Artigos, Constelação Familiar, Livros Essenciais

Constelação Familiar: 12 Livros Essenciais para sua jornada de autoconhecimento

“A nossa vida é a única herança que importa” – Bert Hellinger

No dia 19 de setembro de 2019, o céu ganhou mais uma estrela: o criador da dinâmica da Constelação Familiar Sistêmica, Bert Hellinger.

Todos nós que estivemos e estamos comprometidos com as raízes do conhecimento que a alma de Bert Hellinger acessou e nos deixou, por meio da dinâmica da Constelação Familiar Sistêmica e de suas inúmeras obras, publicamos aqui o nosso voto de honra a este legado e nossos sinceros sentimentos aos seus familiares, bem como a todos os envolvidos através da Hellinger Schule e Hellinger Sciencia no Brasil e em outros países.

Gratidão hoje e sempre à toda compreensão, esclarecimento, cura e libertação que essa ferramenta, como uma bênção, foi e é capaz de proporcionar a nós e a milhares de pessoas e famílias! Como uma descendente do seu país de origem, honro as raízes deste legado assim como honro as raízes de meus ancestrais!

Siga na Paz do espírito e na alegria da tarefa cumprida nesta Plano, Bert! Nós ficaremos com a luz de suas sabedorias, a simplicidade de sua alma e a amorosidade da sua dedicação em servir a algo Maior. Que tenhamos seu exemplo, à semelhança de um pai espiritual, para seguirmos com humildade e presença de Amor o nosso propósito! ❤

Foto: Leonardo Ferrantini

Prestando homenagem e fazendo jus a este legado de valor humano inestimável, disponibilizo uma relação das principais obras de Hellinger traduzidas para o português. Todas as obras listadas estão disponíveis para você baixar e ler online.

SUGESTÃO para leitura: Sugiro que você utilize esses livros como um tarô, por essa razão não mencionei sobre o que cada um deles se trata. Antes de escolher qual deles você vai começar a ler, procure silenciar a mente, respirar profundamente várias vezes. Peça para sua consciência mostrar qual deles irá ressoar com o seu momento no agora, qual deles estará mais de acordo com o que você precisa para gerar entendimento para um passo de mudança. Faça isso olhando um por um, seguindo a sua intuição. Ela é o caminho por onde a consciência e a linguagem do universo se comunica conosco.

Meu sincero desejo que esses livros sejam uma virada de página na sua vida, assim como foram para mim e para muitos que estiveram em contato com esse trabalho e visão: um olhar que nos leva a ver a vida e todos os sistemas onde estamos inseridos de uma forma completamente diferente e renovadora. Namaste! ❤


Luciane Strähuber – Consultora e Educadora da Terapêutica Integrada

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Artigos, Constelação Familiar, Filmes e Vídeos: Constelação Familiar, Terapias Integrativas

Constelação Familiar: 15 Vídeos para você entender essa dinâmica multidimensional

Para facilitar o entendimento de como o trabalho de Constelação Familiar Sistêmica funciona, incluindo dinâmicas em grupo e entrevistas com Sophie e Bert Hellinger sobre a chamada Nova Constelação, relaciono 15 vídeos sobre o tema.

O novo modelo de constelação familiar sistêmica envolve realizá-la em silêncio, sem muitas perguntas e sem falar sobre o problema do cliente, cujo movimento dos participantes e a dinâmica do grupo são baseados no sentir corpóreo, das emoções e dos pensamentos, um conjunto de percepções relacionados ao fato de que mesmo estando no presente, somos capazes de acessar informações sobre o passado ou sobre o futuro – um conceito da física quântica, onde um átomo é capaz de estar em mais de um lugar ou dimensão ao mesmo tempo.

Dentro desse contexto, também se aplica a teoria do campo morfogenético ou campo mórfico, cujos testes, estudos e experiências científicas exploram o fato de que estamos interconectados por um invisível campo eletromagnético coletivo. Da mesma forma, isso refere-se à memória coletiva de uma família ou espécie, na qual fazem parte cada membro e para a qual cada um contribui.

Rupert Sheldrake, cientista, doutor em biologia e pesquisador da teoria menciona que esse conceito teve início na década de 20, e chamou sua atenção quando da observação dos movimentos desenvolvidos por pássaros. Quando juntos, esses pássaros realizam movimentos chamados de “torvelinhos”, de forma que não colidem entre si, como se fosse uma dança ensaiada em grupo. Segundo o cientista, os campos morfogenéticos são estruturas invisíveis que se estendem no espaço-tempo e moldam a forma e o comportamento de todos os sistemas do mundo material – cristais, animais, plantas, seres humanos, entre outros.

Todo átomo, molécula, célula ou organismo que existe gera um campo organizador invisível, que afeta todas as unidades desse tipo. Assim, sempre que um membro de uma família ou espécie aprende um comportamento, e esse comportamento é repetido vezes suficiente, o tal campo – assim como um molde – é modificado. Esta modificação afeta a espécie por inteiro, mesmo que não hajam formas convencionais de contato entre seus membros. 

Isso explica porque macacos de um arquipélago específico, de repente, começaram a lavar as raízes do seu alimento, sem que houvesse comunicação entre as ilhas. E após um tempo, outros macacos de outras ilhas começaram a fazer o mesmo. Conforme diz a teoria, esse processo difere da telepatia, sendo chamada de ressonância morfogenética. Seria também uma explicação para os conhecimentos, dons e talentos que recebemos através de gerações por meio da memória celular do nosso corpo, portanto contida em nosso DNA, assim como padrões de comportamento e pensamento.

Nada disso é novidade atualmente. “Experimentos em psicologia mostram que é mais fácil aprender o que outras pessoas já aprenderam”, informa Sheldrake. Na constelação familiar, essa ressonância é aplicada da mesma maneira, como um processo não-intencional, sem julgamentos, podendo assim reunir grupos de qualquer tipo. A constelação familiar pode se tornar, portanto, uma bênção para todos os participantes. Nada ali ocorre por acaso, uma vez que todos estão interconectados por ressonância dentro de um mesmo sistema ou campo eletromagnético.

Em vários casos que presenciei e apoiei, mesmo que o participante não seja aquele que vai constelar um tema para si, só pelo fato de ter a experiência, de estar representando alguém de um sistema familiar diferente do seu, já configura um grande aprendizado. Algo terá se modificado no interior de ambos, do cliente e daquele que serviu como representante. Na maior parte dos casos, o representante também tem um aprendizado para si, uma clareza ou resposta para o seu momento de vida.

E como espécie humana, partilhamos de problemas em comum dentro de sistemas diferentes. É por essa razão que ouvimos com frequência: “o problema é o mesmo, só muda de endereço”. Isso é o que chamamos de padrão, observado em diferentes famílias com similitude, ao longo de diferentes gerações. Então, deixo aqui meu sincero desejo que esse conteúdo possa ajudar você no seu processo de transformação interior, na sua jornada de autoconhecimento e nas experiências da roda da vida! Somos estrelas de uma mesma constelação, integrantes de uma mesma família planetária. Namaste! ❤

Por fim, recomendo também a dinâmica de constelação familiar apresentada pelo Canal Bandeirantes no Brasil. O conteúdo está protegido por direitos autorais, mas você consegue assisti-lo direto no site do Canal, através do link: https://videos.band.uol.com.br/superpoderosas/16546245/metodo-austriaco-de-terapia-ajuda-em-reconciliacao-familiar.html

RESSONÂNCIA MÓRFICA

Faço menção à história fascinante de Francine Cristophe – parte do documentário “Human”. Ela retrata um perfeito exemplo da atuação da ressonância mórfica em nossa vida, do quão fortemente estamos interconectados por fios invisíveis, emocionais, mentais e multidimensionais. Mesmo aquele que não fez parte de nossa família de sangue, mas que esteve presente em algum acontecimento marcante de nossa jornada, está interconectado conosco por um vínculo oculto, apresentado nas dinâmicas da constelação familiar sistêmica.

PARA REFLETIR – Por Sophie Hellinger

Nós somos tudo: nosso presente, o passado e já o futuro. Nossa memória corporal vai muito além do nosso corpo. Um famoso médico e amigo meu disse, há mais ou menos um mês: – O conhecimento mais recente no campo da ciência médica é o de que doenças crônicas e dores que aparecem repetidas vezes não podem ser curadas enquanto as vidas passadas não são levadas em conta. Isso é um progresso enorme dentro da medicina, que reconhece tal fato.

Muitas vezes, somos realmente impotentes. Às vezes, a cura pode acontecer ao incluir as vidas passadas. Aqui, no caso dela (uma cliente que há pouco tinha trabalhado com Sophie) nós vemos: o choque está na cara dela. O choque de uma outra pessoa. Depois de uma pequena intervenção dentro do campo eletromagnético dela, ela se sente bem de repente. Isso significa que carregamos a nossa história o tempo inteiro conosco. Nós mesmos somos capazes, através da nossa consciência, de sair para fora deste acontecimento passado…com a ajuda e o suporte de outra pessoa.

