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Medicina e Terapias Antroposóficas: Um caminho que cuida do Ser humano de forma holística

A medicina antroposófica representa um exemplo de melhor prática da “Medicina Integrativa”, conforme definido pelo Consortium of Academic Health Centres for Integrative Medicine.

Uma das empresas de maior referência da medicina antroposófica aqui no Brasil é a Weleda, cujas homeopatias, medicamentos naturais e de produção orgânica uso e indico com sucesso a pacientes, alunos e conhecidos.

A medicina antroposófica é um sistema que apóia e complementa a medicina convencional, desenvolvido no início de 1920, ganhando um alto nível de aceitação na sociedade européia até hoje. A antroposofia tem uma abordagem holística e usa tanto medicamentos convencionais quanto antroposóficos.

A abordagem de tratamento, a escolha de medicamentos e outras terapias é individualizada para cada paciente, visando desenvolver e reforçar a sua capacidade natural de auto-cura.

História

Para compreendermos melhor a origem dessa medicina e a forma como ela é aplicada, olhemos para o conceito da antroposofia, desenvolvido pelo filósofo austríaco Rudolf Steiner (1861-1925), o mesmo criador da Pedagogia Waldorf. Através dele, estuda-se o quanto uma pessoa alcançou a consciência de si e vive em harmonia com o mundo natural e social à sua volta.

A médica holandesa Ita Wegman (1876-1943), co-fundadora da Weleda, desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento da medicina antroposófica. Foi a fundadora da primeira clínica antroposófica em Arlesheim, na Suíça, e também co-autora de Steiner em várias publicações.

Para Steiner, a medicina antroposófica não era algo que se opusesse à medicina convencional, constituindo uma alternativa. O médico antroposófico usaria, para além do seu próprio conhecimento, os recursos tradicionais existentes e suas tecnologias, desde que trouxessem benefícios aos pacientes.

No entanto, Steiner notou que estes métodos convencionais eram o resultado de uma ciência redutora. Por essa razão, desenvolveu o seu próprio método científico, usando-o para explorar de que forma a natureza da alma e do espírito influenciam a vida e o funcionamento do corpo físico do ser humano.

Assim, o sistema é embasado nos resultados da medicina orientada à ciência (também chamada de “medicina convencional”) unindo o conhecimento e os métodos da antroposofia. É uma forma integrada de praticar a medicina – diferente das práticas alternativas e complementares, embora siga alguns princípios semelhantes já praticados pela medicina chinesa e ayurveda, por exemplo, no que tange ao diagnóstico.

Princípios

Como parte de uma linha de sistemas terapêuticos especiais, que também inclui homeopatia e fitoterapia, a medicina antroposófica tem como objetivo aprimorar a medicina convencional por meio de métodos terapêuticos e medicamentos específicos.

A medicina antroposófica sempre começa com um diagnóstico convencional, porém o médico que com ela trabalha não é guiado simplesmente pelos sintomas de uma doença. Em vez disso, o profissional examina aspectos psicológicos e mentais do paciente, assim como a capacidade de auto-cura e a aptidão para o desenvolvimento contínuo.

A relação entre os fatores emocionais e físicos no diagnóstico e no tratamento é apenas um dos princípios que norteiam essa medicina. O profissional também observa aspectos da personalidade e as características do paciente, incluindo o porte físico e a linguagem corporal, os movimentos, o aperto de mão, as rotinas de sono, a intolerância ao frio ou calor, a respiração e os ritmos corporais.

Compreensão do Ser Humano

1) O plano material ou físico – que pode ser examinado física ou tecnicamente, como na medicina convencional;

2) O plano das forças vitais ou a vitalidade do indivíduo;

3) O plano mental – que pode ser entendido como a esfera psicológica ou emocional;

4) O plano individual – a individualidade ou o caráter da pessoa (ego).

Para gerar um histórico detalhado e escolher a melhor medicação personalizada, a cooperação entre médico e paciente é essencial. A recuperação é um processo colaborativo no qual o profissional inclui o paciente em cada etapa e, por sua vez, o paciente participa ativamente.

Terapia Antroposófica

É uma abordagem holística e terapêutica, focada na personalidade humana. O processo terapêutico baseia-se no equilíbrio entre quatro princípios organizacionais: o plano físico, o plano das forças vitais (vitalidade), o plano mental (esfera psicológica/emocional), e o plano individual (ego). O objetivo da terapia é restaurar o equilíbrio quando esses quatro princípios estiverem desequilibrados.

A medicina antroposófica é baseada em conceitos de saúde, doença e cura, que refletem o equilíbrio ou desequilíbrio individual desses quatro princípios.

No entanto, a interação entre os quatro fatores resulta em três sistemas funcionais que, por sua vez, correspondem a uma trindade espiritual nos seres humanos:

  • Sistema neurossensorial – pensamento
  • Sistema rítmico – sentimento
  • Sistema metabólico – vontade

Esse sistema triplo permeia todo o nosso organismo e se altera conforme a fase da vida que estamos vivendo. Cada vez que isso acontece, o sistema rítmico (“localizado” entre o neurossensorial e o sistema metabólico) cria um novo equilíbrio para nosso organismo, e isso permite que essa interação harmoniosa continue.

Qualquer deslocamento do sistema de sua posição “normal”, ou seja, entre os outros dois sistemas, faz com que diversos sintomas de uma doença se apresentem.


Euritmia: a arte do movimento

Tipos de Terapia

São usados produtos medicinais convencionais e também antroposóficos para a construção do quadro terapêutico mais adequado ao paciente. A abordagem de tratamento e a escolha de medicamentos e terapias são exclusivas para cada indivíduo, uma vez que visam um processo de desenvolvimento interno, reforçando a capacidade de cura própria e a restauração do equilíbrio de saúde.

Com a ajuda de medicamentos antroposóficos, os processos de cura do corpo podem ser ativados e fortalecidos, e o equilíbrio pode ser restaurado com mais eficácia. Os medicamentos são produzidos de acordo com princípios farmacêuticos e processos próprios. Alguns deles compartilhados com a homeopatia, outros com processos não homeopáticos que refletem a interrelação das pessoas com o mundo da natureza.

A ação dos produtos medicinais pode ser ampliada por aplicações externas e regimes de tratamento. Um paciente pode se beneficiar de compressas, hidroterapia ou banhos médicos; de enfermagem, fisioterapia e terapia de massagem rítmica; de dietética, exercício de euritmia, arteterapia ou psicoterapia, entre várias outras abordagens de terapia antroposófica e de orientações de estilos de vida.

Pesquisa

Desde sua fundação, há quase um século, a medicina antroposófica criou formas de tratamento baseadas em evidências científicas. Assim como qualquer medicina, a metodologia sofreu alterações ao longo dos anos, passando dos relatos de caso e avaliações retrospectivas para os mais sofisticados estudos. Atualmente, esses estudos são usados de forma eficaz , reunindo evidências para subsidiar a prática futura.

À semelhança de outros conhecimentos “descobertos” na linha do tempo da humanidade, os mais de 70 livros escritos por Rudolf Steiner – incluindo as mais de 6.000 conferências publicadas – permanecem como referências atemporais para educadores, terapeutas, profissionais de saúde, médicos e para todo aquele que trilha o caminho do autoconhecimento, da expressão do seu propósito e a transformadora jornada da consciência.

Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

Fontes complementares: http://www.imconsortium.org | https://www.weleda.com.br/bem-estar/saude-holistica/medicina-antroposofica | https://www.weleda.com.br/bem-estar/saude-holistica/terapia-antroposofica | Livros de Rudolf Steiner e outros autores – Editora Antroposófica: https://www.antroposofica.com.br/

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Artigos, Terapias Integrativas

Plantas Medicinais: Projeto Universitário ensina e incentiva o uso pela população

O projeto que busca incentivar o uso de plantas medicinais e fitoterápicos nasceu na Universidade Estácio de Sá, uma iniciativa do Campus do município de Petrópolis, no Rio de Janeiro. O objetivo é aproximar a comunidade, os alunos – especialmente os do curso de Farmácia – os prescritores e usuários das plantas medicinais, possibilitando a troca de informação e o incentivo ao seu uso.

