Artigos, Feminino Sagrado, Xamanismo

Honrando a Anciã que habita em nós

Honrando a sabedoria ancestral provinda das mulheres que vieram antes de nós e a usaram com amor, honramos também nossa parte visionária e sábia, nossa curandeira, sacerdotisa, alquimista, xamã e anciã interior, e junto delas todas as ancestrais que estão na luz da consciência nos trazendo a força das suas raízes, as suas medicinas e seus conselhos – tão velhas e ao mesmo tempo tão novas sabedorias que ainda hoje são aplicadas com sucesso e eficácia.

Chegará um momento em nossa jornada interior que descobriremos nossa “parte velha”, a anciã que fomos, que somos e que habita em nós há tantas vidas, que passou por tantas culturas, que visitou tantas terras quantos foram os seus passos e as suas experiências, que teve registrada nas suas raízes a sabedoria passada também pelas suas ancestrais e adquirida ao longo dos caminhos pela dança da vida e as espirais da morte.

Quando ela se apresentar para nós, através do arquétipo que for – aquele através do qual estaremos mais identificadas – tenhamos nossa mente aberta para ouvi-la sem julgamentos, desaprendendo e desapegando nesse momento das nossas crenças, para aprender o novo que ela virá nos trazer, às vezes uma visão mais oxigenada, mais sábia e profunda de alguma experiência que estivermos vivenciando através de nossas transformações pessoais.

É com profundo amor, trazendo a força dessas raízes e a sabedoria provinda de suas medicinas, que honro minha anciã com todas as suas faces. Honrar e aprender com nossa anciã é uma forma de resgatar uma parte de nós mesmas – talvez muitas delas – assim como manter acesa a chama da nossa sabedoria, força e poder interiores, desde os nossos ossos até a nossa pele, desde as nossas raízes até os frutos que gerarmos. Ela é capaz de nos ensinar sobre onde reside o equilíbrio dos ciclos da vida e da morte dentro de nós, para que sejamos capazes, da mesma forma, de encontrar o equilíbrio da vida onde exista morte e o equilíbrio da morte onde exista vida. Ahow! Namaste!

“Por todas as mulheres mais velhas, matreiras, que estão aprendendo quando chega a hora certa de dizer o que precisa ser dito e não se calar – ou calar-se quando o silêncio for mais eloquente que as palavras.

Por todas as velhas em formação, que estão aprendendo a ser gentis quando seria tão fácil ser cruel.

Que conseguem ver que podem ‘cortar’ quando for necessário, com um corte afiado e limpo.

Que estão praticando a arte de dizer verdades com total compaixão.

Por todas as que rejeitam as convenções e preferem apertar as mãos de desconhecidos, cumprimentando-os como se os tivessem criado desde filhotinhos e os tivessem conhecido desde sempre.

Por todas que estão aprendendo a chacoalhar os ossos, balançar o barco – e a cama – além de acalmar as tempestades.

Por aquelas que são guardiãs do azeite para a lâmpada, que se mantêm em silêncio interior no culto diário.

Por aquelas que cumprem os rituais, que se lembram de como fazer o fogo a partir da simples pederneira e palha.

Por aquelas que entoam antigas orações, que se lembram dos símbolos, das formas, das palavras, das canções, das danças e do que no passado os ritos tinham o objetivo de instaurar.

Por aquelas que abençoam com facilidade e frequência.

Por aquelas mais velhas que não têm medo – ou que têm medo – e que agem com eficácia de qualquer modo.

Por elas…Que vivam muito, com força e saúde, e com um imenso espírito aberto aos ventos.” AMÉM!

Fonte complementar: A Ciranda das Mulheres Sábias – Clarissa Pinkola Estes (Mesma autora do livro Mulheres que Correm com os Lobos)

Por Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

Conheça o Purificador de Ambientes Kaeté: Anciã da Sabedoria – Linha Xamânica 

 

 

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Artigos, Feminino Sagrado, Meditações

Kuan Yin: A Sabedoria Ancestral da Compaixão e da Misericórdia

Na mitologia chinesa, Kuan Yin é conhecida como a Mestra da Compaixão e da Misericórdia. Ela teve uma vida no planeta como todos nós e somente depois de sua morte foi reconhecida dessa forma. No Vietnã, também é conhecida como Quan’Am, no Japão como Kannon, em Bali como Kanin. Ela cobre as planícies alagadas do Oriente, do Egito à China, sendo venerada em todo o mundo por milhões de pessoas que a consideram o símbolo da pureza espiritual.

Contam as histórias que enquanto viveu, Kuan Yin percorreu o mundo e presenciou muita dor, para então comprometer-se em proteger e amparar todos os humanos, até que o último sofrimento esteja sobre nós. Aqui no Brasil, através dos conhecimentos advindos da Grande Fraternidade Branca, é vista como uma mestra que incorporou e personificou a compaixão através da sua própria experiência de vida.

Kuan Yin, cujo nome significa “aquela que ouve os lamentos do mundo” é boddhisatva da Compaixão no budismo chinês. Ela nos deixou um mantra com o qual podemos sintonizar para cultivar a compaixão sempre que necessário, para que através da vibração e frequência energética gerada possamos iniciar um trabalho interno para curar nossas feridas mais profundas e dolorosas e, posteriormente, auxiliar no trabalho dos que vierem até nós buscando o mesmo objetivo.

Todos que sintonizam com sua consciência e trabalham através de sua compaixão – já muito vista por mim como flores de lótus energéticas em trabalhos que realizei, cujas frequências de cores eram diferentes dependendo do tipo de ferida emocional que a pessoa necessitava trabalhar – sabem o quanto sua energia é doce, cálida e sutil, mas também o quanto é profunda. Mesmo tendo alcançado “a iluminação”, a consciência de si, ela optou por permanecer sintonizada ao mundo humano em auxílio.

