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Uso de Fitoterápicos e Plantas Medicinais: SUS disponibiliza cursos gratuitos e online

Para quem ainda não conhece, o SUS (Sistema Único de Saúde) junto ao Ministério da Saúde no Brasil e parceiros criaram uma plataforma de cursos online, cujos temas oferecidos complementam o trabalho de profissionais através das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS). O site chama-se AVASUS e a maioria dos cursos é aberto ao público.

O curso “Uso de Plantas Medicinais e Fitoterápicos para Agentes Comunitários de Saúde” é oferecido gratuitamente, como um módulo de extensão, introdutório e educacional. A capacitação prepara o aluno para o uso seguro e correto das plantas medicinais e fitoterápicos, fortalecendo ações e serviços das PICS na Rede de Atenção à Saúde.

O objetivo é orientar os agentes sobre a importância do uso correto de plantas medicinais e fitoterápicos, disponibilizando informações básicas sobre o cultivo, assim como orientações sobre a preparação, a toxicologia e o uso de remédios caseiros. Procura também promover a interação e a troca de experiências entre os profissionais envolvidos com essas práticas, consolidando uma rede colaborativa de aprendizagem.

Esse módulo tem como base as diretrizes da Política Nacional das PICS, em conformidade com os princípios estabelecidos para a Educação Permanente, com parcerias de Centros de Formação e plataformas virtuais de conhecimento. Embora tenha sido desenvolvido, inicialmente, para os Agentes Comunitários, o curso pode ser de utilidade para profissionais de saúde básica, que estejam atuando ou que gostariam de ter uma noção introdutória sobre o tema. Um dos focos do curso direciona-lo para aqueles que estão inseridos nas comunidades indígenas, por exemplo.

O curso possui carga horária de 60 horas na modalidade à distância, sem limite de vagas, e permanece disponível para acesso através de cadastro e inscrição dos interessados. A metodologia envolve história em quadrinhos, apresentações, vídeos, textos, sínteses e fóruns para compartilhar experiências e reflexões. Para conhecer sobre os módulos que serão abordados e cadastrar-se, acesse aqui.

Já para os profissionais que possuem nível superior, há um outro curso sendo oferecido como módulo de extensão: “Qualificação em Plantas Medicinais e Fitoterápicos na Atenção Básica – Módulo I”. Este é direcionado para os que atuam nas equipes da Estratégia de Saúde da Família (ESF) e Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), utilizando plantas medicinais e fitoterápicos como forma de ampliar e qualificar o cuidado à saúde da população, mas da mesma forma é aberto ao público.

O conteúdo dialoga com o processo de trabalho dessas equipes, com questões relacionadas desde o histórico da Fitoterapia e aspectos botânicos das plantas medicinais, até a farmacologia, a prescrição, a legislação e a implementação de programas envolvendo a Fitoterapia. O módulo conta com recursos didáticos elaborados por pesquisadores e profissionais de todo o país, seguindo as mesmas diretrizes da Política Nacional das PICS no SUS e do Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF).

Como objetivo também procura sensibilizar profissionais de outras áreas da saúde, assim como outras categorias profissionais sobre o tema. Segundo o site, esta oferta pedagógica trata-se de módulo introdutório que contará ainda com um segundo módulo. Contudo, ressalta que a habilitação para a prática terapêutica de plantas medicinais e fitoterápicos no cuidado à saúde depende da formação prévia do participante, estando de acordo com as orientações e resoluções dos conselhos de classe de cada categoria profissional.

Ficam as dicas a todos os profissionais da área da saúde e outros que tiverem interesse. Meu objetivo na divulgação de cursos através de plataformas online gratuitas e pagas – desde que com valores acessíveis – principalmente na área da saúde onde também atuo, é fomentar, incentivar e colaborar na difusão do conhecimento. Uma forma de sermos agentes de mudança e colaboração! Boa leitura e bons estudos!

Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

Fonte complementar: AVASUS – Cursos/ Fitoterápicos 

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Medicamentos Naturais: A Legislação na Prescrição e o Movimento “Medicina sem Pressa”

Nos cursos que ministro e nos projetos que presto consultoria, quando se trata daqueles que buscam trabalhar como terapeutas naturalistas e/ou holísticos, naturopatas, terapeutas florais, homeopatas prescritores ou outra profissão correlacionada, procuro sempre enfatizar a importância de conhecermos e estarmos atualizados sobre a legislação que regulamenta a prescrição de fitoterápicos e homeopatias.

Isso se aplica tanto no que diz respeito ao respaldo do profissional para que possa executar o seu trabalho dentro da lei, quanto à constante atualização do seu conhecimento por meio de formações e especializações devidamente registradas e/ou sob respaldo de conselhos, associações e sindicatos regionais ou nacionais. Da mesma forma, no caso da prescrição de medicamentos naturais, precisamos estar aptos para fazê-la, assim como cientes das mudanças registradas pela ANVISA de tempos em tempos, uma vez que é este órgão que regulamenta tais alterações. Hoje, algumas ervas, mesmo em forma de chás, por exemplo, já não podem mais ser comercializadas em lojas de produtos naturais em razão disso.

Mesmo a prescrição de medicamentos naturais que estejam prontos para venda – comercializados por laboratórios como Welleda, Vidora, Klein, Herbarium, Hertz, Schreiber, entre outros – ou que sejam manipulados por uma farmácia de confiança, ou ainda elaborados em consultório e/ou laboratório particular pelo próprio terapeuta – como é o caso dos florais – é imprescindível que estejamos a par desses pormenores legislativos, por mais burocráticos que sejam, e que tenhamos conhecimento e experiência para saber quando, como e em que condições prescrevê-los. Para tanto, cursos de farmacologia aplicada já existem no mercado, assim como as formações destinadas a terapeutas florais, homeopatas prescritores e fitoterapia aplicada, ministrados pelos Conselhos e Faculdades de Farmácia, Enfermagem e/ou profissionais da área da saúde.

Além dos florais, os produtos de medicina tradicional chinesa e de medicina ayurvédica também estiveram sob os olhos da Agência de Vigilância Sanitária. Em novembro de 2018 houve uma nova tentativa de regulamentação. Contudo, as decisões indicaram que uma nova regulamentação estará voltada para o estabelecimento de regras no que diz respeito a: composição do produto, rotulagem e fabricação, entre outros quesitos, para que possam ser comercializados. Mas, sem a necessidade de registro ou de outro tipo de autorização prévia.

Sigamos observando como se processará esse movimento de regulamentação de produtos se, antes, o projeto de lei que regulamenta a profissão de terapeuta naturalista e toda a lista de modalidades/terapias alternativas e complementares em saúde ainda não foi aprovado – embora reconhecido já seja pelo Ministério do Trabalho e da Saúde, pela OMS, e seja desempenhado por milhares de pessoas. É ainda a discrepância que vivemos numa sociedade capitalista. Leia o documento na íntegra: Proposta de Atuação Regulatória_Florais e MTC.

AS FARMACOPEIAS BRASILEIRAS

Da mesma forma, para estarmos nos atualizando podemos consultar online os bancos de dados de estudos científicos relacionados às matéria-primas e/ou remédios naturais que temos interesse, assim como as publicações que a ANVISA disponibiliza gratuitamente. Entre essas publicações temos as Farmacopeias Virtuais Brasileiras, além de documentos atualizados por meio de consulta pública, extensiva a profissionais da área da saúde, setores sociais, órgãos públicos e conselhos regulatórios, que visam debater formulações relacionadas nos Formulários Fitoterápicos e Homeopáticos da Farmacopeia Brasileira, geralmente publicados no site da Agência. O foco para a prescrição das dosagens corretas e sua forma de preparo podem ser encontradas de forma objetiva nesses formulários.

A Farmacopeia Brasileira é o Código Oficial Farmacêutico do País, que estabelece os requisitos mínimos de qualidade para fármacos, insumos, drogas vegetais, medicamentos e produtos para a saúde. O código contém 592 monografias, sendo que 367 destas fazem parte da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename). Desde 1999, quando foi criada, a Anvisa assumiu a gestão da Farmacopeia Brasileira. A quinta edição representa uma revisão de todas as monografias e métodos farmacêuticos – a qual relaciono abaixo. Para sua elaboração, o trabalho conta com a participação de membros acadêmicos, representantes da indústria farmacêutica, Anvisa, Ministério da Saúde, entre outros.

Segundo a diretora da Anvisa, Maria Cecília Brito: “Uma farmacopeia sólida proporciona a obtenção de matérias-primas de qualidade, além de reduzir custos para os fabricantes e a ocorrência de eventos adversos para os usuários”. Assim, meu objetivo em relacioná-las aqui é porque representam uma ótima base para prescrições realizadas de forma segura e aprovadas a partir das dosagens permitidas por lei. Fora das dosagens permitidas, somente profissionais da área da medicina poderão estar aptos para prescrever doses maiores e/ou já consideradas tóxicas para o organismo.

  1. Farmacopeia Homeopática Brasileira – 3ª edição (2011)
  2. Formulário Homeopático – Farmacopeia Brasileira 1ª edição (2017)/ A 2ª edição está em andamento.
  3. Farmacopeia Brasileira – 5ª edição/ Volume 1Farmacopeia Brasileira – 5ª edição/ Volume 2
  4. Formulário ou Memento Fitoterápico – Farmacopeia Brasileira – 1ª edição (2016)
  5. Farmacopeia Brasileira 1º Suplemento (2018)/ Farmacopeia Brasileira – 2º Suplemento (2017)

Com esse cenário, nossa atenção quanto à prescrição deve ser redobrada, uma vez que um medicamento de origem natural também possui uma composição bioquímica vasta, contra-indicações devido à sua toxicologia e à interação com outros medicamentos alopáticos. É preciso uma análise do histórico do paciente e uma lista da relação de medicamentos que utiliza e/ou que já usou recentemente. E o mais importante, avaliar o tempo que deverá seguir com o tratamento de acordo com cada caso. Muitas vezes, é importante que haja a troca de informações entre o terapeuta e o médico ou profissional de saúde, caso o paciente esteja fazendo uso de medicação controlada, por exemplo.

Lembremos que o nosso corpo tem uma bioquímica própria, que funciona perfeitamente quando estamos equilibrados e em harmonia conosco internamente, com a nossa vida, o que reflete na saúde em vários níveis. Assim, a importância de termos consciência de que um medicamento natural também tem o seu tempo de atuação. Que precisamos cada vez mais buscar formas de não nos medicarmos, mas sim buscar as respostas através de práticas e mudanças de hábitos e padrões para nos trazer mais saúde, tanto física, emocional, quanto mental e espiritual.

TENDÊNCIA: “SLOW MEDICINE” – A MEDICINA SEM PRESSA

O movimento chamado Slow Medicine ou “medicina sem pressa” está no rol de outros movimentos crescentes e direcionados à busca de mais qualidade de vida e saúde do paciente. Isso significa destinar tempo para identificar a causa da doença, incluindo a prescrição de medicamentos em alguns casos, mas dar ao corpo uma chance de se curar. O movimento nasceu em 2011, na Itália, através de uma associação de médicos, enfermeiros, pacientes e cidadãos que defendem uma medicina sóbria (faz tudo o que é necessário para tratar cada pessoa doente, mas não desperdiça preciosos recursos com excesso de exames), respeitosa (considera as exigências, expectativas e valores dos pacientes) e justa (é igualitária e garante tratamento essenciais para todos).

Esse movimento vem de encontro ao retorno da saúde integral, que visa o fortalecimento tanto do corpo, da mente, do emocional, quanto do ambiente em que a pessoa convive e interage, padrões de pensamento, emoções e comportamento, seus hábitos e estilo de vida. É claro que os índices de maior adesão desses movimentos começam sempre fora do Brasil – como também foi o caso do slow food, relativo à importância do consumo de alimentos orgânicos de produção própria e/ou de produtores locais, incluindo a agroecologia, e o minimalismo como forma de minimizar o consumo excessivo e a produção de lixo.

Mas, já estamos vendo essa tendência inserida e praticada através das terapias alternativas e naturalistas e/ou das práticas integrativas e complementares em saúde – mesmo que em passos lentos aqui no Brasil – que objetivam ir além do tratamento sintomático e auxiliarem no encontro da causa do desequilíbrio. Alguns hospitais também já estão aplicando esses princípios junto ao tratamento médico de seus pacientes. Para o Dr. Michael Finkelstein, especialista em Slow Medicine, ainda vemos uma medicina que é essencialmente rápida, cirúrgica e com base em medicamentos prescritos – diria focados nos sintomas. O sistema de saúde está condicionado com esse tipo de abordagem(…).

É importante trazermos essa consciência quanto às prescrições que fazemos e também das que recebemos dos profissionais de saúde com os quais nos consultamos. Um diálogo respeitoso e esclarecedor entre profissional e paciente deve ser sempre bem vindo, uma forma de esclarecer –  por parte do paciente – e de avaliar, por parte do médico ou profissional de saúde, se os medicamentos prescritos ainda são necessários, em quais condições mantê-los, se é possível reduzir as dosagens ou procurar opções de tratamento mais naturais que aliviem ou que tragam menos reações adversas.

A prescrição de medicamentos naturais, portanto, também necessita estar inserida nesta “medicina sem pressa”. Essa é a atenção à saúde do paciente que vai além do corpo. Como sempre digo, uma fórmula floral, um fitoterápico, uma homeopatia ou mesmo um composto de ervas calmantes são apenas auxiliares ou complementares num tratamento terapêutico. Precisamos honrar essa sagrada medicina e os remédios que dela são derivados, mas nosso maior compromisso é não precisarmos depender deles.

Luciane Strähuber – Consultora e Educadora da Terapêutica Integrada

Fontes complementares: Anvisa: http://portal.anvisa.gov.br/farmacopeia / “Medicina sem pressa” no Brasil: Slow Medicine Brasil/ Sugestão de livros: https://www.slowmedicine.com.br/livros/ 

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Óleos Essenciais: Como Usar com Segurança

Toda vez que prescrevo ou ensino a confeccionar qualquer tipo de produto cuja composição possua óleos essenciais, procuro chamar a atenção para a quantidade de gotas. Devem ser respeitados o seu uso de acordo com o tipo de produto, se para o ambiente ou para o corpo, o tipo de pele e a parte do corpo, a condição da saúde e o objetivo do tratamento, se há sensibilidade e/ou alergia, assim como gravidez, uso de certos medicamentos e o histórico do paciente.

Essa cautela tem um importante motivo: uma gota de óleo essencial equivale, em média, a 15 xícaras de chá da planta e/ou a 25 saquinhos de chá da erva. Justamente pelo fato de serem tão concentrados, os óleos essenciais são capazes de atuar de modo tão eficaz em nosso organismo. No entanto, é por este mesmo motivo que o seu uso terapêutico requer cuidado, conhecimento e orientação adequada. Essa também é a razão pela qual eles geralmente não são baratos e diferem dos óleos sintéticos ou artificiais.

A maioria dos óleos essenciais comercialmente disponíveis no mercado são vendidos de forma segura para o uso, e quando manuseados de maneira apropriada, os riscos envolvidos na sua utilização em ambientes domésticos ou profissionais/clínicos se tornam muito pequenos.

Registros de intoxicações graves causadas por óleos essenciais não são frequentes, contudo, podem ocorrer por ingestão de quantidades excessivas de óleo essencial puro (acima de 10 mL de óleo essencial puro) ou pela frequência de aplicação superior ao recomendado, especialmente em crianças menores de sete anos – atento aqui também aos nossos pets, cuja sensibilidade olfativa é elevada. 

Outra informação importante é o fato de que alguns óleos, dependendo da frequência com que são aplicados ou ingeridos, podem ser cumulativos para alguns órgãos – o hortelã-pimenta, por exemplo, é ótimo para a digestão, mas em doses excessivas é hepatotóxico. Assim, precisamos lembrar que a mãe natureza tem uma sabedoria própria: tem pronto na folha de cada planta a quantidade perfeita das moléculas de óleo essencial, a fim de não nos intoxicarmos. Mas, mesmo para os chazinhos que costumamos tomar, o ideal é que estejamos sempre variando as ervas para o corpo não ficar intoxicado através do efeito cumulativo da planta.

FATORES QUE INFLUENCIAM A SEGURANÇA 

  • 1. QUALIDADE DO ÓLEO ESSENCIAL 

Um óleo sintético, ou seja, adulterado, não possui a mesma composição química de um óleo essencial natural, logo não poderão dar os mesmos resultados terapêuticos, além de aumentarem a probabilidade de uma resposta adversa no organismo. Ao adulterar ou isolar um princípio considerado ativo, perde-se os compostos orgânicos responsáveis pelas propriedades medicinais dos óleos e eles não atuarão de modo medicinal e eficaz. Portanto, fique atento ao rótulo e compre apenas óleos essenciais que incluam o nome científico da planta e sua origem.

  • 2. COMPOSIÇÃO QUÍMICA

Cada óleo essencial possui características bioquímicas particulares, que irão designar a ação terapêutica e o método de utilização mais adequados. Conhecer a composição química do óleo essencial nos revela tanto o seu princípio ativo majoritário – que indicará as melhores vias de atuação dele – como também indicará a presença de componentes que requerem maior cautela no seu uso.

É o caso das furanocumarinas, componentes que indicam que o óleo tem a capacidade de tornar a pele fotossensível e, portanto, não devem ser utilizados antes da exposição solar. Esse é o caso dos óleos cítricos como limão siciliano ou taiti, laranja doce ou amarga, pettigraint, tangerina, entre outros. Óleos essenciais ricos em aldeídos como a citronela (por exemplo citronelal, citral) e em fenóis como a canela e o cravo (por exemplo, aldeído cinâmico e eugenol) podem causar reações na pele se aplicados sem diluição. Os óleos ricos nestes componentes nunca devem ser aplicados puros sobre a pele e, além da diluição, também podem ser associados a outros óleos com capacidade de atenuar seus efeitos irritantes.

  • 3. MÉTODO DE APLICAÇÃO

Os óleos essenciais atuam no organismo por vias fisiológica, psicológica e energética. Dentre as formas de aplicação e utilização mais comuns, temos: inalação, massagem, emprego em cosméticos, bandagem ou compressas, banhos e uso interno. Outras utilizações também envolvem produtos naturais de limpeza e higiene. O método de aplicação mais adequado pode variar de acordo com as características particulares de cada óleo essencial, bem como o próprio tratamento a ser realizado. Cada método de aplicação, por sua vez, possui orientações de segurança que precisam ser respeitadas. O uso interno de óleos essenciais não deve ser realizado sem a orientação e o acompanhamento de um profissional adequado – por exemplo, em dosagem superior a 300 mg (1 gota de óleo essencial = em média 30mg) ou emprego de óleos que não sejam puros.

  • 4. DOSAGEM E DILUIÇÃO

Para uma dosagem e diluição seguras devem ser respeitados tanto as características de cada óleo essencial, bem como a sensibilidade do próprio paciente. Qualquer uso excessivo de óleos essenciais pode causar irritação ou outros efeitos indesejados devido à sua natureza lipofílica. Como aromaterapeuta e alquimista, indico não se ultrapassar o uso de 2%. 

De modo geral, as diluições recomendadas para aplicação tópica variam entre 1 e 5%, o que normalmente não representa preocupações de segurança. Assim, por cautela estipulou-se, tendo por base os trabalhos na área da toxicologia, não ultrapassar a quantidade de 3% de óleo essencial em 15 mL de óleo vegetal carreador, de modo que a quantidade total dos componentes do óleo essencial seja inferior a 2000 vezes o valor da sua dose letal. Normalmente, utiliza-se a concentração de 2%, entretanto, em crianças com menos de 7 anos de idade e em pacientes muito enfermos e/ou debilitados, usam-se concentrações menores de 1%.

  • 5. INTEGRIDADE DA PELE

A pele sensibilizada, doente ou inflamada é frequentemente mais permeável aos óleos essenciais e encontra-se mais suscetível à ocorrência de reações adversas e irritações. Quando fragilizada ou inflamada, a pele tende a absorver uma quantidade de óleo essencial superior a quantidade que normalmente seria absorvida, não só piorando a condição da pele já fragilizada, como também provocando novas reações de sensibilização. Portanto, o ideal é não se utilizar os óleos diretamente na pele nesses casos ou, dependendo do problema, reduzir bastante a porcentagem. 

  • 6. TEMPO QUE PERMANECE NO ORGANISMO

Pelo fato de terem uma composição química muito complexa, podem chegar a ter mais de 200 componentes químicos diferentes em um único óleo essencial. Formados basicamente por terpenos e derivados terpênicos, os óleos essenciais possuem uma característica que os diferencia de grande parte dos medicamentos e cosméticos. Eles são lipossolúveis, isto significa que penetram facilmente na pele (através dos dutos da glândulas sudoríparas e do folículo piloso) e rapidamente chegam à corrente sanguínea.  E é por isso que atualmente existem muitas pesquisas utilizando os componentes dos óleos essenciais para aumentar ou facilitar a penetração de alguns medicamentos.

É possível detectar seus componentes químicos no sangue, suor ou ar expelido cerca de 5 minutos após a aplicação feita por massagem ou compressa. Então, se em apenas 5 minutos estão na corrente sanguínea, quanto tempo permanecem no organismo? Pesquisas realizadas na França demonstram que alguns componentes dos óleos essenciais, como os sesquiterpenos, permanecem no organismo por até 5 dias. Já os monoterpenos permanecem por até 3 dias no corpo. Nesse sentido, menos é sempre mais na aromaterapia. Se houver exagero nas dosagens ou utilizar os óleos essenciais muitas vezes ao dia, o que vai acontecer a médio e longo prazo é ter um fígado e/ou rins lesionados por tanto trabalho para metabolizar os excessos.

  • 7. IDADE DO PACIENTE

Bebês e crianças pequenas são mais sensíveis à potência dos óleos essenciais e as diluições seguras geralmente variam de 0,5 a 2,5%, dependendo da condição. Certos óleos essenciais devem ser evitados ou devem ser empregados somente sob a orientação de um profissional responsável. Pacientes idosos podem ter mais sensibilidade cutânea e também devem utilizar concentrações reduzidas. O que recomendo é o uso de um frasco com roll-on, diluindo os óleos essenciais em óleos vegetais ou carreadores.

O uso incorreto dos óleos essenciais não apenas coloca em risco o bem-estar do paciente, como também inviabiliza a eficácia terapêutica, levando a deslegitimar a prática da aromaterapia. Por isso, para tratamentos adequados, de modo a se obter os melhores resultados e assegurar a sua segurança, sempre recomenda-se a orientação de um profissional especializado. Somente ele poderá avaliar e também acompanhar o caso em particular e assim indicar a melhor abordagem.

No caso da compra de óleos essenciais para o ambiente doméstico, pesquise, observe e/ou solicite informações que contenham as formas de uso de acordo com o que você deseja. Assim, estará aprendendo de forma eficaz e segura, e podendo passar adiante sua experiência com responsabilidade.

Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada, Aromaterapeuta e Alquimista.

Para aprofundar o conhecimento relativo à utilização dos óleos, suas funções, formas de uso e toxicidade, assim como estudos científicos sobre as matérias-primas e a bioquímica, super indico o livro Farmacognosia: da planta ao medicamento. SIMÕES, Cláudia Maria Oliveira – Artmed. Em edição mais atual, encontra-se com o título: Farmacognosia: do produto natural ao medicamento.

Fonte Complementar: Terra Flor Aromaterapia/ Grupo Laszlo – Aromaterapia e Aromatologia/ NATIONAL ASSOCIATION FOR HOLISTIC AROMATHERAPY, NAHA. Safety Information / WOLFFENBUTTEL, Adriana Nunes. Base da Química dos Óleos Essenciais e Aromaterapia: Abordagem Técnica e Científica 

Leia também: Receitas Caseiras com Óleos Essenciais

Artigos, Feminino Sagrado

Uma Homenagem às Mães de todas as espécies!

Honramos e homenageamos as Mães de todas as espécies!

Honramos aquela que nos deu a bênção da Vida,

aquelas que foram mães de múltiplas formas em nossa existência

e também nossas ancestrais que nos permitiram aqui estar, através de nossa mãe.

Trazemos de todas elas e de nossas raízes esta força da Criação,

esta corrente de pura vida, este pulsar de amor,

cumprindo o nosso propósito humano e divino

e ocupando um lugar único na grande família planetária e universal.

Honramos o Sagrado Feminino, o cálice que dentro de cada mulher

guarda a energia da Criação, da Geração e da essência da Vida!

Honramos Gaia e a Consciência Materna que reside em todos nós.

Somos o resultado do amor de todos os nossos ancestrais!

Um brinde à Vida em todas as suas formas, cores, perfumes e amores!

Namaste! ❤

Artigos, Constelação Familiar, Terapias Integrativas

Ensinamentos sobre Irmãos e Hierarquia na Família: Visões da Constelação Familiar

Irmãos são indivíduos que participam de uma mesma comunidade de destino. Eles vem de um pai e de uma mãe em comum – ou de um deles em comum. Porém, em algum ponto de origem, seja no pai ou na mãe ou em ambos, compartilham da mesma história familiar.

Segundo Bert Hellinger, o criador da Constelação Familiar: “Pais e filhos constituem uma comunidade que partilha de um destino comum. Nela, cada um depende do outro de muitas maneiras e, na medida das suas possibilidades, precisam cooperar para o bem comum. Aqui, cada um simultaneamente dá e recebe.”

Entre irmãos, há sempre uma ordem a ser respeitada. Há o que chegou antes e existe os que vieram depois – a ordem de precedência. Mesmo no nascimento de gêmeos, um deles tem a precedência. É primordial essa ordem ser olhada e respeitada. Isso vale tanto entre pais e filhos, quanto entre irmãos na sua convivência.

Através da constelação familiar sistêmica, é necessário olhar também para os irmãos que não nasceram, para os que naturalmente não sobreviveram ou que foram abortados. Todos estes fazem parte da ordem familiar e têm o seu lugar por pertencimento. Dessa forma, podemos ter uma imagem completa desta comunidade de pessoas, unidas pela sua origem e que realizam um grande trabalho: caminhar, juntos ou separados, por uma jornada de vida. Leia mais sobre Abortos: Incluindo os Excluídos.

Levando em consideração a particularidade de cada caso, a Constelação Familiar como ferramenta terapêutica auxilia a encontrar o fluxo da ordem dentro da hierarquia familiar, mostrando onde reside a origem das desordens, dos conflitos e de situações desafiadoras em nossa vida. Ela pode revelar, a partir de nossa abertura interior, o que está atuando em nosso inconsciente, levando nosso olhar em direção às dificuldades que vivenciamos e descortinar aquilo que ainda não estava consciente. 

PAIS, FILHOS E IRMÃOS

Na ordem entre pais e filhos e também entre irmãos, existe uma dinâmica semelhante no dar e no receber: assim como os pais somente dão e os filhos somente recebem, entre irmãos o mais velho também poderá dar ao irmão mais novo, e este receberá mais.

Cabe porém ressaltar que o “dar” – a troca entre irmão mais velho e mais novo – diz respeito ao lugar de irmãos, jamais um irmão mais velho pode oferecer algo que só compete ao pai ou à mãe fazê-lo. Num caso assim, ele estaria saindo de seu lugar, ferindo inconscientemente a ordem ao querer fazer-se “maior” que os pais – aqui a palavra “maior” refere-se a ocupar um lugar de precedência daquele que veio antes.

É importante frisar bem este ponto: muitos filhos mais velhos podem tender a colocar-se fora de seu lugar, tomando para si algo que é da função do pai ou da mãe. A consequência sempre será a de que os irmãos mais novos não aceitarão tal desordem, sendo provável que nasçam desta dinâmica muitos conflitos, brigas e dificuldades de existir paz entre os irmãos.

Segundo Hellinger: “Quem vem primeiro deve dar mais porque também recebeu mais, e quem vem depois necessariamente recebe mais. Entretanto, também este último, quando já tiver recebido o bastante, dará aos que vierem depois. Assim, dando e tomando, todos se sujeitam à mesma ordem e seguem a mesma lei.”

Da mesma forma, os que recebem devem honrar a dádiva daquilo que receberam, e da forma como receberam. Quando esta boa ordem é respeitada, aqueles que dão são retribuídos pelos bons frutos do que cederam. E os que receberam ficam livres para passar isso adiante. Dessa forma a vida flui, em direção ao mais.

EQUIVALÊNCIA E BRIGAS 

Ainda que exista a precedência, irmãos são equivalentes. Não há diferença de valor entre eles para o sistema, apenas uma diferença de ordem. Da mesma forma como o fluxo entre o dar e o receber segue de cima para baixo, e o tempo flua do antes para o depois, a ordem entre irmãos não pode seguir por outro caminho diferente daquele estipulado pelo nascimento.

Assim, irmãos maiores tem um lugar diferente de seus irmãos menores, e sentir-se-ão ameaçados se houver uma tentativa de invasão de seu espaço. Isto trará conflitos. Esta é uma dinâmica comum que se mostra nas constelações, quando um caçula entende em seu interior que tem o direito de se intrometer no assunto de seus irmãos mais velhos, ou até mesmo de seus pais. Isso é geralmente a fonte de problemas entre irmãos, quando a ordem e o lugar de cada um não são respeitados. Isto é algo que atua no nível sutil ou inconsciente, porém mostra sua influência de forma concreta no dia-a-dia.

Por cada caso ser um caso, a solução deve ser tratada como única e irrepetível para cada família. Isto é um fato importante para não haver enganos ou julgamentos por parte do terapeuta, evitando caminhos que levam a verdades absolutas. Um exemplo disso são os casos de irmãos mais velhos que tendem a assumir, de forma compulsória, responsabilidades pelos irmãos mais novos em caso de morte de um dos pais ou de ambos, em caso de abandono ou de incapacidade dos pais por motivo de doença grave, ou ainda de situações extremas que envolvam o vício em drogas, tráfico, álcool, prostituição, entre outros.

É sempre importante olhar os movimentos de cada caso onde há desentendimentos entre irmãos. Em algumas situações, há uma força de exclusão nestas relações que pode ser a repetição de um caso acontecido anteriormente no sistema familiar. Exclusões sempre atuam tencionando o sistema e trazendo dificuldades para todos que dele fazem parte. Segundo a constelação familiar, a exclusão é um movimento “arrogante” de um membro ou de um sistema de retirar o pertencimento de alguém que tem esse direito, pelo fato de ali ter nascido. 

Trilhar um caminho de amor, harmonia e compreensão em meio às complexidades do sistema familiar é possível. Conhecer as “ordens do amor” que atuam muitas vezes de forma inconsciente é uma meta essencial, uma forma de evitarmos crises, conflitos e enfermidades. Elas ocorrem em virtude do desconhecimento das leis naturais que regem os nossos sistemas familiares e sociais. Da mesma forma, essas ordens não são um fim em si mesmas, assim como menciona Hellinger quando diz que a Constelação não é um método, mas um caminho.

Leia mais sobre essas leis e ordens em: Vínculos do Destino: A Fonte não precisa perguntar pelo caminho

ORDEM DE NASCIMENTO DOS IRMÃOS

Por Dra. Gail Gross – Especialista em família, educação e comportamento humano.

“Você vai fazer uma viagem de carro com seus irmãos adultos. Qual desses três cenários mais se parece com você?

1. Você vem planejando a viagem há semanas, já cuidou das reservas de hotel e restaurante, trocou o óleo do carro e encheu o tanque. E até já mapeou as paradas para descanso ao longo do caminho.

2. Você passou a manhã na correria, tentando aprontar tudo. No final, jogou lanches e roupas na mala de qualquer jeito, na última hora. Se é você quem vai dirigir, está torcendo para encontrar um posto na estrada e encher o tanque, que está pela metade.

3. Viagem em família? Vai ser divertido! Você aceitou o convite porque vai ser uma curtição e não planejou contribuir com nada, exceto suas piadas e historinhas divertidas.  Você também curte os lanches que seus irmãos mais velhos trouxeram. Percebe que talvez precise comprar um agasalho mais apropriado quando vocês chegarem ao destino.

Se você se identifica com o cenário nº 1, é provável que seja o filho primogênito. Se o cenário nº 2 o descreve bem, você é provavelmente o filho do meio. Você se identifica mais com o cenário nº 3? O mais provável é que seja o caçula.”

A ORDEM DE NASCIMENTO FAZ DIFERENÇA

Alguns pesquisadores consideram a ordem de nascimento tão importante quanto o gênero, e quase tão importante quanto questões genéticas. É a velha história da natureza versus criação. Em minha experiência como educadora e pesquisadora, sei que não existem dois irmãos que tenham os mesmos pai e mãe, mesmo que vivam na mesma família. Por que? Porque os pais são diferentes com cada um de seus filhos, e não há dois filhos que desempenhem o mesmo papel. Por exemplo, se você é o filho cuidador, o papel de cuidador já terá sido tomado, e seu irmão escolherá outro papel para exercer na família, talvez o do realizador.

Como pai ou mãe, você se lembra bem de seu primeiro filho. Foi aquele que você vigiava quando estava dormindo, para ter certeza de que continuava a respirar. Foi o bebê que você carregou no colo e amamentou e/ou para o qual esterilizou mamadeiras por mais tempo. Esse filho é o único que terá tido o monopólio dos pais; todos os outros filhos foram obrigados a dividi-los.

O filho primogênito nasce numa família de adultos que se orgulha de cada conquista dele e teme todo machucado ou acidente potencial. O filho do meio com frequência é dominado pelo primogênito, que é mais velho, sabe mais e é mais competente. Quando nasce o filho caçula, os pais geralmente já estão cansados e têm menos tendência a querer controlar tudo. Quando você tem seu caçula, já sabe que seu bebê não vai quebrar; logo, pode ser mais flexível em termos de atenção e disciplina. O resultado é que seu bebê aprende desde cedo a seduzir e divertir vocês.

O REALIZADOR, O PACIFICADOR E O BRINCALHÃO

Enquanto o filho mais velho é programado para alcançar excelência e realizações, o filho do meio é criado para ser compreensivo e conciliador, e o caçula quer atenção. Assim, a ordem de nascimento dos filhos é uma variável poderosa no desabrochar da personalidade de cada um.

* O primogênito: o realizador. O primogênito provavelmente terá mais em comum com outros primogênitos do que com seus próprios irmãos. Pelo fato de ter sido alvo de tanto controle e atenção de seus pais, marinheiros de primeira viagem, os primogênitos são responsáveis até demais, confiáveis, bem comportados, cuidadosos – versões menores de seus pais.

Se você é filho primogênito, é provável que seja um realizador que busca aprovação, domina e é aquele perfeccionista que suga todo o oxigênio que há na sala. Você pode ser encontrado em profissões que requerem liderança, como direito, medicina ou ser CEO de uma empresa. Como mini-pai ou mãe, também tenta dominar seus irmãos. O problema é que, quando nasce o bebê número dois, você tem um sentimento de perda. Ao perder seu lugar no trono familiar, você também perde o lugar especial decorrente da singularidade. Toda a atenção que era voltada exclusivamente a você agora terá que ser compartilhada entre você e seu irmão.

* O filho do meio: o pacificador. Se você é filho do meio, é provável que seja compreensivo, cooperador e flexível, mas também competitivo. Você se preocupa com o que é justo. Na realidade, como filho do meio, é muito provável que escolha um círculo íntimo de amigos para representar sua grande família. É nesse espaço que encontrará a atenção que lhe faz falta em sua família de origem.

Como filho do meio, você é quem recebe menos atenção de sua família, e por essa razão essa família que você escolheu é sua compensação. Embora em muitos casos você só se destaque mais tarde na vida, acabará em profissões poderosas que lhe permitam fazer bom uso de suas habilidades de negociador – e também conseguir aquela atenção que lhe faz tanta falta.

Você e seu irmão mais velho nunca vão se destacar na mesma coisa. O traço de personalidade que o define como filho do meio será o oposto daquele de seu irmão mais velho e do menor. Mas as ótimas habilidades sociais que você aprendeu por ser o filho do meio – negociar e orientar-se dentro de sua estrutura familiar – podem prepará-lo para um papel de empreendedor num palco maior.

* O filho caçula: aquele que anima a festa. Se você é o caçula da família, seus pais já se sentiam confiantes em seus papéis de cuidadores; por essa razão, eram menos rígidos e não necessariamente prestavam atenção a cada passo ou marco seu, assim como fizeram com seus irmãos mais velhos. Assim, você deve ter aprendido a seduzir as pessoas com seu charme e simpatia.

Como filho caçula, você tem mais liberdade que os irmãos mais velhos e, em certo sentido, é mais independente que eles. Como o caçula, você também tem muito em comum com seu irmão mais velho, já que vocês foram tratados como especiais, dotados de certos direitos inatos. Sua influência se estende a toda a família, que lhe dá apoio emocional e físico. Logo, você tem um sentimento de segurança e de ter seu lugar próprio.

Provavelmente, não o surpreenderá observar que os filhos caçulas com frequência encontram profissões ligados ao entretenimento, como atores, comediantes, artistas, escritores, diretores e assim por diante. Eles também dão bons médicos e professores. Como seus pais foram mais descontraídos e lenientes, você tem a expectativa de ter liberdade para seguir seu próprio caminho em estilo criativo. E, como o caçula da família, carrega menos responsabilidade, por essa razão não atrai experiências responsáveis.

* O filho único: Se você é filho único, cresce cercado por adultos e, por essa razão, com frequência sabe verbalizar as coisas bem e tem maturidade. Isso possibilita ganhos de inteligência que excedem outras diferenças de ordem de nascimento. Tendo passado tanto tempo sozinho, você é engenhoso, criativo e tem confiança em sua independência. Se você é filho único, na realidade tem muito em comum com os primogênitos e também com os caçulas.

Em última análise, é importante para os pais conhecerem seus filhos. Ainda mais importante que a ordem em que eles nasceram é criar um ambiente positivo, sadio, seguro e estimulante. Compreendendo a personalidade e o temperamento de cada filho, os pais podem organizar o ambiente dele de modo a aproximá-lo de seu potencial mais pleno. Por exemplo, sabendo que o filho primogênito tem grande senso de responsabilidade, podem aliviar a carga dele, e reconhecendo que o caçula está vivendo em um ambiente mais leniente, podem ser mais exigentes em termos de disciplina. A criança precisa ter direito de buscar seu próprio destino, seja qual for seu papel na família, e como mãe ou pai sua tarefa mais importante é apoiá-la nessa sua jornada individual.

ORDEM E HIERARQUIA

Hellinger diz: “Existe uma ordem nos relacionamentos que atribui aos membros mais antigos a precedência em relação àqueles que vieram depois. Denomino-a de ordem original. Neste sentido um casal encontra-se no mesmo nível, pois iniciam a relação ao mesmo tempo. O mesmo vale para os pais. Entre eles não existe uma preferência nesse sentido. Eles começam juntos. Aqui também são equivalentes.

Quando eles têm filhos, o primeiro tem uma preferência hierárquica em relação ao segundo, e o segundo tem uma preferência hierárquica em relação ao terceiro. Isso não significa que o primeiro filho possui o poder de dar ordens aos outros irmãos, mas de acordo com a hierarquia ele vem antes e, naturalmente, os pais têm a preferência hierárquica em relação aos seus filhos. O efeito é bom quando respeitamos a ordem original (…) Quando um mais novo assume algo de funesto em lugar de um mais velho, mesmo que seja por amor, ele se intromete na esfera mais pessoal de alguém que hierarquicamente o precede e tira dessa pessoa e de seus destino funesto sua dignidade e força.” 

Portanto, quando um filho infringe a hierarquia do dar e tomar, como resultado inconsciente ele se pune com severidade, frequentemente com o fracasso e o declínio, sem tomar consciência da culpa e do vínculo. Isto porque, como é por amor que ele transgride a ordem ao dar ou tomar o que não lhe compete, não se dá conta da própria arrogância e julga que está agindo bem.

Porém, a ordem não se deixa suplantar pelo amor. Pois o sentido de equilíbrio que atua na alma, anteriormente a qualquer amor, leva a ordem do amor a fazer justiça e compensação, mesmo ao preço da felicidade e da vida – aqui a lealdade à família é maior que a felicidade e a vida. Por essa razão, a luta do amor contra a ordem está no início e no fim de toda tragédia, e só existe um caminho para escapar disso: compreender a ordem e segui-la com amor. Compreender a ordem é sabedoria, segui-la com amor é humildade.

Independente de tudo o que aqui foi relatado, consideremos cada sistema e suas particularidades, além de uma série de fatores sociais como a nacionalidade, a educação, a cultura e os costumes, as crenças e os valores, entre as outras relações dentro da família. 

* Casal e filhos: O relacionamento entre marido e mulher existe antes de se tornarem pais: há adultos sem filhos, mas não existem filhos sem pais biológicos. O amor vence quando os pais cuidam bem dos filhos quando eles são jovens, mas a recíproca não é verdadeira. Assim, o relacionamento entre marido e mulher assume prioridade na família.

* Irmãos: A prioridade baseada no tempo também se aplica aos irmãos. Os que estão perto do começo da vida recebem dos que já viveram mais. O mais velho dá ao mais jovem, o mais jovem recebe do mais velho. O primeiro filho dá ao segundo e ao terceiro; o segundo recebe do primeiro e dá ao terceiro; e os caçulas recebem de todos os outros. O primogênito dá mais e o infante recebe mais. Por isso, muitas vezes, o filho mais velho é recompensado com privilégios e o mais novo assume maiores responsabilidades para com a velhice dos pais.

* Novos relacionamentos: Os novos sistemas de relacionamento também têm prioridade sistêmica sobre os antigos. Dá-se aí o contrário da dinâmica de precedência dentro de um sistema em que os membros mais velhos se sobrepõem aos que vêm depois. O relacionamento do casal tem prioridade sobre o relacionamento com a família de origem, do mesmo modo que o segundo casamento tem precedência sobre o primeiro. Os relacionamentos são prejudicados quando esse princípio não é acatado – quando os pais permanecem mais importantes que os parceiros e filhos, ou quando os primeiros parceiros são mais importantes que os novos, por dinâmicas conscientes ou inconscientes.

VALE O QUANTO PESA

Com respeito ao peso, o relacionamento mais importante na família é entre o pai e a mãe; vem em seguida o relacionamento entre pais e filhos, os relacionamentos com a família em geral e, finalmente, os relacionamentos com outros grupos livremente escolhidos. Algumas pessoas, assoberbadas por um destino particularmente difícil – um exemplo do que foi mencionado anteriormente, quando um irmão mais velho ou outro membro da família acaba por ter de assumir o lugar de um dos pais – podem ter bastante “peso sistêmico” para que a sequência normal da realidade, de acordo com o tempo, deva ser ajustada.

Por Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

Fonte complementar de obras e referências: 1. Dra. Gail Gross –  http://www.huffingtonpost.com/dr-gail-gross/; 2. “A simetria oculta do Amor”, 3. “No centro sentimos leveza”, 4. “As Ordens do Amor” – Todos de Bert Hellinger/ 5. “Objetos transicionais e fenômenos transicionais”, 6. “O brincar e a realidade” – Donald Woods Winnicott; 7. “Irmãos e irmãs” – Karl König; “O complexo fraterno” – René Kaës/ “Família: Urgências e Turbulências” – Mário Sérgio Cortella.

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Ovos de Páscoa: O Verdadeiro Legado das Tradições Ancestrais

Com esse artigo, venho honrar o legado deixado por nossos ancestrais e relembrar a sacralidade das tradições do ovo de páscoa ao longo da história, incentivando uma infância mais livre da necessidade de consumo de chocolate com preços abusivos nessa época.

Ao trazermos a memória dessas tradições à luz, também lembramos da importância de colocarmos nossas intenções de renovação, recomeço e renascimento para um novo ciclo, permitindo nos transformar e nos desprender do que não nos serve mais – colorir e pintar um ovo colocando nossas intenções tem o mesmo poder de um objeto imantado: é arte, é magia, é vida!

O ovo é considerado uma das mais perfeitas formas naturais. Em diferentes culturas simboliza o começo de tudo, o início do universo. Os sacerdotes Druidas escolheram o ovo como símbolo de suas crenças. Outra corrente acredita que o ovo é símbolo pascal inspirado no costume chinês de colorir ovos de pata, para celebrar a vida que dele se origina.

Ovos também eram cozidos e comidos durante os festivais do antigo Egito, Pérsia, Grécia e Roma, além de serem presenteados em homenagem à chegada da florida primavera, depois de um inverno branco no hemisfério norte. Estas culturas tinham o ovo como emblema do universo, a palavra da suprema divindade, o princípio da vida.

Lembrando dos antigos povos pagãos europeus, que nesta época do ano homenageavam Ostara ou Eostre – Deusa da Primavera – que segura ovos em suas mãos e observa um coelho, símbolo de fertilidade. A deusa em si e o ovo que carrega são símbolos da chegada de uma nova vida. Os ovos eram pintados com símbolos mágicos ou de ouro por representarem essa fertilidade, sendo enterrados ou lançados ao fogo como oferta aos deuses. Eram a representação do ovo cósmico da vida, a fertilidade da Mãe Terra.

Muitas são as tradições e crenças, com variações dependendo da cultura. Crianças tchecas, por exemplo, acreditam que uma cotovia as traga presentes na Páscoa; as suíças e as alemãs contam com o galo ou a cegonha. Já no Brasil, a tradição do coelho e dos ovos de páscoa data do início do século XX, trazida pelos imigrantes suíços e alemães. Algumas tradições ainda tem o costume de colocarem dentro dos ovos pintados amendoins e sementes caramelizadas – presente que recebi muitas vezes na infância e que fazia parte das celebrações de meus ancestrais alemães.

O ovo de Páscoa é um emaranhado de combinações de tradições cristãs, judaicas e pagãs. Os ovos pintados e coloridos eram distribuídos entre as pessoas em alguns povos do hemisfério norte para comemorar a passagem do inverno para a primavera. Esse costume antigo encontrou-se com o rito de morte e ressurreição de Jesus Cristo que, por sua vez, aconteceu na Páscoa Judaica (Pessach), outra comemoração com o mesmo sentido de passagem e libertação para um novo ciclo.

Artista Sorábia (Povo Eslavo) pintando ovos

Os ovos passaram a ser feitos de madeira, argila ou com ouro. Até que, com a revolução industrial e o surgimento de uma boa oportunidade de negócios, a indústria do chocolate passou a fabricar ovos. Cada vez mais atraentes, decorados com papéis multicoloridos e recheados com surpresas tentadoras.

Longe dos princípios tradicionais da Páscoa, o chocolate atende a demanda das indústrias, mas não tem ligação direta com os significados milenares das tradições pascais. A comunicação publicitária então investiu na fantasia da fábrica misteriosa do coelhinho, assim como a fábrica misteriosa do bom velhinho, para gerar impulsos de consumo, em especial nas crianças. Hoje, já existem ovos de Páscoa que, vazios de nutrientes, são vendidos cheios de brinquedos, numa incoerente cultura para o significado real dessa época.

Mas, não se desespere, não é preciso acabar com as fantasias infantis, o delicioso sabor do chocolate ou as tradições de doar e receber para celebrar uma Páscoa sem consumismo. Estas são algumas alternativas para fazer uma Páscoa cheia de sentido e respeito, um verdadeiro rito de passagem:

– Faça com as crianças receitas caseiras de chocolate, biscoitos ou bolos, e distribua para seus amigos e familiares;

– Pinte ovos de galinha invocando as tradições originais e ancestrais;

– Use a história da Galinha Ruiva para ilustrar o plantio, colheita e moenda do trigo, e finalize assando um belo pão para compartilhar com a família, como fez Jesus Cristo;

– Prefira comprar ovos de chocolate – caso não consiga resistir à tentação – de produtores locais, doceiras e artesãos. Assim, o dinheiro circula e chega às mãos das pessoas reais, de carne e osso, não apenas aos cofres das grandes corporações.

TINGIMENTO NATURAL

Existem receitas diferentes na internet para o método de pintura. Uma delas sugere que a base da receita de tintura natural seja feita com: 1 colher de sopa de sal + 1 colher de sopa de vinagre + 3 xícaras de água. Misture os ingredientes e acrescente aquele que vai promover a coloração.

Para tingir os ovos é importante que o recipiente com a tintura possibilite a imersão do ovo. Ele precisa ser cozido anteriormente, para não trincar a casca; coloque um pano no fundo da panela e adicione um pouco de vinagre na água.

O tingimento trata-se de uma experiência prazerosa. A cada ovo você obterá um novo resultado. Testando a quantidade do ingrediente utilizado como corante e o tempo de imersão na tintura, você vai percebendo o tom desejado.

Além das tinturas sugeridas na imagem, você também pode optar por aquelas derivadas de ervas e outras plantas para dar uma tonalidade mais forte, incluindo especiarias. Incluem-se: marcela, cúrcuma, mostarda em pó, canela em pó, urucum, espinafre, couve, salsa.

Que possamos, então, relembrar dos costumes, tradições e sabedorias ancestrais não para que fiquemos presos a eles, mas para que através deles saibamos reconhecer também nossas mortes e renascimentos, nossos ciclos de vida-morte-vida, assim como nos antigos ritos de passagem. Namaste!

Fonte complementar: Wikipedia, fontes históricas e informações do perfil “Infância Livre de Consumismo”.

Por Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

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A Entrega com Presença, a Espera com Prontidão

“No processo de entrega ao longo da jornada, moldados que somos pelos ciclos de morte e renascimento, precisaremos passar por três etapas: a conclusão, a aceitação e o desprendimento. Essa entrega nos exige ao mesmo tempo a totalidade e a presença. Junto dela vem a espera, mas uma espera ativa, que nos coloca em pé e à ordem, sempre prontos para receber algo novo e perceber os próximos passos.

A primeira etapa envolve concluirmos os ajustes e as pendências que planejamos nesta vida, pré-determinadas pelos trilhos da consciência e do destino, ações no recolhimento que nos mantêm no eixo de equilíbrio do ser.

A segunda envolve aceitarmos tudo o que vier para nós no período, tudo o que tivermos que experienciar, seja harmônico ou desarmônico, mas que envolva aprendizado, crescimento, desenvolvimento humano e evolução para nossa alma. Essa aceitação significa nos alegrarmos com a vida todos os dias, sermos gratos pelo que somos e pelo que temos, pela vida que recebemos e por aqui estarmos desempenhando o nosso propósito. E isso não se trata de felicidade, ser feliz aqui é relativo porque a fórmula da felicidade pode ser diferente para cada um. Trata-se de alegrar-se e ser grato, apenas.

A terceira envolve fazermos as pazes com o nosso passado, com tudo aquilo que porventura ficou mal resolvido por nós e dentro de nós, para assim podermos nos desprender dele com amor e compaixão, com o senso de tarefa cumprida perante os que por nós passaram e pelo que vivemos. Nos desprendermos também daquilo que não podemos mudar, do que não nos diz respeito, que não nos pertence, que não está sob a nossa responsabilidade e o nosso controle. Incluem-se os padrões e as crenças limitadoras, as peles e as carapaças antigas, as máscaras sociais e pessoais que já não servem mais para o agora. Significa nos reinventarmos, renascermos de dentro de nós: abraçarmos o nascimento de um novo eu a partir da morte de um antigo, uma velha e inutilizável identidade.

No ínterim desse processo, que está além do tempo humano – muitas vezes fora dele e dentro do tempo da alma – vamos experienciar momentos de desalento e de certa opressão, de silêncio e solitude, com sensação de angústia e lentidão, como se nada estivesse acontecendo. Contudo, basta nessa hora lembrarmos do bambu, do tempo que ele leva enraizando nas profundezas da terra até que se possa ver seus troncos nascendo em direção ao sol – e lá se vão de quatro a cinco anos para o bambu começar a admirar os primeiros raios do astro rei.

Em meio a esta espera preciosa, lembremos que existe uma energia estrutural, uma base que estrutura todo esse processo e que pode ser comparada às raízes de um bambu: a energia da criação. O ato de criar é uma ação que acontece em três tempos simultaneamente. É um ato multidimensional: está no passado, no presente e no futuro, por essa razão está além do tempo humano e ainda assim dentro dele. Um quadro pintado por Da Vinci, por exemplo, foi criado no passado mas permanece sendo lembrado no presente, e seguirá existindo no futuro pelo significado histórico, simbólico e artístico que deixou à humanidade. Afinal, o que foi criado não pode ser desfeito, está registrado nos trilhos do tempo, até mesmo um antigo pergaminho da biblioteca de Alexandria destruído durante a Idade Média.

Quando criamos através da conexão com a alma, colocando amor, alegria e prazer no que fazemos, seja por meio de dons e talentos natos – onde o ato criativo começa a despertar – seja através de uma ação que incentiva a nossa criatividade, nos posicionamos dentro de uma correnteza fluída, forte e multicolorida, representada pelos ciclos universais da criação, uma força que nos convida a seguir e confiar. Através dessa força, nos sintonizamos com as infinitas possibilidades existentes nesse ato criativo, o que nos permite entrar num espaço de paz profunda, de foco e concentração, no aqui e no agora, no fluxo da espera com prontidão. Permitimos, assim, que a mente seja canal e ferramenta para materializar as nossas criações, à semelhança da união das palavras desse texto ou de uma paleta de cores que compõem uma tela, uma arte.

Durante essas etapas, o corpo relaxa, a mente se rende, o espírito acolhe e o emocional se integra como uma gota de água no oceano, e assim seguimos aprendendo e estabilizando. Muitos tem medo e fogem desse processo de entrega e espera porque acreditam que ele é somente morte, vazio e solidão. De fato, eles fazem parte dele: a morte, o vazio e a solitude, mas também a vida, a criação e a plenitude. Essa plenitude é alcançada e sentida pelo próprio ato de criar, que acontece de forma fluída, sem esforço, assim como ligar o ‘piloto automático da alma’.

A entrega com prontidão é viver o agora, é criar e renascer após as inúmeras mortes no caminho, sempre prontos à espera do próximo passo, entregues a tudo o que o universo nos traz porque nos alegramos com a vida. Essa é uma ação no recolhimento, é o ócio criativo, é a felicidade como um estado do ser. Essa entrega total nos liberta, nos fortalece, nos estabiliza para que possamos seguir cada vez mais conscientes, mais leves, criativos e sábios.

Alegrar-se todos dos dias com a vida é uma prática não mental, é um estado, é Ser. Ser além do que é rotulado como felicidade, encontrando o próprio ritmo, aceitando todas as emoções que precisam vir à tona, honrando nossas luzes e sombras, defeitos e qualidades, erros e acertos, porque de tudo isso somos feitos. É uma forma de nos entregarmos à nossa totalidade. Ao final, é olhar para este todo e poder dizer com humildade e simplicidade: ‘Nossa, quanto evolui!’ Esse estado do ser é uma conquista. E isso só conseguimos porque nos entregamos aos desígnios da alma, a um fluxo que não é governado pela mente, ouvindo a intuição e a voz do coração, permitindo que o ego adormeça para que a alma acorde.”

Mensagem de ©YEHUÁ  – Por Luciane Strähuber