Segundo a coordenadora do projeto, Jeane Nogueira, o foco é uma divulgação dinâmica e interativa através da promoção do conteúdo nas mídias sociais e por meio de oficinas. Uma das oficinas foi aplicada na comunidade Quilombo de Tapera, no Vale do Cuiabá, território de amplo conhecimento sobre plantas medicinais e tradicionalidade.

O trabalho de extensão também busca levantar informações junto aos agentes envolvidos para fomentar as mídias com caráter educativo, cultural e científico, disse a coordenadora. Acredita que a internet é o maior repositório de informações disponíveis, proporcionando acesso a um grande número de pessoas e, assim, contribuindo para divulgação e construção da integralidade entre a ciência e a saúde.

O Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos tem o objetivo de garantir à população brasileira o acesso seguro e o uso racional de plantas medicinais e fitoterápicos, promovendo o uso sustentável da biodiversidade, o desenvolvimento da cadeia produtiva e da indústria nacional.

Com isso, propõe a ampliação das opções terapêuticas e a melhoria da atenção à saúde aos usuários do Sistema Único de Saúde no país. Da mesma forma, através dos cursos abertos à comunidade, ofertados gratuitamente nas plataformas virtuais como AVASUS, possibilita que o conhecimento seja igualmente autoinstrutivo aos interessados. > Leia também: Uso de Fitoterápicos e Plantas Medicinais: SUS Disponibiliza Cursos Gratuitos e Online

RECOMENDAÇÕES DE USO

As plantas medicinais e os fitoterápicos são utilizados como complemento ou recurso terapêutico para tratar desequilíbrios e enfermidades. Porém, nem tudo que é natural não faz mal. As plantas apresentam propriedades químicas que podem prejudicar a saúde, causando alergias, intoxicação ou quando combinadas de forma errada com outros medicamentos alopáticos.

Algumas dicas para o seu uso correto são:

  1. Utilize plantas que você conhece. Evite o uso de plantas desconhecidas ou de identidade duvidosa – a não ser que você tenha indicação de um profissional.
  2. Cautela com as informações que circulam na internet. Não confie em qualquer site e evite utilizar livros que não apresentem indicações, contra-indicações, formas de uso e efeitos colaterais.
  3. Antes de utilizar uma planta, deixe-a secar à sombra, colocando um guardanapo ou pano de algodão bem fino sobre ela – sem abafar demais – deixando-a em ambiente arejado por alguns dias, até se tornar quebradiça. Essa ação reduz a possibilidade de formação de mofo e fungos, promovendo um uso mais seguro.
  4. Após a secagem, guarde-as em um vidro fechado e anote o dia da coleta. Plantas armazenadas por muito tempo podem perder seus efeitos terapêuticos.
  5. Ao adquirir uma planta medicinal, observe seu estado de conservação.
  6. Sempre informe ao seu médico ou profissional de saúde se está utilizando algum fitoterápico ou se faz uso de algum produto caseiro à base de plantas.
  7. Cuidado com local de coleta das plantas. Podem estar contaminadas com agrotóxicos, gases poluentes – monóxido de carbono, por exemplo, em plantas de beira de estrada – ou produtos químicos.
  8. Observe e busque informação sobre como você deve usar a planta, se pode ser ingerida ou apenas usada externamente.
  9. Em caso de dúvidas, sempre procure orientação, seja de um profissional que tenha conhecimento ou um farmacêutico.

Fontes complementares: Tribuna de Petrópolis e Diário de Petrópolis

Mais informações com entrevistas, vídeos e textos na página do Facebook: Projeto Fito Floral

Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

Artigos, Pesquisa e Conteúdo Gratuito, Terapias Integrativas

Cursos Gratuitos sobre Práticas Integrativas em Saúde e Abordagens Terapêuticas

Aos profissionais que estão iniciando sua atuação na área das Práticas e Terapias Integrativas em Saúde – independente de estarem ou não inseridos no Sistema Único de Saúde – sugiro uma lista de cursos objetivando o autoconhecimento, o estudo introdutório e/ou complementar para o desempenho de suas atividades.

Todos os cursos propostos são organizados em módulos e disponibilizados gratuitamente na plataforma chamada AVASUS. Com o objetivo de qualificar a gestão em Práticas Integrativas e Complementares, assim como promover a educação permanente dos profissionais de saúde, o Ministério da Saúde oferta os seguintes cursos na área:

  1. Curso Introdutório em PRÁTICAS CORPORAIS E MENTAIS DA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA: Clique aqui
  2. Curso Introdutório em Práticas Integrativas e Complementares – MEDICINA TRADICIONAL CHINESA: Clique aqui
  3. Curso Introdutório em Práticas Integrativas e Complementares – ANTROPOSOFIA APLICADA À SAÚDE: Clique aqui
  4. Uso de Plantas Medicinais e Fitoterápicos para Agentes Comunitários de Saúde (Aberto também para outros profissionais): Clique aqui
  5. Gestão de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde: Clique aqui
  6. Curso de Qualificação em Plantas Medicinais e Fitoterápicos (direcionado para profissionais de ensino superior): Clique aqui

WEBPALESTRAS E ABORDAGENS TERAPÊUTICAS

Complementando o trabalho junto às Práticas Integrativas em Saúde, a plataforma de ensino à distância ainda disponibiliza outros cursos autoinstrutivos e webpalestras gratuitos.

Como o nome já diz, são módulos introdutórios, que certamente não substituem formações profissionais. Contudo, podem ser um passo inicial para o autoconhecimento, um incentivo para uma busca aprofundada sobre os temas que mais sintonizarem com o trabalho do terapeuta. Alguns deles são:

  1. Alimentos e Menopausa (webpalestra): Clique aqui
  2. Alimentação no Tratamento da Síndrome Metabólica: Clique aqui
  3. Alimentos Termogênicos (webpalestra): Clique aqui
  4. Pré e Probióticos na Alimentação: Clique aqui
  5. Alimentação na Doença de Parkinson (webpalestra): Clique aqui
  6. Nutrição no Tratamento de Câncer Pediátrico (webpalestra): Clique aqui
  7. Nutrição na Adolescência (webpalestra): Clique aqui
  8. Nutrição no Hiper e Hipotireoidismo (webpalestra): Clique aqui
  9. Intolerância à Lactose (webpalestra): Clique aqui
  10. Cuidados Nutricionais na Doença Celíaca (Intolerância ao Glúten): Clique aqui
  11. Nutrição no Tratamento do Diabetes Melittus (webpalestra): Clique aqui
  12. Nutrição na Criança Autista (webpalestra): Clique aqui
  13. Nutrição no Tratamento de Doença Óssea (webpalestra): Clique aqui
  14. Nutrição no Tratamento da Obesidade (webpalestra): Clique aqui
  15. Nutrição no Tratamento da Hipertensão Arterial (webpalestra): Clique aqui
  16. Cuidados Nutricionais nas Doenças Renais (webpalestra): Clique aqui
  17. Cuidado Nutricional do Idoso (webpalestra): Clique aqui
  18. Pai Presente: Cuidado e Compromisso: Clique aqui
  19. A Importância do Brincar e da Participação Familiar no Desenvolvimento Infantil (foco nas crianças com microcefalia): Clique aqui
  20. Atenção à Saúde do Idoso (Autoinstrutivo): Clique aqui
  21. Abordagem do Câncer e os Tipos mais Frequentes na Atenção Primária à Saúde (Autoinstrutivo): Clique aqui
  22. Abordagem da Violência na Atenção Domiciliar (Autoinstrutivo no que se refere ao material disponível na biblioteca on-line): Clique aqui
  23. Educação Mediada por Tecnologias na Prática: Clique aqui

Os cursos também estão disponíveis na página da Comunidade de Práticas e na UNA-SUS (Sistema Universidade Aberta do SUS), cujos links faço referência no final do artigo. Podem ser acessados em qualquer momento, de qualquer lugar e de qualquer equipamento ou dispositivo digital. Você vai precisar apenas cadastrar-se com login e senha.

CONSÓRCIO ACADÊMICO BRASILEIRO E PESQUISA

As Práticas Integrativas e Complementares (PICS) têm sido amplamente estudadas. Diversas pesquisas têm mostrado a segurança e efetividade desse trabalho como forma de complementar os cuidados convencionais, primando pela saúde integral.

Para impulsionar o desenvolvimento de estudos na área foi criado o Consórcio de Pesquisadores em Saúde Integrativa da América Latina. O Consórcio, com cerca de 200 pesquisadores de mais de 50 instituições, tem o objetivo de contribuir para fortalecer a legitimidade científica das PICS.  

O grupo brasileiro se inspirou no modelo do Consórcio Acadêmico de Medicina e Saúde Integrativa da América do Norte, que reúne 70 centros dedicados ao estudo dos sistemas médicos e práticas de Saúde não convencionais, filiados a universidades nos Estados Unidos, México e Canadá.

A formação do Consórcio Brasileiro conta com convênio de colaboração junto ao Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde, também conhecido pelo seu nome original Biblioteca Regional de Medicina (BIREME/OPAS/OMS).

No site do CONGREPICS, o primeiro congresso sobre o assunto realizado no Rio de Janeiro, também está disponível uma lista de artigos científicos de referência a todas as modalidades ofertadas. Assim, para uma pesquisa mais aprofundada sobre as Práticas Integrativas e temas relacionados, sugiro os seguintes portais:

  1. Biblioteca Virtual em Saúde para as PICS
  2. Biblioteca Virtual em Saúde – Homeopatia
  3. Artigos Científicos CONGREPICS
  4. Comunidade de Práticas na Atenção Básica em Saúde
  5. AVASUS: Conhecimento livre e aberto para todo profissional e estudante
  6. Consórcio Acadêmico de Medicina Integrativa – América do Norte
  7. Fitomedicamentos da Biodiversidade Brasileira
  8. Portal Universidade do SUS (UNASUS)

Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

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Os Perigos do TEFLON: Um Inimigo Oculto

Quem de nós não tem uma panela de Teflon em casa? As chamadas panelas antiaderentes que não deixam o alimento grudar? Observo que sempre que se procura o máximo de conveniência – a falsa promessa das tecnologias que vieram para facilitar o trabalho das donas de casa – a saúde acaba ficando comprometida. E com essas facilidades, abrigamos um inimigo oculto em nossa cozinha por mais tempo do que imaginávamos.

Objetivando informar e trazer esclarecimento com seriedade, este é mais um tema presente nos casos de intoxicação, na maior parte das vezes identificado pelos médicos ortomoleculares, alguns naturopatas, homeopatas e nutricionistas que trabalham com tratamentos de desintoxicação do corpo. [Leia também: Os Perigos do Alumínio e Caminhos Auxiliares para Desintoxicação de Metais Pesados]

Pois bem, esse é o mais controverso tipo de panela disponível no mercado, porque ouvimos dizer que se o alimento é aquecido em baixas temperaturas não é nocivo à saúde. Contudo, por meio de várias pesquisas já realizadas desde a fabricação das primeiras panelas nos EUA – oficialmente em 1954 – os resultados provaram o contrário. 

Na sua composição estão o ácido perfluoroctanóico (PFOA), o perfluoroctanossulfonato (PFOS) e o politetrafluoretileno (PTFE). A união desses compostos está registrada com o nome de Teflon, todos considerados tóxicos para o organismo por serem polímeros fluorados sintéticos. Esses componentes, por serem sintéticos, não são reconhecidos pelo corpo e tendem a acumular-se nas células com o tempo. Segundo estudos, a longo prazo podem danificar e alterar o DNA.

Quando aquecidos ou exposto a altas temperaturas, os PTFE’s liberam gases tóxicos – os fluorocarbonos – que causam sintomas similares aos da gripe. Já o PFOA e PFOS – conhecidos como produtos químicos perfluorados – estão relacionados ao desenvolvimento de câncer de rim e de fígado, problemas da tireoide, de coração, colesterol alto, imunidade baixa e outras complicações que relaciono mais adiante.

Estes compostos presentes nas panelas de Teflon contêm flúor, substância comprovadamente tóxica, cujo uso já é proibido em alguns países da Europa pelos mesmos problemas de saúde citados, entre outros. Infelizmente, no Brasil ainda é largamente utilizado, principalmente na água que abastece a nossa casa. Essa união bombástica também é reconhecida como obesogênica e bociogênica, ou seja, substâncias que dificultam a absorção de iodo. Por isso, estão associadas ao hipotireoidismo, hipertireoidismo, tireoidite de Hashimoto, doença de Graves e câncer da tireoide. 

PESQUISA: INFERTILIDADE E DANOS À TIREOIDE

Com o aquecimento, essas substâncias são facilmente absorvidas pelo corpo, inaladas através do vapor. Elas foram associadas a um número crescente de preocupações com a saúde, doenças da tireóide, infertilidade em mulheres, má formação fetal e problemas de desenvolvimento e reprodução em animais de laboratório.

Um estudo de cientistas californianos monitorou a gravidez de 1.240 mulheres dinamarquesas. Um dos professores chamou a atenção para a presença de perfluorcarbonos no sangue de muitas delas. Isto significou que a substância presente nos revestimentos de Teflon é capaz de se acumular no corpo. As mulheres com altos níveis no sangue não conseguiam engravidar por um longo tempo. As tentativas de fertilização in vitro também terminavam em fracasso.

Outro estudo realizado com cerca de 4 mil adultos, durante 7 anos, avaliou a exposição a utensílios que continham PFOA, e a manifestação de problemas de tireoide. A pesquisa descobriu que quanto maior a concentração dessa substância, maior a manifestação de alterações tireoidianas que podem levar a doenças cardíacas, infertilidade, fraqueza muscular e fadiga, osteoporose e, em casos extremos, coma ou morte.

Além de potencialmente prejudicar a glândula tireoide, esses químicos também foram associados a nascimentos de bebês de baixo peso, segundo a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA). Com riscos de desenvolvimento, o PFOA compromete a reprodução humana, tendo sido associado a um aumento de 60% a 154% na chance de infertilidade.

Da mesma forma, foi associado a tumores, especialmente o câncer de próstata, em trabalhadores de indústrias que lidam com esse produto, além de outros tipos de câncer: fígado, pâncreas, testículo e mama. Segundo este estudo, mesmo em níveis de exposição muito baixos, os cientistas correlacionaram o PFOA também à colite ulcerativa e o colesterol elevado.

TEFLON E DOENÇAS RELACIONADAS

Pesquisadores reuniram dados para determinar o efeito do PFOA na saúde humana. Após sete anos de pesquisas, com resultados detalhados em mais de três dezenas de publicações, ficou demonstrado que o PFOA tem causado as seguintes doenças relatadas e documentadas: 

  1. Colite ulcerativa.
  2. Colesterol alto (Acima de 700).
  3. Hipertensão induzida pela gravidez.
  4. Hipotireoidsmo e Hipertireoidismo.
  5. Leucemia; Câncer de rim, de próstata e dos órgãos genitais femininos.
  6. Toxicidade do fígado e disfunção hepática.
  7. Perturbação do metabolismo lipídico, imunológico e endócrino.
  8. Efeitos neuro-comportamentais adversos.
  9. Toxicidade e morte neonatal.
  10. Tumores em múltiplos sistemas, câncer testicular e câncer de rim.
  11. Menor tamanho e baixo peso em recém-nascidos.
  12. Obesidade, resposta imune reduzida, níveis mais baixos de hormônios e puberdade tardia.
  13. Morte de animais de estimação com penas, como canários ou papagaios. Seus sistemas respiratórios são muito sensíveis a gases nocivos. Foram relatados casos de morte de aves que permaneceram nas proximidades da panela de Teflon.

Para informações mais detalhadas e relatos de casos reais, recomendo o documentário: “The Devil We Know” – Acesse o link no final do artigo.

COMO PREVENIR E QUAIS UTENSÍLIOS USAR?

1) Use: panelas e utensílios de vidro, cerâmica ou inox (18\10): são fáceis de limpar e não geram nenhum risco de exposição a substâncias químicas nocivas. São as mais recomendadas também pelo custo-benefício – vide os tipos de panelas abaixo.