Para leitores ocidentais, vale lembrar que Bodhisatvas são considerados espíritos perfeitos. Segundo Karl Ludvig Reichelt, na obra Truth and Tradition in Chinese Buddhism: “Eles podem, se quiserem, entrar na plena dignidade búdica, na eterna paz e felicidade, mas eles não o fazem no tempo presente porque, como bodhisatvas, podem mais facilmente buscar aquela parte da criação ainda submetida a peculiares condições incertas e dolorosas das almas no caminho.”

Kuan Yin, um dos cinco bodhisatvas mais conhecidos, pouco a pouco vem se destacando mais que outros bodhisatvas para significar o espírito: o misericordioso e bondoso espírito que acende, em todas as criaturas, o desejo de uma renovação do coração, que protege e ensina sobre os caminhos de dor e tristeza – não de forma a removê-las por nós, mas nos ensinando como podemos aprender com elas e percorrer um caminho que ela conhece porque já o percorreu, até o momento que não precisaremos mais da dor para evoluir, substituindo-a pelo amor.

Nos tempos primitivos, ela era geralmente considerada como aspecto masculino, e ainda se vê em certos mosteiros na China uma enorme figura com barba e expressão viril, mostrando-a como um homem. Nessa forma, era chamada de Filho de Amitabha. Ao longo do tempo, características femininas vão se tornando mais proeminentes na medida em que a concepção de espírito torna-se dominante – o aspecto voltado ao feminino não como gênero, mas enquanto polaridade Ying – e tudo que os chineses podem imaginar de ternura materna e graça feminina foi atribuído a ela, tornando-se a Senhora Compassiva do Oriente.

A data comemorativa atribuída à ela é celebrada em 29 de fevereiro; seu ingresso na Sabedoria Plena é comemorado em 29 de junho; sua morte como passagem ou seu ingresso no Nirvana, por fim, é dado por ocorrido em 29 de setembro. Entre o povo oriental, essas três datas são muitas vezes conhecidas como “aniversários de Kuan Yin”. Todos saem às ruas, os templos e as cidades são decorados para essas festividades populares, como vemos aqui no Brasil relativo à Iemanjá ou Nossa Senhora dos Navegantes.

Bodhisatva Guan Yin foi consagrada universalmente nas diversas correntes budistas como principal figura da devoção. Era Bodhisatva Avalokitesvara, aquela que praticava profundamente o Prajna Paramitta – a sabedoria – até libertar-se de todo sofrimento. Não é vista como uma deusa porque guarda traços humanos. Conta-se, na tradição popular, que ela foi uma princesa na antiga Índia. Era a mais bela e piedosa entre todas; não gostava de vestidos luxuosos, nem de pratos finos feitos com carnes de animais, embora tudo isso lhe fosse oferecido como direito. Alimentava-se de verduras porque não suportava ver animais sendo mortos; vestia-se de panos grossos porque gostava de ser simples, e era a mais piedosa entre as filhas.

Entretanto, quando chegou o momento de casar-se, fugiu do palácio porque queria buscar o seu caminho e se dedicar ao ascetismo, seguir o exemplo de Buda. Ao ser obrigada pelos seus pais a contrair casamento, ajoelhou-se diante do palácio do rei durante dias e noites, sem nada comer, passando frio e tomando vento e chuva, apenas recitando o “Sutra da Grande Compaixão”. Sua fé venceu todas as barreiras. Quando alcançou o Nirvana, não teve desprendimento suficiente para deixar o mundo porque a sua compaixão era tão forte e infinita que lhe deu forças para fazer o maior voto que alguém podia desejar realizar: “enquanto houver almas sofredoras sobre a face da Terra, não abandonarei esse mundo e ajudarei todos a alcançar a libertação”.

Assim, oficialmente foi chamada de a “Grande Misericordiosa e Grande Compassiva Bodhisattva Guan-Shi-Yin” – seu nome aqui, em chinês, significa: “Aquela que vê e que ouve o Mundo.” Segundo essa história, ela atende todos os apelos, por mais desesperadas e “perdidas” que as pessoas possam estar, não importando a religião ou qualquer que seja a crença da pessoa, uma vez que na compreensão budista, todos os homens são de natureza búdica: luz que reflete a si mesmo, pouco importando a que religião pertençam – seres humanos são budas em potencial.

O Sutra do Coração 

Meditar com esse mantra eleva nossa frequência energética e do ambiente, nos trazendo uma paz profunda, a tranquilidade de um lago límpido, podendo no levar para um mergulho profundo para dentro de nós mesmos. Antes de ouví-lo, intencione o que você necessita nesse momento da sua jornada. Faça várias respirações profundas para relaxar o corpo e desacelerar a mente. Feche os olhos e encontre uma posição confortável. Permita-se, entregue-se ao vazio, ao espaço do não-tempo, do não-manifesto. A consciência nos fala através do silêncio. “Sem obstáculos na mente; sem obstáculos o medo desaparece. Para além do pensamento em ilusão, este é o Nirvana.”

Nesse contexto, vejo e sinto a compaixão e a misericórdia como um estado do Ser, um estado que a consciência atinge através da sua própria experiência. Por mais que ouçamos histórias, contos, lendas, ensinamentos e conhecimentos em qualquer cultura, filosofia e religião, o aprendizado só ocorre de fato em nosso íntimo quando o praticamos. É esse o momento em que um conhecimento torna-se sabedoria e, por essa razão, é visto em muitas culturas como “iluminação”: iluminar o que estava inconsciente trazendo-o para a consciência, seja algo que já trazemos pronto na alma e sai do mundo não-manifesto à consciência, seja o que acessamos de forma consciente por meio de uma experiência transcendental neste plano terreno.