Quando nós abrimos o outro campo e ambos os campos se tocam, eles entram em confluência, em ressonância. Nestes campos pode acontecer então uma Constelação para o bem do cliente. Esta constelação se converte em uma benção para aqueles que existiram antes de nós. Estas pessoas não estão “em um lugar qualquer”. Talvez elas já tenham renascidos ou tenham vindo para uma nova vida com o mesmo problema. E nós ficamos mexendo e não encontramos uma solução. Porque neste plano cotidiano não há nenhuma solução! A solução está em uma outro plano.

Então. há uma benção para nós nesta vida atual e para os nossos filhos. Para todas as partes, para os companheiros e para as relações que se abrem novamente.  Então, se pode realizar, talvez, o nosso maior desejo: que sejamos amados assim como somos, e nós mesmos amarmos sem condições ou expectativas. Assim, cada ser humano é lindo e não preciso mais sentir pena de ninguém. Cada um tem o seu caminho e seu destino. Quem procura, acha.

A condição é que não queiramos mais nos “livrar” de algo. Ao invés de nos “livrarmos” de algo, nós o levamos para dentro. Integração ao invés de exclusão. Assim podemos nos tornar mães amorosas, sem demasiadas expectativas em relação aos nossos filhos. E os nossos homens não precisam tampouco terem nenhuma expectativa em relação a nós – nem nós em relação a eles. Nós doamos! Nós amamos! Nós fazemos o que podemos!”

Trecho do texto de Sophie Hellinger: Seminário no México (Agosto/ 2014)

Fonte: Hellinger Sciencia (Escola Hellinger) | Vídeos: Canal Constelação Familiar Sistêmica

Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

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Ensinamentos sobre Irmãos e Hierarquia na Família: Visões da Constelação Familiar

Irmãos são indivíduos que participam de uma mesma comunidade de destino. Eles vem de um pai e de uma mãe em comum – ou de um deles em comum. Porém, em algum ponto de origem, seja no pai ou na mãe ou em ambos, compartilham da mesma história familiar.

Segundo Bert Hellinger, o criador da Constelação Familiar: “Pais e filhos constituem uma comunidade que partilha de um destino comum. Nela, cada um depende do outro de muitas maneiras e, na medida das suas possibilidades, precisam cooperar para o bem comum. Aqui, cada um simultaneamente dá e recebe.”

Entre irmãos, há sempre uma ordem a ser respeitada. Há o que chegou antes e existe os que vieram depois – a ordem de precedência. Mesmo no nascimento de gêmeos, um deles tem a precedência. É primordial essa ordem ser olhada e respeitada. Isso vale tanto entre pais e filhos, quanto entre irmãos na sua convivência.

Através da constelação familiar sistêmica, é necessário olhar também para os irmãos que não nasceram, para os que naturalmente não sobreviveram ou que foram abortados. Todos estes fazem parte da ordem familiar e têm o seu lugar por pertencimento. Dessa forma, podemos ter uma imagem completa desta comunidade de pessoas, unidas pela sua origem e que realizam um grande trabalho: caminhar, juntos ou separados, por uma jornada de vida. Leia mais sobre Abortos: Incluindo os Excluídos.

Levando em consideração a particularidade de cada caso, a Constelação Familiar como ferramenta terapêutica auxilia a encontrar o fluxo da ordem dentro da hierarquia familiar, mostrando onde reside a origem das desordens, dos conflitos e de situações desafiadoras em nossa vida. Ela pode revelar, a partir de nossa abertura interior, o que está atuando em nosso inconsciente, levando nosso olhar em direção às dificuldades que vivenciamos e descortinar aquilo que ainda não estava consciente. 

PAIS, FILHOS E IRMÃOS

Na ordem entre pais e filhos e também entre irmãos, existe uma dinâmica semelhante no dar e no receber: assim como os pais somente dão e os filhos somente recebem, entre irmãos o mais velho também poderá dar ao irmão mais novo, e este receberá mais.

Cabe porém ressaltar que o “dar” – a troca entre irmão mais velho e mais novo – diz respeito ao lugar de irmãos, jamais um irmão mais velho pode oferecer algo que só compete ao pai ou à mãe fazê-lo. Num caso assim, ele estaria saindo de seu lugar, ferindo inconscientemente a ordem ao querer fazer-se “maior” que os pais – aqui a palavra “maior” refere-se a ocupar um lugar de precedência daquele que veio antes.

É importante frisar bem este ponto: muitos filhos mais velhos podem tender a colocar-se fora de seu lugar, tomando para si algo que é da função do pai ou da mãe. A consequência sempre será a de que os irmãos mais novos não aceitarão tal desordem, sendo provável que nasçam desta dinâmica muitos conflitos, brigas e dificuldades de existir paz entre os irmãos.

Segundo Hellinger: “Quem vem primeiro deve dar mais porque também recebeu mais, e quem vem depois necessariamente recebe mais. Entretanto, também este último, quando já tiver recebido o bastante, dará aos que vierem depois. Assim, dando e tomando, todos se sujeitam à mesma ordem e seguem a mesma lei.”

Da mesma forma, os que recebem devem honrar a dádiva daquilo que receberam, e da forma como receberam. Quando esta boa ordem é respeitada, aqueles que dão são retribuídos pelos bons frutos do que cederam. E os que receberam ficam livres para passar isso adiante. Dessa forma a vida flui, em direção ao mais.

EQUIVALÊNCIA E BRIGAS 

Ainda que exista a precedência, irmãos são equivalentes. Não há diferença de valor entre eles para o sistema, apenas uma diferença de ordem. Da mesma forma como o fluxo entre o dar e o receber segue de cima para baixo, e o tempo flua do antes para o depois, a ordem entre irmãos não pode seguir por outro caminho diferente daquele estipulado pelo nascimento.

Assim, irmãos maiores tem um lugar diferente de seus irmãos menores, e sentir-se-ão ameaçados se houver uma tentativa de invasão de seu espaço. Isto trará conflitos. Esta é uma dinâmica comum que se mostra nas constelações, quando um caçula entende em seu interior que tem o direito de se intrometer no assunto de seus irmãos mais velhos, ou até mesmo de seus pais. Isso é geralmente a fonte de problemas entre irmãos, quando a ordem e o lugar de cada um não são respeitados. Isto é algo que atua no nível sutil ou inconsciente, porém mostra sua influência de forma concreta no dia-a-dia.

Por cada caso ser um caso, a solução deve ser tratada como única e irrepetível para cada família. Isto é um fato importante para não haver enganos ou julgamentos por parte do terapeuta, evitando caminhos que levam a verdades absolutas. Um exemplo disso são os casos de irmãos mais velhos que tendem a assumir, de forma compulsória, responsabilidades pelos irmãos mais novos em caso de morte de um dos pais ou de ambos, em caso de abandono ou de incapacidade dos pais por motivo de doença grave, ou ainda de situações extremas que envolvam o vício em drogas, tráfico, álcool, prostituição, entre outros.

É sempre importante olhar os movimentos de cada caso onde há desentendimentos entre irmãos. Em algumas situações, há uma força de exclusão nestas relações que pode ser a repetição de um caso acontecido anteriormente no sistema familiar. Exclusões sempre atuam tencionando o sistema e trazendo dificuldades para todos que dele fazem parte. Segundo a constelação familiar, a exclusão é um movimento “arrogante” de um membro ou de um sistema de retirar o pertencimento de alguém que tem esse direito, pelo fato de ali ter nascido. 

Trilhar um caminho de amor, harmonia e compreensão em meio às complexidades do sistema familiar é possível. Conhecer as “ordens do amor” que atuam muitas vezes de forma inconsciente é uma meta essencial, uma forma de evitarmos crises, conflitos e enfermidades. Elas ocorrem em virtude do desconhecimento das leis naturais que regem os nossos sistemas familiares e sociais. Da mesma forma, essas ordens não são um fim em si mesmas, assim como menciona Hellinger quando diz que a Constelação não é um método, mas um caminho.

Leia mais sobre essas leis e ordens em: Vínculos do Destino: A Fonte não precisa perguntar pelo caminho

ORDEM DE NASCIMENTO DOS IRMÃOS

Por Dra. Gail Gross – Especialista em família, educação e comportamento humano.

“Você vai fazer uma viagem de carro com seus irmãos adultos. Qual desses três cenários mais se parece com você?

1. Você vem planejando a viagem há semanas, já cuidou das reservas de hotel e restaurante, trocou o óleo do carro e encheu o tanque. E até já mapeou as paradas para descanso ao longo do caminho.

2. Você passou a manhã na correria, tentando aprontar tudo. No final, jogou lanches e roupas na mala de qualquer jeito, na última hora. Se é você quem vai dirigir, está torcendo para encontrar um posto na estrada e encher o tanque, que está pela metade.

3. Viagem em família? Vai ser divertido! Você aceitou o convite porque vai ser uma curtição e não planejou contribuir com nada, exceto suas piadas e historinhas divertidas.  Você também curte os lanches que seus irmãos mais velhos trouxeram. Percebe que talvez precise comprar um agasalho mais apropriado quando vocês chegarem ao destino.

Se você se identifica com o cenário nº 1, é provável que seja o filho primogênito. Se o cenário nº 2 o descreve bem, você é provavelmente o filho do meio. Você se identifica mais com o cenário nº 3? O mais provável é que seja o caçula.”

A ORDEM DE NASCIMENTO FAZ DIFERENÇA

Alguns pesquisadores consideram a ordem de nascimento tão importante quanto o gênero, e quase tão importante quanto questões genéticas. É a velha história da natureza versus criação. Em minha experiência como educadora e pesquisadora, sei que não existem dois irmãos que tenham os mesmos pai e mãe, mesmo que vivam na mesma família. Por que? Porque os pais são diferentes com cada um de seus filhos, e não há dois filhos que desempenhem o mesmo papel. Por exemplo, se você é o filho cuidador, o papel de cuidador já terá sido tomado, e seu irmão escolherá outro papel para exercer na família, talvez o do realizador.

Como pai ou mãe, você se lembra bem de seu primeiro filho. Foi aquele que você vigiava quando estava dormindo, para ter certeza de que continuava a respirar. Foi o bebê que você carregou no colo e amamentou e/ou para o qual esterilizou mamadeiras por mais tempo. Esse filho é o único que terá tido o monopólio dos pais; todos os outros filhos foram obrigados a dividi-los.

O filho primogênito nasce numa família de adultos que se orgulha de cada conquista dele e teme todo machucado ou acidente potencial. O filho do meio com frequência é dominado pelo primogênito, que é mais velho, sabe mais e é mais competente. Quando nasce o filho caçula, os pais geralmente já estão cansados e têm menos tendência a querer controlar tudo. Quando você tem seu caçula, já sabe que seu bebê não vai quebrar; logo, pode ser mais flexível em termos de atenção e disciplina. O resultado é que seu bebê aprende desde cedo a seduzir e divertir vocês.

O REALIZADOR, O PACIFICADOR E O BRINCALHÃO

Enquanto o filho mais velho é programado para alcançar excelência e realizações, o filho do meio é criado para ser compreensivo e conciliador, e o caçula quer atenção. Assim, a ordem de nascimento dos filhos é uma variável poderosa no desabrochar da personalidade de cada um.

* O primogênito: o realizador. O primogênito provavelmente terá mais em comum com outros primogênitos do que com seus próprios irmãos. Pelo fato de ter sido alvo de tanto controle e atenção de seus pais, marinheiros de primeira viagem, os primogênitos são responsáveis até demais, confiáveis, bem comportados, cuidadosos – versões menores de seus pais.

Se você é filho primogênito, é provável que seja um realizador que busca aprovação, domina e é aquele perfeccionista que suga todo o oxigênio que há na sala. Você pode ser encontrado em profissões que requerem liderança, como direito, medicina ou ser CEO de uma empresa. Como mini-pai ou mãe, também tenta dominar seus irmãos. O problema é que, quando nasce o bebê número dois, você tem um sentimento de perda. Ao perder seu lugar no trono familiar, você também perde o lugar especial decorrente da singularidade. Toda a atenção que era voltada exclusivamente a você agora terá que ser compartilhada entre você e seu irmão.

* O filho do meio: o pacificador. Se você é filho do meio, é provável que seja compreensivo, cooperador e flexível, mas também competitivo. Você se preocupa com o que é justo. Na realidade, como filho do meio, é muito provável que escolha um círculo íntimo de amigos para representar sua grande família. É nesse espaço que encontrará a atenção que lhe faz falta em sua família de origem.

Como filho do meio, você é quem recebe menos atenção de sua família, e por essa razão essa família que você escolheu é sua compensação. Embora em muitos casos você só se destaque mais tarde na vida, acabará em profissões poderosas que lhe permitam fazer bom uso de suas habilidades de negociador – e também conseguir aquela atenção que lhe faz tanta falta.

Você e seu irmão mais velho nunca vão se destacar na mesma coisa. O traço de personalidade que o define como filho do meio será o oposto daquele de seu irmão mais velho e do menor. Mas as ótimas habilidades sociais que você aprendeu por ser o filho do meio – negociar e orientar-se dentro de sua estrutura familiar – podem prepará-lo para um papel de empreendedor num palco maior.

* O filho caçula: aquele que anima a festa. Se você é o caçula da família, seus pais já se sentiam confiantes em seus papéis de cuidadores; por essa razão, eram menos rígidos e não necessariamente prestavam atenção a cada passo ou marco seu, assim como fizeram com seus irmãos mais velhos. Assim, você deve ter aprendido a seduzir as pessoas com seu charme e simpatia.

Como filho caçula, você tem mais liberdade que os irmãos mais velhos e, em certo sentido, é mais independente que eles. Como o caçula, você também tem muito em comum com seu irmão mais velho, já que vocês foram tratados como especiais, dotados de certos direitos inatos. Sua influência se estende a toda a família, que lhe dá apoio emocional e físico. Logo, você tem um sentimento de segurança e de ter seu lugar próprio.

Provavelmente, não o surpreenderá observar que os filhos caçulas com frequência encontram profissões ligados ao entretenimento, como atores, comediantes, artistas, escritores, diretores e assim por diante. Eles também dão bons médicos e professores. Como seus pais foram mais descontraídos e lenientes, você tem a expectativa de ter liberdade para seguir seu próprio caminho em estilo criativo. E, como o caçula da família, carrega menos responsabilidade, por essa razão não atrai experiências responsáveis.

* O filho único: Se você é filho único, cresce cercado por adultos e, por essa razão, com frequência sabe verbalizar as coisas bem e tem maturidade. Isso possibilita ganhos de inteligência que excedem outras diferenças de ordem de nascimento. Tendo passado tanto tempo sozinho, você é engenhoso, criativo e tem confiança em sua independência. Se você é filho único, na realidade tem muito em comum com os primogênitos e também com os caçulas.

Em última análise, é importante para os pais conhecerem seus filhos. Ainda mais importante que a ordem em que eles nasceram é criar um ambiente positivo, sadio, seguro e estimulante. Compreendendo a personalidade e o temperamento de cada filho, os pais podem organizar o ambiente dele de modo a aproximá-lo de seu potencial mais pleno. Por exemplo, sabendo que o filho primogênito tem grande senso de responsabilidade, podem aliviar a carga dele, e reconhecendo que o caçula está vivendo em um ambiente mais leniente, podem ser mais exigentes em termos de disciplina. A criança precisa ter direito de buscar seu próprio destino, seja qual for seu papel na família, e como mãe ou pai sua tarefa mais importante é apoiá-la nessa sua jornada individual.

ORDEM E HIERARQUIA

Hellinger diz: “Existe uma ordem nos relacionamentos que atribui aos membros mais antigos a precedência em relação àqueles que vieram depois. Denomino-a de ordem original. Neste sentido um casal encontra-se no mesmo nível, pois iniciam a relação ao mesmo tempo. O mesmo vale para os pais. Entre eles não existe uma preferência nesse sentido. Eles começam juntos. Aqui também são equivalentes.

Quando eles têm filhos, o primeiro tem uma preferência hierárquica em relação ao segundo, e o segundo tem uma preferência hierárquica em relação ao terceiro. Isso não significa que o primeiro filho possui o poder de dar ordens aos outros irmãos, mas de acordo com a hierarquia ele vem antes e, naturalmente, os pais têm a preferência hierárquica em relação aos seus filhos. O efeito é bom quando respeitamos a ordem original (…) Quando um mais novo assume algo de funesto em lugar de um mais velho, mesmo que seja por amor, ele se intromete na esfera mais pessoal de alguém que hierarquicamente o precede e tira dessa pessoa e de seus destino funesto sua dignidade e força.” 

Portanto, quando um filho infringe a hierarquia do dar e tomar, como resultado inconsciente ele se pune com severidade, frequentemente com o fracasso e o declínio, sem tomar consciência da culpa e do vínculo. Isto porque, como é por amor que ele transgride a ordem ao dar ou tomar o que não lhe compete, não se dá conta da própria arrogância e julga que está agindo bem.

Porém, a ordem não se deixa suplantar pelo amor. Pois o sentido de equilíbrio que atua na alma, anteriormente a qualquer amor, leva a ordem do amor a fazer justiça e compensação, mesmo ao preço da felicidade e da vida – aqui a lealdade à família é maior que a felicidade e a vida. Por essa razão, a luta do amor contra a ordem está no início e no fim de toda tragédia, e só existe um caminho para escapar disso: compreender a ordem e segui-la com amor. Compreender a ordem é sabedoria, segui-la com amor é humildade.

Independente de tudo o que aqui foi relatado, consideremos cada sistema e suas particularidades, além de uma série de fatores sociais como a nacionalidade, a educação, a cultura e os costumes, as crenças e os valores, entre as outras relações dentro da família. 

* Casal e filhos: O relacionamento entre marido e mulher existe antes de se tornarem pais: há adultos sem filhos, mas não existem filhos sem pais biológicos. O amor vence quando os pais cuidam bem dos filhos quando eles são jovens, mas a recíproca não é verdadeira. Assim, o relacionamento entre marido e mulher assume prioridade na família.

* Irmãos: A prioridade baseada no tempo também se aplica aos irmãos. Os que estão perto do começo da vida recebem dos que já viveram mais. O mais velho dá ao mais jovem, o mais jovem recebe do mais velho. O primeiro filho dá ao segundo e ao terceiro; o segundo recebe do primeiro e dá ao terceiro; e os caçulas recebem de todos os outros. O primogênito dá mais e o infante recebe mais. Por isso, muitas vezes, o filho mais velho é recompensado com privilégios e o mais novo assume maiores responsabilidades para com a velhice dos pais.

* Novos relacionamentos: Os novos sistemas de relacionamento também têm prioridade sistêmica sobre os antigos. Dá-se aí o contrário da dinâmica de precedência dentro de um sistema em que os membros mais velhos se sobrepõem aos que vêm depois. O relacionamento do casal tem prioridade sobre o relacionamento com a família de origem, do mesmo modo que o segundo casamento tem precedência sobre o primeiro. Os relacionamentos são prejudicados quando esse princípio não é acatado – quando os pais permanecem mais importantes que os parceiros e filhos, ou quando os primeiros parceiros são mais importantes que os novos, por dinâmicas conscientes ou inconscientes.

VALE O QUANTO PESA

Com respeito ao peso, o relacionamento mais importante na família é entre o pai e a mãe; vem em seguida o relacionamento entre pais e filhos, os relacionamentos com a família em geral e, finalmente, os relacionamentos com outros grupos livremente escolhidos. Algumas pessoas, assoberbadas por um destino particularmente difícil – um exemplo do que foi mencionado anteriormente, quando um irmão mais velho ou outro membro da família acaba por ter de assumir o lugar de um dos pais – podem ter bastante “peso sistêmico” para que a sequência normal da realidade, de acordo com o tempo, deva ser ajustada.

Por Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

Fonte complementar de obras e referências: 1. Dra. Gail Gross –  http://www.huffingtonpost.com/dr-gail-gross/; 2. “A simetria oculta do Amor”, 3. “No centro sentimos leveza”, 4. “As Ordens do Amor” – Todos de Bert Hellinger/ 5. “Objetos transicionais e fenômenos transicionais”, 6. “O brincar e a realidade” – Donald Woods Winnicott; 7. “Irmãos e irmãs” – Karl König; “O complexo fraterno” – René Kaës/ “Família: Urgências e Turbulências” – Mário Sérgio Cortella.

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Abortos: Incluindo os Excluídos – Visões da Psicanálise e da Constelação Familiar

No trabalho das constelações familiares as crianças abortadas pertencem ao sistema familiar, mesmo que não tenham se desenvolvido plenamente até o nascimento ou que tenham existido por um pequeno período de tempo. Apenas o fato de terem existido na família configura a necessidade de fazerem parte do sistema, e por isso precisam ser incluídas para que haja ordem e equilíbrio.

Nesse sentido, não importa se o aborto foi espontâneo, se foi provocado ou se houve a decisão consciente de fazê-lo. Segundo os preceitos da constelação sistêmica, uma lei natural – a Lei do Pertencimento – não faz julgamento moral. O pertencimento ocorre desde a fecundação e não apenas pelo nascimento, como a maior parte das pessoas pensa.

Levo o olhar um pouco mais adiante, observando também a conexão da alma dessa criança com os pais, que ocorre muitas vezes anos antes do nascimento propriamente dito. Em atendimentos a casais e muitas mulheres que desejaram engravidar, acompanhei casos em que foi preciso trabalhar antes a harmonia da ligação do casal com a alma da criança – algumas delas nem vieram a nascer, mas por terem sido reconhecidas, voltaram para o seu lugar em paz. Após o período necessário de ajuste, de reconhecimento deste ser, foi possível para esses casais se sentirem em harmonia para que uma outra criança viesse depois, seja por meio de gravidez, de adoção ou fecundação in vitro.

Antes de terem consciência da necessidade de incluir a criança excluída – seja em relação a culpas ou compromissos de vidas passadas, seja por abortos advindos das ancestrais que foram escondidos, reprimidos, obrigados ou negados por tabus, crenças, ideologias e padrões da época – esses casais se sentiam “presos” de alguma forma, principalmente no que tange à mulher, com inúmeras tentativas fracassadas de gravidez.

Na constelação, há uma frase que diz: “Uma pessoa está em paz quando todas as pessoas que pertencem à sua família tem um lugar em seu coração.” Essa é aquela paz que mora no silêncio interior, que brota de dentro sem esforço porque ela simplesmente é em nós; é a força, a leveza e a fé que recebemos das nossas entranhas, das nossas raízes para seguir adiante, dar os próximos passos em direção às mudanças e ao progresso. E isso conseguimos quando estamos em nosso lugar na hierarquia familiar.

Essa criança que não nasceu, portanto, só precisa de um lugar na família: o seu lugar, para assim não ser uma “sobrecarga” aos filhos que vierem depois, uma vez que a tendência dos que vem depois é assumir o destino daquele que foi excluído quando esse ato de pertencer não ocorre por parte do casal. Quando a inclusão não acontece, há desequilíbrios no sistema familiar tanto para o casal quanto para os filhos que precedem. Nesse cenário, a ordem do pertencimento dos filhos também será afetada, à semelhança da base estrutural de um prédio, de uma progressão geométrica ou de uma cascata. Em todos esses exemplos, existe uma ordem que possibilita a criação de formas harmônicas.

Outras situações comuns que também estão dentro da lei do pertencimento e que precisam ser consideradas:

Gravidez tubária ou ectópica: quando o óvulo fecundado implanta-se de forma equivocada em outras estruturas que não o útero. A forma mais comum é a gravidez tubária, que ocorre dentro das trompas de Falópio. Em 98% dos casos, o ovo não percorre todo o caminho até o útero e acaba se alojando precocemente na parede de uma das trompas. Nos 2% restantes, a implantação do ovo ocorre em outras estruturas como ovário, colo do útero ou cavidade abdominal;

Gestação anembrionária ou “ovo cego“: quando um óvulo fertilizado se implanta no útero, mas o bebê não se desenvolve. Ao fazer uma ultrassonografia, no primeiro trimestre da gestação, o saco gestacional aparece vazio, sem embrião dentro. É o chamado “ovo cego”, que resulta em um aborto espontâneo;

Pílula do dia seguinte: método de emergência e não-preventivo. Pode ser usado para evitar gravidez após a relação sexual não segura. Apesar de ser interpretada como uma solução prática para evitar a gravidez indesejada, esse recurso é indicado apenas para casos emergenciais e deve ser usado com cuidado, já que traz efeitos colaterais a curto e longo prazo. Conheci mulheres que engravidaram com a pílula do dia seguinte principalmente porque abusaram do seu uso, desregulando assim seus ciclos e período fértil;

Fecundação em vitro com congelamento de embriões. Esses embriões congelados também pertencem.

Observa-se que quando a fecundação acontece, mesmo que não tenha sequência na completude do processo, ela está dentro da lei do pertencimento. Nas constelações familiares olha-se com muito respeito para todos esses casos, sem qualquer tipo de julgamento, cuja base para uma solução possível é dar a essas crianças um lugar no coração. “O amor preenche o que a ordem abarca. O amor é a água, a ordem é o jarro. A ordem ajunta, o amor flui. Ordem e Amor atuam juntos.”

MAMÃE, VOCÊ ME ACEITA COMO EU SOU?

Transcrevo o trecho maravilhoso do livro de Barbara Joose sobre o tema, palavras que representam profundamente a voz dos excluídos, gerando reflexões importantes acerca de como a negação da existência dessas crianças afeta todo o sistema familiar e as futuras gerações:

O tema sobre o qual faço esta reflexão é difícil e polêmico. Coisas de se abrir ao coração para não deixa-lo quebrar…Quando eu entrava, e entro em contato, numa constelação familiar, com as reações dos abortos provocados, uma frase emperrava em minha garganta. Não consegui traduzi-la até poucas semanas atrás: – Mamãe, você me aceita (como eu sou)?

Como na constelação fica evidente que tudo o que foi criado não perde sua existência, aquilo que chamamos de óvulo fecundado (na barriga ou congelado), feto, embrião de uma semana, existe como entidade total para alma familiar e não precisa da legitimidade social para ter este direito, mas para ter seu lugar. Esta frase, então, “mamãe, você me aceita (como eu sou)?” estava na garganta da mãe que aborta, da criança abortada, dos irmãos dela e do pai da criança abortada. Todos perguntam à sua própria mãe se ela concorda com sua existência.

A pergunta neles parece que fica assim:

Mãe que aborta à sua mãe: “Mamãe, você me aceita? Como filha, mulher, esposa, filha do meu pai, mãe dos meus filhos? Dona dos meus atos, etc…?”

Pai da criança abortada à sua mãe: “Mamãe, você me aceita? Como filho, homem, pai, filho do meu pai, etc…?”

Irmãos da(s) criança(s) abortada(s): “Mamãe, você me aceita? Como filho, mesmo tendo tirado outro? O amor que tenho por você, independente do que faz? Como irmão do meu irmão morto? Como teu filho que tem o irmão morto no coração, etc…?”

Criança abortada: “Mamãe, você me aceita? Mesmo que tenha me tirado? Com todo seu sentimento de culpa, eu mereço seu olhar, seu amor, minha inclusão, etc…?”

Esta percepção me levou àquele bolo na garganta, muitas vezes o “globo histérico” – somatização da chamada neurose histérica. Será que nele estão tingidas as cores emocionais e as implicações desta pergunta à mãe? O que este bolo indigesto tem a ver com o movimento interrompido em direção à mãe? Qual a solução? (Um grande soluço).

Fui fazer um pequeníssimo resumo da trajetória da histeria, seus sintomas e hipóteses de sua etiologia por meio de um livro ótimo* – coloco ao final deste texto para quem quiser ler. Minha intenção era entender um pouco desta tão famosa “doença” da alma com suas perturbações emocionais e paixões reprimidas, e relacioná-la com minhas percepções atávicas – se isso existe – dos efeitos do aborto provocado em um sistema familiar.

Nesta sinopse, destaquei a hýstera (útero, matriz), onde todos são gerados; o desejo sexual e de procriação sufocados que se transformam em sintomas físicos ‘pedindo ajuda’ (histeria); a investigação dos sintomas de angústia expandida aos homens, tanto como nas mulheres, causada pela repressão de seus desejos e paixões, e os anseios da alma; a relação corpo-mente recolocada em questão por meio desta “doença”, levando ao conceito de inconsciente pessoal (Freud), extrapolado ao inconsciente coletivo (Jung). Tudo isso desafiando qualquer negação da pluridimensionalidade humana. Ou seja, se a existência é multidimensional, não há só uma forma de abordá-la e uma só linguagem para entendê-la ou se fazer entender.

Quero dizer, assim, todos os anseios reprimidos – sem voz – pediriam legitimidade em sintomas na garganta? No sistema reprodutor? Na tireoide? Nos pulmões? No corpo, como na histeria? Buscariam campos de representação nas relações sexuais, nos encontros de amor? Nas relações pais e filhos? Nosso corpo e relações seriam o campo privilegiado para partes excluídas nossas (e de nossa família) se manifestarem por meio “doenças e curas”? É que a vida e o corpo multidimensional, suas dores e amores, são muito criativos ao se fazer notar quando não sabemos escutá-los.

E esta voz abafada, essas representações e sintomas pertencem a quem? Quem é a “dona” do útero ferido? Do desejo reprimido? Da angústia? Dos anseios da alma? Sou eu que tenho o sintoma ou também pertence a algum ancestral ou à alma familiar? O que se tem visto nos movimentos de alma durante a Constelação é que quando há um aborto provocado, mesmo que ele seja um segredo, o irmão nascido, o pai, a mãe e a criança abortada se sentem em conexão intensa, como se existisse de fato uma criança ali, porque existe. Não estou reafirmando a visão espírita, estou apenas sublinhando o que Hellinger já disse: o que foi criado não desaparece jamais.

“Por que ele/a não pôde vir? Por que foi abortado?” Não é, então, o essencial. O que a garganta fechada de todos os envolvidos quer dizer, sem dizer, é: “Você me aceita? Eu posso existir?”. Este bolo gutural ganha dimensão pujante nas irmãs vivas, que muitas vezes praticam o aborto, seguindo a sina familiar. Por conta disso, pode haver um bloqueio na relação com a mãe, e isso a impede de ir até ela criando um movimento interrompido em direção à mãe.

No caso, o/a filho/a não consegue ir à mãe por não se sentir aceito, mesmo que seja. “Se meu irmão não foi aceito, por que eu seria?” Aqui ele/a pode estar julgando a mãe, ou se identificado com o irmão morto, ou os dois. Esta dificuldade impossibilita que se tome a matriz. Esta situação gera no filho excluído pelo aborto mais um sofrimento: não bastou não vir, seu destino torna outros menos felizes. Por outro lado, a mãe também pode ser dura consigo mesma, e como forma de compensar sua responsabilidade e implicações do seu ato dificulta o caminho do seu filho até ela. Bem, não só o aborto pode endurecer um coração.

Voltando ao assunto, não sei se serei compreendida, mas em última análise e sem julgamentos, nenhum motivo justifica um aborto provocado. Mas os motivos existem, desde emaranhamentos familiares complicadíssimos até ilusões sobre o que se quer da vida. Então, será mesmo que o que levou a mulher a esta ação não a ajudaria a encarar seu filho morto nos olhos, coloca-lo no coração e retomar sua vida para algo bom, sem desejar a antiga inocência, mas com a carga do que fez ou teve que fazer?

Aquilo que te (me) fez abortar, busque! Ao menos assim, pode-se olhar para o/a filho/a morto neste ato dolorosíssimo e cheio de implicações, e saber que ele (o ato) não foi em vão para a mãe, nem para o filho. Dizer que é só um embrião, não ajuda em nada. Discutir quando a vida começa, também não dá conta das implicações do aborto na alma, além de desconsiderar o mundo dos mortos – local onde a existência mantém tudo o que já foi criado, mesmo um “embrião”.

E também desconsidera a mulher, o útero e o feminino, o que esta dimensão de cálice pode revelar além do racionalismo científico e dos dogmas religiosos. Como sou uma mulher e tenho útero, sei que teço meus filhos, obras, visões, deste mundo invisível e insondável. Há práticas xamânicas que se sustentam neste órgão e suas visões, por isso a repressão de sua sabedoria e não só de seus desejos pode sim virar histeria. Histeria coletiva! Não foi por isso que se queimaram as bruxas? Elas sabiam demais!

Que tudo isso não seja incentivo para se abortar, nem um peso maior do que já é para quando “não há escolha”. Que seja um estímulo para buscar o saber também pelo irracional e não só pela razão, para criar um mundo capaz de acolher o mistério, assim como aplaude a luz. Tanto para mãe, quanto para os envolvidos na família onde há aborto provocado, resta, quando chegar a hora – geralmente quando já não se aguenta mais tanta angústia, falta de ar (histeria?) – NÃO interromper ainda mais o movimento em direção à matriz. E ainda tem que se ultrapassar o medo e a raiva gerados por todos os bloqueios no caminho.

Sabe aquela raiva que se tem do/a parceiro/a sem nem saber o por quê? Pode ser a raiva de não ter conseguido chegar à mãe projetada nele/a. Ressalto isso porque, segundo Hellinger, “o movimento interrompido em direção à nossa mãe, bem como suas consequências, reflete-se igualmente em nossas relações de casal”, em nosso caminho profissional e em tantas outras empreitadas. No caso dos relacionamentos amorosos, por exemplo, “em vez de nos aproximar de nosso parceiro ou parceira, nos retiramos e esperamos que o outro venha ao nosso encontro (…)” Ele nos instrui, então, a prestar “atenção para identificar até que ponto o movimento interrompido em direção a nossa mãe se mostra de forma parecida, ou inclusive idêntica, à nossa relação de casal”

Mesmo que a mãe não possa amar como se gostaria por conta da culpa, por problemas ancestrais que a levaram a ser difícil, o/a filho/a deve agora ousar esta aproximação, ao menos interiormente. Mesmo que a mãe já esteja morta, ou tenha que se manter a uma distância saudável dela, tomar a mãe no coração transformaria o bolo na garganta chamado “mamãe, vc me aceita como eu sou?” em sua solução: “SIM, EU CONCORDO COM VOCÊ EXATAMENTE COMO É, MAMÃE! E agora eu a tomo e vou até você, interiormente, ultrapassando toda raiva e medo por tanta rejeição!”

Isso transbordaria para as relações e o mundo. Já não se quereria mais ser o que não se é para agradar ao pai, à mãe, aos professores, ao parceiro/a e aos outros. Já não se reprimiria mais os anseios da alma, seus desejos e as suas paixões para o mundo nos aceitar. Há algo em aceitar a mãe (e o pai) tal como é que faz crescer para além dos limites outrora repressores. Portanto, como diz Hellinger, as três palavras essenciais são: GRATIDÃO (pela vida recebida), SIM (eu concordo com você exatamente como é) e POR FAVOR (palavra mágica que se abre ao coração).

HISTERIA: UM PEQUENO RESUMO

Na Grécia antiga, a histeria que vem de hýstera e se traduz como matriz ou útero, segundo Hipócrates pode ser entendida como sintomas da repressão de um ser vivo dentro do corpo da mulher – o útero – que tem desejos próprios de sexo e procriação. A falta de relações sexuais e de gerar filhos pode levar ao sufocamento e à sensação de angústia, uma vez que o útero se desloca se seus desejos são violentamente frustrados, pressionando outros órgãos que afetam a respiração.

Na Idade Média, a histérica se transformou em “um ser possuído”, objeto, então, de competência jurídica e religiosa. Basicamente, tratava-se do comportamento das bruxas e da bruxaria e de seu julgamento” (Ramos, 2008:23). Na Renascença, que rompeu com a Idade Média buscando inspiração na Grécia antiga, a retomada da histeria é pelo viés da sua renaturalização, como sintomas de repressões que o vaso feminino possa sofrer, ou da cura médica (Ramos, 2008: 22-25).

No século XIX, o médico francês Pierre Briquet publica um livro intitulado “Tratado clínico terapêutico da histeria” e tem como pressuposto a histeria como sintomas da perturbação emocional da disfunção do cérebro. Relaciona estes sintomas também aos homens (Ramos, 2008: 24). O útero foi para as cucuias e o cérebro começou a receber todos os créditos e descréditos da existência emocional humana. Mas, os homens ganham algum status emocional – e isto é sempre bom!

O neurologista Jean-Martin Charcot, seguidor de Briquet, se atém ao aparecimento desta doença por conta das vivências de fortes emoções e da predisposição. Por meio da hipnose, produziu um tipo de “histeria de laboratório” e, por conta dela surgiam doenças físicas como dores musculares, paralisias, as contrações, as anestesias, transtornos alimentares, redução do campo visual, entre outras.

Com isso ele reafirma a ideia de Pinel sobre doenças mentais que estariam ligadas à “alma”, à dimensão psicológica ou das paixões. Em suas pesquisas enfatiza, também, a histeria masculina. Parecido com a neurastenia (astenia – fraqueza; neuro – cérebro) estudada pelo neurologista George Beard, com seus sintomas de angústia, depressão, fraqueza muscular (Ramos, 2008: 27-28).

Tanto Charcot como Briquet não viam relação da histeria com o desejo erótico. Já para outros estudiosos da época, os sintomas histéricos tinham relação com violação sexual, a exposição às cenas impressionantes desta temática e à insatisfação sexual como os antigos gregos pressupunham (Ramos, 2008: 29).

Diz-se que, graças à histeria e aos estudos sobre a obra de Charcot, Freud inaugura a psicanálise. Ele chama de conversão somática a transformação de elementos psicológicos em sintomas físicos por processos misteriosos. Este mistério retoma a questão corpo-mente (Ramos, 2008: 31) e um novo objeto de estudos ganha destaque – o inconsciente pessoal.

Com Jung, por fim, o inconsciente pessoal se abre ao coletivo, às caudas ancestrais e à riqueza cultural. Com o inconsciente coletivo aparecendo em sonhos, nos mitos, nos eventos sincrônicos da vida, é revelado o campo onde se alojam os tesouros e dragões da nossa história milenar.

Por Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

Fontes complementares – Livros: Mamãe Você me ama?” – Barbara M. Joose / “Meditações de Bert Hellinger”; “As Ordens do Amor”; “A Fonte não precisa perguntar pelo caminho” Ambos de Bert Hellinger / *Histeria e psicanálise depois de Freud” (UNICAMP) – Gustavo A. Ramos.

Leia mais em: Vínculos do Destino: A Fonte não precisa perguntar pelo caminho / Encontrando Seu Lugar na Árvore Ancestral da Vida

Artigos, Constelação Familiar, Terapias Integrativas

Concordância e Resiliência: Na Visão da Constelação Familiar

 “De um ponto de vista sistêmico, os problemas nada mais são do que tentativas frustradas de amar, e o amor que alimenta o problema pode ser redirecionado para solucioná-lo. Nossa tarefa é encontrar o ponto que amamos. Se ele é descoberto, tenho uma base de apoio. Quando encontramos este modo apropriado de amar, o problema se dissolve e o amor que alimentava o problema o resolve” – Bert Hellinger, do livro “A Simetria Oculta do Amor”.

Um dos maiores ensinamentos da Constelação Sistêmica de Bert Hellinger é a concordância com as coisas como elas são e da forma como se apresentam para nós. Concordar não é submeter-se cegamente às condições ou ser submisso a tudo e todos, mas compreender que herdamos um passado de nossos ancestrais que não pode ser alterado, que foi a única forma possível de a vida ter seguido adiante.

Sobre a aceitação ao nossos pais, ao nosso destino e ao nosso passado, a Constelação nos ensina de forma tão bela e profunda como se processa o oculto fluxo das Ordens do Amor. O que de fato faz com que um problema persista dentro de uma família é o desajuste dessa ordem, cujo fluxo de amor não tem espaço para fluir livremente entre todas as partes. Ao amor ainda falta o lugar no coração de alguns, iniciando pelo auto-amor e pela consciência de que uma família é como uma flor da vida: cada um sendo uma pétala, uma parte dessa geometria sagrada, com suas leis e suas ordens.

O primeiro ponto é que os pais, ao darem a vida, dão à criança tudo o que possuem, nesse mais profundo ato humano. A isso eles nada podem acrescentar, nem disso nada podem tirar. Na consumação do amor, o pai e a mãe entregam a totalidade do que possuem. Pertence, portanto, à ordem do amor que o filho tome a vida tal como a recebe de seus pais.

Dela, o filho nada pode excluir, nem desejar que não exista. A ela, também, nada pode acrescentar. O filho é os seus pais e o que recebeu deles. Portanto, pertence à ordem do amor para um filho, em primeiro lugar, que ele diga sim aos seus pais como eles são – sem qualquer outro desejo e sem nenhum medo. Só assim cada um recebe a vida: através dos seus pais, da forma como eles são.

Esse ato de tomar a vida é uma realização muito profunda. Tal ato consiste em assumir minha vida e meu destino, tal como me foi dado através de meus pais. Com os limites que me são impostos. Com as possibilidades que me são concedidas. Com o emaranhamento nos destinos e na culpa dessa família, no que houver nela de leve e de pesado, seja o que for.

Essa aceitação da vida é um ato de fé. É um ato de despojamento, uma renúncia a qualquer exigência que ultrapasse o que me foi transmitido através de meus pais. Essa aceitação vai muito além dos pais. Por esta razão, nesse ato não posso considerar apenas os meus pais. Preciso olhar para além deles, para o espaço distante de onde se origina a vida e me curvar diante de seu mistério. No ato de tomar os meus pais, digo sim a esse mistério e me ajusto a ele.

O efeito desse ato pode ser comprovado na própria alma. Imaginem-se curvando-se profundamente diante de seus pais e dizendo-lhes:”Eu tomo esta vida pelo preço que custou a vocês e que custa a mim. Eu tomo esta vida com tudo o que lhe pertence, com seus limites e oportunidades”. Nesse exato momento, o coração se expande. Quem consegue realizar esse ato, fica bem consigo, sente-se inteiro.

Como contraprova, pode-se igualmente imaginar o efeito da atitude oposta, quando uma pessoa diz: “Eu gostaria de ter outros pais. Não os suporto como eles são.” Quem fala assim, sente-se vazio e pobre, não pode estar em paz consigo. Algumas pessoas acreditam que, se aceitarem plenamente seus pais, algo de mau poderá infiltrar-se nelas. Assim, não se expõem à totalidade da vida. Com isto, contudo, perdem também o que é bom. Quem assume seus pais, como eles são, assume a plenitude da vida, como ela é.”

“Talvez você esteja buscando nos galhos o que só encontramos nas raízes” – Rumi

RESILIÊNCIA E GRATIDÃO

Todos viemos ao mundo através de uma mãe e um pai, uma mulher e um homem, e somente com essas pessoas a nossa vida foi possível, já que se fosse outro pai ou outra mãe, seria também outro filho. Na Constelação, precisamos tomar os nossos pais sem ressalvas, olhando para as pessoas reais – um homem e uma mulher comum com suas falhas – e conectar com a grandeza da sua missão de pai e de mãe, da forma como foi. Percebendo-os como pessoas comuns que disseram sim à nossa vida, nos trazendo ao mundo, independentemente da forma como isso tenha ocorrido, ganhamos força através dessas raízes.

O fato de estarmos vivos já é o suficiente para que tenhamos condições de irmos atrás do que precisamos, por nós mesmos. Logo, ficar na postura de cobrança em relação aos pais, desejando que eles tivessem agido diferentemente ou lhes exigindo o que quer que seja, nos afasta dessa força, já que estamos aqui e podemos buscar por nós.

A ressalva nesse caso está ligada aos filhos que não querem “crescer”, tornar-se adultos de fato, aqueles que permanecem dependentes dos pais independente da idade, e isso porque geralmente existe algum desequilíbrio das ordens do amor, entre o dar e o receber entre filhos e pais; ou ainda na situação contrária, quando os pais não liberam os filhos à vida, desejando que sejam dependentes deles de forma consciente ou inconsciente, uma vez que também não receberam dos seus pais o amor que desejavam como filhos.

Nessa perspectiva, o foco é na nossa postura como filhos, independente do comportamento dos nossos pais. Percebendo o nosso lugar como filhos, mergulhando nas nossas raízes e nos curando como homem ou mulher comum que também somos, certamente deixaremos aos nossos filhos e futuras gerações uma rota mais sábia, um legado mais amoroso e equilibrado. A nossa postura e o exercício diário e permanente precisa estar focado na gratidão pela oportunidade de viver. O caminho da aceitação dos nossos pais é o que irá nos liberar para uma vida mais leve, fluídica, abençoada e próspera, mesmo em meio às adversidades.

Outro ensinamento consiste em nos percebermos como “pequenos” diante dos nossos pais. Independente da idade que tivermos, eles serão os “grandes” e nós os “pequenos”. Essas expressões novamente nada tem a ver com submissão, mas apenas estão ligadas a uma ordem de hierarquia.

Faço aqui referência à semelhança de pedras empilhadas numa cachoeira por onde a água flui – geralmente as pedras que se encontram mais acima são maiores porque recebem o maior fluxo de água. Assim, esse conceito está ligado a outra “ordem do amor”: a hierarquia, segundo a qual quem chegou primeiro em um sistema familiar tem precedência sobre quem entrou depois, sendo o posicionamento dos membros do grupo ordenados pelo “tempo”.

A não ser nos casos de pais realmente incapazes por doenças ou incapacidades afins, devemos permanecer na postura de filhos, dos que vieram depois, respeitando suas escolhas e deixando que eles dirijam suas próprias vidas. Ainda que acreditemos que seria melhor para eles fazerem isso ou aquilo, que fossem mais assim ou assado, não nos cabe interferir, assim como não gostaríamos que outros interferissem em nossas escolhas.

Isso significa permanecer constantemente no nosso lugar, sem tentarmos ser os “maiores”, os que sabem mais ou os que conduzem tudo. Só assim conquistamos nosso espaço, ganhamos força e enraizamos mais profundamente dentro de nós para nos liberarmos daquilo que não nos serve e seguirmos nosso propósito. Importante destacar que essa mudança de postura é interna e pode ser tomada mesmo que os pais não estejam mais vivos ou que não se tenham contato com eles por outras razões. Sempre é tempo de tomarmos a vida em toda a sua plenitude e sermos mais leves, porque a vida sempre nos convida a celebrá-la.

Como reflexão, deixo esse trecho de um dos livros de Hellinger para aqueles que ousam seguir adiante, em busca do seu caminho que é único, com gratidão e honra aos seus pais e antepassados. Aqueles que aceitam aquilo que não podem mudar, fazendo o que lhes cabe sem sair do seu lugar. Aqueles que assumem suas luzes e suas sombras, mergulhando fundo nas suas raízes para encontrar os seus tesouros internos, enraizando cada vez mais para dentro de si. E quando essas raízes estiverem fortes o suficiente, seus galhos naturalmente serão expandidos para um lugar de paz, sem medos, com a sabedoria de uma mente clara e à serviço do seu propósito divino. Namaste!

Alguns lidam com os movimentos da alma que se mostram nas Constelações Familiares como uma criança que se depara pela primeira vez com o mar. Fica maravilhada diante da amplidão e pressente a profundeza. No entanto, logo pega seu baldinho, tira um pouco da água, volta e diz: “Vejam, é isto aqui”. Outros, porém, se aventuram no mar aberto, entregam-se ao vento, à tempestade, ao silêncio, vagueiam até distâncias desconhecidas e voltam transformados. Porém, quando narram um pouco disto aos que ficaram, estes dizem, talvez, amedrontados: “Isso não existe”. 

Fonte complementar: Trecho de palestra de Bert Hellinger em São Paulo – em original manuscrito/ Livros: Liberados somos Concluídos”, sobre a Segurança; A Simetria Oculta do Amor; As Ordens do Amor

Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

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Eleições: Sob a Luz da Física Quântica

A felicidade é muitas vezes sentida como perigosa porque traz solidão. O mesmo se passa com a solução: é tida como perigosa porque traz solidão. No problema e na infelicidade temos companhia. O problema e a infelicidade se associam a sentimentos de inocência e fidelidade. A solução e a felicidade, ao contrário, estão associadas a sentimentos de traição e culpa. Por isso, a felicidade e a solução só são possíveis quando enfrentamos esse sentimento de culpa. (…) Toda pessoa que lamenta, não quer agir. Todo consolo para alguém que se lamenta apóia a sua não-ação.” __ Bert Hellinger

Em tempos de eleições e debates calorosos cada vez menos respeitosos, ausentes de neutralidade, moral, ética e otimismo, qual seria a nossa posição e nossa conduta? Em tempos de mídias sociais, com apologia crescente a grupos de haters e jogos políticos corruptos, qual seria o nosso lugar enquanto cidadãos nesse quadro sócio-político?

Será que de fato nossa ação não faz a menor diferença? Ou será que temos um papel importante desde a concepção das nossas emoções, da criação dos nossos pensamentos, da expressão das nossas palavras e da construção das nossas críticas?

Diante de todas essas perguntas, que não cabe a mim respondê-las, deixo esse texto como uma profunda reflexão sobre como podemos unir esforços para construir o que queremos a apartir do que somos, do que pensamos, do que sentimos e verbalizamos.

Porque é mais fácil focar naquilo que não se quer do que naquilo que se quer profundamente. A segunda opção nos exige mais esforço e paciência, mais comprometimento conosco. É mais fácil perpetuar a infelicidade do que sair da zona de conforto e buscar a felicidade. Fica a dica de leitura! Namaste! ❤

“Quando nos tornamos indignados sobre uma situação qualquer, parece que estamos do lado do bem e contra o mal. Ou do lado da justiça e contrário à injustiça. Parecemos então ser aquele que intervém entre o agressor e sua vítima de modo a impedir um mal maior. Contudo, pode-se também intervir entre eles com amor. E isso seria, com certeza, melhor. Assim, o que o indignado quer? O que ele realmente obtém? O indignado se comporta como se ele próprio fosse uma vítima, embora não seja. Ele assume o direito de exigir uma reparação do agressor embora nenhuma injustiça tenha sido feita, pessoalmente a ele. Ele assume a tarefa de advogado das vítimas, como se ele tivesse dado a ele o direito de representá-las; e fazendo assim, deixa as verdadeiras vítimas sem direito. E o que faz o indignado com esta pretensão? Ele toma a liberdade de fazer coisas más aos agressores sem medo de qualquer consequência ruim para sua própria pessoa. Pois suas más ações parecem estar a serviço do bem, e assim elas não temem qualquer punição.” – Bert Hellinger

“Está com medo dessas eleições? Então sugiro que leia esse texto até o fim! Eu vou te contar como alcancei uma serenidade que me emociona sobre esse tema.

Ouço falar de amigos furiosos, discutindo nas redes sociais, desfazendo amizades no facebook, vejo alguns perdidos e desanimados com os candidatos disponíveis. Uns dizem que irão pra praia, voto nulo, voto em branco pra não ter o ônus de escolher em quem votar.

Entendo perfeitamente, estava assim até bem pouco tempo. Mas parei pra pensar e decidi criar paz em mim. Quer saber como fiz isso? Vou explicar. Entender é a sua parte!

A física quântica é a ciência das possibilidades. Nada está determinado no futuro, apenas há uma possibilidade de acontecer, de acordo com o seu comportamento atual. A única coisa que sabemos é que tudo é perfeito, mesmo quando achamos que algo é ruim; é preciso identificar algum aprendizado, o que torna a experiência válida.

Quando temos medo do futuro é porque estamos na dualidade, separados da nossa essência. Lembre-se que tudo é perfeito.

Tudo está em movimento. A matéria não é densa, é apenas um monte de partículas se movimentando. Os cientistas já provaram que o observador determina se o átomo vai se comportar como partícula ou como onda, num experimento chamado ‘Fenda Dupla’.

Trocando em miúdos, isso significa que cada pessoa cria a sua própria realidade. Realidade essa que é interpretada de forma diversa de acordo com suas experiências de vida, meio cultural onde vive e projetos de futuro.

Isso tudo me autoriza a valorizar a autorresponsabilidade.
Ou seja, se a sua timeline está cheia de troca de ofensas e você se perturba com isso, adivinha de quem é a responsabilidade? É sua. Você focou nisso. Você criou isso pra sua vida.

Você quer provar que o seu ponto de vista é o certo?
Impossível! Cada um cria sua própria realidade. Não aceitar o ponto de vista do outro cria uma realidade de intolerância, você não acha?

Além disso, aprendi recentemente que eu só enxergo no outro o que está em mim. Se não estivesse dentro de mim, eu nem teria percebido. E isso é maravilhoso!

A gente não consegue mudar o outro, mas podemos nos transformar e ensinar pelo exemplo. Trabalhe em você os defeitos que vê nos outros, fortaleça suas virtudes. Pergunte-se:
E se fosse comigo?
Será que devo acreditar em tudo o que vejo na TV?
Será que eu, no lugar da pessoa, teria agido diferente?
Teria eu coragem de entrar na política e fazer diferente?

No fim das contas somos todos Um, vivendo a ilusão da separação do tempo e espaço. Tudo está em movimento. E a serenidade é uma decisão.

Há anos identifiquei que me prejudicava assistir TV porque o mundo através das notícias jornalísticas me parecia mau, cheio de pessoas más, e me deixava levar por esse sentimento. Virei massa de manobra. Foi libertador pensar sozinha sem aquele bombardeio de informação/opinião alheia.

Não duvidem que o Brasil é uma nação maravilhosa. Estamos passando por um período de transição importantíssimo e extremamente necessário. Uma mudança de paradigma, de mentalidade. E a mudança começa dentro de cada um de nós.

Somos seres vibracionais. Temos um campo eletromagnético ao nosso redor.
Tudo o que emitimos, volta para nós. Simples assim.

A resposta é sempre sim, pois tudo é perfeito, lembra?
Se o seu foco está na indignação com a opinião alheia, você receberá situações para se indignar de volta porque você está criando a sua realidade. Uma realidade de intolerância. Pensando e agindo assim você contribui pra facadas, agressões e revolta de gente desequilibrada. E o pior, está contaminando todos ao seu redor.

O coração emite vibração eletromagnética muito maior do que o cérebro.
Ou seja, sentir medo, raiva, só vai trazer mais disso pra você. Sinta alegria, sinta paz e serenidade. Encontre pontos positivos no processo.

Tenho certeza que sua vibração vai mudar assim que seu foco for por enxergar o lado bom sempre. Mudando a si, você muda uma comunidade inteira.

Pense, faça uma análise critica dos candidatos, mas não sinta medo ou ódio porque você está se prejudicando e atrapalhando os outros.

Vibre na paz. Ouça uma bela música.
Busque áudios bineurais na internet, meditação hooponopono, faça uma oração, uma prece, um pensamento positivo e transmute esse sentimento ruim em paz e alegria. Veja vídeos alegres, divertidos!

Automaticamente, a melhor das possibilidades será criada e os melhores candidatos serão eleitos. Claro, a responsabilidade é de todos nós. O amadurecimento da nação depende da autorresponsabilidade.

Vamos fazer a nossa parte?”

Texto: Roberta Ramalho

Fonte Complementar: Ordens do Amor – Bert Hellinger, criador da Constelação Familiar e Sistêmica

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Herança Ancestral: Somos Raíz antes de Sermos Fruto

Ao longo de muito tempo, sigo pesquisando sobre meus antepassados como uma forma de conhecer e compreender a mim mesma. Vejo a importância histórica dos caminhos deixados por nossos ancestrais como uma ferramenta para compreendermos nosso presente – padrões emocionais, de comportamento e de pensamento incluem-se aqui – assim como estarmos mais conscientes de nós e do nosso real propósito para irmos em direção ao futuro com nossas mochilas e nossas costas mais leves, nossas mentes mais sábias e claras, nossas rotas mais fluídas.

Essa jornada nos traz uma visão muito mais ampla sobre quem somos a partir do que herdamos para, assim, podermos escolher ser o que almejamos a partir do que acreditamos – discernimento este tão necessário para nos tornarmos aquele por quem temos esperado, ao invés de sermos o resultado das expectativas, projeções e transferências de outros, o que pode nos gerar um sentimento de grande vazio existencial.

Esse mapa ancestral contém tesouros belos e ricos em essência: aqueles representados pelos nossos antepassados que nos deixaram conhecimentos importantes, dons, talentos, medicinas, visões diferentes de mundo, sábios saberes – sabedorias repletas de verdades e valores essenciais que, no agora, são alimento e nutrição para nossa alma e nosso coração.

Da mesma forma, esse mapa contém tesouros que chamo de “ouro velho”: aqueles que muitas vezes ficaram estagnados e que perderam seu valor ao longo do tempo, mas não a sua importância porque são capazes de atravessar inúmeras gerações através do nosso DNA, uma vez que nossas células guardam tanta memória quanto um pequeno chip. Esses tesouros velhos representam tudo o que foi negado, escondido, reprimido e excluído. Aqui, geralmente residem as dores, os traumas e os sofrimentos vividos pelos nossos antepassados.

Portanto, ao investigarmos nossa árvore ancestral é importante termos consciência das raízes que já foram iluminadas – nos fortalecemos através delas – e também das que ainda estão na escuridão, que podem conter partes nossas que precisam vir à luz da consciência, residindo em áreas do nosso inconsciente ou subconsciente. A importância dessas raízes que estão obscurecidas é tão grande quanto às que já estão iluminadas, porque se permanecemos ignorantes diante do que foi reprimido podemos simplesmente estar perpetuando um padrão e, com isso, perder a força que nos impulsionaria para o progresso.

Complementando essa reflexão, transcrevo um texto que traz alguns esclarecimentos sobre como os fios e tramas desse tecido universal ancestral pode influenciar diretamente nossas vidas, na maioria das vezes sem que tenhamos consciência. Que essas reflexões possam ajudar você a conhecer e compreender suas raízes, fortalecendo-se através das suas luzes e das suas sombras, para assim estar mais consciente a cada dia e poder gerar sementes, frutos e flores num amanhã glorioso. Quanto mais enraizada for uma árvore, maiores serão os seus galhos em direção ao sol. Namaste!

A HERANÇA EMOCIONAL DOS NOSSOS ANTEPASSADOS

“Este texto é um estímulo para levantarmos com entusiasmo a nossa árvore genealógica.

A herança emocional é tão decisiva quanto intransigente e impositora. Estamos enganados quando pensamos que a nossa história começou quando emitimos o nosso primeiro choro. Pensar dessa forma é um erro porque, assim como somos o fruto da união do óvulo e do esperma, também somos um produto dos desejos, fantasias, medos e toda uma constelação de emoções e percepções que se misturaram para dar origem a uma nova vida.

Atualmente falamos muito sobre o conceito de “história familiar”. Quando uma pessoa nasce, ela começa a escrever uma história com suas ações. Se observarmos as histórias de cada membro de uma família, encontraremos semelhanças essenciais e objetivos comuns. Parece que cada indivíduo é um capítulo de uma história maior, que está sendo escrita ao longo de diferentes gerações.

Esta situação foi muito bem retratada no livro “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel García Márquez, que mostra como o mesmo medo é repetido através de diferentes gerações até que se torna realidade e termina com toda uma linhagem. O que herdamos das gerações anteriores contém também os pesadelos, os traumas e as experiências mal resolvidas.

A HERANÇA DE NOSSOS ANTEPASSADOS QUE ATRAVESSA GERAÇÕES

Esse processo de transmissão entre as gerações é algo inconsciente. Normalmente são situações ocultas ou confusas que causam vergonha ou medo. Os descendentes de alguém que sofreu um trauma não tratado suportam o peso dessa falta de resolução. Eles sentem ou pressentem que existe “algo estranho” que gravita ao seu redor como um peso, mas que não conseguem definir o que é.

Por exemplo, uma avó que foi abusada sexualmente transmite os efeitos do seu trauma, mas não o seu conteúdo. Talvez até mesmo seus filhos, netos e bisnetos sintam uma certa intolerância em relação à sexualidade, ou uma desconfiança visceral das pessoas do sexo oposto, ou uma sensação de desesperança que não conseguem explicar.

Essa herança emocional também pode se manifestar como uma doença. O psicanalista francês Françoise Dolto disse: “o que é calado na primeira geração, a segunda carrega no corpo”. Assim como existe um “inconsciente coletivo“, também existe um “inconsciente familiar”.

Nesse inconsciente estão guardadas todas as experiências silenciadas, que estão escondidas porque são um tabu: suicídios, abortos, doenças mentais, homicídios, perdas, abusos, etc. O trauma tende a se repetir na próxima geração, até encontrar uma maneira de tornar-se consciente e ser resolvido.

Esses desconfortos físicos ou emocionais que parecem não ter explicação podem ser “uma chamada” para que tomemos consciência desses segredos silenciados ou daquelas verdades escondidas, que provavelmente não estão na nossa própria vida, mas na vida de algum dos nossos antepassados.

CAMINHO PARA A COMPREENSÃO DA HERANÇA EMOCIONAL

É natural que diante de experiências traumáticas as pessoas reajam tentando esquecer. Talvez a lembrança seja muito dolorosa e elas acreditam que não serão capazes de suportá-la e transcendê-la. Ou talvez a situação comprometa a sua dignidade, como no caso de abuso sexual, em que apesar de ser uma vítima, a pessoa se sente constrangida e envergonhada. Ou simplesmente querem evitar o julgamento dos outros. Por isso, o fato é enterrado e a melhor solução é não falar sobre assunto.

Este tipo de esquecimento é muito superficial. Na verdade o tema não está esquecido, a lembrança é reprimida. Tudo que reprimimos se manifesta de uma outra forma. É mais seguro quando volta através da repetição.

Isto significa, por exemplo, que uma família que tenha vivenciado o suicídio de um dos seus membros provavelmente vai experimentá-lo novamente com outra pessoa, em uma nova geração. Se a situação não foi abordada e resolvida, ficará flutuando como um fantasma que voltará a se manifestar mais cedo ou mais tarde. O mesmo se aplica a todos os tipos de trauma.

Cada um de nós tem muito a aprender com os seus antepassados. A herança que recebemos é muito mais ampla do que supomos. Nela poderemos encontrar a causa de muitos de nossos sofrimentos.

Qual a herança positiva e negativa dos seus antepassados? O que fazer com o que foi herdado? Devemos perpetuar, repetir, salvar, negar, encobrir as feridas destes eventos transformados em segredos, ou entender, aprender e transcender?

Todas as informações que pudermos coletar sobre os nossos antepassados serão o melhor legado que podemos ter e deixar para nossos descendentes. Saber de onde viemos, quem são essas pessoas que não conhecemos, mas que estão na raiz de quem somos, é um caminho fascinante que só nos trará benefícios. Isto nos ajudará a dar um passo importante para chegar a uma compreensão mais profunda de qual é o nosso verdadeiro papel no mundo.”

Fonte Complementar: Texto de Edith Cassal