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Abortos: Incluindo os Excluídos – Visões da Psicanálise e da Constelação Familiar

No trabalho das constelações familiares as crianças abortadas pertencem ao sistema familiar, mesmo que não tenham se desenvolvido plenamente até o nascimento ou que tenham existido por um pequeno período de tempo. Apenas o fato de terem existido na família configura a necessidade de fazerem parte do sistema, e por isso precisam ser incluídas para que haja ordem e equilíbrio.

Nesse sentido, não importa se o aborto foi espontâneo, se foi provocado ou se houve a decisão consciente de fazê-lo. Segundo os preceitos da constelação sistêmica, uma lei natural – a Lei do Pertencimento – não faz julgamento moral. O pertencimento ocorre desde a fecundação e não apenas pelo nascimento, como a maior parte das pessoas pensa.

Levo o olhar um pouco mais adiante, observando também a conexão da alma dessa criança com os pais, que ocorre muitas vezes anos antes do nascimento propriamente dito. Em atendimentos a casais e muitas mulheres que desejaram engravidar, acompanhei casos em que foi preciso trabalhar antes a harmonia da ligação do casal com a alma da criança – algumas delas nem vieram a nascer, mas por terem sido reconhecidas, voltaram para o seu lugar em paz. Após o período necessário de ajuste, de reconhecimento deste ser, foi possível para esses casais se sentirem em harmonia para que uma outra criança viesse depois, seja por meio de gravidez, de adoção ou fecundação in vitro.

Antes de terem consciência da necessidade de incluir a criança excluída – seja em relação a culpas ou compromissos de vidas passadas, seja por abortos advindos das ancestrais que foram escondidos, reprimidos, obrigados ou negados por tabus, crenças, ideologias e padrões da época – esses casais se sentiam “presos” de alguma forma, principalmente no que tange à mulher, com inúmeras tentativas fracassadas de gravidez.

Na constelação, há uma frase que diz: “Uma pessoa está em paz quando todas as pessoas que pertencem à sua família tem um lugar em seu coração.” Essa é aquela paz que mora no silêncio interior, que brota de dentro sem esforço porque ela simplesmente é em nós; é a força, a leveza e a fé que recebemos das nossas entranhas, das nossas raízes para seguir adiante, dar os próximos passos em direção às mudanças e ao progresso. E isso conseguimos quando estamos em nosso lugar na hierarquia familiar.

Essa criança que não nasceu, portanto, só precisa de um lugar na família: o seu lugar, para assim não ser uma “sobrecarga” aos filhos que vierem depois, uma vez que a tendência dos que vem depois é assumir o destino daquele que foi excluído quando esse ato de pertencer não ocorre por parte do casal. Quando a inclusão não acontece, há desequilíbrios no sistema familiar tanto para o casal quanto para os filhos que precedem. Nesse cenário, a ordem do pertencimento dos filhos também será afetada, à semelhança da base estrutural de um prédio, de uma progressão geométrica ou de uma cascata. Em todos esses exemplos, existe uma ordem que possibilita a criação de formas harmônicas.

Outras situações comuns que também estão dentro da lei do pertencimento e que precisam ser consideradas:

Gravidez tubária ou ectópica: quando o óvulo fecundado implanta-se de forma equivocada em outras estruturas que não o útero. A forma mais comum é a gravidez tubária, que ocorre dentro das trompas de Falópio. Em 98% dos casos, o ovo não percorre todo o caminho até o útero e acaba se alojando precocemente na parede de uma das trompas. Nos 2% restantes, a implantação do ovo ocorre em outras estruturas como ovário, colo do útero ou cavidade abdominal;

Gestação anembrionária ou “ovo cego“: quando um óvulo fertilizado se implanta no útero, mas o bebê não se desenvolve. Ao fazer uma ultrassonografia, no primeiro trimestre da gestação, o saco gestacional aparece vazio, sem embrião dentro. É o chamado “ovo cego”, que resulta em um aborto espontâneo;

Pílula do dia seguinte: método de emergência e não-preventivo. Pode ser usado para evitar gravidez após a relação sexual não segura. Apesar de ser interpretada como uma solução prática para evitar a gravidez indesejada, esse recurso é indicado apenas para casos emergenciais e deve ser usado com cuidado, já que traz efeitos colaterais a curto e longo prazo. Conheci mulheres que engravidaram com a pílula do dia seguinte principalmente porque abusaram do seu uso, desregulando assim seus ciclos e período fértil;

Fecundação em vitro com congelamento de embriões. Esses embriões congelados também pertencem.

Observa-se que quando a fecundação acontece, mesmo que não tenha sequência na completude do processo, ela está dentro da lei do pertencimento. Nas constelações familiares olha-se com muito respeito para todos esses casos, sem qualquer tipo de julgamento, cuja base para uma solução possível é dar a essas crianças um lugar no coração. “O amor preenche o que a ordem abarca. O amor é a água, a ordem é o jarro. A ordem ajunta, o amor flui. Ordem e Amor atuam juntos.”

MAMÃE, VOCÊ ME ACEITA COMO EU SOU?

Transcrevo o trecho maravilhoso do livro de Barbara Joose sobre o tema, palavras que representam profundamente a voz dos excluídos, gerando reflexões importantes acerca de como a negação da existência dessas crianças afeta todo o sistema familiar e as futuras gerações:

O tema sobre o qual faço esta reflexão é difícil e polêmico. Coisas de se abrir ao coração para não deixa-lo quebrar…Quando eu entrava, e entro em contato, numa constelação familiar, com as reações dos abortos provocados, uma frase emperrava em minha garganta. Não consegui traduzi-la até poucas semanas atrás: – Mamãe, você me aceita (como eu sou)?

Como na constelação fica evidente que tudo o que foi criado não perde sua existência, aquilo que chamamos de óvulo fecundado (na barriga ou congelado), feto, embrião de uma semana, existe como entidade total para alma familiar e não precisa da legitimidade social para ter este direito, mas para ter seu lugar. Esta frase, então, “mamãe, você me aceita (como eu sou)?” estava na garganta da mãe que aborta, da criança abortada, dos irmãos dela e do pai da criança abortada. Todos perguntam à sua própria mãe se ela concorda com sua existência.

A pergunta neles parece que fica assim:

Mãe que aborta à sua mãe: “Mamãe, você me aceita? Como filha, mulher, esposa, filha do meu pai, mãe dos meus filhos? Dona dos meus atos, etc…?”

Pai da criança abortada à sua mãe: “Mamãe, você me aceita? Como filho, homem, pai, filho do meu pai, etc…?”

Irmãos da(s) criança(s) abortada(s): “Mamãe, você me aceita? Como filho, mesmo tendo tirado outro? O amor que tenho por você, independente do que faz? Como irmão do meu irmão morto? Como teu filho que tem o irmão morto no coração, etc…?”

Criança abortada: “Mamãe, você me aceita? Mesmo que tenha me tirado? Com todo seu sentimento de culpa, eu mereço seu olhar, seu amor, minha inclusão, etc…?”

Esta percepção me levou àquele bolo na garganta, muitas vezes o “globo histérico” – somatização da chamada neurose histérica. Será que nele estão tingidas as cores emocionais e as implicações desta pergunta à mãe? O que este bolo indigesto tem a ver com o movimento interrompido em direção à mãe? Qual a solução? (Um grande soluço).

Fui fazer um pequeníssimo resumo da trajetória da histeria, seus sintomas e hipóteses de sua etiologia por meio de um livro ótimo* – coloco ao final deste texto para quem quiser ler. Minha intenção era entender um pouco desta tão famosa “doença” da alma com suas perturbações emocionais e paixões reprimidas, e relacioná-la com minhas percepções atávicas – se isso existe – dos efeitos do aborto provocado em um sistema familiar.

Nesta sinopse, destaquei a hýstera (útero, matriz), onde todos são gerados; o desejo sexual e de procriação sufocados que se transformam em sintomas físicos ‘pedindo ajuda’ (histeria); a investigação dos sintomas de angústia expandida aos homens, tanto como nas mulheres, causada pela repressão de seus desejos e paixões, e os anseios da alma; a relação corpo-mente recolocada em questão por meio desta “doença”, levando ao conceito de inconsciente pessoal (Freud), extrapolado ao inconsciente coletivo (Jung). Tudo isso desafiando qualquer negação da pluridimensionalidade humana. Ou seja, se a existência é multidimensional, não há só uma forma de abordá-la e uma só linguagem para entendê-la ou se fazer entender.

Quero dizer, assim, todos os anseios reprimidos – sem voz – pediriam legitimidade em sintomas na garganta? No sistema reprodutor? Na tireoide? Nos pulmões? No corpo, como na histeria? Buscariam campos de representação nas relações sexuais, nos encontros de amor? Nas relações pais e filhos? Nosso corpo e relações seriam o campo privilegiado para partes excluídas nossas (e de nossa família) se manifestarem por meio “doenças e curas”? É que a vida e o corpo multidimensional, suas dores e amores, são muito criativos ao se fazer notar quando não sabemos escutá-los.

E esta voz abafada, essas representações e sintomas pertencem a quem? Quem é a “dona” do útero ferido? Do desejo reprimido? Da angústia? Dos anseios da alma? Sou eu que tenho o sintoma ou também pertence a algum ancestral ou à alma familiar? O que se tem visto nos movimentos de alma durante a Constelação é que quando há um aborto provocado, mesmo que ele seja um segredo, o irmão nascido, o pai, a mãe e a criança abortada se sentem em conexão intensa, como se existisse de fato uma criança ali, porque existe. Não estou reafirmando a visão espírita, estou apenas sublinhando o que Hellinger já disse: o que foi criado não desaparece jamais.

“Por que ele/a não pôde vir? Por que foi abortado?” Não é, então, o essencial. O que a garganta fechada de todos os envolvidos quer dizer, sem dizer, é: “Você me aceita? Eu posso existir?”. Este bolo gutural ganha dimensão pujante nas irmãs vivas, que muitas vezes praticam o aborto, seguindo a sina familiar. Por conta disso, pode haver um bloqueio na relação com a mãe, e isso a impede de ir até ela criando um movimento interrompido em direção à mãe.