2) Evite:

  • Panelas e frigideiras antiaderentes de Teflon e similares.
  • Utensílios de Teflon, silicone e plástico (Ex: formas para bolo, pizza, cupcakes, espátulas e colheres).
  • Superfícies de aquecimento de grelhas elétricas, de caldeiras e de prensagem.
  • Sanduicheiras, crepeiras e similares.
  • Sacolas de pipoca de microondas (contém PFOA na composição).
  • Embalagens para alimentos gordurosos.
  • Embalagens para comidas congeladas.
  • Produtos de higiene bucal: cremes dentais, fios dentais, entre outros.
  • Produtos de higiene pessoal: cremes lubrificantes, de barbear e depilar.
  • Produtos de limpeza e tratamento de carpetes e móveis.
  • Produtos para retirar manchas de roupas e mobiliário.
  • Impermeabilizantes de móveis, estofados, sapatos, entre outros.
  • Cosméticos e produtos de beleza.
  • Roupas e utensílios para esporte.
  • Tintas e revestimentos para interiores.
  • Mobiliário e colchões.

Na dúvida, leia os rótulos. Se conter “ingredientes perfluorados”, PFC’s ou quaisquer uma das siglas citadas, evite comprar. Lembrando que não precisamos ficar neuróticos, apenas informados de que quanto mais produtos e utensílios estivermos utilizando – e imagine-se utilizando todos juntos – a longo prazo nossa saúde vai estar comprometida. Prevenir é apenas o início do processo, mas também uma forma de gerar economias futuras que resultariam em tratamentos médicos e medicamentos alopáticos caros.

TIPOS DE PANELAS E OS EFEITOS À SAÚDE

Preparar uma alimentação de qualidade depende de muitas variáveis, como uma boa receita, habilidade culinária, ingredientes saudáveis e a panela adequada. Cada material utilizado na fabricação das panelas tem suas particularidades, tornando-as mais indicadas para o preparo de determinado alimento e também interferindo na nossa saúde. Quantas vezes já ouvimos dizer que uma comida feita numa panela de ferro, por exemplo, tem outro sabor? Uma verdade. Em questão de saúde, algumas panelas são bem vindas e outras devem ser aposentadas da nossa cozinha.

  • ANTIADERENTE (TEFLON, TEFAL, entre outras): Conhecidas pela capacidade de não deixar o alimento grudar e ainda reduzir bastante o uso do óleo no preparo dos alimentos. Um dos problemas é que seu processo de produção é muito poluente. Além disto, contêm dois plásticos em sua composição, o polietrafluoretileno (PTFE) e o perfluorooctanóico (PFOA). Eles são compostos tóxicos, a base de flúor, e que se soltam facilmente da panela principalmente quando está velha ou se submetida a altas temperaturas, como durante as frituras ou quando vão ao forno. Panelas deste tipo quando riscadas, então, são ainda mais tóxicas para o alimento. O melhor é evitá-las.
  • ALUMÍNIO: São as mais comuns, leves, baratas. Mas também são as que causam mais problemas, pois liberam alumínio na comida. O alumínio é um metal tóxico que pode ficar armazenado no sangue e no tecido adiposo favorecendo a obesidade, além de afetar o sistema nervoso trazendo desequilíbrios como o Alzheimer e Parkinson. Observação: como este metal é liberado mais facilmente em contato com alimentos gordurosos, ácidos e que contenham sal, é recomendado adicionar o sal apenas no final do preparo, para evitar que mais resíduos sejam liberados. Não devem ser usadas esponjas ásperas ou de aço, e não devemos raspar a panela com talheres de metal, para que o alumínio não seja liberado para o alimento. Sendo assim, este é um tipo de panela que deveria ser eliminada de toda cozinha.
  • COBRE: não é mais comercializada sem uma camada de proteção, porque o cobre é transferido com muita facilidade para o alimento, provocando intoxicações, levando a náuseas, dores abdominais e problemas gastrointestinais, além de poder prejudicar rins e fígado à longo prazo. No Brasil, elas só podem ser vendidas se tiverem uma camada protetora, como o titânio. Isso porque aqui esse tipo de panela costuma ser usado para preparar doces e alimentos com tempo grande de cozimento, o que facilita a contaminação. Na França, por exemplo, ela é muito usada, mesmo sem proteção, para fazer crepes, que são secos e de preparo rápido. Os chefs gostam do cobre porque ele é bom condutor de eletricidade e distribui o calor de forma homogênea. Mas, se o organismo acumular grandes quantidades de cobre, podem ocorrer problemas gastrintestinais. A longo prazo, há danos cerebrais, problemas renais e nas articulações. O excesso de cobre no organismo pode levar à leucemia e a câncer intestinal.
  • FERRO FUNDIDO: São bem resistentes e liberam ferro na comida, o que ajuda a combater problemas como anemia. O uso da panela é também indicado para vegetarianos, mulheres em idade fértil e crianças. Contudo, um inconveniente é que este tipo de material altera a cor do alimento, deixando-o acinzentado e pouco atrativo. Para aqueles que não são anêmicos, é importante lembrar que o aumento do ferro também aumenta a ferritina, podendo levar ao aumento de radicais livres. Também não são boas para quem sofre de hipercolesterolemia (colesterol alto em excesso, de forma crônica). Em excesso, o ferro pode causar hemocromatose – o depósito de ferro nos tecidos de alguns órgãos que, com o tempo, perdem as suas funções. Observação: Um modo de evitar isso é não guardar a comida na panela e usá-la para fazer só um dos integrantes do cardápio. Para manter a panela sem ferrugem e evitar perigo ao nosso organismo, é importante secá-la no fogão e untá-la, caso ela não seja usada com frequência. Algumas são esmaltadas, tornando-as mais fáceis de limpar, porém, se não forem de boa procedência podem conter chumbo na composição do esmalte. É sempre bom ficar alerta.

  • FERRO ESMALTADO: A camada esmaltada impede a liberação de ferro para o alimento. Por isso, essa panela pode servir para guardar comida depois de pronta, sem problemas de transmissão excessiva de ferro para quem tem colesterol alto. Se não for absorvido, ele se acumula em artérias. Assim como a de ferro fundido, essa panela mantém o aquecimento por mais tempo. O ferro fundido pigmenta alimentos claros, como chuchu e abóbora, deixando-os escuros. Já a esmaltada pode ser uma boa opção, mas desde que bem conservada. Observação: falando em panelas esmaltadas, lembremos das esmaltadas de ágata. Na época, vieram para substituir as pesadas de ferro. Contudo, as que encontramos hoje no mercado geralmente são de alumínio com a camada esmaltada de ágata. Assim sendo, são desaconselhadas para aquecimento por cozimento. Se você tem utensílios esmaltados de ágata em casa, procure usar bules, xícaras e canecas, uma vez que recebem o calor ameno e não tenderão a trincar o esmalte, como ocorre quando utilizadas para o cozimento. Podem ser usadas também para decoração com plantas e arranjos florais.
  • BARRO: Ideal para o preparo de alimentos com bases líquidas como ensopados, feijão e sopas, esse tipo de panela mantém o calor por um longo período de tempo e também pode ir ao forno. A desvantagem fica por conta da demora em esquentar e no cuidado exigido na hora da limpeza. Deve-se evitar a preparação de pratos com pouca água, pois isso pode desidratar e ressecar o que estiver sendo cozido. Observação: antes de utilizá-la pela primeira vez, deve-se colocar duas ou três colheres de óleo e levá-la ao fogo até queimar, o que permite uma melhor impermeabilização e durabilidade da panela. Escolha uma panela de barro de qualidade e com certificação, pois as mais comuns podem conter chumbo, cádmio e níquel, metais pesados facilmente liberados na comida durante o cozimento.
  • TITÂNIO: Esses utensílios são mais recentes e modernos, mas os preços, salgados. As panelas de titânio não fazem mal à saúde, já que não há contaminação dos alimentos preparados nelas. Além disso, são mais resistentes. As panelas de titânio também podem ser usadas para guardar a comida depois de pronta. Elas não exigem a fervura que recomendamos nas panelas de aço inox, pois não há liberação de material na comida. O titânio é usado pela indústria, inclusive, para revestir as panelas de cobre e evitar que esse elemento se misture à comida em seu interior.

  • PEDRA-SABÃO: É uma das mais antigas da história da culinária. São produzidas a partir de um mineral retirado da natureza chamado esteatito. Não possuem cheiro, não alteram o sabor dos alimentos e os mantêm quentes por longo tempo. Antes de usadas, devem ser untadas com óleo por dentro e por fora, enchidas com água e levadas ao forno médio por 2 horas. Com isso ela estará apta para liberar quantidades expressivas de elementos nutricionalmente importantes como cálcio, magnésio, ferro e manganês. Ela é ideal para caldos, moquecas e ensopados.
  • INOX: O aço inoxidável é composto por ferro, cromo e níquel. O níquel em pequenas quantidades pode até ser útil ao organismo, mas o excesso tende a afetar o sistema nervoso e ainda causar problemas alérgicos como asma e dermatites.  É ideal para uso diário e para qualquer preparação, além de ser uma das panelas mais resistentes. Prefira aquela que contém 18% de cromo e 8-10% níquel (18/10) na sua composição – você encontra esse valor no fundo da panela. Esse tipo de inox é o mais seguro e resistente. Observação: Ao usar a panela de inox pela primeira vez, deve-se fervê-la durante 1 hora por 3 a 5 vezes, com bastante água, para fazer a quelação dos minerais. Não se deve guardar alimentos dentro da panela, nem limpá-la com esponja de aço. As panelas que foram muito areadas também devem ser fervidas dessa maneira, para impedir que a camada de níquel se desprenda. Tomado este cuidado, as panelas de aço inox são uma boa opção.
  • CERÂMICA: São atóxicas, ou seja, não contém nenhum produto tóxico para o alimento. O calor é bem distribuído, não sendo necessário utilizar muito óleo no preparo. Sua desvantagem pode ser o alto custo. Escolha uma de qualidade, de preferência de inox e não de alumínio. Observação: procure estar atento às cerâmicas. Algumas são produzidas na China e contém chumbo na composição. Pesquisas realizadas em Israel também afirmam que a tinta presente em algumas panelas não certificadas pode conter chumbo ou cádmio, os quais desprendem-se durante o preparo dos alimentos.
  • VIDRO: Sob o ponto de vista da saúde, é a única panela considerada 100% segura, pois não libera qualquer resíduo para o alimento. Seu inconveniente é que os alimentos podem queimar mais facilmente. O ideal é utilizá-la para preparações à base de líquidos como: sopas, cozidos, suflês e molhos. Cozinhando outros alimentos, procure usar fogo baixo/ brando para não queimarem.

Assim, conhecendo os benefícios e malefícios de cada tipo de material e panela, lembre sempre que elas devem atender a três aspectos: saúde, em primeiro lugar, praticidade e funcionalidade. A sugestão é ir trocando as panelas e os utensílios aos poucos, para não comprometer o orçamento.

Entretanto, se você já foi diagnosticado com alumínio, chumbo ou algum metal pesado no sangue, incluindo algum dos problemas de saúde relatados acima, é importante excluir de forma definitiva os utensílios tóxicos da rotina. Esse é o primeiro passo para um posterior tratamento de desintoxicação.

Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

Fontes e Referências: 1- Documentário (2018): “The Devil We Know”: www.thedevilweknow.com | 2- Clean Water Action, PFC Fact Sheet | 3– EWG Skin Deep Cosmetics Database | 4– Environmental Working Group May 15, 2003, “Canaries in the Kitchen: DuPont has Known for 50 Years” | 5– C8 Science Panel Research Studies | 6. EPA.gov Health Advisories for PFOA and PFOS | 7- Environmental Health Perspectives January 7, 2010 | 8- Environmental Working Group August 20, 2015 | 9- Environmental Science and Technology Letters August 9, 2016 | 10. Informações de Craig Stellpflug: especialista em nutrição relacionada ao câncer, Lifestyle Coach e Consultor de Neuro Desenvolvimento na Clínica Médica Healing Pathways, Scottsdale, AZ | 11. Artigo: “Por que abandonei as panelas antiaderentes de Teflon” 

Artigos, Constelação Familiar, Filmes e Vídeos: Constelação Familiar, Terapias Integrativas

Constelação Familiar: 15 Vídeos para você entender essa dinâmica multidimensional

Para facilitar o entendimento de como o trabalho de Constelação Familiar Sistêmica funciona, incluindo dinâmicas em grupo e entrevistas com Sophie e Bert Hellinger sobre a chamada Nova Constelação, relaciono 15 vídeos sobre o tema.

O novo modelo de constelação familiar sistêmica envolve realizá-la em silêncio, sem muitas perguntas e sem falar sobre o problema do cliente, cujo movimento dos participantes e a dinâmica do grupo são baseados no sentir corpóreo, das emoções e dos pensamentos, um conjunto de percepções relacionados ao fato de que mesmo estando no presente, somos capazes de acessar informações sobre o passado ou sobre o futuro – um conceito da física quântica, onde um átomo é capaz de estar em mais de um lugar ou dimensão ao mesmo tempo.

Dentro desse contexto, também se aplica a teoria do campo morfogenético ou campo mórfico, cujos testes, estudos e experiências científicas exploram o fato de que estamos interconectados por um invisível campo eletromagnético coletivo. Da mesma forma, isso refere-se à memória coletiva de uma família ou espécie, na qual fazem parte cada membro e para a qual cada um contribui.

Rupert Sheldrake, cientista, doutor em biologia e pesquisador da teoria menciona que esse conceito teve início na década de 20, e chamou sua atenção quando da observação dos movimentos desenvolvidos por pássaros. Quando juntos, esses pássaros realizam movimentos chamados de “torvelinhos”, de forma que não colidem entre si, como se fosse uma dança ensaiada em grupo. Segundo o cientista, os campos morfogenéticos são estruturas invisíveis que se estendem no espaço-tempo e moldam a forma e o comportamento de todos os sistemas do mundo material – cristais, animais, plantas, seres humanos, entre outros.

Todo átomo, molécula, célula ou organismo que existe gera um campo organizador invisível, que afeta todas as unidades desse tipo. Assim, sempre que um membro de uma família ou espécie aprende um comportamento, e esse comportamento é repetido vezes suficiente, o tal campo – assim como um molde – é modificado. Esta modificação afeta a espécie por inteiro, mesmo que não hajam formas convencionais de contato entre seus membros. 

Isso explica porque macacos de um arquipélago específico, de repente, começaram a lavar as raízes do seu alimento, sem que houvesse comunicação entre as ilhas. E após um tempo, outros macacos de outras ilhas começaram a fazer o mesmo. Conforme diz a teoria, esse processo difere da telepatia, sendo chamada de ressonância morfogenética. Seria também uma explicação para os conhecimentos, dons e talentos que recebemos através de gerações por meio da memória celular do nosso corpo, portanto contida em nosso DNA, assim como padrões de comportamento e pensamento.

Nada disso é novidade atualmente. “Experimentos em psicologia mostram que é mais fácil aprender o que outras pessoas já aprenderam”, informa Sheldrake. Na constelação familiar, essa ressonância é aplicada da mesma maneira, como um processo não-intencional, sem julgamentos, podendo assim reunir grupos de qualquer tipo. A constelação familiar pode se tornar, portanto, uma bênção para todos os participantes. Nada ali ocorre por acaso, uma vez que todos estão interconectados por ressonância dentro de um mesmo sistema ou campo eletromagnético.

Em vários casos que presenciei e apoiei, mesmo que o participante não seja aquele que vai constelar um tema para si, só pelo fato de ter a experiência, de estar representando alguém de um sistema familiar diferente do seu, já configura um grande aprendizado. Algo terá se modificado no interior de ambos, do cliente e daquele que serviu como representante. Na maior parte dos casos, o representante também tem um aprendizado para si, uma clareza ou resposta para o seu momento de vida.

E como espécie humana, partilhamos de problemas em comum dentro de sistemas diferentes. É por essa razão que ouvimos com frequência: “o problema é o mesmo, só muda de endereço”. Isso é o que chamamos de padrão, observado em diferentes famílias com similitude, ao longo de diferentes gerações. Então, deixo aqui meu sincero desejo que esse conteúdo possa ajudar você no seu processo de transformação interior, na sua jornada de autoconhecimento e nas experiências da roda da vida! Somos estrelas de uma mesma constelação, integrantes de uma mesma família planetária. Namaste! ❤

Por fim, recomendo também a dinâmica de constelação familiar apresentada pelo Canal Bandeirantes no Brasil. O conteúdo está protegido por direitos autorais, mas você consegue assisti-lo direto no site do Canal, através do link: https://videos.band.uol.com.br/superpoderosas/16546245/metodo-austriaco-de-terapia-ajuda-em-reconciliacao-familiar.html

RESSONÂNCIA MÓRFICA

Faço menção à história fascinante de Francine Cristophe – parte do documentário “Human”. Ela retrata um perfeito exemplo da atuação da ressonância mórfica em nossa vida, do quão fortemente estamos interconectados por fios invisíveis, emocionais, mentais e multidimensionais. Mesmo aquele que não fez parte de nossa família de sangue, mas que esteve presente em algum acontecimento marcante de nossa jornada, está interconectado conosco por um vínculo oculto, apresentado nas dinâmicas da constelação familiar sistêmica.

PARA REFLETIR – Por Sophie Hellinger

Nós somos tudo: nosso presente, o passado e já o futuro. Nossa memória corporal vai muito além do nosso corpo. Um famoso médico e amigo meu disse, há mais ou menos um mês: – O conhecimento mais recente no campo da ciência médica é o de que doenças crônicas e dores que aparecem repetidas vezes não podem ser curadas enquanto as vidas passadas não são levadas em conta. Isso é um progresso enorme dentro da medicina, que reconhece tal fato.

Muitas vezes, somos realmente impotentes. Às vezes, a cura pode acontecer ao incluir as vidas passadas. Aqui, no caso dela (uma cliente que há pouco tinha trabalhado com Sophie) nós vemos: o choque está na cara dela. O choque de uma outra pessoa. Depois de uma pequena intervenção dentro do campo eletromagnético dela, ela se sente bem de repente. Isso significa que carregamos a nossa história o tempo inteiro conosco. Nós mesmos somos capazes, através da nossa consciência, de sair para fora deste acontecimento passado…com a ajuda e o suporte de outra pessoa.

Quando nós abrimos o outro campo e ambos os campos se tocam, eles entram em confluência, em ressonância. Nestes campos pode acontecer então uma Constelação para o bem do cliente. Esta constelação se converte em uma benção para aqueles que existiram antes de nós. Estas pessoas não estão “em um lugar qualquer”. Talvez elas já tenham renascidos ou tenham vindo para uma nova vida com o mesmo problema. E nós ficamos mexendo e não encontramos uma solução. Porque neste plano cotidiano não há nenhuma solução! A solução está em uma outro plano.

Então. há uma benção para nós nesta vida atual e para os nossos filhos. Para todas as partes, para os companheiros e para as relações que se abrem novamente.  Então, se pode realizar, talvez, o nosso maior desejo: que sejamos amados assim como somos, e nós mesmos amarmos sem condições ou expectativas. Assim, cada ser humano é lindo e não preciso mais sentir pena de ninguém. Cada um tem o seu caminho e seu destino. Quem procura, acha.

A condição é que não queiramos mais nos “livrar” de algo. Ao invés de nos “livrarmos” de algo, nós o levamos para dentro. Integração ao invés de exclusão. Assim podemos nos tornar mães amorosas, sem demasiadas expectativas em relação aos nossos filhos. E os nossos homens não precisam tampouco terem nenhuma expectativa em relação a nós – nem nós em relação a eles. Nós doamos! Nós amamos! Nós fazemos o que podemos!”

Trecho do texto de Sophie Hellinger: Seminário no México (Agosto/ 2014)

Fonte: Hellinger Sciencia (Escola Hellinger) | Vídeos: Canal Constelação Familiar Sistêmica

Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

Matérias, Terapias Integrativas

Florais: Como saber qual a melhor fórmula para você?

Sempre que conversamos com alguém que tem o primeiro contato com um tratamento floral ou que deseja fazer uso de uma fórmula floral para equilibrar-se, surgem dúvidas a respeito de como saber qual o composto mais adequado para o seu caso.

Existem no mercado inúmeros Sistemas Florais, diferenciados entre si pela forma como foram sintonizados e reunidos, pelo país e a região onde as flores são colhidas, bem como pela sua forma de extração, elaboração e manipulação. Uma mesma flor e planta, por exemplo, colhidas em países e regiões diferentes não terão a mesma vibração e bioquímica, tendo em vista o tipo de clima, o solo, a geologia, as águas, entre outros fatores.

As flores também são estudadas e adaptadas à nossa realidade através de arquétipos, com o intuito de facilitar a abordagem no tratamento terapêutico para cada caso. Por essa razão, a importância de consultar um profissional com conhecimento na área, formação e experiência terapêutica é importante.

Contudo, na falta de um terapeuta floral ou um homeopata – a homeopatia também possui fórmulas derivadas de flores, onde estas estão classificadas como “personalidades homeopáticas”- com formação profissional e experiência adequada para orientar, capazes de avaliar o caso para prescrever o melhor tratamento, é possível escolher as flores de acordo com sua intuição e o seu sentir: as flores são consciências vivas da natureza que também dialogam conosco por meio e em sintonia a dimensões mais sutis da nossa consciência humana.

Assim, com o objetivo de trazer esclarecimento para quem deseja fazer uso das fórmulas florais que já se encontram prontas no mercado – hoje mais encontradas em farmácias de manipulação – para aquele que tem a vontade de montar seu composto ou confeccionar o seu próprio floral caseiro, relaciono aqui algumas perguntas e respostas que podem ajudar na busca da fórmula floral mais adequada ao seu momento de vida. Essa busca pode ser tanto para o equilíbrio físico, quanto para a harmonização do emocional, do mental ou mesmo do campo espiritual.

Lembrando sempre: os florais são ferramentas complementares dentro de um processo maior, de um tratamento terapêutico único, diferente para cada pessoa. Recomendo sim que você siga o seu coração e a sua intuição para que as consciências dévicas das flores falem com você por sintonia de propósito, mas também indico a busca pelo constante trabalho interior, já que as flores, assim como nós, são apenas parte de uma mesma planta.

Como parte desta mesma planta, também temos as folhas, o caule, os galhos e as raízes. Precisamos olhar para elas à semelhança do que fazemos conosco: trabalhar o todo para obter resultados mais profundos e duradouros ❤

1 Posso escolher florais para mim mesmo(a)?

Sim, este pode ser o início de um rico e profundo processo de se perceber, se sentir e se conhecer. Faz parte dos processos de autoconhecimento as experimentações para conosco, onde somos a nossa própria “cobaia”. E também essa ação pode ser uma parte na sua rotina de cuidado consigo, em seu processo de desenvolvimento pessoal, sendo uma ferramenta para trabalhar a autoconfiança e a autoestima.

2. Qual a diferença entre escolher para mim ou ter ajuda de um profissional? Quando devo procurar um(a) Terapeuta Floral?

O melhor resultado dos florais depende essencialmente de uma escolha precisa, que toque no âmago das questões: em poucas palavras, florais bem escolhidos trazem resultado. Ao escolher florais para si, sua experiência pode ser rica e gratificante, onde você pode se dedicar a ela pelo tempo necessário ao seu processo de autoconhecimento.

Fique atento ao fato de que, para uma seleção precisa, você vai precisar fazer o exercício do observador interno: olhar para si e reconhecer suas próprias questões, tanto aquelas que fortalecem quanto aquelas que limitam. E também vai precisar querer explorar o universo dos florais, ampliando seu repertório para continuar fazendo escolhas adequadas – isso requer tempo, paciência e resultados a médio e longo prazo.

3. Quando solicitar um outro olhar?

Quando você sentir que precisa de alguém que consiga enxergar sua jornada com mais objetividade, com uma visão mais global e integrada, que ofereça apoio no seu processo e que possa ser testemunha do seu progresso, vale muito ter o apoio de um terapeuta.

Considere o fato de que, em geral, nós somos muito duros conosco, nos cobrando e nos exigindo por inúmeras razões sociais, por padrões e crenças familiares que herdamos e que, muitas vezes, nos fazem sair da nossa rota ou perder a perspectiva. Por isso é essencial aqui poder pedir auxílio para receber um outro olhar.

Observe que um bom Terapeuta Floral se dedica ao estudo e à pesquisa constantes sobre essa prática terapêutica, sempre progredindo e buscando desenvolvimento pessoal e profissional. Isso ajudará você a estar confiante de que está sendo bem orientado e de que não vai “perder o rumo”, tendo o apoio necessário.

4. Como usar as essências florais?

4.1 Orientação básica e ritmo

A orientação básica é a ingestão de 4 gotas sublinguais, 3 a 4 vezes por dia. Dependendo do caso, as gotas podem ser espaçadas para 7 a 8 gts, 2 por dia (pela manhã, ao acordar, e à noite, antes de dormir), principalmente para aqueles que tem uma rotina corrida e tendem a esquecer as tomadas durante a tarde.

Talvez você sinta vontade de tomar as essências mais vezes ao longo do dia. Sinta-se livre para tomar sua fórmula repetidas vezes, até mesmo de hora em hora – esse último caso em geral é indicado para momentos de crise, traumas ou mudanças.

Não existem doses excessivas ou efeitos colaterais com este tipo de preparado vibracional. No entanto, o uso repetido e mais frequente encoraja a ter de passar por uma “limpeza” mais rápida do campo vibracional e dos temas que estão sendo abordados, seja através de um tratamento ou por meio do seu processo de autoconhecimento.

Isso pode ser desejável principalmente no início de um ciclo com as essências florais, como também pode parecer “indesejável”, podendo ocorrer algum tipo de catarse antes de certa melhora, assim como qualquer outro processo de cura.

Esse processo de catarse ou “limpeza” geralmente dura pouco, ocorrendo mais a nível emocional e mental, sendo percebido em pessoas mais sensíveis através de sonhos, insights, meditações e observação de mudanças no comportamento, nas emoções e na forma de ver e reagir ao momento presente.

4.2 Cuidados e Higiene

Os florais podem ser ingeridos pingando 4 gotas sublinguais ou diretamente na língua, através do conta-gotas, com o cuidado de não encostar para evitar uma contaminação que irá interferir na conservação da solução.

Podem também ser ingeridos pingando as 4 gotas num copo com um pouco de água. Fica a seu critério, uma vez que as duas formas são igualmente eficazes. A diferença na forma sublingual é a de que a vibração das flores entrará em contato mais rápido com seu campo áurico e eletromagnético.

Você pode levar seu floral na bolsa, caso precise toma-lo mais vezes ao dia, apenas evite o excesso de calor para maior conservação, assim como a exposição constante a aparelhos celulares e similares, como forma de preservar o campo vibracional e a energia das essências. Se for do seu interesse, já encontra-se para vender no mercado as bolsinhas anti-radiação para florais.

4.3 Horários importantes: ao dormir e ao acordar

Lembre-se que o melhor momento para tomar o floral é antes de dormir e logo ao acordar. Esses são momentos em que estamos especialmente mais sensíveis e receptivos às suas interferências e frequências vibracionais.

5. Duração de um ciclo com os mesmos florais: quando é hora de mudar?

Ao começar a usar as suas essências, você está iniciando um ciclo. Um ciclo em geral é sentido como “vivo” e “atuante” ao longo de 4 a 8 semanas (de 1 a 2 meses), mas isso varia de acordo com os temas e questões abordadas para cada pessoa. Algumas vão sentir a diferença nos primeiros dias de uso, outras vão precisar de mais tempo.

Depois deste período que completa um ciclo, geralmente é interessante uma mudança na seleção dos florais, com foco mais preciso na sua evolução e nas questões que vão se clarificando. Os maiores benefícios da Terapia Floral resultam de um processo dinâmico e vivo.

6. Continuidade no uso dos florais

Um processo contínuo, ao longo de alguns meses, é a forma através da qual as essências nos oferecem maior alinhamento e  leveza, ancorando mudanças duradouras e surpreendentes.

Um processo sequencial no tratamento com as essências florais aumenta o nosso comprometimento conosco, a nossa capacidade de estarmos envolvidos plenamente com as nossas vidas, expressando e compartilhando aquilo que temos de melhor – afinal é o que as flores representam.

7. Faça um diário: registre sua experiência

Você pode registrar e ilustrar a sua experiência tendo um diário ou agenda de anotações, assim ficará mais fácil perceber as mudanças ao longo do seu processo.

Uma dica: procure fazer uma tabela anotando numa coluna o que você deseja modificar, desbloquear e fortalecer; na outra, anote ao lado de cada objetivo a mudança alcançada. Como tendemos a ver mais os nossos defeitos e fracassos, esse exercício vai ajudar você a reconhecer também as suas qualidades e os seus sucessos – lembrando que o caminho do sucesso é formado por vários fracassos, tão importantes que são quanto o mero objetivo alcançado.

E se for do seu interesse, você pode entrar em contato e solicitar uma consultoria terapêutica aqui, cujas fórmulas florais farão parte de um tratamento terapêutico personalizado.

8. Acompanhamento, ajustes, mudanças e suporte

Sinta-se à vontade para contatar e escrever, fazendo perguntas, deixando seu depoimento e/ou expondo suas dúvidas e observações relevantes ao processo.

É importante solicitar ajuda específica quando houver mudança significativa no seu momento presente e nos desafios que a vida traz. Isso porque muitas situações, tais como perdas, experiências traumáticas ou grandes mudanças podem requerer apoio externo quando sentimos que não conseguimos sozinhos, e terem um melhor apoio com florais escolhidos especialmente para a situação vigente.

9. Quantos florais posso tomar ao mesmo tempo? Quantos florais posso misturar? Eles podem ficar juntos num só vidro?

Saiba que existe uma resposta simples e outra mais aberta e aprofundada nesse quesito, que diz: a arte de combinar florais transcende restrições e limites, e se torna maestria profissional.

Precisamos aproveitar a bênção oferecida pelas forças da Natureza, mas também precisamos aprofundar nosso olhar para ir além e entrarmos em contato com a medicina e os ensinamentos que recebemos diretamente das consciências que dela fazem parte. E essa parte, não aprendemos só nos livros, mas em profunda sintonia com a alma das flores e do seu bioma.

9.1 Linhas mestras sobre quantos florais “misturar” ou “combinar”

Ao escolher florais para si, comece usando apenas um só, para poder identificar as mudanças realizadas por ele em você, e siga com no máximo 5 ou 6 florais ao mesmo tempo. Isso ajudará você a ter clareza e ordem no processo: o uso de poucas essências florais de cada vez nos permite perceber com mais nitidez sua eficácia, seus efeitos e resultados.

9.2 Posso colocar florais de sistemas diferentes num só vidro?

Sim, podem ficar todos num mesmo vidro e podem ser de sistemas ou conjuntos diferentes: as flores gostam de se reunir! No entanto, se você estiver seguindo um determinado programa ou tratamento, que tem uma sequência determinada por um pesquisador(a) de florais – geralmente aquele que se sintonizou para a criação daquele sistema de florais – respeitar a intenção e o foco do processo, seguindo as orientações fornecidas, irá favorecer os resultados desejados.

Foto Kirlian – Captação da aura e da energia das flores e plantas

9.3 Nas mãos do profissional, a arte de combinar florais transcende limites

Nas mãos de um experiente Terapeuta Floral as essências, como as múltiplas cores nas mãos de um artista, se tornam precisos instrumentos na delicada arte da combinação de Florais.

Para um Terapeuta Floral, combinar as necessidades da alma da pessoa com a alma das flores é atividade abordada com reverência: aprendemos a cada atendimento, aprendemos em grupo, aprendemos incessantemente através de nós mesmos e daqueles com quem convivemos, com profundo amor, humildade e gratidão diante dos lindos resultados que ocorrem através de nós, unindo planos dimensionais e indo além do que nos concerne nesse plano físico.

O Terapeuta Floral estuda as nuances e atributos de cada floral com o qual trabalha, conhecendo sobre a planta e sua tradição, o ambiente onde ela cresce, sua família botânica, as crenças e sabedorias antigas ao seu redor, sua cor, forma, estrutura e demais características.

Além de compreender e aprender a Linguagem da Natureza, também estuda profundamente as Jornadas Interiores da Alma – começando pelas suas próprias – conhecendo suas importantes passagens evolutivas, suas dificuldades e seus impasses no processo. E é na interrelação disso que a fórmula se faz, se mostra.

Nesse processo alquímico e sagrado, sintonizado à geometria perfeita da Mãe Natureza, o número de essências numa fórmula não é o mais importante, uma vez que o foco está na maestria envolvida na combinação e no preparo das essências florais.

O Terapeuta Floral que atinge esse nível do processo sabe, como qualquer alma alquimista, que aqui somos guiados para elaborar – muitas vezes canalizar – a fórmula em total sintonia ao paciente, que por si só já é perfeita porque contém uma estrutura luminosa e transformadora, uma parte da energia da criação da vida planetária. Namaste! ❤

Luciane Strähuber – Terapeuta Floral e Educadora da Terapêutica Integrada

Artigos, Terapias Integrativas

Pés quentes, Mente fria: Ensinamentos do Coração, O Imperador do Corpo

Com a chegada do inverno, muitos se perguntam porque tendem a ficar com as extremidades frias, principalmente os pés e as mãos, incluindo uma má circulação sanguínea. Sem dúvida, é importante avaliarmos cada caso porque essa condição pode estar relacionada à alimentação, ao estilo de vida, à questões genéticas e hereditárias, assim como ao biotipo e à constituição física da pessoa, mas em geral, a explicação está na observação do órgão mais importante do nosso corpo: o coração.

Na Medicina Tradicional Chinesa, o coração representa a morada da mente, regendo o elemento fogo no nosso corpo. Os ensinamentos milenares dessa medicina, mesmo com o advento de avançadas tecnologias, ainda se mostra muito presente e eficaz nos nossos tempos. Através deles, podemos realizar diagnósticos para sabermos como está nossa saúde em vários níveis, possibilitando assim a prevenção e tratamentos adequados para o reequilíbrio da saúde integral.

Comecemos, então, conhecendo um pouco mais sobre o papel crucial do sábio imperador do nosso corpo: o coração, aquele que guarda e mantém em equilíbrio o nosso Chi físico e espiritual, o cálice do nosso sangue sagrado, o fogo interior do nosso propósito e alegria de viver, e a energia vital de todo o nosso corpo.

Segundo a Medicina Tradicional Chinesa (MTC), é possível auxiliar na prevenção e recuperação de problemas cardiovasculares por intervenção direta na fisiologia cardíaca ou por ação indireta, intervindo ou prevenindo fatores de risco – incluindo-se aqui a acupuntura. Na avaliação do paciente, leva-se em consideração diversos fatores e diferentes diagnósticos como as emoções, dando especial atenção aquela que é mais suscetível às suas alterações (a alegria ou a euforia); a alimentação, os horários de sono e o estilo de vida; a medição do pulso, a constituição da face/pele e o diagnóstico da língua; as manifestações clínicas e todo o ambiente que envolve o dia-a-dia da pessoa. Todos esses fatores básicos constituem a base para a determinação do protocolo de tratamento.

O MERIDIANO DO CORAÇÃO

O meridiano começa no coração, de onde partem três ramos: um descendente, um ascendente e outro lateral. O ramo descendente atravessa o diafragma e vai comunicar com o intestino delgado (o Fu/Víscera do Coração). O ramo ascendente sobe lateralmente ao esôfago, comunica com a raiz da língua e continua até chegar ao olho. O ramo lateral atravessa o pulmão e continua até a axila, onde vai emergir à superfície.

FUNÇÕES DO CORAÇÃO

O Coração é considerado o mais importante de todos os órgãos, sendo por isso muitas vezes chamado de o “imperador”, o “soberano” ou o “monarca” do corpo, isso porque tem funções importantes:

  1. Governa o Sangue: é responsável pela circulação de sangue, controlando e regulando o fluxo do Sangue pelos vasos sanguíneos. Um Coração saudável é essencial para o fornecimento adequado de sangue a todos os tecidos do corpo. Um funcionamento saudável resultará num aquecimento uniforme das extremidades do corpo e num pulso regular e uniforme. A pessoa terá muito vigor e boa constituição. Quando a sua função é prejudicada, pode manifestar-se em frio nas extremidades e pulso fraco em ambas as posições, do Coração e do Rim. A pessoa apresentará uma constituição pobre e falta de força. * O Coração tem também a função de transformar o Chi dos alimentos (Gu Chi) em Sangue.
  2. Controla os vasos sanguíneos: Como o Coração governa o sangue, naturalmente também controla os vasos sanguíneos. Na verdade, a medicina chinesa considera os vasos sanguíneos como uma extensão do Coração. O estado de energia do Coração reflete-se no funcionamento dos vasos sanguíneos. Caso funcionem bem, haverá uma circulação saudável, ao passo que o funcionamento deficiente leva ao endurecimento das artérias.
  3. Manifesta-se na constituição da face: “Se o sangue estiver abundante e o Coração estiver forte, a constituição da face será rosada e lustrosa. Se o sangue estiver deficiente, será pálida; Se o sangue estiver estagnado, será de coloração púrpura ou opaca escura. Já se o Coração possuir calor, a compleição será muito avermelhada.” Uma vez que o Coração distribui o sangue por todo o corpo através dos vasos sanguíneos, considera-se importante avaliar o seu funcionamento, mediante a observação da pele e, em particular, a compleição ou constituição da face.
  4. Abriga a Mente (Shen): “ O Coração controla a Mente. O Coração é a residência da Mente. O Coração é a raiz da vida e a origem da vida mental.” Quando o Coração tem Shen sob controle, podemos usar os atributos da nossa personalidade de uma forma construtiva e saudável. Nesse sentido, haverá uma atividade mental normal, boa memória, uma vida emocional equilibrada, uma consciência clara, além de um bom sono. Se o Coração não conseguir armazenar Shen adequadamente, então poderão ocorrer uma série de problemas mentais e psicológicos tais como depressão, pensamento obscuro, ansiedade e insônia.
  5. Controla a sudorese: “Os Fluidos Corpóreos penetram na circulação sanguínea e se transformam em sangue”. O Sangue e os fluidos orgânicos tem uma origem comum e existe um intercâmbio contínuo entre eles. O suor é um dos fluidos orgânicos que aparece entre a pele e os músculos. Uma deficiência do Qi do Coração ou do Yang do Coração pode frequentemente causar transpiração espontânea, enquanto que uma deficiência do Yin do Coração pode, com frequência, causar transpiração noturna.
  6. Abre-se na Língua: “ O Qi do Coração comunica-se com a língua. Se o Coração estiver normal, a língua pode distinguir os cinco sabores” – Não é por acaso que pessoas quando cansadas, doentes, desequilibradas emocionalmente ou estressadas tendem a não sentir direito o sabor dos alimentos. Embora a função de outros órgãos possa ser avaliada através da língua, é a função do Coração a que melhor se manifesta, especialmente na ponta.

O Coração controla a cor, a forma e a aparência da língua, assim como o paladar. Uma língua normal tem coloração rósea e apresenta-se úmida, tem movimento livre e gosto normal. A partir do mapa abaixo, temos os principais diagnósticos da língua para saber como está o nosso coração e a circulação sanguínea do corpo.

Da esquerda para a direita (imagens superiores): 1. Normal 2. QI (energia) deficiente 3. Quente (Excesso Yang) 4. Retenção de umidade 5. Sangue ou circulação sanguínea estagnada | Da esquerda para a direita (imagens inferiores): 6. Qi (energia) estagnado 7. Úmido e quente 8. Energia Yang deficiente 9. Energia Yin deficiente 10. Sangue ou circulação sanguínea deficiente.

Com base nesses ensinamentos, alguns antigos ditados para compreendermos essas lições dizem: O Coração não gosta de Calor: este é um fator externo nocivo ao coração – e o calor aqui relaciona-se também aos estados emocionais, às “emoções quentes”ou yang, como a raiva, o estresse, a intolerância, a ansiedade, entre outros; O Coração controla a Fala: falar excessivamente, apresentar gagueira ou afasia podem estar relacionados com alterações na condição do Coração. 

Que essas dicas, então, possam ajudar você a cuidar com amor do seu templo interior, mantendo em harmonia o fogo sagrado do seu coração. Namaste!

Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada