais:

Meditação em movimento:
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30071662
Clinical practice guidelines on the use of integrative therapies as supportive care in patients treated for breast cancer
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25749602
Meditation and Cardiovascular Risk Reduction
https://www.ahajournals.org/doi/full/10.1161/JAHA.117.002218
The Effectiveness of Aromatherapy for Depressive Symptoms: A Systematic Review
https://www.hindawi.com/journals/ecam/2017/5869315/?fbclid=IwAR1M4nAksDvhB9-NscRjRNvrCUE0c9gt1TbWtju7ZYykU96icJEYItZ2fJo
Acupuncture therapy for fibromyalgia: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30787631
Blood Pressure Response to Meditation and Yoga: A Systematic Review and Meta-Analysis
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28384004/

Por Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

Fonte Complementar: http://portalms.saude.gov.br

Artigos, Constelação Familiar, Feminino Sagrado, Livros Espiritualistas e Transcendentais, Terapias Integrativas

Abortos: Incluindo os Excluídos – Visões da Psicanálise e da Constelação Familiar

No trabalho das constelações familiares as crianças abortadas pertencem ao sistema familiar, mesmo que não tenham se desenvolvido plenamente até o nascimento ou que tenham existido por um pequeno período de tempo. Apenas o fato de terem existido na família configura a necessidade de fazerem parte do sistema, e por isso precisam ser incluídas para que haja ordem e equilíbrio.

Nesse sentido, não importa se o aborto foi espontâneo, se foi provocado ou se houve a decisão consciente de fazê-lo. Segundo os preceitos da constelação sistêmica, uma lei natural – a Lei do Pertencimento – não faz julgamento moral. O pertencimento ocorre desde a fecundação e não apenas pelo nascimento, como a maior parte das pessoas pensa.

Levo o olhar um pouco mais adiante, observando também a conexão da alma dessa criança com os pais, que ocorre muitas vezes anos antes do nascimento propriamente dito. Em atendimentos a casais e muitas mulheres que desejaram engravidar, acompanhei casos em que foi preciso trabalhar antes a harmonia da ligação do casal com a alma da criança – algumas delas nem vieram a nascer, mas por terem sido reconhecidas, voltaram para o seu lugar em paz. Após o período necessário de ajuste, de reconhecimento deste ser, foi possível para esses casais se sentirem em harmonia para que uma outra criança viesse depois, seja por meio de gravidez, de adoção ou fecundação in vitro.

Antes de terem consciência da necessidade de incluir a criança excluída – seja em relação a culpas ou compromissos de vidas passadas, seja por abortos advindos das ancestrais que foram escondidos, reprimidos, obrigados ou negados por tabus, crenças, ideologias e padrões da época – esses casais se sentiam “presos” de alguma forma, principalmente no que tange à mulher, com inúmeras tentativas fracassadas de gravidez.

Na constelação, há uma frase que diz: “Uma pessoa está em paz quando todas as pessoas que pertencem à sua família tem um lugar em seu coração.” Essa é aquela paz que mora no silêncio interior, que brota de dentro sem esforço porque ela simplesmente é em nós; é a força, a leveza e a fé que recebemos das nossas entranhas, das nossas raízes para seguir adiante, dar os próximos passos em direção às mudanças e ao progresso. E isso conseguimos quando estamos em nosso lugar na hierarquia familiar.

Essa criança que não nasceu, portanto, só precisa de um lugar na família: o seu lugar, para assim não ser uma “sobrecarga” aos filhos que vierem depois, uma vez que a tendência dos que vem depois é assumir o destino daquele que foi excluído quando esse ato de pertencer não ocorre por parte do casal. Quando a inclusão não acontece, há desequilíbrios no sistema familiar tanto para o casal quanto para os filhos que precedem. Nesse cenário, a ordem do pertencimento dos filhos também será afetada, à semelhança da base estrutural de um prédio, de uma progressão geométrica ou de uma cascata. Em todos esses exemplos, existe uma ordem que possibilita a criação de formas harmônicas.

Outras situações comuns que também estão dentro da lei do pertencimento e que precisam ser consideradas:

Gravidez tubária ou ectópica: quando o óvulo fecundado implanta-se de forma equivocada em outras estruturas que não o útero. A forma mais comum é a gravidez tubária, que ocorre dentro das trompas de Falópio. Em 98% dos casos, o ovo não percorre todo o caminho até o útero e acaba se alojando precocemente na parede de uma das trompas. Nos 2% restantes, a implantação do ovo ocorre em outras estruturas como ovário, colo do útero ou cavidade abdominal;

Gestação anembrionária ou “ovo cego“: quando um óvulo fertilizado se implanta no útero, mas o bebê não se desenvolve. Ao fazer uma ultrassonografia, no primeiro trimestre da gestação, o saco gestacional aparece vazio, sem embrião dentro. É o chamado “ovo cego”, que resulta em um aborto espontâneo;

Pílula do dia seguinte: método de emergência e não-preventivo. Pode ser usado para evitar gravidez após a relação sexual não segura. Apesar de ser interpretada como uma solução prática para evitar a gravidez indesejada, esse recurso é indicado apenas para casos emergenciais e deve ser usado com cuidado, já que traz efeitos colaterais a curto e longo prazo. Conheci mulheres que engravidaram com a pílula do dia seguinte principalmente porque abusaram do seu uso, desregulando assim seus ciclos e período fértil;

Fecundação em vitro com congelamento de embriões. Esses embriões congelados também pertencem.

Observa-se que quando a fecundação acontece, mesmo que não tenha sequência na completude do processo, ela está dentro da lei do pertencimento. Nas constelações familiares olha-se com muito respeito para todos esses casos, sem qualquer tipo de julgamento, cuja base para uma solução possível é dar a essas crianças um lugar no coração. “O amor preenche o que a ordem abarca. O amor é a água, a ordem é o jarro. A ordem ajunta, o amor flui. Ordem e Amor atuam juntos.”

MAMÃE, VOCÊ ME ACEITA COMO EU SOU?

Transcrevo o trecho maravilhoso do livro de Barbara Joose sobre o tema, palavras que representam profundamente a voz dos excluídos, gerando reflexões importantes acerca de como a negação da existência dessas crianças afeta todo o sistema familiar e as futuras gerações:

O tema sobre o qual faço esta reflexão é difícil e polêmico. Coisas de se abrir ao coração para não deixa-lo quebrar…Quando eu entrava, e entro em contato, numa constelação familiar, com as reações dos abortos provocados, uma frase emperrava em minha garganta. Não consegui traduzi-la até poucas semanas atrás: – Mamãe, você me aceita (como eu sou)?

Como na constelação fica evidente que tudo o que foi criado não perde sua existência, aquilo que chamamos de óvulo fecundado (na barriga ou congelado), feto, embrião de uma semana, existe como entidade total para alma familiar e não precisa da legitimidade social para ter este direito, mas para ter seu lugar. Esta frase, então, “mamãe, você me aceita (como eu sou)?” estava na garganta da mãe que aborta, da criança abortada, dos irmãos dela e do pai da criança abortada. Todos perguntam à sua própria mãe se ela concorda com sua existência.

A pergunta neles parece que fica assim:

Mãe que aborta à sua mãe: “Mamãe, você me aceita? Como filha, mulher, esposa, filha do meu pai, mãe dos meus filhos? Dona dos meus atos, etc…?”

Pai da criança abortada à sua mãe: “Mamãe, você me aceita? Como filho, homem, pai, filho do meu pai, etc…?”

Irmãos da(s) criança(s) abortada(s): “Mamãe, você me aceita? Como filho, mesmo tendo tirado outro? O amor que tenho por você, independente do que faz? Como irmão do meu irmão morto? Como teu filho que tem o irmão morto no coração, etc…?”

Criança abortada: “Mamãe, você me aceita? Mesmo que tenha me tirado? Com todo seu sentimento de culpa, eu mereço seu olhar, seu amor, minha inclusão, etc…?”

Esta percepção me levou àquele bolo na garganta, muitas vezes o “globo histérico” – somatização da chamada neurose histérica. Será que nele estão tingidas as cores emocionais e as implicações desta pergunta à mãe? O que este bolo indigesto tem a ver com o movimento interrompido em direção à mãe? Qual a solução? (Um grande soluço).

Fui fazer um pequeníssimo resumo da trajetória da histeria, seus sintomas e hipóteses de sua etiologia por meio de um livro ótimo* – coloco ao final deste texto para quem quiser ler. Minha intenção era entender um pouco desta tão famosa “doença” da alma com suas perturbações emocionais e paixões reprimidas, e relacioná-la com minhas percepções atávicas – se isso existe – dos efeitos do aborto provocado em um sistema familiar.

Nesta sinopse, destaquei a hýstera (útero, matriz), onde todos são gerados; o desejo sexual e de procriação sufocados que se transformam em sintomas físicos ‘pedindo ajuda’ (histeria); a investigação dos sintomas de angústia expandida aos homens, tanto como nas mulheres, causada pela repressão de seus desejos e paixões, e os anseios da alma; a relação corpo-mente recolocada em questão por meio desta “doença”, levando ao conceito de inconsciente pessoal (Freud), extrapolado ao inconsciente coletivo (Jung). Tudo isso desafiando qualquer negação da pluridimensionalidade humana. Ou seja, se a existência é multidimensional, não há só uma forma de abordá-la e uma só linguagem para entendê-la ou se fazer entender.

Quero dizer, assim, todos os anseios reprimidos – sem voz – pediriam legitimidade em sintomas na garganta? No sistema reprodutor? Na tireoide? Nos pulmões? No corpo, como na histeria? Buscariam campos de representação nas relações sexuais, nos encontros de amor? Nas relações pais e filhos? Nosso corpo e relações seriam o campo privilegiado para partes excluídas nossas (e de nossa família) se manifestarem por meio “doenças e curas”? É que a vida e o corpo multidimensional, suas dores e amores, são muito criativos ao se fazer notar quando não sabemos escutá-los.

E esta voz abafada, essas representações e sintomas pertencem a quem? Quem é a “dona” do útero ferido? Do desejo reprimido? Da angústia? Dos anseios da alma? Sou eu que tenho o sintoma ou também pertence a algum ancestral ou à alma familiar? O que se tem visto nos movimentos de alma durante a Constelação é que quando há um aborto provocado, mesmo que ele seja um segredo, o irmão nascido, o pai, a mãe e a criança abortada se sentem em conexão intensa, como se existisse de fato uma criança ali, porque existe. Não estou reafirmando a visão espírita, estou apenas sublinhando o que Hellinger já disse: o que foi criado não desaparece jamais.

“Por que ele/a não pôde vir? Por que foi abortado?” Não é, então, o essencial. O que a garganta fechada de todos os envolvidos quer dizer, sem dizer, é: “Você me aceita? Eu posso existir?”. Este bolo gutural ganha dimensão pujante nas irmãs vivas, que muitas vezes praticam o aborto, seguindo a sina familiar. Por conta disso, pode haver um bloqueio na relação com a mãe, e isso a impede de ir até ela criando um movimento interrompido em direção à mãe.

No caso, o/a filho/a não consegue ir à mãe por não se sentir aceito, mesmo que seja. “Se meu irmão não foi aceito, por que eu seria?” Aqui ele/a pode estar julgando a mãe, ou se identificado com o irmão morto, ou os dois. Esta dificuldade impossibilita que se tome a matriz. Esta situação gera no filho excluído pelo aborto mais um sofrimento: não bastou não vir, seu destino torna outros menos felizes. Por outro lado, a mãe também pode ser dura consigo mesma, e como forma de compensar sua responsabilidade e implicações do seu ato dificulta o caminho do seu filho até ela. Bem, não só o aborto pode endurecer um coração.

Voltando ao assunto, não sei se serei compreendida, mas em última análise e sem julgamentos, nenhum motivo justifica um aborto provocado. Mas os motivos existem, desde emaranhamentos familiares complicadíssimos até ilusões sobre o que se quer da vida. Então, será mesmo que o que levou a mulher a esta ação não a ajudaria a encarar seu filho morto nos olhos, coloca-lo no coração e retomar sua vida para algo bom, sem desejar a antiga inocência, mas com a carga do que fez ou teve que fazer?

Aquilo que te (me) fez abortar, busque! Ao menos assim, pode-se olhar para o/a filho/a morto neste ato dolorosíssimo e cheio de implicações, e saber que ele (o ato) não foi em vão para a mãe, nem para o filho. Dizer que é só um embrião, não ajuda em nada. Discutir quando a vida começa, também não dá conta das implicações do aborto na alma, além de desconsiderar o mundo dos mortos – local onde a existência mantém tudo o que já foi criado, mesmo um “embrião”.

E também desconsidera a mulher, o útero e o feminino, o que esta dimensão de cálice pode revelar além do racionalismo científico e dos dogmas religiosos. Como sou uma mulher e tenho útero, sei que teço meus filhos, obras, visões, deste mundo invisível e insondável. Há práticas xamânicas que se sustentam neste órgão e suas visões, por isso a repressão de sua sabedoria e não só de seus desejos pode sim virar histeria. Histeria coletiva! Não foi por isso que se queimaram as bruxas? Elas sabiam demais!

Que tudo isso não seja incentivo para se abortar, nem um peso maior do que já é para quando “não há escolha”. Que seja um estímulo para buscar o saber também pelo irracional e não só pela razão, para criar um mundo capaz de acolher o mistério, assim como aplaude a luz. Tanto para mãe, quanto para os envolvidos na família onde há aborto provocado, resta, quando chegar a hora – geralmente quando já não se aguenta mais tanta angústia, falta de ar (histeria?) – NÃO interromper ainda mais o movimento em direção à matriz. E ainda tem que se ultrapassar o medo e a raiva gerados por todos os bloqueios no caminho.

Sabe aquela raiva que se tem do/a parceiro/a sem nem saber o por quê? Pode ser a raiva de não ter conseguido chegar à mãe projetada nele/a. Ressalto isso porque, segundo Hellinger, “o movimento interrompido em direção à nossa mãe, bem como suas consequências, reflete-se igualmente em nossas relações de casal”, em nosso caminho profissional e em tantas outras empreitadas. No caso dos relacionamentos amorosos, por exemplo, “em vez de nos aproximar de nosso parceiro ou parceira, nos retiramos e esperamos que o outro venha ao nosso encontro (…)” Ele nos instrui, então, a prestar “atenção para identificar até que ponto o movimento interrompido em direção a nossa mãe se mostra de forma parecida, ou inclusive idêntica, à nossa relação de casal”

Mesmo que a mãe não possa amar como se gostaria por conta da culpa, por problemas ancestrais que a levaram a ser difícil, o/a filho/a deve agora ousar esta aproximação, ao menos interiormente. Mesmo que a mãe já esteja morta, ou tenha que se manter a uma distância saudável dela, tomar a mãe no coração transformaria o bolo na garganta chamado “mamãe, vc me aceita como eu sou?” em sua solução: “SIM, EU CONCORDO COM VOCÊ EXATAMENTE COMO É, MAMÃE! E agora eu a tomo e vou até você, interiormente, ultrapassando toda raiva e medo por tanta rejeição!”

Isso transbordaria para as relações e o mundo. Já não se quereria mais ser o que não se é para agradar ao pai, à mãe, aos professores, ao parceiro/a e aos outros. Já não se reprimiria mais os anseios da alma, seus desejos e as suas paixões para o mundo nos aceitar. Há algo em aceitar a mãe (e o pai) tal como é que faz crescer para além dos limites outrora repressores. Portanto, como diz Hellinger, as três palavras essenciais são: GRATIDÃO (pela vida recebida), SIM (eu concordo com você exatamente como é) e POR FAVOR (palavra mágica que se abre ao coração).

HISTERIA: UM PEQUENO RESUMO

Na Grécia antiga, a histeria que vem de hýstera e se traduz como matriz ou útero, segundo Hipócrates pode ser entendida como sintomas da repressão de um ser vivo dentro do corpo da mulher – o útero – que tem desejos próprios de sexo e procriação. A falta de relações sexuais e de gerar filhos pode levar ao sufocamento e à sensação de angústia, uma vez que o útero se desloca se seus desejos são violentamente frustrados, pressionando outros órgãos que afetam a respiração.

Na Idade Média, a histérica se transformou em “um ser possuído”, objeto, então, de competência jurídica e religiosa. Basicamente, tratava-se do comportamento das bruxas e da bruxaria e de seu julgamento” (Ramos, 2008:23). Na Renascença, que rompeu com a Idade Média buscando inspiração na Grécia antiga, a retomada da histeria é pelo viés da sua renaturalização, como sintomas de repressões que o vaso feminino possa sofrer, ou da cura médica (Ramos, 2008: 22-25).

No século XIX, o médico francês Pierre Briquet publica um livro intitulado “Tratado clínico terapêutico da histeria” e tem como pressuposto a histeria como sintomas da perturbação emocional da disfunção do cérebro. Relaciona estes sintomas também aos homens (Ramos, 2008: 24). O útero foi para as cucuias e o cérebro começou a receber todos os créditos e descréditos da existência emocional humana. Mas, os homens ganham algum status emocional – e isto é sempre bom!

O neurologista Jean-Martin Charcot, seguidor de Briquet, se atém ao aparecimento desta doença por conta das vivências de fortes emoções e da predisposição. Por meio da hipnose, produziu um tipo de “histeria de laboratório” e, por conta dela surgiam doenças físicas como dores musculares, paralisias, as contrações, as anestesias, transtornos alimentares, redução do campo visual, entre outras.

Com isso ele reafirma a ideia de Pinel sobre doenças mentais que estariam ligadas à “alma”, à dimensão psicológica ou das paixões. Em suas pesquisas enfatiza, também, a histeria masculina. Parecido com a neurastenia (astenia – fraqueza; neuro – cérebro) estudada pelo neurologista George Beard, com seus sintomas de angústia, depressão, fraqueza muscular (Ramos, 2008: 27-28).

Tanto Charcot como Briquet não viam relação da histeria com o desejo erótico. Já para outros estudiosos da época, os sintomas histéricos tinham relação com violação sexual, a exposição às cenas impressionantes desta temática e à insatisfação sexual como os antigos gregos pressupunham (Ramos, 2008: 29).

Diz-se que, graças à histeria e aos estudos sobre a obra de Charcot, Freud inaugura a psicanálise. Ele chama de conversão somática a transformação de elementos psicológicos em sintomas físicos por processos misteriosos. Este mistério retoma a questão corpo-mente (Ramos, 2008: 31) e um novo objeto de estudos ganha destaque – o inconsciente pessoal.

Com Jung, por fim, o inconsciente pessoal se abre ao coletivo, às caudas ancestrais e à riqueza cultural. Com o inconsciente coletivo aparecendo em sonhos, nos mitos, nos eventos sincrônicos da vida, é revelado o campo onde se alojam os tesouros e dragões da nossa história milenar.

Por Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

Fontes complementares – Livros: Mamãe Você me ama?” – Barbara M. Joose / “Meditações de Bert Hellinger”; “As Ordens do Amor”; “A Fonte não precisa perguntar pelo caminho” Ambos de Bert Hellinger / *Histeria e psicanálise depois de Freud” (UNICAMP) – Gustavo A. Ramos.

Leia mais em: Vínculos do Destino: A Fonte não precisa perguntar pelo caminho / Encontrando Seu Lugar na Árvore Ancestral da Vida