No caso, o/a filho/a não consegue ir à mãe por não se sentir aceito, mesmo que seja. “Se meu irmão não foi aceito, por que eu seria?” Aqui ele/a pode estar julgando a mãe, ou se identificado com o irmão morto, ou os dois. Esta dificuldade impossibilita que se tome a matriz. Esta situação gera no filho excluído pelo aborto mais um sofrimento: não bastou não vir, seu destino torna outros menos felizes. Por outro lado, a mãe também pode ser dura consigo mesma, e como forma de compensar sua responsabilidade e implicações do seu ato dificulta o caminho do seu filho até ela. Bem, não só o aborto pode endurecer um coração.

Voltando ao assunto, não sei se serei compreendida, mas em última análise e sem julgamentos, nenhum motivo justifica um aborto provocado. Mas os motivos existem, desde emaranhamentos familiares complicadíssimos até ilusões sobre o que se quer da vida. Então, será mesmo que o que levou a mulher a esta ação não a ajudaria a encarar seu filho morto nos olhos, coloca-lo no coração e retomar sua vida para algo bom, sem desejar a antiga inocência, mas com a carga do que fez ou teve que fazer?

Aquilo que te (me) fez abortar, busque! Ao menos assim, pode-se olhar para o/a filho/a morto neste ato dolorosíssimo e cheio de implicações, e saber que ele (o ato) não foi em vão para a mãe, nem para o filho. Dizer que é só um embrião, não ajuda em nada. Discutir quando a vida começa, também não dá conta das implicações do aborto na alma, além de desconsiderar o mundo dos mortos – local onde a existência mantém tudo o que já foi criado, mesmo um “embrião”.

E também desconsidera a mulher, o útero e o feminino, o que esta dimensão de cálice pode revelar além do racionalismo científico e dos dogmas religiosos. Como sou uma mulher e tenho útero, sei que teço meus filhos, obras, visões, deste mundo invisível e insondável. Há práticas xamânicas que se sustentam neste órgão e suas visões, por isso a repressão de sua sabedoria e não só de seus desejos pode sim virar histeria. Histeria coletiva! Não foi por isso que se queimaram as bruxas? Elas sabiam demais!

Que tudo isso não seja incentivo para se abortar, nem um peso maior do que já é para quando “não há escolha”. Que seja um estímulo para buscar o saber também pelo irracional e não só pela razão, para criar um mundo capaz de acolher o mistério, assim como aplaude a luz. Tanto para mãe, quanto para os envolvidos na família onde há aborto provocado, resta, quando chegar a hora – geralmente quando já não se aguenta mais tanta angústia, falta de ar (histeria?) – NÃO interromper ainda mais o movimento em direção à matriz. E ainda tem que se ultrapassar o medo e a raiva gerados por todos os bloqueios no caminho.

Sabe aquela raiva que se tem do/a parceiro/a sem nem saber o por quê? Pode ser a raiva de não ter conseguido chegar à mãe projetada nele/a. Ressalto isso porque, segundo Hellinger, “o movimento interrompido em direção à nossa mãe, bem como suas consequências, reflete-se igualmente em nossas relações de casal”, em nosso caminho profissional e em tantas outras empreitadas. No caso dos relacionamentos amorosos, por exemplo, “em vez de nos aproximar de nosso parceiro ou parceira, nos retiramos e esperamos que o outro venha ao nosso encontro (…)” Ele nos instrui, então, a prestar “atenção para identificar até que ponto o movimento interrompido em direção a nossa mãe se mostra de forma parecida, ou inclusive idêntica, à nossa relação de casal”

Mesmo que a mãe não possa amar como se gostaria por conta da culpa, por problemas ancestrais que a levaram a ser difícil, o/a filho/a deve agora ousar esta aproximação, ao menos interiormente. Mesmo que a mãe já esteja morta, ou tenha que se manter a uma distância saudável dela, tomar a mãe no coração transformaria o bolo na garganta chamado “mamãe, vc me aceita como eu sou?” em sua solução: “SIM, EU CONCORDO COM VOCÊ EXATAMENTE COMO É, MAMÃE! E agora eu a tomo e vou até você, interiormente, ultrapassando toda raiva e medo por tanta rejeição!”

Isso transbordaria para as relações e o mundo. Já não se quereria mais ser o que não se é para agradar ao pai, à mãe, aos professores, ao parceiro/a e aos outros. Já não se reprimiria mais os anseios da alma, seus desejos e as suas paixões para o mundo nos aceitar. Há algo em aceitar a mãe (e o pai) tal como é que faz crescer para além dos limites outrora repressores. Portanto, como diz Hellinger, as três palavras essenciais são: GRATIDÃO (pela vida recebida), SIM (eu concordo com você exatamente como é) e POR FAVOR (palavra mágica que se abre ao coração).

HISTERIA: UM PEQUENO RESUMO

Na Grécia antiga, a histeria que vem de hýstera e se traduz como matriz ou útero, segundo Hipócrates pode ser entendida como sintomas da repressão de um ser vivo dentro do corpo da mulher – o útero – que tem desejos próprios de sexo e procriação. A falta de relações sexuais e de gerar filhos pode levar ao sufocamento e à sensação de angústia, uma vez que o útero se desloca se seus desejos são violentamente frustrados, pressionando outros órgãos que afetam a respiração.

Na Idade Média, a histérica se transformou em “um ser possuído”, objeto, então, de competência jurídica e religiosa. Basicamente, tratava-se do comportamento das bruxas e da bruxaria e de seu julgamento” (Ramos, 2008:23). Na Renascença, que rompeu com a Idade Média buscando inspiração na Grécia antiga, a retomada da histeria é pelo viés da sua renaturalização, como sintomas de repressões que o vaso feminino possa sofrer, ou da cura médica (Ramos, 2008: 22-25).

No século XIX, o médico francês Pierre Briquet publica um livro intitulado “Tratado clínico terapêutico da histeria” e tem como pressuposto a histeria como sintomas da perturbação emocional da disfunção do cérebro. Relaciona estes sintomas também aos homens (Ramos, 2008: 24). O útero foi para as cucuias e o cérebro começou a receber todos os créditos e descréditos da existência emocional humana. Mas, os homens ganham algum status emocional – e isto é sempre bom!

O neurologista Jean-Martin Charcot, seguidor de Briquet, se atém ao aparecimento desta doença por conta das vivências de fortes emoções e da predisposição. Por meio da hipnose, produziu um tipo de “histeria de laboratório” e, por conta dela surgiam doenças físicas como dores musculares, paralisias, as contrações, as anestesias, transtornos alimentares, redução do campo visual, entre outras.

Com isso ele reafirma a ideia de Pinel sobre doenças mentais que estariam ligadas à “alma”, à dimensão psicológica ou das paixões. Em suas pesquisas enfatiza, também, a histeria masculina. Parecido com a neurastenia (astenia – fraqueza; neuro – cérebro) estudada pelo neurologista George Beard, com seus sintomas de angústia, depressão, fraqueza muscular (Ramos, 2008: 27-28).

Tanto Charcot como Briquet não viam relação da histeria com o desejo erótico. Já para outros estudiosos da época, os sintomas histéricos tinham relação com violação sexual, a exposição às cenas impressionantes desta temática e à insatisfação sexual como os antigos gregos pressupunham (Ramos, 2008: 29).

Diz-se que, graças à histeria e aos estudos sobre a obra de Charcot, Freud inaugura a psicanálise. Ele chama de conversão somática a transformação de elementos psicológicos em sintomas físicos por processos misteriosos. Este mistério retoma a questão corpo-mente (Ramos, 2008: 31) e um novo objeto de estudos ganha destaque – o inconsciente pessoal.

Com Jung, por fim, o inconsciente pessoal se abre ao coletivo, às caudas ancestrais e à riqueza cultural. Com o inconsciente coletivo aparecendo em sonhos, nos mitos, nos eventos sincrônicos da vida, é revelado o campo onde se alojam os tesouros e dragões da nossa história milenar.

Por Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

Fontes complementares – Livros: Mamãe Você me ama?” – Barbara M. Joose / “Meditações de Bert Hellinger”; “As Ordens do Amor”; “A Fonte não precisa perguntar pelo caminho” Ambos de Bert Hellinger / *Histeria e psicanálise depois de Freud” (UNICAMP) – Gustavo A. Ramos.

Leia mais em: Vínculos do Destino: A Fonte não precisa perguntar pelo caminho / Encontrando Seu Lugar na Árvore Ancestral da Vida

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Concordância e Resiliência: Na Visão da Constelação Familiar

 “De um ponto de vista sistêmico, os problemas nada mais são do que tentativas frustradas de amar, e o amor que alimenta o problema pode ser redirecionado para solucioná-lo. Nossa tarefa é encontrar o ponto que amamos. Se ele é descoberto, tenho uma base de apoio. Quando encontramos este modo apropriado de amar, o problema se dissolve e o amor que alimentava o problema o resolve” – Bert Hellinger, do livro “A Simetria Oculta do Amor”.

Um dos maiores ensinamentos da Constelação Sistêmica de Bert Hellinger é a concordância com as coisas como elas são e da forma como se apresentam para nós. Concordar não é submeter-se cegamente às condições ou ser submisso a tudo e todos, mas compreender que herdamos um passado de nossos ancestrais que não pode ser alterado, que foi a única forma possível de a vida ter seguido adiante.

Sobre a aceitação ao nossos pais, ao nosso destino e ao nosso passado, a Constelação nos ensina de forma tão bela e profunda como se processa o oculto fluxo das Ordens do Amor. O que de fato faz com que um problema persista dentro de uma família é o desajuste dessa ordem, cujo fluxo de amor não tem espaço para fluir livremente entre todas as partes. Ao amor ainda falta o lugar no coração de alguns, iniciando pelo auto-amor e pela consciência de que uma família é como uma flor da vida: cada um sendo uma pétala, uma parte dessa geometria sagrada, com suas leis e suas ordens.

O primeiro ponto é que os pais, ao darem a vida, dão à criança tudo o que possuem, nesse mais profundo ato humano. A isso eles nada podem acrescentar, nem disso nada podem tirar. Na consumação do amor, o pai e a mãe entregam a totalidade do que possuem. Pertence, portanto, à ordem do amor que o filho tome a vida tal como a recebe de seus pais.

Dela, o filho nada pode excluir, nem desejar que não exista. A ela, também, nada pode acrescentar. O filho é os seus pais e o que recebeu deles. Portanto, pertence à ordem do amor para um filho, em primeiro lugar, que ele diga sim aos seus pais como eles são – sem qualquer outro desejo e sem nenhum medo. Só assim cada um recebe a vida: através dos seus pais, da forma como eles são.

Esse ato de tomar a vida é uma realização muito profunda. Tal ato consiste em assumir minha vida e meu destino, tal como me foi dado através de meus pais. Com os limites que me são impostos. Com as possibilidades que me são concedidas. Com o emaranhamento nos destinos e na culpa dessa família, no que houver nela de leve e de pesado, seja o que for.

Essa aceitação da vida é um ato de fé. É um ato de despojamento, uma renúncia a qualquer exigência que ultrapasse o que me foi transmitido através de meus pais. Essa aceitação vai muito além dos pais. Por esta razão, nesse ato não posso considerar apenas os meus pais. Preciso olhar para além deles, para o espaço distante de onde se origina a vida e me curvar diante de seu mistério. No ato de tomar os meus pais, digo sim a esse mistério e me ajusto a ele.

O efeito desse ato pode ser comprovado na própria alma. Imaginem-se curvando-se profundamente diante de seus pais e dizendo-lhes:”Eu tomo esta vida pelo preço que custou a vocês e que custa a mim. Eu tomo esta vida com tudo o que lhe pertence, com seus limites e oportunidades”. Nesse exato momento, o coração se expande. Quem consegue realizar esse ato, fica bem consigo, sente-se inteiro.

Como contraprova, pode-se igualmente imaginar o efeito da atitude oposta, quando uma pessoa diz: “Eu gostaria de ter outros pais. Não os suporto como eles são.” Quem fala assim, sente-se vazio e pobre, não pode estar em paz consigo. Algumas pessoas acreditam que, se aceitarem plenamente seus pais, algo de mau poderá infiltrar-se nelas. Assim, não se expõem à totalidade da vida. Com isto, contudo, perdem também o que é bom. Quem assume seus pais, como eles são, assume a plenitude da vida, como ela é.”

“Talvez você esteja buscando nos galhos o que só encontramos nas raízes” – Rumi

RESILIÊNCIA E GRATIDÃO

Todos viemos ao mundo através de uma mãe e um pai, uma mulher e um homem, e somente com essas pessoas a nossa vida foi possível, já que se fosse outro pai ou outra mãe, seria também outro filho. Na Constelação, precisamos tomar os nossos pais sem ressalvas, olhando para as pessoas reais – um homem e uma mulher comum com suas falhas – e conectar com a grandeza da sua missão de pai e de mãe, da forma como foi. Percebendo-os como pessoas comuns que disseram sim à nossa vida, nos trazendo ao mundo, independentemente da forma como isso tenha ocorrido, ganhamos força através dessas raízes.

O fato de estarmos vivos já é o suficiente para que tenhamos condições de irmos atrás do que precisamos, por nós mesmos. Logo, ficar na postura de cobrança em relação aos pais, desejando que eles tivessem agido diferentemente ou lhes exigindo o que quer que seja, nos afasta dessa força, já que estamos aqui e podemos buscar por nós.

A ressalva nesse caso está ligada aos filhos que não querem “crescer”, tornar-se adultos de fato, aqueles que permanecem dependentes dos pais independente da idade, e isso porque geralmente existe algum desequilíbrio das ordens do amor, entre o dar e o receber entre filhos e pais; ou ainda na situação contrária, quando os pais não liberam os filhos à vida, desejando que sejam dependentes deles de forma consciente ou inconsciente, uma vez que também não receberam dos seus pais o amor que desejavam como filhos.

Nessa perspectiva, o foco é na nossa postura como filhos, independente do comportamento dos nossos pais. Percebendo o nosso lugar como filhos, mergulhando nas nossas raízes e nos curando como homem ou mulher comum que também somos, certamente deixaremos aos nossos filhos e futuras gerações uma rota mais sábia, um legado mais amoroso e equilibrado. A nossa postura e o exercício diário e permanente precisa estar focado na gratidão pela oportunidade de viver. O caminho da aceitação dos nossos pais é o que irá nos liberar para uma vida mais leve, fluídica, abençoada e próspera, mesmo em meio às adversidades.

Outro ensinamento consiste em nos percebermos como “pequenos” diante dos nossos pais. Independente da idade que tivermos, eles serão os “grandes” e nós os “pequenos”. Essas expressões novamente nada tem a ver com submissão, mas apenas estão ligadas a uma ordem de hierarquia.

Faço aqui referência à semelhança de pedras empilhadas numa cachoeira por onde a água flui – geralmente as pedras que se encontram mais acima são maiores porque recebem o maior fluxo de água. Assim, esse conceito está ligado a outra “ordem do amor”: a hierarquia, segundo a qual quem chegou primeiro em um sistema familiar tem precedência sobre quem entrou depois, sendo o posicionamento dos membros do grupo ordenados pelo “tempo”.

A não ser nos casos de pais realmente incapazes por doenças ou incapacidades afins, devemos permanecer na postura de filhos, dos que vieram depois, respeitando suas escolhas e deixando que eles dirijam suas próprias vidas. Ainda que acreditemos que seria melhor para eles fazerem isso ou aquilo, que fossem mais assim ou assado, não nos cabe interferir, assim como não gostaríamos que outros interferissem em nossas escolhas.

Isso significa permanecer constantemente no nosso lugar, sem tentarmos ser os “maiores”, os que sabem mais ou os que conduzem tudo. Só assim conquistamos nosso espaço, ganhamos força e enraizamos mais profundamente dentro de nós para nos liberarmos daquilo que não nos serve e seguirmos nosso propósito. Importante destacar que essa mudança de postura é interna e pode ser tomada mesmo que os pais não estejam mais vivos ou que não se tenham contato com eles por outras razões. Sempre é tempo de tomarmos a vida em toda a sua plenitude e sermos mais leves, porque a vida sempre nos convida a celebrá-la.

Como reflexão, deixo esse trecho de um dos livros de Hellinger para aqueles que ousam seguir adiante, em busca do seu caminho que é único, com gratidão e honra aos seus pais e antepassados. Aqueles que aceitam aquilo que não podem mudar, fazendo o que lhes cabe sem sair do seu lugar. Aqueles que assumem suas luzes e suas sombras, mergulhando fundo nas suas raízes para encontrar os seus tesouros internos, enraizando cada vez mais para dentro de si. E quando essas raízes estiverem fortes o suficiente, seus galhos naturalmente serão expandidos para um lugar de paz, sem medos, com a sabedoria de uma mente clara e à serviço do seu propósito divino. Namaste!

Alguns lidam com os movimentos da alma que se mostram nas Constelações Familiares como uma criança que se depara pela primeira vez com o mar. Fica maravilhada diante da amplidão e pressente a profundeza. No entanto, logo pega seu baldinho, tira um pouco da água, volta e diz: “Vejam, é isto aqui”. Outros, porém, se aventuram no mar aberto, entregam-se ao vento, à tempestade, ao silêncio, vagueiam até distâncias desconhecidas e voltam transformados. Porém, quando narram um pouco disto aos que ficaram, estes dizem, talvez, amedrontados: “Isso não existe”. 

Fonte complementar: Trecho de palestra de Bert Hellinger em São Paulo – em original manuscrito/ Livros: Liberados somos Concluídos”, sobre a Segurança; A Simetria Oculta do Amor; As Ordens do Amor

Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

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Eleições: Sob a Luz da Física Quântica

A felicidade é muitas vezes sentida como perigosa porque traz solidão. O mesmo se passa com a solução: é tida como perigosa porque traz solidão. No problema e na infelicidade temos companhia. O problema e a infelicidade se associam a sentimentos de inocência e fidelidade. A solução e a felicidade, ao contrário, estão associadas a sentimentos de traição e culpa. Por isso, a felicidade e a solução só são possíveis quando enfrentamos esse sentimento de culpa. (…) Toda pessoa que lamenta, não quer agir. Todo consolo para alguém que se lamenta apóia a sua não-ação.” __ Bert Hellinger

Em tempos de eleições e debates calorosos cada vez menos respeitosos, ausentes de neutralidade, moral, ética e otimismo, qual seria a nossa posição e nossa conduta? Em tempos de mídias sociais, com apologia crescente a grupos de haters e jogos políticos corruptos, qual seria o nosso lugar enquanto cidadãos nesse quadro sócio-político?

Será que de fato nossa ação não faz a menor diferença? Ou será que temos um papel importante desde a concepção das nossas emoções, da criação dos nossos pensamentos, da expressão das nossas palavras e da construção das nossas críticas?

Diante de todas essas perguntas, que não cabe a mim respondê-las, deixo esse texto como uma profunda reflexão sobre como podemos unir esforços para construir o que queremos a apartir do que somos, do que pensamos, do que sentimos e verbalizamos.