Que os ensinamentos e sabedorias de Kuan Yin sejam derramados sobre você como bênçãos de puro amor e compaixão! Permita-se ultrapassar os véus do medo, da dúvida e das ilusões, conheça-se profundamente nas suas luzes e sombras, nas suas feridas e cicatrizes. Permita-se a entrega ao vazio, ao silêncio, e traga à luz, à consciência do seu Ser o essencial para cada passo dado em sua jornada de evolução. Namaste! ❤

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Santa Sara Kali: Honrando a Ancestralidade Feminina, a Alma Cigana

Neste 24 de maio, comemora-se o Dia de Santa Sara, a padroeira dos ciganos e, no sincretismo católico há uma alusão à Nossa Senhora Aparecida. Mais do que apenas um dia no calendário, a intenção aqui é relembrarmos das nossas raízes ancestrais, da intrínseca conexão com o feminino sagrado que habita em nós porque Sara também é a representação da vida, da maga, da mãe, do útero, do óvulo e tudo que é feminino: os saberes antigos, as medicinas, as magias para o equilíbrio do feminino e todos os seus ciclos,  o fogo sagrado da Vida e a dança da Criação. 

Fazendo jus à energia especial desse dia, honrando os saberes antigos desse povo cujas raízes estão na origem de muitas de nossas árvores ancestrais, uma oração à alma cigana, zingara, gitana e livre que habita em toda mulher. Com amor, alegria e gratidão, dancemos a dança da Vida que sempre convida a celebrá-la! 😉

“Com suas saias rodadas, de ramagens coloridas de vermelho ao amarelo, com suas pulseiras e brincos de ouro, seus Talismãs de meias-luas de prata, seus berloques de marfim de lápis-lazúli, correntes de moedas douradas no pescoço, tranças com fitas, lenços e medalhões, as ciganas caminharam por todo o Sind. Fugiam da expansão dos árabes da Índia. Os homens levavam os ídolos, os cantos védicos, os cães e as cabras. Chegaram ao Punjab, outra parte da Índia. Lá, de Chandigarh fugiram para o Afeganistão. Cansados e famintos, armaram suas tendas, acenderam suas fogueiras nas terras do Afeganistão, mas mal sabiam que lá também não poderiam ficar. No ano seguinte estavam na Armênia, depois por toda a Ásia Menor afora, entrando na Europa pela Grécia.

Hoje, espalhados por quase todo o mundo, estes descendentes dos hindus – agora chamados ciganos – não conhecem estas histórias e suas tradições. Desde a peregrinação no ano 800, lá do velho Sind até agora, esta gente conheceu quase toda a Europa. Lembram- se, em suas conversas à noite, entre canções dolentes, de que seus bisavós falavam dos tempos da Valáquia, da Moldávia e da querida Hungria, onde chegaram em 1417. Até hoje cantam em seus bródios cantigas húngaras. Relembram as terras germânicas onde chegaram em 1418 e das farras nas feiras em Paris lá pelos idos de 1419.

Outros, dando risadas, falam de seus “maiores” que viveram na Catalunha, terra por demais amada pelos zíngaros. Lá vivem milhares deles ainda hoje. Lá cuidam e amam a Santa Virgem de Triana, conhecida como La Gitana. Outros, bebendo sifrit, uma mistura de vinho, ervas e cascas de fruta, falam dos teatros que faziam em Évora, em Portugal, seus tetravôs. Sim, pois em Portugal os ciganos foram muito notados e até eternizados por Gil Vicente na Peça “Farsa dos Ciganos”, quando quatro gitanos conversam em mau castelhano com RI Rei D. João III.

Para o Brasil, eles vieram nos tempos de nossa colonização. Turbulentos para uns, energéticos para outros, suspicazes, alegres, misteriosos, esses descendentes dos hindus do Punjab e de Sind foram até citados nas “Confissões da Bahia” em 1593. Viveram em Pernambuco, em Salvador, no Rio colonial e agora, alguns mais velhos, lembram dos tempos em que residiam no Rio, na Praça Tiradentes, onde liam a sorte e vendiam cavalos.

Agora, vivendo em todas as partes, continuam a venerar seus santos católicos, seus ícones: Sara, cuja igreja em Chartres é a verdadeira Catedral dos Ciganos, a praguejar em calão e a rir sua risada velha como o mundo. Riso que ainda tem muito das peregrinações ao rio Ganges ou à cidade santa de Varanasi, riso matreiro de quem dançou as danças de Orissa, fez procissões em Darjeenlin e em Tripura, de quem peregrinou por Paris nas feiras de compras de cavalos e pelas areias do deserto.

Riso de olhos debochados de quem já viu de tudo e que traz em si o sonho de grandeza, de fortuna, de carroças cheias de ouro e jóias e muito, mas muito da miséria humana: de suas lutas, medos, fantasias e crendices. Riso de caldeireiro, soldador, tocador de baralho, rezador, turbulento; riso que tem em si o segredo de um povo nômade e antigo, mistura de árias e hindus, gregos, catalães, portugueses, riso que só o têm esses filhos do Sol e da Lua, irmãos e filhos do vento, os eternos, sábios e misteriosos ciganos.”

ORAÇÃO À CIGANA 

És uma linda flor que desabrocha ao amanhecer. És um espírito de amor.

És a luz que clareia nossas mentes para que possamos dar um conselho na hora certa.

És o espírito que nos dá força para superarmos os nossos obstáculos e transformar nossos defeitos.

És a estrela brilhante que ilumina nossas noites e nossas vidas neste planeta.

És uma irmã de alma que à noite vigia nossos sonhos, nos inspirando a seguir no caminho retilíneo do nosso propósito divino.

És uma guardiã da Lei Divina que com teu leque e tua adaga da justiça afasta e impede a aproximação de consciências maléficas.

Cigana, com tuas fitas e saias coloridas estas sempre transmitindo a força do arco-íris em meio à nebulosidade, o movimento da roda da vida e do destino.

Sempre que um aflito me invocar que eu possa aprender contigo, transmitindo-lhe a energia da paz, da harmonia, da compaixão e da consolação.

Que ao olhar a chama de uma vela, honrando o fogo sagrado que a ti está vinculado, possa sentir tua presença e o perfume de flores que deixas no ar.

Que ao tocar um cristal, possa sentir tua energia positiva, tua sabedoria e aprender com teus ensinamentos e tuas magias para o Bem de todos.

Que ao sentir o aroma das rosas, possa lembrar que sempre estas nos confortando e procurando nos alertar a seguir o caminho da Lei Divina e do Amor.

Cigana, cobre-nos com teus lenços coloridos, escondendo-nos dos invejosos e mostrando a eles que o caminho não é esse.

Cobre-nos com a luz dourada do verdadeiro ouro, aquele conquistado por meio do trabalho justo, da tarefa digna e do caráter inabalável perante o Bem que fazemos a nós e aos outros. 

Cigana encantada, que nessa exata hora possamos sentir e partilhar da dança da alegria que tu trazes, sentir a felicidade de nos reunirmos à essa família espiritual da qual fazemos parte e que só união, amor, felicidade, prosperidade e sabedoria tem a trazer para o nosso caminho.

Com teu encanto e tuas magias de luz encanta coisas boas e felizes para que os nossos caminhos estejam abertos e nosso destino esteja apenas nas mãos da nossa consciência de Luz.

Desencanta as perturbações que existam nos lares e que sejam a ti confiadas.

Cigana, que possamos aprender com as tuas curas ancestrais e medicinas sagradas, a fim de auxiliar aqueles que estejam doentes do espírito, da alma e da matéria.

Pelo poder do Pai Sol, com a magia da Lua e pelo poder da Mãe Terra, nós te agradecemos sempre e só pedimos aquilo que tivermos merecimento de receber no tempo perfeito, através da linguagem harmoniosa do universo.

Por Santa Sara, a padroeira dos ciganos, e por todos os ancestrais ciganos que viveram nesta Terra honrando seus princípios sagrados, permanecemos nesta corrente de fé para fortalecer-nos a cada noite, a cada dia.

Que Assim Seja! Bendito, abençoado, realizado e agradecido! 

Namaste, Optchá, Gratidão! ❤ 

Fonte complementar do texto introdutório: A Astrologia dos Ciganos e sua Magia

Leia mais: É Hora de voltar para o Templo Interior: O Templo do Coração!

Artigos, Feminino Sagrado

Oração à Grande Mãe Universal

Grande Mãe!

Amada Consciência Planetária!

É teu nome que invoco!

Pelo poder dos quatro elementos: água, ar, terra e fogo

e da quintessência,

peço a graça de ser o Teu espelho

entre os homens, as mulheres e as crianças da Terra.

Que eu veja o mundo com os Teus olhos.

Que eu tenha a iniciativa para guiar meu caminho

pela estrada do Amor e da Luz Divina.

Compartilhar de tua força, poder, sabedoria e proteção.

Amar o meu próximo como a mim mesmo.

Ter clareza para discernir a luz das trevas.

Alcançar com êxito meus desígnios e propósito divino.

Preservar, aprender e crescer com meus relacionamentos.

Respeitar todo ser vivente deste planeta e fora dele.

Semear e alimentar o amor dentro e fora de mim.

Preservar o amor divino e essencial em meu coração, corpo e espírito.

Assumir mil papéis em Teu nome

através do cálice de amor que em mim habita.

Plantar sementes, expandir ideais e sentimentos

de amor e paz em todos os corações.

Sintonizar com Tuas Leis Divinas para estar

em harmonia com tudo aquilo que criar.

Vibrar em ressonância aos fluxos de abundância

e prosperidade do universo.

Manter em meu Ser o poder da magia do amor,

da transmutação, da misericórdia e da compaixão;

O poder de exercer a Presença em tudo que fizer, sentir e pensar,

verdadeira como o amor e intensa como a paixão…

Que eu possa sempre,

com a velocidade e a força da Luz do Grande Sol Central,

com o sublime e intenso magnetismo da Lua,

atravessar as brumas, as sombras, as fronteiras do tempo e do espaço,

para que me seja revelado tudo aquilo que me for permitido

e tudo o que mereço por direito divino.

Pela Mãe Maior deste universo eu caminho…sigo…confio…

E nas Tuas mãos, entrego esta existência à Tua semelhança!

 Que assim seja, que assim se faça e ASSIM É….

Artigos, Feminino Sagrado, Orgânicos: Produtos e Alimentação, Sustentabilidade Ambiental

Absorventes Ecológicos e Reutilizáveis: Quebre os Tabus, Liberte seu Corpo

Já ouvi muitas histórias sobre os tabus da menstruação, mas as que gostaria de partilhar aqui são relativas a algumas de minhas ancestrais, porque sempre refleti sobre os prós e contras de ser mulher naquela época. Por um lado, as mulheres eram reféns de todos os tabus sobre o tema, tendo que baixar a cabeça e aceitar sem questionar o que lhes era ensinado; por outro lado tinham mais saúde ao usarem panos de algodão costurados para este fim, por exemplo, ao invés dos absorventes tóxicos sendo vendidos hoje.

Recordo da conversa com uma de minhas avós me dizendo que a primeira vez que menstruou achou que estava morrendo 😮 Só depois de ter contado à sua mãe é que compreendeu o que significava. Com doze ou treze anos de idade, recebeu da mãe um vestido novo e do pai um bouquet de flores – fato que se sucedeu de forma semelhante comigo no dia da primeira menstruação.

Mesmo tendo tido esse belo ritual de passagem, algumas recomendações foram recebidas a seguir – orientações estas que permaneceram ao longo da vida dessa ancestral, até que a neta veio e quebrou o tabu. Durante o período menstrual, algumas delas diziam respeito a: não lavar a cabeça, porque o sangue poderia subir à cabeça – ainda não se sabe de onde esta informação surgiu… – guardar o pacote de absorventes em lugar discreto – homens não podiam ver; não fazer atividades muito intensas no período, colocar o absorvente no lixo enrolado em jornal ou papel higiênico – porque era feio alguém ver o sangue menstrual ao abrir o lixo, incluindo os homens que não poderiam vê-lo, jamais. Um dos homens da família conta que escondia-se atrás da cortina quando a irmã estava menstruada, passando longe, porque via “aquilo” como doença. Momento hilariante sempre que lembramos! 😉

Bom, sabemos que a medicina e a crença popular sempre tem um fundo de verdade porque são baseadas nas experiências de vida das nossas ancestrais. Mas, nem tudo precisa ser seguido à risca, e certas crenças precisam ser adaptadas à atualidade para que possamos evoluir nosso ser, nosso corpo e permitirmos que as tecnologias sustentáveis, que já são tantas, sejam utilizadas a favor dos nosso ciclos femininos e sagrados.

Observando as tecnologias que surgiram nestes últimos tempos, com a chegada dos absorventes orgânicos e veganos – Natracare, e dos absorventes ecológicos/ reutilizáveis, penso que demos um salto significativo neste campo, de alguma forma retomando, cada vez mais, a conexão com a natureza e a liberdade dos nossos corpos, assim como na época de nossas avós no que se refere ao uso de panos de algodão. Abaixo, um exemplo clássico e comparativo da evolução dos protetores convencionais para os orgânicos.

Legenda: Carefree – com cheiro, não biodegradável, com aditivo químicos e pouca capacidade de absorção/ Natracare – sem cheiro, biodegradável, feito de algodão orgânico, óleos essenciais e compostos naturais; com alta capacidade de absorção, evitando vazamentos.

Ainda que os absorventes orgânicos sejam uma ótima opção para quem quer fugir dos tóxicos, tendo 98% de sua composição biodegradável – vide link do artigo acima sobre a marca NATRACARE – não são de conhecimento de muitas mulheres. Isso porque são importados da Suécia, não são encontrados em qualquer lugar e possuem um custo mais alto do que o convencional para quem não pode pagar. Sigo desejando que surja uma empresa com fabricação aqui no Brasil, assim baratearia o custo pela metade.

Já, a outra opção, uma marca brasileira que está conquistando muitas mulheres – testada, utilizada e aprovadíssima do meu ponto de vista – é a KORUI (a palavra significa “nova vida”, crescimento): empresa que fabrica produtos de higiene íntima, incluindo tanto absorventes ecológicos e reutilizáveis quanto calcinhas absorventes, ambos feitos à base de fibra de bambu, camadas internas com 100% de algodão e tecidos impermeáveis e respiráveis. São ecológicos, livres de compostos plásticos, látex, géis, fragrâncias, elementos químicos e tóxicos ; são veganos – sem testes em animais e produtos derivados – mas não são orgânicos porque a camada externa é feita de poliéster e poliuretano.

Fiz uso de ambos – orgânicos e reutilizáveis – por um bom tempo e posso dizer que os reutilizáveis tem uma grande vantagem: não vão produzir lixo por até um prazo de 3 anos ou mais dependendo de como você os lava – sugiro sabão glicerinado e neutro, sem nenhum componente abrasivo – e de quantas vezes você os utiliza, assim como uma roupa que você cuida para durar por mais tempo. Lembro que um pouquinho de vinagre branco ou bicarbonato de sódio também ajudam na lavagem – no caso de ficarem de molho – e que muito sabão que se diz “de coco”, dependendo da marca, não tem nada de coco, além de possuir componentes abrasivos. Portanto, cautela para quem usa. Leia o rótulo e escolha o mais natural possível, com compostos vegetais e sem “branqueadores”.

No site da KORUI você encontra os representantes e pontos de venda, de acordo com a sua região, e todas as respostas para: formas de uso, como lavar, tipos e tamanhos de acordo com o tipo de fluxo, tempo de troca e outras dúvidas: http://www.korui.com.br/como-usar-o-absorvente-korui/

Para quem é adepta dos coletores menstruais, pode utilizar os dois em caso de vazamentos, substituindo assim os protetores de calcinha convencionais, que também são tão tóxicos quanto os absorventes por conterem petrolatos e a famosa dioxina, uma substância vilã e cancerígena para o nosso corpo, um componente listado como um dos mais tóxicos de todos os produtos químicos ligados ao câncer pela Environmental Protection Agency dos Estados Unidos.

Tanto a Natracare quanto a Korui possuem protetores de calcinha. Você também pode utilizá-los durante a gravidez e períodos não menstruais com aumento de secreção vaginal. A Korui tem formatos menores e com duas opções de tecido: conforto seco ou natural, ambos respiráveis – uma das minhas perguntas antes de comprar. Os modelos são lindos, alguns mais coloridos e outros mais discretos, para todos os gostos.

Essas são as sugestões de acordo com minha experiência. Fica a dica para quem quer experimentar e adentrar numa relação completamente nova com o seu corpo, respeitando seus momentos – se mais introspectivos ou extrovertidos – ouvindo seu corpo e seus ciclos com mais sabedoria, conforto e liberdade. Namastê! ❤

Leia mais: Coletor Menstrual: A Evolução do Absorvente Feminino /

Artigos, Feminino Sagrado, Filmes, Vídeos e Documentários

Consciência Negra: Raízes além do tempo e da cor da pele

(Foto: Okoye – Pantera Negra/ Atriz: Danai Gurira)

“Devemos encontrar uma maneira de cuidar uns dos outros, como se fossemos uma só tribo.” – T’Challa, Pantera Negra

Após a estréia do filme Pantera Negra (Black Panther) e o hype eletrizante que se formou ao redor deleeste artigo está finalmente pronto para nascer! Seguindo as pesquisas de Filmes, Séries e Documentários que focam no essencial, o olhar agora vai para um tema socialmente importante: a Consciência Negra, um termo que pode ser substituído com o tempo por Consciência Humana.

Inicio este post fazendo menção ao filme porque é a primeira vez na história do cinema onde a produção, a trilha sonora e o elenco principal são formados, na sua maioria, pela negritude empoderada e, mais importante do que isso, a lembrança de algo que ficou esquecido no tempo: a força, a inteligência e a sabedoria advinda dessas raízes!

Mesmo sendo um filme com alguns clichês que ainda correm nas veias cinematográficas, o que chama a atenção é que, ao contrário da maioria dos filmes sobre o tema, cujos assuntos corriqueiramente tratam da memória da dor, do preconceito, da escravidão, dos abusos, da opressão, da exclusão social – e não que não tenham que ser mencionados ou que sejam menos relevantes – Pantera Negra abre uma janela para a entrada dos raios de sol. Esses raios de luz vem para nos relembrar sobre uma rica semente original que, ao longo da história, recebeu camadas e camadas de dor e sofrimento, onde os próprios detentores desta semente esqueceram-se dela.

(Foto: Nakia – Pantera Negra/ Atriz: Lupita Nyong’o)

“Eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados por sua personalidade, não pela cor de sua pele.” – Marthin Luther King

O filme pode ser um marco social porque nos convida a mudar o ponto de vista, levando nossa atenção para o tanto que ainda precisamos construir em prol de um mundo mais igualitário; para começarmos a plantar novas sementes que resultarão em raízes mais fortes, com novas programações e intenções: o incentivo à inclusão social, o respeito às diferenças, a valorização de quem você é e não do que desejam que você seja, a revolução interior proposta pelas novas gerações para que mudanças maiores aconteçam, a voz ativa do feminino sagrado e o seu empoderamento consciente, a honra à sabedoria provinda dos ancestrais e a necessidade de evoluirmos crenças obsoletas que herdamos, as novas tecnologias e o poder de nações de primeiro mundo usados para auxiliar o desenvolvimento de nações de terceiro mundo. Por essa razão, entre outras considerações, está sendo considerado um filme político.

Ao longo dessa pesquisa, sugiro uma lista de filmes mais atuais, selecionados com relevância nos aspectos histórico, social, político e humanitário, objetivando o contínuo aprofundamento de temas relacionados, muitos ainda desconhecidos por boa parte das pessoas porque acreditam que são “coisas do passado”, quando na verdade o passado ainda habita no presente através dos ecos de dor deixados nos túneis do tempo da humanidade.

“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da pele. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.”

– Nelson Mandela – 

Faça a sua parte e divulgue para os seus amigos, colegas, familiares, conhecidos. Crie grupos de discussão em sua comunidade, nas redes sociais, no seu bairro. Apóie movimentos que incentivem a inclusão social, principalmente no que tange às crianças carentes, como este exemplo belíssimo que foi iniciado com a estréia de Pantera Negra: crianças da periferia de grandes cidades sendo levadas aos cinemas. Nos EUA, a campanha que deu início ao projeto #BlackPantherChallenge já arrecadou US$ 40 mil dólares no GoFundMe para levar crianças carentes do Harlem – maior bairro negro da cidade de Georgia – para assistir o filme. Esses “pequenos grandes” movimentos podem ditar uma profunda mudança social a partir das novas gerações, o nosso futuro: as nossas crianças. Gentileza gera gentileza: é viral!

(Foto: Waris Dirie – Flor do Deserto)

Que possamos, a partir de novas visões, novas crenças, novos pensamentos e ações, contribuir para “reescrever” a nossa história e equalizar tantas diferenças, ainda absurdamente reais, exemplo visto no filme Flor do Deserto, que trata da autobiografia da modelo somali Waris Dirie, circuncisada aos 5 anos e vendida pelos pais para casar aos 13. Waris foge da Somália para os Estados Unidos, onde torna-se uma Top Model mundialmente conhecida, despertando para o real compromisso da sua alma: ser embaixadora da ONU para os casos de mutilação feminina.

A semente original dessas raízes ancestrais e a sabedoria que elas trazem podem não estar no sangue de muitos, mas inegavelmente estão na raiz do nosso DNA, no solo do planeta, na herança ancestral de vidas passadas que tivemos e, muitas vezes, em terras que habitamos no agora, cujas memórias ainda vibram em nosso subconsciente, em nossos sonhos, em nossa alma e coração. Namastê! ❤

FILMES BIOGRÁFICOS/ HISTÓRICOS/ INSPIRADOS EM FATOS REAIS

  • Pantera Negra – (Filme Marvel / 2018)
  • Estrelas Além do Tempo/ “Hidden Figures” (Filme/ Biografia – 2017)
  • Sob a Luz do Luar/ “Moon Light” (Filme – 2016)
  • Raça (Filme/ Biografia – 2016)
  • Raízes/ “Roots” (Minissérie – 2016)
  • Luke Cage (Série/ Netflix – 2016) – Temporada 1 e 2
  • Selma: Uma luta pela igualdade (Filme Histórico – 2015)
  • 12 Anos de Escravidão (Filme/ Biografia/ História – 2014)
  • Mandela: O Caminho para a Liberdade (Filme – 2013)
  • Flor do Deserto (Filme/ Biografia – 2010)
  • Cadillac Records (Filme/ Biografia/ História – 2009)
  • RAY (Filme/ Biografia do Cantor Ray Charles – 2005)
  • Histórias Cruzadas (Filme – 2004)
  • The Green Mile (Filme – 1999)
  • Amistad (Filme Histórico – 1997)
  • Malcom X (Filme/ Biografia – 1993)
  • A Cor Púrpura (Filme/ Clássico do Cinema – 1985)

DOCUMENTÁRIOS

  • Permanecendo em Pé/ “Standing Tall” (Documentário/ Netflix – 2018)
  • A Maçã de Eva (Documentário Netflix/ 2018)
  • Eu Não Sou Seu Negro (Documentário – 2017)
  • What Happened Miss Simone? (Documentário Netflix/ Biografia – 2015)
  • Libertem Angela Davis (Documentário – 2014)
  • Imba Means Sing – (Documentário/ Netflix – 2017) : Conheça as esperanças, os sonhos e os desafios de três crianças de Uganda que viajam o mundo com um coro de crianças africanas. Assista o Trailer:
  • “Maria Prean – a vida está ficando melhor” (Documentário/ 2011 – disponível apenas para comprar, mas com trechos de entrevistas no You Tube – apenas em alemão). Um documentário corajoso sobre uma mulher que não aceita fronteiras aparentemente intransponíveis e dirige-se resoluta ao seu próprio caminho, criando projetos-escola para crianças carentes na África. Assista o Trailer:

Fonte Complementar: FILMOW Rede Social – Listas de Filmes, Séries e Documentários sobre a Consciência Negra

Artigos, Feminino Sagrado, Sustentabilidade Ambiental, Terapias Integrativas

Tinturas para cabelo 100% naturais – Parte 2

Dedico este artigo ao pessoal que acompanha o Blog e aos que passam por aqui em busca de informação boa e séria! 😉 Tendo em vista este ser um dos assuntos mais acessados e discutidos através de comentários, mensagens e e-mails, sigo complementando e atualizando as informações que publiquei no artigo anterior: Tinturas para Cabelo 100% Naturais Com o aumento da demanda por produtos cada vez mais naturais, orgânicos, livres de transgênicos, testes em animais e quimical free, crescem as opções de produtos no mercado, assim como cresce a procura por cursos online sobre o assunto.

No final deste artigo, sugiro alguns Canais bem interessantes – para quem não tem muito tempo a perder – com receitas caseiras, naturais e à base de ervas, especiarias e tinturas provenientes de extratos vegetais da natureza. Do meu ponto de vista, são bem objetivos, trazendo receitas simples e fáceis de fazer em casa. Entretanto, mesmo se tratando de receitas naturais, sugiro que você converse com um especialista ou busque informação em canais especializados para não danificar os seus cabelos, já que dependendo do caso, não são recomendadas certas misturas. Então, vamos aos esclarecimentos.

RECEITAS CASEIRAS

A dica que deixo aqui é buscar uma receita que esteja de acordo com o seu tipo de cabelo, mas avaliando também a condição em que ele se encontra atualmente – se é seco, normal, oleoso ou misto; se está desidratado, ressecado, quebradiço, com pontas duplas ou queda excessiva; se tem mechas, luzes, alisamentos, tonalizante, tintura química, descolorante, etc. Escolha, assim, a opção de receita para o seu tipo de cabelo + condição de cabelo, lembrando: um tratamento natural/ caseiro requer disciplina e tem resultados gradativos. Pode ser mais permanente no caso da henna em pó – pura ou misturada a algum outro extrato natural – ou da henna em creme. Se o cabelo for comprido demais, a dosagem também é diferente.

TINTURAS EM PÓ

Respondendo os e-mails e comentários recebidos sobre as tinturas em pó: todas as tinturas naturais em que usamos pó – sejam as do mercado ou mesmo os elementos que compramos para fazer em casa – geralmente tem a tendência de ressecar os fios. Com isso, sugiro que junto à mistura seja acrescentada 01 a 02 colheres (sopa) de um óleo vegetal extra virgem de sua preferência – indico o de coco ou de oliva – ou glicerina vegetal em creme (sem parabenos ou petrolatos) – ou ainda a mesma quantidade de uma máscara capilar de sua preferência, a mais natural possível. No caso das misturas contendo limão ou outro elemento mais ácido: mais cautela ainda para quem tem cabelos secos ou ressecados, algum processo químico ou em função de exposição à água do mar, piscina, sol. E no que se refere à canela, não indico para quem tem pele sensível ou rosácea, pois causa alergias, além de ressecar os cabelos.

Outro esclarecimento: no caso da Henna Surya em creme, ela não tem na sua composição apenas a henna como muitos pensam, mas sim uma lista de extratos de plantas que, dependendo da coloração que se deseja, possuem mais ou menos elementos das plantas listadas, são elas: Açaí, Acerola, Achillea, Amla, Aloe Vera, Arnica, Avelã, Babaçu, Camomila, Castanha do Brasil, Guaraná, Jenipapo, Juá e Malva. Como ainda tenho recebido comentários de pessoas que duvidam que seja totalmente natural – e com razão pela quantidade de produtos que não fazem jus ao que está descrito no rótulo – trago minha experiência que confirmou isso.

Há alguns anos atrás, através de um naturopata, bioquímico e cientista que possui um grupo de estudos na Unicamp, tive a confirmação que os testes realizados confirmavam que o produto era natural, sem amônia, sem parabenos e sem metais pesados. Hoje, não saberia dizer se a fórmula foi modificada, a não ser realizando novos testes. Entretanto, uso a henna creme de vez em quando como tratamento para os cabelos e, no meu caso – tendo os cabelos normais – é de fato um ótimo tratamento. Para quem quiser pesquisar mais a respeito da henna, existem tutoriais especiais em Canais do You Tube apenas falando sobre as colorações com Henna. Muitos, inclusive, indicam misturar dois tons para se adquirir o tom desejado e, principalmente, para quem tem mais de 50% de cabelos brancos.

PH DO CABELO X PH SUBSTÂNCIAS NATURAIS: OS BASTIDORES DO PORQUÊ AS RECEITAS NEM SEMPRE FUNCIONAM

Trazendo o olhar para os “bastidores” dessas dicas, trouxe algumas tabelas advindas de sites profissionais para cabeleireiros, que indicam o valor do Ph do cabelo comparado a certos produtos que estão por aí dizendo que fazem milagres, quando na verdade não é o que ocorre na prática – no caso do vinagre e do bicarbonato de sódio, por exemplo. Dependendo do tipo de cabelo e da quantidade usada, passam a ser um grande problema ao invés de uma solução, porque os Ph’s muito alcalinos ou muito altos podem danificar os cabelos. O vinagre e o bicarbonato, por exemplo, podem gerar queda de cabelo se usados na quantidade errada – já ocorreu comigo. No caso do vinagre, o ideal é o de maçã.

O Ph normal do cabelo humano fica em torno de 4,5 a 5,5, ou seja, ligeiramente ácido. Assim se forma o manto ácido, que tem como função impedir a proliferação de fungos e bactérias no couro cabeludo, evitando irritações. Fios com pH neste grau são saudáveis e têm as cutículas fechadas (aderentes e lisas). O pH, ou Potencial de Hidrogênio, é a escala que mede o grau de acidez ou alcalinidade de uma substância, podendo variar de 0 a 14.

Os cosméticos capilares com Ph alcalino são usados para modificar a estrutura externa e interna dos cabelos, abrindo as cutículas a fim de penetrar nos fios. O Ph ácido reforça a fibra capilar, age como adstringentes e neutraliza os tratamentos feitos com cosméticos alcalinos. Ao utilizarmos produtos muito ácidos (pH entre 1 e 2), assim como produtos muito alcalinos (pH acima de 10), os cabelos “incham”, pois as cutículas se abrem e é desta forma que os tratamentos químicos – alisamentos, permanentes e colorações – são mais eficazes.

Na maioria dos shampoos o pH oscila entre 5 e 7, para que o nível de acidez da oleosidade do cabelo em condições normais seja mantida, e isso é importante para impedir a sobrevivência de bactérias no couro cabeludo. O pH da água salgada é alcalino, por isso, cabelos com química devem evitar água do mar. Shampoos com pH entre 4.5 e 5.5 são indicados para pessoas que têm permanente, possuem o cabelo fraco ou tingido.

 

TIPOS DE CABELOS: AGENTES ÁCIDOS E ALCALINOS

O pH do cabelo determina o índice de acidez ou alcalinidade do fio. O fio de cabelo tem carga NEGATIVA, por isso ele retém partículas de carga positiva. O que hidrata naturalmente o fio de cabelo é o SEBO OU ÓLEO DO COURO CABELUDO.

Consequentemente, as dicas aqui são muito bem vindas para compreendermos o processo. Produtos contendo mais ou menos óleo, resultam em:

+ ÓLEO = pH ácido: deixa o cabelo macio, hidratado/ – ÓLEO = pH alcalino: deixa o cabelo seco, poroso. Tudo que retira a oleosidade natural do fio de cabelo é considerado um agente ALCALINO. Tudo que devolve a oleosidade natural é considerado um agente ÁCIDO.

* Agentes ácidos: Hidratações líquidas, produtos que contenham Óleos Vegetais ou Animais ou Umectantes;
* Agentes alcalinos: Escova, Química, Progressiva, Prancha, Secador, Produtos Cosméticos mal elaborados, etc.

Conclusão: Cabelo seco é um cabelo com PH ALCALINO/ * Cabelo oleoso é um cabelo com PH ÁCIDO/ * Cabelo normal é um cabelo com PH ÁCIDO/ * Cabelo danificado é um cabelo com PH ALCALINO/ * Cabelo ressecado é um cabelo com PH ALCALINO.

COSMETOLOGIA NATURAL

Aqueles que desejarem aprofundar o conhecimento podem buscar cursos especificamente para cabeleireiros – há cursos gratuitos e com valores acessíveis na web – mas minha ênfase é para a Cosmetologia Natural, Ecológica e Orgânica, porque esta segunda opção traz bases ótimas para você conhecer mais a fundo sobre bioquímica, produtos que devem ser usados, produtos tóxicos a serem evitados e fórmulas balanceadas de maneira correta para cada tipo de cabelo. Dessa maneira, você tem como saber se uma receita que se diz milagrosa vai mesmo funcionar para o seu tipo de cabelo, estendendo esse conhecimento para tudo o que diz respeito à sua pele, corpo, saúde e meio ambiente.

Um curso muito completo – mais profissionalizante no que se refere a você criar sua própria Linha de Cosméticos – que já disponibiliza alguns vídeos para você ir inteirando-se do assunto, você encontra no site da Cosmetologia do Bem. Mas, para quem quer apenas usar fórmulas em casa e livrar-se das químicas tóxicas, as sugestões propostas também fazem a sua parte. Infelizmente, como não podemos confiar nos órgãos reguladores – Anvisa e Inmetro – que autorizam a utilização de até 6% de chumbo – acetato de chumbo – nas tinturas, a melhor opção mesmo é utilizarmos o que a Mãe Natureza nos traz de melhor! Ficam as dicas com base na minha experiência. Que sejam super úteis para você também! Namastê! ❤

Luciane Strähuber – Educação Terapêutica Integrada

Fontes Complementares: ECabelos: Cabeleireiro Online/ “Cabeleireiro Online PH dos Cabelos”, “Como tratar o cabelo com Henna” e “Cosmetologia Natural e Ecológica” ou “Cosmética Natural e Ecológica/ Orgânica” (Vários Sites e Canais pesquisados com estes temas)

Canais Sugeridos: Pensando ao Contrário; Manual da BelezaCosmetologia do Bem