Porque é mais fácil focar naquilo que não se quer do que naquilo que se quer profundamente. A segunda opção nos exige mais esforço e paciência, mais comprometimento conosco. É mais fácil perpetuar a infelicidade do que sair da zona de conforto e buscar a felicidade. Fica a dica de leitura! Namaste! ❤

“Quando nos tornamos indignados sobre uma situação qualquer, parece que estamos do lado do bem e contra o mal. Ou do lado da justiça e contrário à injustiça. Parecemos então ser aquele que intervém entre o agressor e sua vítima de modo a impedir um mal maior. Contudo, pode-se também intervir entre eles com amor. E isso seria, com certeza, melhor. Assim, o que o indignado quer? O que ele realmente obtém? O indignado se comporta como se ele próprio fosse uma vítima, embora não seja. Ele assume o direito de exigir uma reparação do agressor embora nenhuma injustiça tenha sido feita, pessoalmente a ele. Ele assume a tarefa de advogado das vítimas, como se ele tivesse dado a ele o direito de representá-las; e fazendo assim, deixa as verdadeiras vítimas sem direito. E o que faz o indignado com esta pretensão? Ele toma a liberdade de fazer coisas más aos agressores sem medo de qualquer consequência ruim para sua própria pessoa. Pois suas más ações parecem estar a serviço do bem, e assim elas não temem qualquer punição.” – Bert Hellinger

“Está com medo dessas eleições? Então sugiro que leia esse texto até o fim! Eu vou te contar como alcancei uma serenidade que me emociona sobre esse tema.

Ouço falar de amigos furiosos, discutindo nas redes sociais, desfazendo amizades no facebook, vejo alguns perdidos e desanimados com os candidatos disponíveis. Uns dizem que irão pra praia, voto nulo, voto em branco pra não ter o ônus de escolher em quem votar.

Entendo perfeitamente, estava assim até bem pouco tempo. Mas parei pra pensar e decidi criar paz em mim. Quer saber como fiz isso? Vou explicar. Entender é a sua parte!

A física quântica é a ciência das possibilidades. Nada está determinado no futuro, apenas há uma possibilidade de acontecer, de acordo com o seu comportamento atual. A única coisa que sabemos é que tudo é perfeito, mesmo quando achamos que algo é ruim; é preciso identificar algum aprendizado, o que torna a experiência válida.

Quando temos medo do futuro é porque estamos na dualidade, separados da nossa essência. Lembre-se que tudo é perfeito.

Tudo está em movimento. A matéria não é densa, é apenas um monte de partículas se movimentando. Os cientistas já provaram que o observador determina se o átomo vai se comportar como partícula ou como onda, num experimento chamado ‘Fenda Dupla’.

Trocando em miúdos, isso significa que cada pessoa cria a sua própria realidade. Realidade essa que é interpretada de forma diversa de acordo com suas experiências de vida, meio cultural onde vive e projetos de futuro.

Isso tudo me autoriza a valorizar a autorresponsabilidade.
Ou seja, se a sua timeline está cheia de troca de ofensas e você se perturba com isso, adivinha de quem é a responsabilidade? É sua. Você focou nisso. Você criou isso pra sua vida.

Você quer provar que o seu ponto de vista é o certo?
Impossível! Cada um cria sua própria realidade. Não aceitar o ponto de vista do outro cria uma realidade de intolerância, você não acha?

Além disso, aprendi recentemente que eu só enxergo no outro o que está em mim. Se não estivesse dentro de mim, eu nem teria percebido. E isso é maravilhoso!

A gente não consegue mudar o outro, mas podemos nos transformar e ensinar pelo exemplo. Trabalhe em você os defeitos que vê nos outros, fortaleça suas virtudes. Pergunte-se:
E se fosse comigo?
Será que devo acreditar em tudo o que vejo na TV?
Será que eu, no lugar da pessoa, teria agido diferente?
Teria eu coragem de entrar na política e fazer diferente?

No fim das contas somos todos Um, vivendo a ilusão da separação do tempo e espaço. Tudo está em movimento. E a serenidade é uma decisão.

Há anos identifiquei que me prejudicava assistir TV porque o mundo através das notícias jornalísticas me parecia mau, cheio de pessoas más, e me deixava levar por esse sentimento. Virei massa de manobra. Foi libertador pensar sozinha sem aquele bombardeio de informação/opinião alheia.

Não duvidem que o Brasil é uma nação maravilhosa. Estamos passando por um período de transição importantíssimo e extremamente necessário. Uma mudança de paradigma, de mentalidade. E a mudança começa dentro de cada um de nós.

Somos seres vibracionais. Temos um campo eletromagnético ao nosso redor.
Tudo o que emitimos, volta para nós. Simples assim.

A resposta é sempre sim, pois tudo é perfeito, lembra?
Se o seu foco está na indignação com a opinião alheia, você receberá situações para se indignar de volta porque você está criando a sua realidade. Uma realidade de intolerância. Pensando e agindo assim você contribui pra facadas, agressões e revolta de gente desequilibrada. E o pior, está contaminando todos ao seu redor.

O coração emite vibração eletromagnética muito maior do que o cérebro.
Ou seja, sentir medo, raiva, só vai trazer mais disso pra você. Sinta alegria, sinta paz e serenidade. Encontre pontos positivos no processo.

Tenho certeza que sua vibração vai mudar assim que seu foco for por enxergar o lado bom sempre. Mudando a si, você muda uma comunidade inteira.

Pense, faça uma análise critica dos candidatos, mas não sinta medo ou ódio porque você está se prejudicando e atrapalhando os outros.

Vibre na paz. Ouça uma bela música.
Busque áudios bineurais na internet, meditação hooponopono, faça uma oração, uma prece, um pensamento positivo e transmute esse sentimento ruim em paz e alegria. Veja vídeos alegres, divertidos!

Automaticamente, a melhor das possibilidades será criada e os melhores candidatos serão eleitos. Claro, a responsabilidade é de todos nós. O amadurecimento da nação depende da autorresponsabilidade.

Vamos fazer a nossa parte?”

Texto: Roberta Ramalho

Fonte Complementar: Ordens do Amor – Bert Hellinger, criador da Constelação Familiar e Sistêmica

Artigos, Constelação Familiar, Terapias Integrativas

Herança Ancestral: Somos Raíz antes de Sermos Fruto

Ao longo de muito tempo, sigo pesquisando sobre meus antepassados como uma forma de conhecer e compreender a mim mesma. Vejo a importância histórica dos caminhos deixados por nossos ancestrais como uma ferramenta para compreendermos nosso presente – padrões emocionais, de comportamento e de pensamento incluem-se aqui – assim como estarmos mais conscientes de nós e do nosso real propósito para irmos em direção ao futuro com nossas mochilas e nossas costas mais leves, nossas mentes mais sábias e claras, nossas rotas mais fluídas.

Essa jornada nos traz uma visão muito mais ampla sobre quem somos a partir do que herdamos para, assim, podermos escolher ser o que almejamos a partir do que acreditamos – discernimento este tão necessário para nos tornarmos aquele por quem temos esperado, ao invés de sermos o resultado das expectativas, projeções e transferências de outros, o que pode nos gerar um sentimento de grande vazio existencial.

Esse mapa ancestral contém tesouros belos e ricos em essência: aqueles representados pelos nossos antepassados que nos deixaram conhecimentos importantes, dons, talentos, medicinas, visões diferentes de mundo, sábios saberes – sabedorias repletas de verdades e valores essenciais que, no agora, são alimento e nutrição para nossa alma e nosso coração.

Da mesma forma, esse mapa contém tesouros que chamo de “ouro velho”: aqueles que muitas vezes ficaram estagnados e que perderam seu valor ao longo do tempo, mas não a sua importância porque são capazes de atravessar inúmeras gerações através do nosso DNA, uma vez que nossas células guardam tanta memória quanto um pequeno chip. Esses tesouros velhos representam tudo o que foi negado, escondido, reprimido e excluído. Aqui, geralmente residem as dores, os traumas e os sofrimentos vividos pelos nossos antepassados.

Portanto, ao investigarmos nossa árvore ancestral é importante termos consciência das raízes que já foram iluminadas – nos fortalecemos através delas – e também das que ainda estão na escuridão, que podem conter partes nossas que precisam vir à luz da consciência, residindo em áreas do nosso inconsciente ou subconsciente. A importância dessas raízes que estão obscurecidas é tão grande quanto às que já estão iluminadas, porque se permanecemos ignorantes diante do que foi reprimido podemos simplesmente estar perpetuando um padrão e, com isso, perder a força que nos impulsionaria para o progresso.

Complementando essa reflexão, transcrevo um texto que traz alguns esclarecimentos sobre como os fios e tramas desse tecido universal ancestral pode influenciar diretamente nossas vidas, na maioria das vezes sem que tenhamos consciência. Que essas reflexões possam ajudar você a conhecer e compreender suas raízes, fortalecendo-se através das suas luzes e das suas sombras, para assim estar mais consciente a cada dia e poder gerar sementes, frutos e flores num amanhã glorioso. Quanto mais enraizada for uma árvore, maiores serão os seus galhos em direção ao sol. Namaste!

A HERANÇA EMOCIONAL DOS NOSSOS ANTEPASSADOS

“Este texto é um estímulo para levantarmos com entusiasmo a nossa árvore genealógica.

A herança emocional é tão decisiva quanto intransigente e impositora. Estamos enganados quando pensamos que a nossa história começou quando emitimos o nosso primeiro choro. Pensar dessa forma é um erro porque, assim como somos o fruto da união do óvulo e do esperma, também somos um produto dos desejos, fantasias, medos e toda uma constelação de emoções e percepções que se misturaram para dar origem a uma nova vida.

Atualmente falamos muito sobre o conceito de “história familiar”. Quando uma pessoa nasce, ela começa a escrever uma história com suas ações. Se observarmos as histórias de cada membro de uma família, encontraremos semelhanças essenciais e objetivos comuns. Parece que cada indivíduo é um capítulo de uma história maior, que está sendo escrita ao longo de diferentes gerações.

Esta situação foi muito bem retratada no livro “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel García Márquez, que mostra como o mesmo medo é repetido através de diferentes gerações até que se torna realidade e termina com toda uma linhagem. O que herdamos das gerações anteriores contém também os pesadelos, os traumas e as experiências mal resolvidas.

A HERANÇA DE NOSSOS ANTEPASSADOS QUE ATRAVESSA GERAÇÕES

Esse processo de transmissão entre as gerações é algo inconsciente. Normalmente são situações ocultas ou confusas que causam vergonha ou medo. Os descendentes de alguém que sofreu um trauma não tratado suportam o peso dessa falta de resolução. Eles sentem ou pressentem que existe “algo estranho” que gravita ao seu redor como um peso, mas que não conseguem definir o que é.

Por exemplo, uma avó que foi abusada sexualmente transmite os efeitos do seu trauma, mas não o seu conteúdo. Talvez até mesmo seus filhos, netos e bisnetos sintam uma certa intolerância em relação à sexualidade, ou uma desconfiança visceral das pessoas do sexo oposto, ou uma sensação de desesperança que não conseguem explicar.

Essa herança emocional também pode se manifestar como uma doença. O psicanalista francês Françoise Dolto disse: “o que é calado na primeira geração, a segunda carrega no corpo”. Assim como existe um “inconsciente coletivo“, também existe um “inconsciente familiar”.

Nesse inconsciente estão guardadas todas as experiências silenciadas, que estão escondidas porque são um tabu: suicídios, abortos, doenças mentais, homicídios, perdas, abusos, etc. O trauma tende a se repetir na próxima geração, até encontrar uma maneira de tornar-se consciente e ser resolvido.

Esses desconfortos físicos ou emocionais que parecem não ter explicação podem ser “uma chamada” para que tomemos consciência desses segredos silenciados ou daquelas verdades escondidas, que provavelmente não estão na nossa própria vida, mas na vida de algum dos nossos antepassados.

CAMINHO PARA A COMPREENSÃO DA HERANÇA EMOCIONAL

É natural que diante de experiências traumáticas as pessoas reajam tentando esquecer. Talvez a lembrança seja muito dolorosa e elas acreditam que não serão capazes de suportá-la e transcendê-la. Ou talvez a situação comprometa a sua dignidade, como no caso de abuso sexual, em que apesar de ser uma vítima, a pessoa se sente constrangida e envergonhada. Ou simplesmente querem evitar o julgamento dos outros. Por isso, o fato é enterrado e a melhor solução é não falar sobre assunto.

Este tipo de esquecimento é muito superficial. Na verdade o tema não está esquecido, a lembrança é reprimida. Tudo que reprimimos se manifesta de uma outra forma. É mais seguro quando volta através da repetição.

Isto significa, por exemplo, que uma família que tenha vivenciado o suicídio de um dos seus membros provavelmente vai experimentá-lo novamente com outra pessoa, em uma nova geração. Se a situação não foi abordada e resolvida, ficará flutuando como um fantasma que voltará a se manifestar mais cedo ou mais tarde. O mesmo se aplica a todos os tipos de trauma.

Cada um de nós tem muito a aprender com os seus antepassados. A herança que recebemos é muito mais ampla do que supomos. Nela poderemos encontrar a causa de muitos de nossos sofrimentos.

Qual a herança positiva e negativa dos seus antepassados? O que fazer com o que foi herdado? Devemos perpetuar, repetir, salvar, negar, encobrir as feridas destes eventos transformados em segredos, ou entender, aprender e transcender?

Todas as informações que pudermos coletar sobre os nossos antepassados serão o melhor legado que podemos ter e deixar para nossos descendentes. Saber de onde viemos, quem são essas pessoas que não conhecemos, mas que estão na raiz de quem somos, é um caminho fascinante que só nos trará benefícios. Isto nos ajudará a dar um passo importante para chegar a uma compreensão mais profunda de qual é o nosso verdadeiro papel no mundo.”

Fonte Complementar: Texto de Edith Cassal

Artigos, Constelação Familiar, Terapias Integrativas

Ensinamentos sobre o Pai: Visões da Constelação Familiar, Psicologia e Terapias Integrativas

“Naturalmente, os pais também têm suas falhas. Também eles, como todos os seres humanos, estão limitados em suas possibilidades devido a sua origem e a sua história e, principalmente, por sua culpa pessoal (…) Isso não os diminui, mas sim os engrandece, pois pais imperfeitos transmitem mais a realidade da vida do que pais perfeitos. Se de um lado não tornam a vida fácil para os filhos, por outro lado os preparam de modo mais abrangente para a vida real. Quem concorda com seus pais da maneira como são, os respeita da maneira que são, os aceita também com aquilo que eles lhes impõem e dele exigem, ganha através disso toda a força que lhe puderem prover.” Bert Hellinger 

O LUGAR DO PAI

Através da perspectiva das Constelações Familiares, o objetivo aqui é trazer reflexões e discorrer sobre qual é o lugar do pai no desenvolvimento da pessoa, assim como nos problemas e perturbações dela relativo à figura paterna.

As Constelações Familiares compreendem um caminho, uma forma de trabalho que visa desfazer nós sistêmicos, alinhando o sujeito com o potencial da ancestralidade dele. A partir disso, vemos que a força e os nós – geralmente o que chama-se de emaranhados – derivam da uma ancestralidade cuja linha geracional mais próxima são os pais, que também os carregam herdados dos seus ancestrais e assim sucessivamente, na linha de ascendentes.

O foco é nos padrões de comportamento que, pela repetição ou pela natureza energética peculiar forte, foram herdados pelos descendentes – nesse contexto inicial: os filhos. Alguns comportamentos, apesar de pontuais, são altamente perturbadores mesmo que não tenham sido vistos como padrões. Desse grupo, ocorre o ceifar da vida de outrem – fratricídio, parricídio, filicídio, entre outros – ou a própria vida, o suicídio.

A exclusão afetiva, pela negação do cuidado e da proteção, assim como o deserdamento e o abandono são comportamentos energeticamente também muito fortes. Outro tipo de herança sistêmica é aquela que deriva de comportamentos corriqueiros, mas repetidos, cuja essência perturba as ordens sistêmicas, tais como elas são apresentadas por Bert Hellinger – criador do trabalho de Constelação. A linha grupal-sistêmica da ancestralidade cruza a linha individual do sujeito, fazendo com que ambas se influenciem mutuamente. Essa ligação entre pessoa e ancestral se atualiza na relação dos pais com os seus filhos, sendo a mãe o ente com papel fundamental no início da vida de outro ser humano.

Nesse sentido, as Constelações Familiares concordam com o que a Psicologia traz sobre o papel que a mãe exerce no cuidado do bebê que, nas primeiras fases do desenvolvimento – bebê e criança pequena – tem lugar central por ser uma relação simbiótica bastante intensa. Por causa da extrema dependência que essa relação produz, isso a torna também bastante frágil. A dependência total, iniciada no período da gravidez, continua após o nascimento e é reforçada pela amamentação. Essa profunda dependência relacional propicia grande probabilidade de interrupção do “movimento de alcançar” do bebê, que culminará na posterior relação com o pai e esse mesmo movimento relativo a tudo o que essa criança precisará alcançar, conquistar, executar e construir na fase adulta: o progresso pessoal.

Na perspectiva do desenvolvimento normal, a relação do bebê com o pai é bem menos intensa, visto o pai ser incluído, na percepção do bebê, apenas posteriormente – quando o bebê se tornou capaz de perceber aquilo que está fora da relação dois-em-um que, até então, tinha com a mãe. Se o bebê-maior consegue perceber o pai, é porque – a partir da mãe – já construiu um sentido de realidade exterior e é capaz de fazer uma tentativa natural de expandir a qualidade dessa ambiência de busca do cuidado que ela lhe dispensa, para além dela própria e em direção, por exemplo, ao pai.

A relação com a mãe culmina na capacidade do bebê poder ser. Então, o pai entra quase como que um terceiro para a criança, uma instância de continuidade da mãe, que precisa estar alcançável para vivenciar cuidado e provisão. Isto é, o bebê faz o movimento do alcançar do pai por causa da qualidade da relação que teve com a mãe, de forma que o resultado que deriva dessa relação com o pai culminará em alguém que é capaz de ser e fazer no mundo.

É comum que o bom-humor das mães acompanhem o “perigo” de se deixar o bebê-maior aos cuidados do pai: não raras as vezes que elas surpreendem o pai jogando o bebê pro alto, nas costas dele e agarrado ao seu pescoço, sentado na locomotiva de um trenzinho elétrico fazendo um tour pela casa, rolando com o bebê e o cachorro juntos, sentado no tablado do curral, enfiado dentro de uma sacola, pintando a cara dele com aquarela, girando o menino dentro de um lençol, montado com uma sela improvisada no cachorro, todo coberta de lama, etc; estando os dois – para o horror da mãe – em um estado de êxtase feliz!

A relação com o pai é do tipo que comporta um colo mais duro, natural aos homens que se entregam ao bebê-maior por meio de brincadeiras que o ajudam a compor um sentido de mundo mais exterior, um modo de ser mais concreto, objetivo e manejável. É um colo menos físico, menos indiferenciado do que o da mãe. O pai apresenta bem mais o mundo externo pela ludicidade amorosa que permite ao bebê-maior uma experiência diferente, que o faz se sentir capaz de manejar o entorno, de integrar uma capacidade pessoal de forma prática e interventiva sobre o ambiente, dando um direcionamento pessoal à sua ação, sem receio da própria potência.

As constelações mostram que tais tipos de experiências fornecidas pelo pai ajudam a integrar o princípio masculino no bebê. No bebê-mulher e no bebê-homem. E que esse princípio irá se desdobrar em sentimento de autoconfiança, autonomia, capacidade de aprendizagem, capacidade de trabalhar e de gerar renda, mudança, praticidade e busca de melhoria. De que adianta a esposa ter um marido que cuida da casa, que consegue trocar a fralda da criança, mas que não possui as características anteriores? Essa resposta cabe às esposas responderem junto aos seus maridos e encontrarem uma forma de equilíbrio, assim como cabe ao marido trabalhar-se como criança e homem relativo à figura do seu próprio pai, a fim melhorar e equilibrar, da mesma forma, a sua relação com o filho.

No sentido dos problemas que podem advir, se o pai não corresponde ao gesto do bebê-maior, ele fragiliza o sentido de mutualidade que a criança espera, uma vez que sendo o representante do mundo exterior, ganha o sentido de um mundo intangível, imutável e incontrolável. Se o padrão herdado pelo pai é de homens que se desresponsabilizaram pelo cuidado dos filhos, algo que tenha se repetido vezes por vezes nas gerações anteriores, o resultado será um padrão sistêmico de recorrência de desemprego, insuficiência de renda, medo da mudança, alcoolismo, uso de drogas, incapacidade criativa, abandono material dos filhos.

Consequentemente, esse padrão vai ser complementado com parceiras submissas a esses homens insuficientes, ou com “mulheres-Amélias” que se responsabilizam por eles na tentativa de compensar a falta do homem capacitado que – ao invés de ser homem grande – é um menino-frágil porque, semelhante aos ancestrais, não teve um pai que fez diferente na história sistêmica familiar, que brincou com ele, que lhe transmitiu o sentido de praticidade. É a sobreposição da história ancestral com a história pessoal.

CRIANÇAS FELIZES

Então, como fica o lugar do pai, uma vez que se fala muito mais sobre o lugar feminino? O pai tem uma demanda, tem protagonismo, ou pelo fato de a mãe ocupar este lugar, o seu papel é complementar?

“Sim, o pai está em segundo lugar. Mas, hoje em dia, os pais estão muitas vezes excluídos, e o pai que está excluído põe a mãe triste, fá-la infeliz. Para a mãe estar feliz, ela tem que respeitar e amar o pai e isso nem sempre é simples, porque os homens são diferentes, e temos de os amar assim como são – diferentes.

E as crianças precisam do pai, para a felicidade é necessário que elas possam ter o pai. Então, as crianças felizes são aquelas que são olhadas pela mãe e a mãe, através desta criança, ama também o pai; e o pai olha para os filhos e, através deles, ama também a mãe. Essas crianças são crianças felizes.” – Bert Hellinger

SUBSTITUTOS DOS PAIS

Eventos importantes, tais como a morte do pai nos primeiros anos da vida da criança, inviabilizam tais experiências construtivas. Inclusive, por ressonância, elas podem atrair as dificuldades vividas pelos ancestrais e descritas acima porque, bem ou mal, o sistema familiar tenta se reequilibrar e oferece ao órfão a paternidade que foi possível aos ancestrais do pai falecido, mesmo que ela tenha sido insuficiente. São sobreposições energéticas sutis que as constelações trabalham, camada após camada.

O princípio masculino que deve habitar ambos os sexos precisa, primeiro, ser encontrado externo à criança-maior. O pai deveria ser o encarregado disso, mas nesse caso ele também o herdou – às vezes mal – das gerações anteriores. Assim, podemos perceber que a visão sistêmica inclui uma constante troca entre o âmbito individual e o âmbito coletivo, sendo em ambos os flancos alvo dos trabalhos constelares.

É bom ressaltar que o assunto é complexo e cada caso é um caso à parte, e que quando da referência do princípio masculino, a alusão aqui é à função paterna, ao invés da condição de ser ou não ser macho. Apesar da anatomia corporal do macho carregar uma sabedoria essencial biológica, facilitadora da expressão do masculino, esse princípio tem pouco a ver com orientação sexual. Bem sabemos que existem pessoas de linhagem feminina e pessoas de linhagem masculina, quer sejam heterossexuais ou não. É possível casais homoafetivos desempenharem satisfatoriamente tais funções, inclusive porque a maioria dos problemas apontados ocorrem no contexto da paternagem feita em uniões heteroafetivas.

Também não podemos nos esquecer dos substitutos dos pais – avôs/avós, irmãs/irmãos, tias/tios, mães/pais adotivos, e outros que tenham feito parte da nossa infância e assumido seus lugares – que podem ser suficientemente bons e capazes de incluir, em seus sistemas, a criança órfã de um pai morto ou de um pai irresponsável. No entanto, isso gera uma condição mais complexa porque a criança pertencerá a mais de um sistema familiar: o biológico e o acolhedor, sendo isso, indubitavelmente, uma condição mais difícil já que a figura do pai, mesmo que substituída por outra pessoa, ainda assim não é substituída pelo “vazio” deixado pelo pai biológico.

Assim, o problema da interrupção do “movimento de alcançar” da criança – relativo ao lugar do pai – tem a ver com a própria criação que teve, a capacidade de acolhimento da criança que foi e o padrão sistêmico do masculino herdado pela ancestralidade. Mesmo havendo mais fatores implicados, as constelações familiares focalizam os problemas de ordem transgeracional sem prescindir da contribuição da psicoterapia pessoal nesses casos, visto que o problema ocorre também no plano individual, na vida atual da pessoa.

Por essa razão, uma constelação familiar é um complemento diante de um trabalho que envolve uma transformação interior maior, que pode ser formada por outros apoios e técnicas terapêuticas para se conseguir alcançar o centro de equilíbrio novamente. A forma para alcançar esse centro depende do tempo e das escolhas de cada um no caminho, e deve ser respeitada. A cada passo, através do movimento de desemaranhar-se desses nós familiares, vamos iniciando uma nova jornada para trilhar o próprio caminho, o próprio destino, e encontrar o propósito pessoal e divino, desapegando-nos dos padrões e das repetições herdadas que, muitas vezes, levam a trilhar um caminho que não é nosso sem que percebamos.

ENSINAMENTOS SOBRE O PAI – VÍCIOS

Quando o pai é excluído do coração – Por Bert Hellinger

“Torna-se viciado aquele a quem falta algo. Para ele, o vício é um substituto. Como curamos um vício em nós? Reencontrando aquilo que nos falta. E quem ou o que falta no caso de um vício? Geralmente é o pai.

Ninguém é capaz de sentir-se inteiro e completo sem seu pai. Sendo assim, o vício é a ânsia de reencontrar o que foi perdido e, com ajuda, sentir-se são e restabelecido. Contudo, por ser apenas um substituto, o vício não é capaz de satisfazer essa necessidade. Por isso prossegue. E prossegue sem o pai. Como podemos ajudar um viciado? Como ele pode ajudar a si mesmo? Ele leva aquilo que foi perdido para dentro de seu vício, desta forma tornando-o supérfluo.

O vício mais difundido em nosso tempo é, em muitos países, o fumo. Nem mesmo o fato de estar escrito “fumar mata” nos maços de cigarro assusta a maioria das pessoas. Para elas, ainda mais mortal é o sentimento de que algo lhes falta em seu profundo interior.

Como é possível para um fumante levar o pai que lhe falta para dentro de seu vício?
Primeiramente, o que o ajuda é fumar com prazer, pois seu ato de fumar o conscientiza do quanto sente falta de algo. Quando deseja ou precisa fumar, sente o quanto lhe faz falta, por exemplo, seu pai.

Na visão da Constelação, uma forma de trabalhar essa inclusão do pai é: assim que se prepara para tragar o cigarro, imagina seu pai. Então, traga a fumaça profundamente em seus pulmões olhando para seu pai, dizendo-lhe internamente:
TOMO VOCÊ EM MINHA VIDA E EM MEU CORAÇÃO. E FUMA ATÉ SENTIR SEU PAI DENTRO DE SI.

Algo similar vale para o álcool. Aquele que se tornou doente devido a este vício brinda com o pai antes de beber. Então bebe, lenta e profundamente, sorvendo seu pai a cada gole, até sentir-se preenchido por ele e vivenciá-lo profundamente. Essas são formas de ir reduzindo o vício, substituindo-o lentamente pelo pai que internamente falta.

E as mães? Como elas ajudam seus filhos viciados?
Elas reconhecem que, para seus filhos, são apenas uma metade e nunca a totalidade. Ao invés de manter seus filhos longe do pai, os guiam com amor até ele. Este movimento começa quando elas veem e amam, em seus filhos, também o pai.

SEPARAÇÃO CONJUGAL E FILHOS ENVOLVIDOS

O que acontece com um filho que se envolve ou é envolvido pelos pais nos assuntos deles como casal ou no processo de uma separação? Essa resposta pode chocar alguns, mas esses filhos podem corrre risco de morte.

Primeiramente, devemos lembrar de uma lei sistêmica bem simples, mas que violamos com frequência: A Lei da Ordem. Essa lei natural diz: num sistema familiar a ordem é dada pela chegada, ou seja, quem chegou primeiro tem precedência sobre aquele que chegou depois. Nas famílias, os pais chegaram primeiro e os filhos depois, na ordem em que foram gerados, pois sabemos também que as crianças abortadas pertencem a essa ordem e tem o seu lugar na família. Quando essa ordem é violada, ocorrem sérias consequências para aqueles que a violam, entre as mais comuns o fracasso na vida profissional, afetiva e financeira.

Quando um filho é envolvido ou se envolve na história de seus pais como casal, seja em assuntos da intimidade desse casal ou em processos de divórcio, tomando partido de um ou de outro ou ainda sendo usado como ferramenta de chantagem e manipulação, esse filho, inconscientemente, vai sentir um peso muito grande que não vai suportar carregar, exatamente por estar saindo da sua posição de filho – que seria abaixo dos pais – e se colocando ou sendo colocado em igualdade ao casal – muitas vezes até acima do casal, como se ele precisasse e pudesse resolver algo por eles. Isso é uma catástrofe.

Movido por um “amor cego e infantil”, segundo termo de Bert Hellinger, esses filhos vão se responsabilizar em querer realmente resolver algo para os pais como casal, pois os ama profundamente. Esse mecanismo infantil e inconsciente está dizendo : “Eu no lugar de vocês”, “Eu resolvo por vocês”, consequentemente: “Eu morro por vocês”.

Nesse caso, os filhos são capazes desses sacrifícios, pois a imagem infantil deles é que dessa forma eles podem salvar ou resolver algo, em verdade eles não resolvem. Situações como esta resultam em envolvimento com dogras correndo sérios riscos de overdose, acidentes de carro, prática de esportes radicais que também envolvam certa pulsão de morte, são algumas dessas expressões inconscientes. Em alguns casos, algumas doenças auto-imunes como câncer, lúpus, infecção por HIV, esclerose múltipla, artrite reumatóide degenerativa, tireóide auto-imune, psoriase e vitiligo crônicos também podem estar relacionados.

A solução para o equilíbrio de todos, para que não saiam dos seus lugares, seria os pais não permitirem que os filhos participem de assuntos do casal, inclusive tornando-os como seus confidentes, de forma a não envolvê-los, em hipótese alguma, em decisões ou manipulações de uma separação conjugal, como se eles tivessem que escolher um lado. Como auxílio a esses pais, é importante que busquem um apoio psicológico e terapêutico, que trabalhem também suas crianças e seus bebês interiores, já que esses profissionais estarão preparados para exercerem um papel que os filhos não devem ocupar.

Para os filhos, aquele casal representa apenas o seu PAI e a sua MÃE que lhe deram a VIDA, como ele pode dividir ou excluir uma das partes da qual ele é feito sem nenhum tipo de dano? Isso só é possível quando lhe são preservados os pais, uma vez que esses jamais deixarão de ser seus pais. Quando se tenta excluir um pai ou uma mãe, o filho vai ser sempre fiel àquele que está sendo acusado ou criticado. E não importa a idade do filho, se ainda é uma criança ou se já é um adulto, porque essa atitude é uma forma de compensar aquele que está sendo excluído.

INTERVENÇÕES TERAPÊUTICAS SUGERIDAS

1. Constelações Sistêmicas e Familiares; 2. Terapia de Renascimento – Rebirthing; 3. Terapias Integrativas que visem o restabelecimento bioenergético dos corpos físico, emocional, mental e espiritual, entre elas: Reiki, Terapia com Florais e Homeopatia, Fitoterapia, Aromaterapia e Cristalterapia, Acupuntura, Massagem Ayurvédica e Chinesa, Técnicas Terapêuticas e Orientais, Jin Shin Jiutsu, Meditação e Respiração Consciente; Yoga, Biodança, Tai Chi, Qui Kung e Atividades Aeróbicas, preferencialmente ou quando possível em contato com a natureza. Focar em práticas como essas para romper com os padrões herdados no corpo físico através da expressão corporal, objetivando desbloquear as travas emocionais que somatizamos no corpo e modificar/ reprogramar os comportamentos e padrões também herdados ou construídos a partir daqueles que herdamos; 4. Coaching; 5. Thetahealing – para trabalhar crenças, comportamentos e padrões enraizados; 6. Psicólogos e Psicoterapeutas, Terapia Cognitiva, Psicologia Transpessoal, Gestalt Terapia, entre outros.


Fontes Complementares:

  • Textos e Entrevistas de Bert Hellinger – é considerado um dos maiores filósofos do nosso tempo. Suas descobertas no campo da terapia familiar transformou a vida de milhares de pessoas e continua hoje, mais de 40 anos após sua criação, a encontrar aplicação em diversas outras àreas que envolvem o relacionamento sistêmico.
  • Livros de Bert Hellinger: 1. Constelações Familiares; 2. As Ordens do Amor; 3. Liberados Somos Concluídos; 4. Ordens da Ajuda; 5. No Centro Sentimos Leveza; 6. A Fonte não precisa perguntar pelo caminho
  • Informações de outras fontes sobre Constelações Familiares e Psicologia

Leia também: Vínculos do Destino: A Fonte não precisa perguntar pelo caminho/ Constelação Familiar: Encontrando o seu lugar na árvore ancestral da vida / Ensinamentos sobre a mãe: Visões da Constelação Familiar e Terapias Integrativas / Trauma pode ser transmitido entre gerações: como encontrar caminhos para a cura

Artigos, Constelação Familiar

Vínculos de Destino: A Fonte não precisa perguntar pelo caminho

“Quando em uma família surge um buscador, é porque este encarna o desejo de todo o clã de sair das repetições e do conhecido e ir adiante.”

Com base nas obras de Bert Hellinger, trago mais algumas reflexões sobre temas da Constelação Familiar, um trabalho profundo e importante que não vem para trazer verdades absolutas, mas para trazer à luz aquilo que não estávamos conseguindo perceber através do emaranhamento de fios em que estamos inseridos, dos vínculos familiares e do nosso destino.

Por mais que esses fios pareçam não ter uma ordem, quando temos conhecimento das leis que regem a vida – compreendidas por Hellinger através da sua experiência, formação e trabalho – e trazemos à luz o que estava emaranhado – por exemplo, quando assumimos a responsabilidade, o papel ou o lugar de outro na família – tudo faz sentido, tudo segue um fluxo, tudo tem uma ordem e busca por ela naturalmente, busca por uma compensação para trazer o equilíbrio novamente, assim como um rio corre em direção ao mar.

Nesse contexto, Hellinger entende que as 3 leis que regem a vida são: Ordem, Equilíbrio e Pertencimento.

VÍNCULOS DE DESTINO

Os vínculos de destino mais fortes são os que ligam os filhos a seus pais, os irmãos entre si e os parceiros reciprocamente. (…) O vínculo faz com que os membros mais recentes e mais fracos queiram segurar os mais antigos e mais fortes para que não se vão, ou segui-los quando já partiram.

O vínculo faz também com que aqueles que estão em vantagem queiram assemelhar-se aos que ficaram em desvantagem. Assim, filhos saudáveis querem assemelhar-se a pais doentes, e filhos inocentes a pais culpados. O vínculo faz ainda com que os saudáveis se sintam responsáveis pelos doentes, os inocentes pelos culpados, os felizes pelos infelizes e os vivos pelos mortos.

Assim, aqueles que estão em vantagem também se dispõem a arriscar e sacrificar sua saúde e inocência, sua vida e felicidade pela saúde, a inocência, a vida e a felicidade dos outros. Eles alimentam a esperança de que, renunciando à própria vida e à própria felicidade, poderão assegurar ou salvar a vida e a felicidade de outros nessa comunidade de destinos. Eles julgam que podem recuperar e restabelecer a vida e a felicidade dos outros, mesmo que já tenham sido perdidas.

Portanto: “Tudo que rejeitamos, apodera-se de nós. Tudo que respeitamos, deixa-nos livres. (…) Precisamos ter força para concordar com o que foi, do jeito que foi, senão estaremos desligados de acontecimentos que envolvem uma dor profunda. Essa concordância só é possível quando percebemos isso como algo que está inserido em algo maior, o qual não compreendemos. Temos a necessidade de desviar do terrível como se isso não pudesse existir. Entretanto, é o terrível que, no fim, está na origem de tudo e o sustenta. Apenas aquele que pode concordar com o terrível é totalmente livre”.

Livre é aquele que sabe transformar-se…E só sabe transformar-se quem é capaz de desprender-se e de seguir a própria grande marcha para o desconhecido.”

PADRÕES DE PENSAMENTO E DE DESTINO

Segundo Bert Hellinger: “Rupert Sheldrake descreveu em seus livros as propriedades e o efeito dos campos morfogenéticos, isto é, de campos de força que determinam certas estruturas. Ele me disse que se pode ver, diretamente nas constelações familiares, como os campos morfogenéticos atuam.

Agora, algumas vezes, reflito se as observações que ele faz valem também em outras áreas. Se determinados padrões de pensamento não determinam um grupo e, por isso, dificultam novas compreensões, e se evoluções de comportamento na família também não são padrões que resultam do campo morfogenético dessa família. Se, por exemplo, alguém se suicidou então, algumas vezes, alguém se suicida também na próxima geração. Entretanto, não somente porque ele quer seguir alguém de uma geração anterior, mas porque existe um padrão.

Sheldrake viu que, quando se forma um novo cristal, esse ainda não está pré-estruturado e, quando se forma um cristal do mesmo composto, ele já se estrutura segundo o modelo do anterior. Então, já existe uma memória do cristal anterior. O campo morfogenético tem, portanto, uma memória. Por isso, o próximo cristal se desenvolve, com grande probabilidade, de forma semelhante ao primeiro. Quando isso se repete muitas vezes, então existe um padrão fixo. Assim, talvez também os destinos possam se reproduzir de forma semelhante.

INTERRUPÇÃO DO PADRÃO

Esse movimento deve ser interrompido. O reconhecimento desse movimento e a interrupção exigem muita coragem para o totalmente novo. Quando a interrupção dá certo, isto é uma conquista especial. A interrupção não dá certo simplesmente deixando-se levar pela corrente. Devemos retroceder. Em vez de nadar na corrente, vai-se até a margem, olha-se a corrente até compreender o velho e reconhecer o novo e, então, decide-se o que fazer.

CONSCIÊNCIA DE GRUPO (OU CLÃ)

Existe uma consciência de grupo que influencia todos os membros do sistema familiar. A este pertencem os filhos, os pais, os avós, os irmãos dos pais e aqueles que foram substituídos por outras pessoas que se tornaram membros da família, por exemplo, parceiros anteriores (maridos/mulheres) ou noivos(as) dos pais.

Se qualquer um desses membros do grupo foi tratado injustamente, existirá nesse grupo uma necessidade irresistível de compensação. Isso significa que a injustiça que foi cometida em gerações anteriores será representada e sofrida posteriormente por alguém da família para que a ordem seja restaurada no grupo. É uma espécie de compulsão sistêmica de repetição. Mas essa forma de repetição nunca coloca nada em ordem.

Aqueles que devem assumir o destino de um membro excluído da família são escolhidos e tratados injustamente pela consciência de grupo. São, na verdade, completamente inocentes. Contudo, pode ser que aqueles que se tornaram realmente culpados, porque abandonaram ou excluíram um membro da família, por exemplo, sintam-se bem.

A consciência de grupo não conhece justiça para os descendentes, mas somente para os ascendentes. Obviamente, isso tem a ver com a ordem básica dos sistemas familiares. Ela atende à lei de que aquele que pertenceu uma vez ao sistema tem o mesmo direito de pertinência que todos os outros. Mas, quando alguém é condenado ou expulso, isso significa: “Você tem menos direito de pertencer ao sistema do que eu”. Essa é a injustiça expiada através do emaranhamento, sem que as pessoas afetadas saibam disso.

UM OLHAR PARA O PERTENCIMENTO

Bert Hellinger diz: “Aquele que não é mencionado, que é demonizado, deve sempre receber um lugar. Assim que ele recebe um lugar, o sistema é curado como um todo porque recebeu um lugar. Um excluído é novamente acolhido. Aí, todos os outros podem orientar-se de uma nova maneira.

É nos excluídos que reside grande parte da força necessária para transformar um sistema. Por isso, quando olhamos para o excluídos, passamos a ter uma força especial. Por quê?

1. Porque entramos em sintonia com uma força que não é vista e, portanto, pouco explorada pelos membros do sistema. Esse olhar nos dá uma vantagem como ajudantes.

2. Porque nos inserimos numa Grande Alma que não permite exclusão. Ao olharmos para os excluídos, nos inserimos de forma mais plena no fluxo dessa Grande Alma.

3. Porque ao olhar para os excluídos, ganhamos a confiança dos demais. Na profundidade, somos todos bons e sabemos que somos parte de uma grande família. Quando olhamos para todos, sem distinção, de alguma forma movimentamos a alma do grupo. Um bom líder sabe o efeito que tem essa postura a partir desse olhar inclusivo.

4. É nos excluídos que está o amor que deixou de fluir para os demais membros do grupo. Olhar para os excluídos significa acessar esse amor e permitir que ele flua no grupo, para os demais.

Fonte complementar (Livros de Bert Hellinger): A Fonte não precisa perguntar pelo caminho / Ordens da Ajuda / O reconhecimento das ordens do amor/ Ordens do Amor/ A Simetria Oculta do Amor/ Constelações Familiares. 

Leia também: Constelação Familiar: Encontrando o seu lugar na árvore ancestral da vida / Ensinamentos sobre a mãe: Visões da Constelação Familiar e Terapias Integrativas / Trauma pode ser transmitido entre gerações: como encontrar caminhos para a cura

Artigos, Constelação Familiar, Filmes, Vídeos e Documentários, Terapias Integrativas

Práticas Integrativas em Saúde: SUS integra 10 novas modalidades em 2018

O Ministério da Saúde liberou a oferta de 10 novas Práticas Integrativas nos atendimentos pelo SUS. São elas: Apiterapia, Aromaterapia, Bioenergética, Constelação Familiar, Cromoterapia, Geoterapia, Hipnoterapia, Imposição de mãos, Ozonioterapia e Terapia Floral. O Brasil é o país com o maior número de abordagens integrativas inclusas no sistema público de saúde e, no último dia 12 de março, sediou o primeiro congresso internacional da temática no mundo.

Agora, as terapias integrativas totalizam 29 modalidades, e estão presentes em 9.350 estabelecimentos de saúde e em 3.173 municípios brasileiros. Em 2017 foram 14 modalidades liberadas: Arteterapia, Medicina Ayurveda, Biodança, Dança Circular, Meditação, Musicoterapia, Naturopatia, Osteopatia, Quiropraxia, Reflexoterapia, Reiki, Shantala, Terapia Comunitária Integrativa e Yoga. Já em 2016, foram 5 práticas inclusas: Acupuntura, Homeopatia, Fitoterapia, Antroposofia e Termalismo. Como referência, em 2017 foram registrados mais de 1,4 milhão de atendimentos individuais.

PRÓS E CONTRAS

Em contrapartida, o Conselho Federal de Medicina (CFM) alegou falta de prioridades nos recursos do SUS para aprovação dessas práticas, além da falta de comprovação científica. De fato, sabemos que são inúmeros os recursos que se fazem necessários no sistema público, entretanto, penso que precisamos analisar os resultados por diferentes ângulos e procurar um equilíbrio entre as partes, já que existem inúmeras evidências de pacientes que, ao incluírem estes tratamentos em sua rotina, apresentam melhorias em vários níveis – físico, emocional, mental – e se liberam da utilização de medicamentos, realizados com o acompanhamento e consentimento do próprio médico.

Hoje, como educadora da terapêutica integrada – também terapeuta de vários sistemas aqui mencionados, atuante na área há mais de dez anos – tive muitos casos de pacientes com este quadro, cuja medicação era reduzida lentamente até não ser mais necessária, e onde o trabalho terapêutico realizado com o paciente era, quando necessário, também acompanhado pelo médico em questão. Essa é a parte importante no processo: reconhecer que tanto a medicina alopática quanto as terapias integrativas são necessárias para a saúde integral e podem ser complementares, cujo foco principal é o ser humano.

A dificuldade aqui é trazer para o Ocidente práticas que já são reconhecidas como medicinas no Oriente. Acredito que não há nada de errado em o Conselho de Medicina refutar a medida no que tange à pesquisa científica. Precisamos, de fato, de maior campo de pesquisa para que essas práticas sejam reconhecidas pela “mente lógica ocidental”, mesmo que os resultados mostrem a sua comprovada eficácia. Da mesma forma, precisamos desenvolver, aplicar, constantemente aprimorar e avaliar todas estas práticas para que, quem sabe um dia, possam estar atuando lado a lado à medicina convencional, promovendo a redução da “medicalização da vida” – como se não pudéssemos viver sem o uso de medicamentos – e permitindo vivermos em maior harmonia conosco e com o todo ao nosso redor. Autocuidado também é autoconhecimento.

Segundo o Ministério da Saúde: “Evidências científicas têm mostrado os benefícios do tratamento integrado entre medicina convencional e práticas integrativas e complementares. Além disso, há crescente número de profissionais capacitados e habilitados, e maior valorização dos conhecimentos tradicionais de onde se originam grande parte dessas práticas”. Em relação a questão financeira, o Ministério diz que os recursos para as atividades são enquadrados pelo piso da atenção básica. “Na Atenção Básica, o pagamento é realizado pelo piso da atenção básica (PAB) fixo (per capita), ou por PAB variável, que corresponde ao pagamento por equipes de saúde da família, agentes comunitários e núcleos de saúde da família, ou ainda o programa de melhoria do acesso e da qualidade (PMAQ). Dessa forma, os procedimentos ofertados através da Portaria nº145/2017 estão dentro do financiamento do PAB e não geram recursos por produção”, esclarece.

NASF – NÚCLEO DE APOIO À SAÚDE DA FAMÍLIA

Segundo o NASF, o campo das Práticas Integrativas e Complementares (PICs) contempla sistemas médicos complexos e recursos terapêuticos , os quais são também denominados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) de Medicina Tradicional e Complementar/ Alternativa (MT/MCA) (WHO, 2002). Tais sistemas e recursos envolvem abordagens que buscam estimular os mecanismos naturais de prevenção de agravos e recuperação da saúde por meio de tecnologias eficazes e seguras, com ênfase na escuta acolhedora, no desenvolvimento do vínculo terapêutico e na integração do ser humano com o meio ambiente e a sociedade.

Outros pontos compartilhados pelas diversas abordagens compreendidas nesse campo são: a visão ampliada do processo saúde–doença e a promoção global do cuidado humano, especialmente do autocuidado. A inclusão da PICs nas ações de estratégias de atenção em Saúde da Família, portanto, está de acordo com os princípios de universalidade, integralidade e equidade que estruturam o SUS. Essa inclusão pressupõe o acesso democrático aos serviços de saúde, por todos os cidadãos e em toda a rede assistencial do sistema, com ênfase na Atenção Básica, considerando o indivíduo na sua totalidade, respeitando as peculiaridades e necessidades individuais e coletivas.

HISTÓRICO DAS PIC’S

Entrevista muito pertinente com Prof. Dr. Nelson Filice de Barros, Coordenador do LAPACIS (Laboratório de Práticas Alternativas, Complementares e Integrativas em Saúde) – Departamento de Medicina Preventiva – Faculdade de Ciências Médicas – UNICAMP.

CADASTRO NACIONAL DE PROFISSIONAIS E ATUANTES NAS PIC’S

Se você é um profissional ou atua na área de práticas integrativas no Brasil, a Coordenação Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (CNPICS), do Departamento de Atenção Básica/SAS do Ministério da Saúde, constituirá uma base de dados com profissionais, pesquisadores, instituições, entidades e serviços relacionados às PICS atendendo demanda da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS (PNPIC) e da Comissão Intersetorial de Práticas Integrativas do Controle Social no SUS (CIPICS – SUS) do Conselho Nacional de Saúde.

A base de dados será importante ferramenta para intercâmbio entre profissionais e instituições nas diversas áreas, divulgação de informações, constituição de grupos de trabalho, definição de prioridades de pesquisas, entre outras.

Existem três possibilidades de cadastro:
– PROFISSIONAIS: a todos os profissionais que atuam com alguma prática integrativa e complementar, esteja ela vinculada ou não ao SUS;
– INSTITUIÇÕES: a todas as instituições que oferecem algum serviço em práticas integrativas e complementares, serviços assistenciais, de ensino e pesquisa, de gestão, etc.
– OUTROS: aos cadastros que não forem contemplados nos itens anteriores.

Formulário para cadastro no site: Formulário DataSus / Outras informações: pics@saude.gov.br / 61-3315-9034 ou 61-3315-9053

Leia Também: Práticas como Meditação, Reiki e Naturopatia são Integradas aos Procedimentos do SUS em 2017

Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada