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Terapias Integrativas são recomendadas como Tratamento Complementar na Covid-19

Ao longo do mês de junho deste ano, correram pela internet notícias de que o Conselho Nacional de Saúde (CNS) havia recomendado o uso das Práticas Integrativas como tratamento medicamentoso do Covid. Contudo, em nota explicativa pública, o Conselho esclareceu que a sua recomendação se referia às terapias integrativas como tratamentos auxiliares para os casos leves, atuando sem excluir o tratamento médico necessário.

Reafirmou também a importância da verdade em meio a um cenário onde notícias falsas podem comprometer a saúde da população. Ao mesmo tempo que deu aval às terapias alternativas, o Conselho foi contra uso da cloroquina (hidroxicloroquina) por falta de evidências científicas quanto ao seu uso seguro para a saúde.

Desde o início da pandemia no país, várias instituições vem produzindo material de divulgação com foco na informação, no combate e na prevenção. Além do Conselho, a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) apoia o uso das práticas alternativas nesse contexto, tendo parceiros como a Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva). São estas instituições também contribuintes dos cursos e webpalestras online sobre as Práticas Integrativas em Saúde, disponíveis gratuitamente na plataforma AVASUS para qualquer pessoa que tenha interesse em estudar e informar-se.

A Fiocruz também possui um observatório sobre as Práticas (ObservaPICS) e lançou recentemente a coleção Cuidado Integral na Covid-19 – coletâneas com informações de diferentes terapias integrativas que teriam tido sucesso em cenários similares de sofrimento (ao final do artigo, você encontra as primeiras publicações para baixar).

A primeira publicação é sobre a Terapia Floral, orientações para auxiliar no medo, na ansiedade, na depressão, na sensação de impotência perante o desconhecido e no equilíbrio das emoções: uma prática reconhecida pela Organização Mundial de Saúde há 70 anos, com resultados evidentes no autocuidado, equilíbrio mental e emocional. Já a segunda coleção trata sobre Aromaterapia, sendo um suporte complementar com foco no uso adequado das plantas medicinais e dos óleos essenciais.

VISÃO E ESCLARECIMENTO DO CONSELHO

Segundo a conselheira Simone Leite, coordenadora da Comissão de Práticas Integrativas do CNS, a recomendação aos gestores vem no sentido de reforçar a importância do uso dessas terapias nesse momento em que ainda não existe cura para a Covid-19: “Os florais, a automassagem e a acupuntura são complementares à assistência. Todas essas práticas já estão no rol do Ministério e são amparadas por evidências científicas.”

Leite afirma que não há contradição nas recomendações do CNS sobre o uso da cloroquina e das práticas integrativas. “A cloroquina em si é um tratamento que não tem eficácia comprovada. As práticas integrativas são complementares ao atendimento.” A conselheira exemplifica: “você pode ter um paciente com Covid que está com dores. Uma massagem pode ser feita nele. Ela vai complementar o tratamento. A gente não quer competir com a alopatia de jeito nenhum”.

Na recomendação, o CNS afirma apoiar-se em evidências cientificas produzidas por entidades como a Rede de Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas das Américas e o CABSIN (Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa), sobre o uso das práticas neste momento de pandemia.

Este consórcio elaborou um “mapa de evidências”, onde incluiu 127 estudos realizados em 12 países. Há uma revisão sistemática feita pela China, com foco específico na Covid-19, tratando do uso da fitoterapia no manejo de sintomas. Contudo, houve a solicitação de novos documentos para preencher as lacunas de mais evidências e estudos científicos relativo às práticas integrativas, focando naquelas que estariam funcionando melhor dentro desse cenário com procedimentos preventivos e tratamentos complementares.

Para Simone Leite, a recomendação do CNS também será muito importante no pós-Covid, uma vez que as práticas integrativas podem ajudar as pessoas a melhorar o estado geral de saúde: “A gente tem muito trabalho científico sobre o reiki à distância, meditação, plantas medicinais e o uso de chás. Muita gente usa, muitos médicos recomendam e a gente tem muito estudo com as indicações e contraindicações.”

Leite diz que embora a ozonioterapia ainda não faça parte do rol de terapias integrativas do SUS, já existem estudos em andamento para que ela também possa ser usada durante a pandemia. A conselheira afirma que o Ministério da Saúde prepara uma cartilha em que endossará a recomendação do Conselho sobre o uso das práticas integrativas no contexto da Covid-19. Na opinião de Leite, as críticas da comunidade científica às práticas integrativas ocorrem por desinformação. “Vem crescendo muito o número de médicos, de enfermeiros e outros profissionais da saúde trabalhando nisso, fazendo estudos.”

Segundo Leite, vários municípios brasileiros estão aprovando leis para garantir a oferta dessas práticas à população, que no âmbito federal são reguladas apenas por normas do Ministério da Saúde. Também tramita no Congresso um projeto de lei federal. “No Ceará, onde há anos estão implantados a fitoterapia, o uso de plantas medicinais e o reiki, diminuíram em 40% o uso de psicotrópicos com o uso das práticas integrativas. Você é diabético, pode tomar um chá, e isso pode diminuir a quantidade de medicamento que você usa.”

NOTA EXPLICATIVA PÚBLICA

“O Conselho Nacional de Saúde (CNS) reforça aos veículos de comunicação que a recomendação n° 41/2020, publicada em 21 de maio, pede ao Ministério da Saúde (MS) que proceda ampla divulgação das evidências científicas referentes às Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) durante a pandemia. Em nenhum momento há orientação, por parte do CNS, em propor as PICS como tratamento medicamentoso em substituição aos protocolos definidos internacionalmente pela comunidade científica para Covid-19. 

Ao mesmo tempo, o CNS criticou, em nota técnica publicada dia 22 de maio, o documento do MS sobre a Cloroquina e a Hidroxicloroquina, que carece de respaldo técnico-científico para a indicação de tais medicamentos na prevenção ou nos estágios iniciais da doença. A justificativa é simples: até o momento, não existem evidências robustas sobre estes medicamentos que possibilitem a indicação de uma terapia farmacológica específica com os mesmos. O CNS também levou em conta os resultados de pesquisas que demonstram a possibilidade de severos efeitos colaterais.

Portanto, reivindicamos que os veículos de comunicação não publiquem a narrativa equivocada, que dá a entender que o controle social na Saúde está propondo PICS no lugar da Cloroquina e Hidroxicloroquina ou no lugar de qualquer outro medicamento. Isso abre margem para mais difusão de fake news sobre o tema e induz ao erro.

As PICS, durante a pandemia, são aplicadas para melhoria da qualidade de vida, com resultados evidentes no autocuidado, equilíbrio mental e emocional em tempos de isolamento, podendo ser utilizadas pelas equipes que assistem os pacientes, familiares e profissionais; e não como método de cura, como tem sido induzido em algumas matérias publicadas recentemente.

A recomendação das PICS pede que o MS disponibilize a produção de materiais de comunicação para gestores, trabalhadores e usuários com informações atualizadas sobre o uso adequado das PICS neste momento, considerando a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares, de 2006.

Incluem-se as evidências científicas produzidas pela Rede de Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas (MTCI) Américas, pelo Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa (Cabsin) e pelo Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme/Opas/OMS) sobre o uso das práticas neste momento de pandemia. O CNS segue reafirmando a importância da verdade em meio a um cenário onde notícias falsas podem comprometer a saúde da população.”

Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

Fontes complementares: Coleção de Cuidado Integral – Nº 1: Terapia Floral: Equilíbrio para as emoções em tempos de pandemia | Coleção de Cuidado Integral – Nº 2 : Aromaterapia: O Poder das Plantas e dos óleos essenciais |Nota Explicativa do Conselho: CNS nunca recomendou Práticas Integrativas em Saúde como tratamento medicamentoso de Covid-19 | Recomendação do documento oficial CNS (Conselho Nacional de Saúde) | Folha de São Paulo: Conselho de saúde recomenda florais, homeopatia e reiki para ajudar no tratamento do Covid-19 | Nota Pública do Conselho: CNS alerta sobre os riscos do uso da Cloroquina e Hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19

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Homeopatia: Uma Terapêutica Preventiva em Tempos de Pandemia

Junto às Terapias e Práticas Integrativas e Complementares em Saúde, a Homeopatia já está sendo uma grande aliada nas ações de prevenção ao Covid, uma vez que existem compostos específicos para auxiliar no fortalecimento do sistema imunológico e no equilíbrio da saúde integral do ser: física, mental e emocional. A Índia desponta nesse quesito e, quem sabe, seus resultados possam servir de exemplo para o Brasil, tendo em vista nosso país já ter abraçado a medicina tradicional indiana (Ayurveda) nos tratamentos alternativos e complementares em saúde.

Voltando um pouco na linha temporal histórica, a Homeopatia foi uma terapêutica criada no século XVIII, em 1796, pelo médico alemão Samuel Hahnemann. Mesmo com de mais de 300 milhões de usuários pelo mundo, ainda é pouco conhecida, seja por mito, preconceito ou falta de conhecimento. Esse método terapêutico surgiu quando Hahnemann decide deixar de lado a medicina da época, por entender que as práticas utilizadas não cumpriam a totalidade e o real papel da missão que ele assumira: aliviar o sofrimento e curar pessoas.

Foi traduzindo um texto do Dr. Cullen sobre Cinchona Officinalis (uma árvore da América do Sul chamada Quinquina ou “Casca do Peru”, de onde provém o quinino), cuja visão discordava das opiniões do autor, que Hahnemann resolveu fazer uma experimentação em si mesmo. Ao ingerir pequenas gramas de quinina, teve sintomas semelhantes aos da malária, cessados após suspender o uso. Através desta e inúmeros outros testes, surgia a “Teoria dos Semelhantes”, dando-se início o legado precioso do “Pai da Homeopatia”.

A “Lei dos Semelhantes” nos ensina que toda substância capaz de provocar determinados sintomas numa pessoa sadia também é capaz de curar sintomas semelhantes em uma pessoa doente. Nesse contexto, é importante mencionar que o medicamento homeopático não promove a cura propriamente dita, mas sim ajuda o organismo a realizá-la, uma vez que é naturalmente capaz de restabelecer a saúde desde que esteja equilibrado.

Há um termo chamado de Homeoprofilaxia: profilaxia = medida preventiva de saúde com o uso de homeopatia. Quando se fala nessa ação diante de casos diagnosticados positivos para Covid ou outras viroses, não estamos falando em vacina, nem tampouco em evitar o contágio. Mas sim quanto ao seu uso como fortalecedor do organismo, estimulando a energia vital e o equilíbrio bioenergético, responsável por manter nosso organismo em harmonia, assim como vitalizando nossas funções orgânicas.

A homeopatia age como um grande ativador do sistema imunológico, fazendo com que o organismo busque a normalidade, ou seja, a saúde. Nós fomos criados saudáveis e quando algo desequilibra essa “balança orgânica” – incluindo aqui aspectos psicossomáticos, do ambiente onde vivemos, da família e pessoas com as quais convivemos, dos efeitos de estresse, insônia, angústia e medo, ansiedade e depressão, entre outros – o resultado é o aparecimento de sintomas desarmônicos e, em consequência, o surgimento de doenças.

Hahnemann teve participação importante em epidemias, onde com sucesso viu sua técnica fortalecer a saúde e evitar inúmeras mortes na época. Neste contexto, instituiu-se o conceito do “gênio epidêmico”, onde sua busca passa pelo apanhado de sintomas apresentados com maior incidência na população em análise. Estes sintomas mais comuns são parâmetros para a escolha do medicamento que mais abranja sua totalidade. Atualmente, frente à pandemia do Covid, grupos de homeopatas do mundo todo estão trabalhando na busca por este medicamento.

Um país de destaque na prevenção com uso de homeopatia é a Índia. Lá a homeopatia representa grande parte da terapêutica. O governo indiano promove, desde fevereiro deste ano, a distribuição de medicamentos homeopáticos à população, trabalhando a homeoprofilaxia, obtendo resultados expressivos no quesito contágio e também na recuperação de enfermos – lembrando que a Índia é o segundo país mais populoso do planeta (em torno de 1,39 bilhões), fazendo fronteira com a China (1,41 bilhões), epicentro do Covid.

Diversos protocolos no mundo estão em fase de implantação e acompanhamento. Aqui no Brasil, profissionais homeopatas ligados a AMHB (Associação Médica Homeopática Brasileira), ABRAH (Associação Brasileira de Reciclagem e Assistência em Homeopatia), ABFH (Associação Brasileira de Farmacêuticos Homeopatas), IHGG (Instituto Hahnemanniano George Galvão), entre outros, estão trabalhando fortemente na busca da melhor alternativa terapêutica.

O conceito de “gênio epidêmico” envolve uma série de fatores que podem ainda ser influenciados pelo tempo e pela região de atuação do vírus, sejam ambientais, nutricionais ou genéticos, além da possível mutação viral. Esta é, sem dúvida, a maior dificuldade dos homeopatas: chegarem a um consenso de medicamento único.

Os homeopatas no Brasil estão trabalhando com um grupo de 5 a 6 medicamentos que atendem aos requisitos deste conceito. Entretanto, por se tratar de uma epidemia que ainda está longe de ser conhecida na sua totalidade, muito estudo ainda precisa ser feito para se chegar ao medicamento único. Torcemos para alcançar esse objetivo!

Considerando as opções que temos no atual modelo terapêutico da medicina alopática, onde a corrida por uma vacina, medicamentos alopáticos e tratamentos diversos tentam ser validados, o uso da Homeoprofilaxia no Covid se constitui importante aliada na saúde geral das pessoas. A homeopatia pode ser utilizada concomitantemente com qualquer outro tratamento, assim como por qualquer pessoa, de qualquer idade.

A Homeopatia no Brasil é considerada uma especialidade médica, farmacêutica, veterinária e odontológica, certificada nos seus respectivos conselhos e instituições de classe. Contudo, já existem no mercado cursos de especialização e pós-graduação para aqueles que desejam formar-se como homeopatas prescritores ou não-médicos, de forma a estarem habilitados para exercer a profissão com responsabilidade e segurança. A diferença é que, neste segundo caso, não estão envolvidos os tratamentos de doenças crônicas e graves – casos em que somente médicos estão aptos – por essa razão, a ênfase dos tratamentos homeopáticos é sempre trabalhar com a prevenção.

Também já existem no mercado medicamentos homeopáticos autorizados pela Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária) para serem prescritos por profissionais habilitados sem necessidade de prescrição médica, uma vez que seus compostos possuem dosagens mínimas e seguras para o uso da população. Esses medicamentos podem ser encontrados prontos, produzidos por laboratórios especializados como: Weleda, Boiron, Schreber, Klein ou Vidora e Almeida Prado, ou devem ser prescritos para serem aviados em farmácias de manipulação. Da mesma forma, o Sistema Único de Saúde (SUS) já conta com a modalidade de Homeopatia dentro do rol das Práticas Integrativas e Complementares de forma gratuita.

Assim, enquanto o objetivo de alcance de um medicamento homeopático único permanece em estudo e análise, sigamos trabalhando com a vasta e poderosa alquimia que o “Pai da Homeopatia” nos deixou como legado. Sigamos unindo a sabedoria e os princípios norteadores das medicinas tradicionais, preventivas e ancestrais com o conhecimento profícuo da ciência da atualidade.

Luciane Strähuber – Terapeuta, Consultora e Educadora da Terapêutica Integrada

Fonte complementar da notícia: Blog Farmácia Quiron

Quer saber mais e realizar um tratamento terapêutico e homeopático preventivo? Entre em contato para uma consultoria e aconselhamento terapêutico. Terei o prazer em atender você nesse momento desafiador.

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Síndrome de Burnout: Como tratar e prevenir em meio ao isolamento

Enquanto o isolamento social permanece, perfazendo mais de três meses do distanciamento de amigos, familiares, lugares e atividades que gostamos, o importante é estar ainda mais próximo de si, procurando trabalhar diariamente para manter o termômetro do nosso centro de equilíbrio na temperatura da paz interior.

Trago o tema sobre a síndrome de burnout – um estado de fadiga generalizada, detectado pelo psicanalista Herbert Freudenberger nos anos 70, muito comum nos tempos atuais onde não há silêncio interior, “paradas regenerativas” e tudo parece que precisa ser “para ontem”. Talvez, a expressão “mergulhar a cabeça no trabalho” para esquecer outros problemas também faça sentido nesse quadro.

Esta síndrome já é reconhecida como doença pela OMS – Organização Mundial da Saúde, principalmente porque é mais fácil ser “ativada” em momentos de estresse, pré-ocupações, situações de medo, incerteza e desvalorização, quando há excesso de trabalho e o uso compulsivo da tecnologia.

Para auxiliar na compreensão do distúrbio e como podemos identifica-lo antes de resultar em colapso, procurando perceber os sinais do nosso corpo quando as coisas não estão indo bem, seguem dicas importantes para mantermos nosso observador interno ativo e agir de forma a prevenir crises posteriores.

Esse é um momento importante para cuidarmos de nós, para olharmos para tudo o que não está bem resolvido emocionalmente e procurarmos encontrar uma reconciliação interior – falo de você para com você mesmo – buscar um ponto de equilíbrio, um norte, mesmo que não seja possível resolver uma situação atual ou do passado que ainda esteja batendo na sua porta. Pelo menos, você faz a sua parte e gera uma reconciliação interior capaz de manter você no eixo.

A ocupação excessiva e exaustiva com um trabalho, uma pessoa, com família ou outra função que requer grande responsabilidade é, na maioria das vezes, uma justificativa – consciente ou não – para fugir de si, das feridas interiores que insistem em doer no corpo, que nos chamam para serem olhadas e receberem um bálsamo curativo: o nosso auto-amor.

Se é necessário você auxiliar outros que estejam ao seu redor nesse momento desafiador, faça-o sem dúvida, mas certifique-se de também receber apoio, de estar forte internamente em primeiro lugar, nutrindo-se com o que faz você se sentir bem e afastando-se de situações tóxicas ou traumáticas.

Na síndrome de burnout, a tendência é darmos ao outro o oxigênio que seria para nós, e assim caímos em esgotamento. Presenciei isso ocorrendo com muitas pessoas, em especial da área da saúde (médicos, enfermeiros, psicólogos), com educadores e professores, com policiais e advogados criminais, com mães e pais sobrecarregados com seus filhos ou filhos sobrecarregados com seus pais e familiares, com cuidadores de pessoas idosas. O fato é que autoconhecimento – para conhecer a si e seus limites – autocuidado e auto-amor são alicerces para o equilíbrio interior. Sem eles, não temos como estar disponíveis para nós, muito menos para auxiliar outros.

O QUE É SÍNDROME DE BURNOUT

A Síndrome de Burnout é um estado físico, emocional e mental de exaustão extrema, resultado do acúmulo excessivo em situações de trabalho que são emocionalmente exigentes e/ou estressantes, que demandam muita competitividade ou responsabilidade, especialmente nas áreas de educação e da saúde. Importante mencionar que a situação de trabalho estressante geralmente é a “máscara”, cuja verdadeira face é uma situação emocional não resolvida ou de fundo traumático.

A principal causa da doença, conhecida também como “Síndrome do Esgotamento”, é justamente o excesso de trabalho. Esta síndrome é comum em profissionais que atuam diariamente sob pressão e com responsabilidades constantes, como é o caso de médicos, enfermeiros, professores, policiais, jornalistas, dentre outros. Traduzindo do inglês, “burn” significa queima, e “out” exterior. 

Ela também pode acontecer quando o profissional planeja ou é pautado para objetivos de trabalho muito difíceis, situações em que a pessoa possa achar, por algum motivo, não ter capacidades suficientes para os cumprir ou quando as exigências estão além do que a pessoa pode contribuir. Essa síndrome pode resultar em estado de depressão profunda e por isso é essencial procurar apoio profissional no surgimento dos primeiros sintomas.

SINAIS E SINTOMAS

A Síndrome de Burnout envolve nervosismo, sofrimentos psicológicos e problemas físicos como dor de barriga, cansaço excessivo e tonturas. O estresse e a falta de vontade de sair da cama ou de casa, quando constantes, podem indicar o seu início.

Sintomas que podem indicar a Síndrome de Burnout são: Cansaço excessivo, físico e mental |Dor de cabeça frequente | Alterações no apetite | Insônia | Dificuldades de concentração | Sentimentos de fracasso e insegurança| Negatividade constante | Sentimentos de derrota e desesperança | Sentimentos de incompetência | Alterações repentinas de humor | Isolamento | Fadiga | Pressão alta | Dores musculares | Problemas gastrointestinais | Alteração nos batimentos cardíacos.

IMPORTANTE:  Normalmente esses sintomas surgem de forma leve e silenciosa, mas tendem a piorar com o passar dos dias e do tempo. Por essa razão, muitas pessoas acham que pode ser algo passageiro. Para evitar problemas mais sérios e complicações, é fundamental buscar apoio profissional quando os sinais passam a se repetir. Pode ser passageiro, como pode ser o início da Síndrome.

COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO

O diagnóstico é realizado por profissional especialista após análise clínica do paciente. No entanto, muitas pessoas não buscam ajuda médica ou psicológica por não saberem ou não conseguirem identificar todos os sintomas e, por muitas vezes, acabam negligenciando a situação sem saber que algo mais sério pode estar acontecendo.

Amigos próximos e familiares podem ser bons pilares no início, ajudando a pessoa a reconhecer sinais de que precisa de ajuda. Um psicólogo, psiquiatra, terapeuta ocupacional ou terapeuta habilitado são os profissionais indicados para identificar o problema, orientando na melhor forma do tratamento, conforme cada caso e a realidade do paciente.

No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a Rede de Atenção Psicossocial está apta para oferecer, de forma integral e gratuita, todo tipo de tratamento, desde o diagnóstico até à medicação, se necessária. Os Centros de Atenção Psicossocial da sua cidade são os locais mais indicados.

COMO TRATAR

Em geral, o tratamento é feito com psicoterapia presencial ou online, mas também envolve a necessidade de mudança de rotina e hábitos da vida profissional e pessoal do indivíduo, podendo incluir medicamentos a curto prazo (antidepressivos e/ou ansiolíticos).

Dependendo do caso, ainda é possível prescrever um tratamento natural e complementar: medicamentos homeopáticos, antroposóficos, florais, aromaterapia, plantas e ervas medicinais, alimentação específica, reprogramação mental e neurolinguística, reiki (pode ser à distância), bioenergética, hidroterapia, musicoterapia, massoterapia (do-in no caso do isolamento) entre outras terapias, desempenham resultados muito eficazes, mesmo se o paciente tiver necessidade de manter um medicamento alopático. O tratamento normalmente surte efeito entre um e três meses, mas pode perdurar.

É importante identificar quais os mecanismos e agentes estressores, modificá-los e adaptá-los à realidade da pessoa. Algumas das ações envolvem mudanças nas condições de trabalho – mudança do emprego, se for o caso – de ambiente, e principalmente nos hábitos e estilos de vida. A atividade física regular e os exercícios de relaxamento devem ser rotineiros para aliviar o estresse e controlar os sintomas. Após o diagnóstico médico ou de outro profissional habilitado, é fortemente recomendado que a pessoa tire férias e desenvolva atividades de lazer com pessoas próximas – amigos, familiares, cônjuges, vizinhos – saindo da sua “zona de estresse”.

COMO PREVENIR

A melhor forma de prevenir é através de estratégicas que diminuam o estresse e a pressão no trabalho ou na vida pessoal. Condutas saudáveis evitam o desenvolvimento do problema, assim como ajudam a tratar sinais e sintomas logo no início, evitando que o desequilíbrio evolua para uma depressão profunda.

As principais formas de prevenção a Síndrome de Burnout são:

  • Defina objetivos a curto prazo na vida profissional e pessoal, procurando definir as prioridades a cada dia. Muitas vezes, objetivos maiores, sem o foco no agora, a cada passo, geram angústia e ansiedade. Portanto, trabalhe no presente, como quem constrói a própria casa com um tijolo de cada vez.
  • Diminua o uso da tecnologia: procure estar mais em contato com a natureza, o ar puro e pessoas positivas.
  • Participe de atividades de lazer com amigos, familiares e conhecidos. Nesse momento de isolamento, procure conversar por telefone com quem você gosta, com pessoas que você pode confiar e que podem ajudar você a se sentir melhor.
  • Evite o contato com situações tóxicas e pessoas “negativas”, especialmente aquelas que reclamam do trabalho ou dos outros. Aqui, é importante mencionar que pessoas já traumatizadas anteriormente por ambientes pessoais e/ou familiares devem procurar evitar esses locais. Se não for possível, procure ajuda de um profissional para aprender a lidar com a realidade sem desgastar-se emocionalmente, conhecendo seus limites e os pontos a serem trabalhados internamente.
  • Converse com alguém de confiança sobre o que se está sentindo. Ter alguém para conversar e saber que você não está sozinho no mundo pode ajudar bastante.
  • Faça atividades que “fujam” à rotina diária ou faça a mesma coisa de forma diferente. Passear ou exercitar-se no parque, fazer uma caminhada no quarteirão, cozinhar receitas diferentes, aprender uma nova língua, exercitar um dom que você nunca teve tempo de colocar em prática são alguns exemplos.
  • Faça atividades físicas regulares. Pode ser academia, caminhada ou esteira em casa, corrida, bicicleta ou hergométrica, remo, natação, etc.
  • Procure por atividades relaxantes do sistema nervoso, do mental e emocional: Yoga, Tai-chi, Qi-Kung ou Qi-Gong, meditação diária, musicoterapia, leituras edificantes.
  • Evite consumo de bebidas alcoólicas, tabaco ou outras drogas, porque só vai piorar a confusão mental. Anestésicos em excesso também são prejudiciais.
  • Não se auto-medique nem tome remédios sem prescrição médica ou de profissional habilitado.
  • Outra conduta muito recomendada é descansar adequadamente, tendo uma boa noite de sono (pelo menos 8h diárias). É fundamental manter o equilíbrio entre o trabalho, o lazer, a família, a vida social e as atividades físicas, incluindo uma alimentação equilibrada e o autocuidado. Lembremos que dormir bem é como colocar gasolina no carro! Namaste!

Saiba mais sobre dicas saudáveis no isolamento: O Lado “B” da Quarentena: Crie cura no recolhimento

Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

Fonte complementar: Ministério da Saúde no Brasil

Artigos, Xamanismo: Sabedorias Ancestrais

A Medicina do Búfalo: Cultivando a Humildade, Honrando o Espírito, Recebendo a Abundância

“Búfalo: você nos permite reconquistar os dons da vida. Ouça nossas preces que se elevam da fumaça sagrada, assim como a Fênix. Nós podemos renascer através das Palavras Sagradas que seguem em direção ao Grande Espírito.”

Neste dia que marca a entrada do Solstício de Inverno no Hemisfério Sul, trazendo a noite mais longa do ano, trago a lembrança da lenda e medicina do Búfalo, um dos animais de poder que rege esta estação junto ao urso.

Considerado sagrado para os nativos americanos porque dele tudo aproveitavam para sua sobrevivência, servindo como sustento para todo o inverno, o Búfalo também era uma simbologia de abundância e plenitude. Prenunciando um período de serenidade por ser visto como o pacificador, trazia o ensinamento de que todas as relações devem ser honradas, da importância da prece e da meditação para manter a paz interior, do cultivo da humildade e do sentido da gratidão por tudo o que recebiam em comunhão e respeito ao Grande Espírito e à Mãe terra.

Mesmo que o Búfalo não seja um animal que exista em nosso país, os valores e princípios da sua medicina são comuns a todos nós, a todos os continentes e a todas as “tribos da atualidade”. Essa medicina vem para nos lembrar de cultivarmos o trabalho interior contínuo da nossa espiritualidade, uma parte de nós muito esquecida, mas que mantém nosso equilíbrio e paz interior.

Considero a lenda e o arquétipo da Mulher Búfalo Branco um presente, um bálsamo para a alma em tempos tão difíceis e desafiadores. Que através dessas palavras, possamos relembrar de nutrir e manter acesa a chama do fogo sagrado do nosso coração, honrando a sua verdade e também todos os que nos cercam, respeitando os caminhos que escolherem mesmo que esses não sejam vistos como certos para nós.

Lembremos de exercitar a humildade e a paciência diante das adversidades e tempestades da vida, de agradecer sempre pela vida que nos foi dada para aqui estarmos desempenhando o nosso propósito, por tudo o que somos, temos e recebemos.

Todos os que se identificarem com essas palavras sentirão-as nas profundezas do seu ser – como um eco de verdade vindo do passado – e saberão, através das suas raízes além do tempo e do espaço, que somos aqueles com a missão de mantermos a luz da verdade acesa em nossos corações, espargindo-a como sementes, nutrindo-as no silêncio da alma.

Sigamos com humildade e gratidão à Mãe terra, nutrindo e honrando este fogo sagrado, mesmo que este seja apenas uma brasa no coração, aguardando a tempestade desse momento da humanidade passar e elevando nossas preces e melhores intenções ao Grande Espírito. À cada passo, precisaremos exercitar o salto de fé no escuro para continuar a jornada. Namaste!

A Lenda da Mulher Búfalo Branco

Um dia, dois jovens guerreiros Sioux estavam caçando nas pradarias do Minesota. Ao subirem uma colina em busca de caça, eles foram surpreendidos ao verem uma jovem mulher muito bonita surgir diante deles numa nuvem.

Retendo o fôlego, eles a observavam. Ela trajava vestes feitas de corça branca. Levava à tiracolo uma sacola de pele e uma pele de búfalo em uma das mãos. Uma pena de águia, trançada nos seus longos cabelos negros, reluzia à luz do sol. “Não tema”, disse a mulher, “eu trago paz e felicidade para vocês. Agora me falem, por que vocês estão longe de sua aldeia?”

A graça e a beleza dela incendiou o guerreiro mais velho com pensamentos lascivos, que calou-se. O mais jovem então respondeu: – Nossa aldeia está com falta de comida. Nós estamos caçando. Aqui – ela disse – leve de volta este pacote aos seus. Diga para os Chefes das sete fogueiras da sua tribo para reunirem-se na fogueira do conselho e esperarem por mim.

Ao escutar essas palavras, o mais velho deu voz ao seu desejo de acasalar-se com ela, ali mesmo na pradaria, debaixo do sol. No momento em que o guerreiro mais velho tentou agarrá-la, a mulher envolveu-o na pele de búfalo. Uma nuvem envolveu o corpo dele, e quando o pó assentou, no lugar do guerreiro havia um esqueleto recoberto de vermes.

Foi então que Mulher Búfalo Branco, falou ao jovem guerreiro: – O homem que olha primeiro a beleza exterior de uma mulher nunca conhecerá sua beleza divina, pois ele é um cego. Mas o homem que primeiro vê a beleza de seu espírito e sua verdade, esse homem conhecerá o Grande Espírito nessa mulher; se ela quiser deitar-se com ele, ele compartilhará com ela um prazer mais pleno do que poderia imaginar.

– Você, quando me olhou, não ficou cego com a minha beleza, mas seu primeiro pensamento foi: ‘Quem é essa mulher?’ ‘De onde ela vem?’ ‘Será ela uma mulher sagrada?’ – Meu jovem, você também terá o que deseja. – Você e seu amigo simbolizam dois caminhos que os homens podem seguir. Se procurar primeiro a sagrada visão do Grande Espírito, estará vendo da mesma maneira que o Criador, e por isso você saberá que aquilo que necessitar da terra chegará às suas mãos. Mas se preferir seguir primeiro, esquecer o Grande Espírito, satisfazer os seus desejos terrenos, você morrerá por dentro.

Foi então que o jovem guerreiro resolveu perguntar quem era ela. Ela olhou profundamente nos olhos dele e respondeu: Eu sou o Espírito da Verdade. Seu povo me conhece como a Mãe dos Mais Velhos; mas como você pode ver, não sou tão velha assim. Sou a Grande Mãe, que vive dentro de cada Mãe, a moça que brinca em cada criança. Sou a face do Grande Espírito que seu povo esqueceu. Vim para falar às nações da planície. Vá para sua aldeia e prepare a minha chegada. Tenho algumas coisas a ensinar, coisas sagradas que sua tribo esqueceu.

O jovem então correu ao seu povo, para transmitir a mensagem de Mulher Búfalo Branco aos Chefes das Sete Fogueiras de sua tribo. Após ouvirem o jovem, toda tribo começou a trabalhar numa enorme cabana, coberta de muitas peles, na qual toda tribo pudesse se reunir. Quando viram Mulher Búfalo Branco se aproximando pela pradaria, ficaram atônitos. Esperavam por alguém de mais idade. E ela parecia uma donzela, graciosa como a relva que se movia em torno dela no crepúsculo. Seu rosto brilhava como uma luz que falava das flores e das mais finas ervas.

Descalça como sempre andava nas sua viagens pela terra, ela entrou na grande cabana. Seu vestido de pele de Búfalo Branco irradiava a presença de seu espírito. Sem dizer uma palavra, andou em círculo em torno do fogo que ardia no centro da cabana. Cada vez que seus delicados pés tocavam a areia ao redor do fogo, os que a observavam sentiam que cada gesto seu era uma prece de profunda reverência à terra.

Devagar, em silêncio, ela contornou o fogo sete vezes. Quando por fim ela falou, sua voz era como a canção dos pássaros das pradarias. “Sete vezes, andei em sete círculos em torno deste fogo, em reverência e silêncio. O fogo simboliza o amor que arde para sempre no coração do Grande Espírito. É o fogo que aquece cada criatura no mundo. Vocês são como um ser único. Esta cabana, feita de muitas peles, é o corpo de vocês. O fogo que arde no centro dela é o amor de vocês.”

Parou um momento e, devagar, curvou-se para tirar um graveto incandescente das chamas. “Este fogo é mais forte que qualquer um de vocês. Seu povo esqueceu o que é mais precioso que a água. Vocês esqueceram suas ligações com o Grande Espírito. Eu vim – disse ela erguendo o graveto – como um fogo do céu para reavivar a memória daquilo que foi, e fortalecê-los para os tempos que virão.

Pousou novamente o graveto no fogo e pegou uma sacola de pele que trazia: – Nesta sacola, trago um cachimbo para ajudá-los a recordarem os ensinamentos que eu trago. Tratem-no sempre com respeito. Levem-no sempre em sacolas das mais finas peles, enfeitadas pela mãos mais reverentes. Ponham neste cachimbo um tabaco sagrado plantado especialmente para esse fim. Fumem-no com um sentimento de gratidão ao Grande Espírito, de cujo sopro vocês receberam a vida. Usem o fumo para representar seus pensamentos, suas orações e aspirações ao Grande Espírito.

Até então, ela ainda não tinha aberto a sacola na qual estava o cachimbo. Desatou as tiras de couro que a amarrava, e retirou o cachimbo com tal reverência que todos que estavam na cabana sentiram o coração transbordando e os olhos cheios de lágrimas. – Este cachimbo sagrado, assim como cada tragada do fumo sagrado que vocês inalam pelo seu tubo, ajudará vocês a recordarem que cada sopro de vocês é sagrado. O fornilho do cachimbo é feito de pedra vermelha. Tem o formato de círculo. Simboliza a Roda Sagrada, o sagrado círculo da vida, o dar e o receber, a inalação e a exalação pelo qual todas as coisas vivas ingressam na vida através do poder do Grande Espírito.

Pedindo um pouco de tabaco, Mulher Búfalo Branco colocou-o no fornilho do cachimbo dizendo: – Este tabaco, simboliza o mundo das plantas, o musgo das pedras, as flores, as ervas, as folhas das relvas que cobrem a colina para que sua mãe terra não repouse nua ao sol. Vocês estão aqui para cuidar da terra. Suas vidas são acesas pelo mesmo fogo que arde no coração do Grande Espírito.

Assim falando, ela colocou um pequeno graveto no fogo para que ardesse como chama viva: – Da mesma forma que acendo esse graveto no grande fogo, assim todo ser humano é uma chama que faz parte do fogo eterno do amor do Grande Espírito. Devagar, ela tirou o graveto em chamas do fogo, e ergueu-o para que todos o pudessem ver: – Quando vocês viverem em harmonia com o Grande Espírito, sua chama de amor será vivida sempre por aqueles ventos espirituais.

Vocês serão tomados de amor pela própria razão de viver! Acenderão o fogo do amor em todos os que encontrarem. Conhecerão o propósito de sua travessia por esse mundo e saberão que o Grande Ser deu uma chama da vida a todos: não para guardarem sua pequenina chama somente para si, amando apenas aquilo que é necessário às suas vidas, mas sim para que pudessem dar o seu amor, e com o fogo desse amor trazer consciência para a terra.

Dizendo isto, ela segurou o graveto bem em cima do fornilho vermelho do cachimbo. Encostou a chama no centro do cachimbo, aspirando suavemente até o tabaco incandescer. O cheiro do fumo invadiu o ambiente: – Assim como o tabaco queima neste cachimbo de terra que representa as plantas – continuou Mulher Búfalo Branco – assim também esse búfalo que vocês vêem entalhado no fornilho de pedra do cachimbo representa as criaturas quadrúpedes que compartilham com vocês esse mundo sagrado. As doze penas que pendem o tubo do cachimbo representam os seres alados com os quais vocês compartilham o grande círculo do céu.

Em seguida ela passou o cachimbo ao chefe do conselho dizendo: – Tomem este cachimbo. Agradeçam ao Grande Espírito, e passem o cachimbo aos outros do nosso círculo. Que seus pensamentos sejam elevados ao Grande Espírito que vem agora mexer com suas memórias, abrindo os olhos de seus narradores. Cada amanhecer que nasce vermelho no céu do leste, como o fornilho vermelho deste cachimbo, é o nascimento de um novo dia, de um dia sagrado. Lembrem-se sempre de tratar cada criatura como um ser sagrado: as pessoas que vivem além das montanhas, os pássaros, os peixes e os outros animais, todos eles são irmãs e irmãos de vocês. Todos constituem partes sagradas do corpo do Grande Espírito. Tudo é Sagrado.

Neste momento, o cachimbo começa a ser passado de mão em mão. Depois que todos que estavam na cabana deram uma baforada, Mulher Búfalo Branco levantou com reverência o cachimbo para que todos vissem. – Levem sempre o cachimbo com vocês. Trate-o como um objeto sagrado. Honrem todas as criaturas e vivam suas vidas em harmonia com o Caminho Sagrado do Equilíbrio de que fala cada árvore, cada flor e cada novo dia.

Haverão muitas estações nas quais o coração de vocês se sentirá claro e puro como uma nascente nas montanhas, e vocês conhecerão a paz e a alegria do Grande Espírito. Mas, se vocês sentirem que se afastaram da trilha do Caminho Sagrado, se seus corações passarem a pesar dentro de vocês, não percam tempo em arrependimento. Ensinar-lhe-eis uma cerimônia,” disse ela acendendo o cachimbo mais uma vez no fogo sagrado, “uma cerimônia que cada um de vocês pode fazer em companhia de outros, a sós em suas tendas, ou lá fora, na pradaria.

Ela deu uma pequena baforada no cachimbo e disse: – Parem suas atividades. Procurem uma pedra sobre a qual sentar. Rogando orientação do Grande Espírito, acendam o cachimbo e deixem que o fornilho vermelho lhes lembre a sagrada escritura, o caminho da vida, o trilho vermelho do sol. Depois de ter aspirado seu fumo em honra ao Grande Espírito, em honra à Mãe Terra, em honra aos animais e às pessoas que são fiéis à realidade, depois de ter dado graças às quatro direções, então aspirem uma vez mais para pedirem orientação aos grandes seres alados do mundo dos espíritos.

Peça-os para ajudá-los a ver o melhor procedimento a seguir. Peçam para que eles ajudem a vocês fazerem a escolha mais sábia e a reconhecer os passos que devem tomar na trilha que seu EU mais profundo escolher para vocês. Isso permitirá que o fogo que arde dentro de vocês fale em termos claros, sem interrupções. Peça que os seres espirituais que os cercam entrem em sua vida. Diga-lhes que desejam ajudá-los e ao Grande Espírito no seu trabalho, e perguntem-lhes como fazer isto. Ao ajudarem o Grande Espírito, vocês se ajudarão. Os seres humanos não são inteiramente felizes nem saudáveis senão quando servem aos propósitos para os quais o Grande Espírito os criou.

Novamente ela entregou o cachimbo, para que fosse passado de mão em mão. Durante muito tempo, Mulher Búfalo Branco permaneceu em silêncio, mesmo após ser completado o círculo com o cachimbo. Quando falou novamente, comparou seus ensinamentos a uma árvore; uma árvore que iria florescer à medida que tomavam a si essas coisas, plantando-as no coração de cada um e aplicando-as no dia a dia.

Então, ela continuou: – Durante longo tempo, vocês viverão sob a sombra sagrada da Árvore da Compreensão que estou plantando nas suas consciências. E, nas gerações vindouras, seu povo estará unido novamente no Sagrado Círculo da Vida. Infelizmente, essa árvore será derrubada depois de algumas gerações. A árvore parecerá morrer. A Roda Sagrada murchará até ser esquecida. Alguns poucos manterão a luz da verdade ardendo nos seus corações, mas a luz será fraca e, mesmo neles, passará a ser uma brasa pequena e imperceptível.

Guardando o cachimbo na sacola, ela continuou: – Mas a brasinha permanecerá. Em silêncio, continuará. Mesmo quando vocês tiverem sua terras invadidas, vendidas e roubadas, essa brasa ainda manterá sua luz acesa, e saibam, meu povo, que um grande fogo pode sair de uma única brasa! Quando a tempestade passar, essa brasa acenderá um alvorecer mais forte do que qualquer outra alvorada. Uma nova árvore crescerá, mais gloriosa do que esta que agora deixo com vocês.

– Com o novo alvorecer, eu voltarei e viverei com vocês. Debaixo da sombra dessa árvore, estarão reunidos não somente as tribos vermelhas, mas as tribos brancas, as tribos negras e as tribos amarelas, vindo de todas as direções. Em harmonia, as quatro raças viverão sob os ramos da nova árvore. Tudo que foi quebrado será refeito por inteiro. A Roda Sagrada será consertada. A comida será farta e os espíritos de todas as criaturas alegrar-se-ão na harmonia de uma nova ordem, perfeita. O Grande Espírito estará atuando dentro das raças, vivendo, respirando, criando através dos povos da terra. A paz virá às nações.

Despediu-se dizendo que voltaria um dia, então transformou-se num Búfalo Branco e sumiu envolta nas nuvens. Nunca mais foi vista. Sua última frase foi: “Grandes mudanças estão a caminho com o nascimento do Búfalo Branco.”

Após essa lenda ter se mantido por muito tempo naquelas terras, em 1994 foi registrado o nascimento de um Búfalo Branco em Janesville, no estado de Wisconsin, nos Estados Unidos. Com esse fato raro, tornou-se mais próximo o cumprimento dessas palavras em todos os corações, do que até hoje é visto como uma profecia sagrada, do surgimento de uma nova idade de unificação e espiritualidade global que ainda habita dentro de cada um de nós.

Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

Fonte complementar da lenda: xamanismo.com

Artigos, Mensagens YEHUÁ

A Chama Eterna da Sabedoria Interior

“A jornada interior é longa, a espiral do conhecimento é infinita, mas a colheita dos nossos esforços em busca do verdadeiro Eu é certa.

Aprendemos a nos transformar, a nos reinventar e recomeçar. Morremos e renascemos através do Caminho da Luz e das Sombras, trilhando o oásis e o deserto da alma. 

Viemos para evoluir a nós, o nosso DNA e propósito, os lugares por onde passamos: o nosso mundo interno, vibrando no exterior quem realmente somos em harmonia e inspirando outros no caminho em busca de si.

Viemos para apreender, resgatar e manter acesa a chama da sabedoria ancestral da nossa alma, projetada em nossa vida pela sabedoria interior do Ser com humildade e simplicidade. 

Viemos para aprender a ser o nosso próprio templo, o nosso próprio mestre. As ruínas dos templos do passado ainda existem para nos lembrarmos sobre essa verdade, ocultada pelas poeiras do tempo.

Você é o Criador da sua própria realidade e experiência. Você veio para ser a autoridade em seu mundo, para relembrar e reconstruir os antigos templos de sabedoria dentro de você! Todo templo é regido pelos cinco elementos da Criação. Então, lembre-se:

Seja ÁGUA e flua entre as pedras no caminho, aprendendo a equilibrar as suas emoções e a confiar no universo com flexibilidade e leveza.

Seja TERRA e enraíze cada vez mais fundo dentro de você, aprendendo a fortalecer-se internamente e a estruturar sua vida em alicerces fortes e profundos, mesmo que leve tempo.

Seja AR e sopre para longe as energias desarmônicas, aprendendo a liberar o passado e o que não é seu, a reencontrar e a reativar o seu som original: o sopro da vida que brota da sua voz e da sua expressão genuína.

Seja FOGO e use a sua energia vital para criar, expressar e concretizar tudo o que estiver sintonizado ao propósito da sua alma, ao que traz alegria de viver! Mantenha acesa essa chama através dos seus dons e talentos, do que faz o seu coração vibrar!

Seja ÉTER e trabalhe para alcançar a quintessência do Ser. Esse é o elemento alquímico que unifica e contém em si todos os outros, nos ensinando que o Todo está em nós e que somos capazes – à semelhança de um processo alquímico – de renascermos de dentro de nós completamente diferentes, dando à Luz a um novo elemento, a um novo Eu.

Leve esta chama de Vida e sabedoria elementar por onde passar. Ela é eterna dentro de cada um de nós: é a essência do Ser, a pedra filosofal, o ouro da alma!”

©YEHUÁ – Por Luciane Strähuber

Artigos, Mensagens Irmãos das Estrelas

Reconexão Interior: Traga à Luz um Novo Eu

Nesse período conturbado que todos estamos presenciando, muitas pessoas seguem seus caminhos em busca de esperança, de fé no porvir, de reconexão interior, de reencontro com sabedorias ancestrais e de propósito.

Todos nós, em algum momento da jornada, recebemos um chamado que nos leva a trilhar novos caminhos. Em algum momento somos impelidos a parar, reavaliar nossas prioridades, nossa vida, nossos relacionamentos, e recomeçar do zero se preciso for para seguir em busca do propósito da alma. Somos impulsionados a criar uma nova realidade a partir de uma profunda transformação interior.

Certamente, isso envolve um trabalho interior contínuo e intenso até concretizarmos no plano material o que já está pronto no plano da alma. Envolve nos transformarmos, aprendermos e conhecermos sobre o caminho das nossas luzes e das nossas sombras, desapegando do passado e das “peles antigas”.

Talvez, esse esteja sendo um momento perfeito para isso, um presente repleto de oportunidades que estamos recebendo para nos tornarmos ainda mais conscientes de quem somos, do que queremos e do que realmente estamos construindo para o nosso futuro no agora, mesmo em meio às dificuldades e aos caos exterior.

Sintonizando com essa linha de pensamento, compartilho os textos abaixo para relembrarmos da chama de sabedoria interior que se mantém eternamente acesa dentro de nós, registrada em nossas células. Vamos, então, extrair dessa chama tudo o que for bom e nos for salutar agora: os sábios saberes deixados pela nossa alma atemporal e pelos nossos ancestrais, vibrando essa energia ao nosso redor. Lembremos: aqueles que foram forjados na tempestade não têm medo do furacão. Namaste!

Foto: Lucas Pezzeta (Pexels)

Mensagens de Christine Day – Junho 2020

“Este foi um período incrivelmente intenso em um nível tridimensional. A mensagem aqui é para trazermos nosso foco para dentro do espaço dos nossos corações, mantendo uma plataforma constante de reconexão interior, utilizando-se das poderosas energias de luz que estão sempre chegando ao nosso planeta.

Aqueles de nós no caminho que concordaram em ancorar essa energia elevada da consciência no espaço do coração estão conseguindo escolher, conscientemente, momentos de reconexão. Este é o nosso papel individual agora. Não há nada mais essencial do que tomar essa ação e estabelecer uma nova onda de consciência no planeta. 

Este é o momento de cada um de nós fazer um trabalho introspectivo profundo, enquanto simultaneamente aproveitamos momentos para criar blocos de realinhamento interior. Concentre-se nos seus sentimentos humanos, que estão surgindo dentro de você através de tudo o que está acontecendo no seu mundo exterior. Passe algum tempo com seus sentimentos, sejam eles quais forem, façam sentido ou não. Eles estão sendo desencadeados pelos acontecimentos diversos que estão ocorrendo em sua vida, em nosso país e em nosso mundo.

Foto: Album “Stuck on You” – Joss Stone

Esses sentimentos internos estão sendo despertados pelos acontecimentos externos. Eles foram mantidos guardados dentro de você, pois são sentimentos antigos de experiências passadas não expressas. Seja medo, luta, raiva, seja traição ou simplesmente sentimentos fora de controle, não importa o conteúdo.

O que realmente importa é que você utilize esse tempo para olhar para eles, senti-los, dominá-los e, depois, usar a respiração consciente para trabalhá-los mais profundamente. Você pode se libertar e abandonar os velhos padrões do passado que o mantêm num ciclo de auto sabotagem em sua vida cotidiana. Continue deixando ir e confiando na vastidão do seu próprio coração.”


“Este é um momento de enorme transformação para o seu planeta e também para você, à medida que emergem em seu autêntico aspecto individual a Luz da Criação. Você está renascendo como uma borboleta saindo de um casulo, abrindo suas asas e voando.

Durante esse período de caos, você é obrigado a se abrir para um processo contínuo de desapego, testemunhando os dramas ilusórios e procurando não se envolver neles. Você pode mover e ancorar sua consciência no espaço do seu coração multidimensional, permitindo assim que uma série de momentos de escolha consciente ocorram de dentro para fora. Esta é a ação de você dar à luz. Não há nada mais poderoso para você colocar em movimento do que essa ação de autorrealização.

Saiba que você não está sozinho nesta jornada. Chame a ajuda que você precisa no seu dia-a-dia para navegar completamente por esse período. Seja específico no que você está pedindo para receber para si mesmo: suas necessidades, seus desejos e intenções. Reivindique a sua abundância e saiba que a ativação do que você está criando surge através do espaço do seu Coração.

Clame ativamente pelo que você precisa para sua missão de reconexão interior e para o seu dia-a-dia. Solte e confie no desdobramento que está à sua frente. Todos os dias a vida se abre em gratidão por tudo que você é e tem neste momento. Ao tomar posse do que você está criando em seu mundo, você pode se alinhar a uma parte mais concentrada dessa energia. Foque nela.

Seja o criador ativo do seu mundo através desse portal do coração. Ponha em movimento uma onda de energia de criação para a sua vida hoje, gerando e, depois, construindo sobre essa energia do desejo do seu coração a sua realidade.”

Fonte dos textos: Cristine Day online

Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

Artigos, Terapias Integrativas

Terapeuta Holístico, Terapeuta Naturalista, Naturopata e Naturólogo: Diferenças e semelhanças

Muitas pessoas acabam tendo dúvidas ao buscar um tratamento de medicina complementar e alternativa, um questionamento que volta e meia também aparece nos cursos que ministro para os profissionais que já estão atuando ou que desejam ingressar na área. Então, como encontrar um profissional especializado, experiente e responsável? Quais as diferenças e semelhanças dessas profissões que parecem ter o mesmo significado?

Com o passar dos anos, a crescente procura pela medicinas complementares e a ampliação das Práticas Integrativas e Complementares em saúde pelo SUS – Sistema Único de Saúde no Brasil – trouxeram a necessidade da legalidade de profissões relacionadas à área e do seu livre exercício de forma responsável.

Após serem inseridas como profissões pelo Ministério do Trabalho – através da Classificação Brasileira de Ocupações – o Naturopata é a mais antiga delas. Após ela, temos o Terapeuta Holístico, conquistando o seu espaço e reconhecimento por meio do SINTE – Sindicato dos Terapeutas, incluindo a participação de outras associações envolvidas e iniciativas do Deputado Giovani Cherini.

TERAPEUTA HOLÍSTICO

Hoje, a profissão intitulada Terapeuta Holístico ou Terapeuta Integrativo, como também podemos chamar, é reconhecida e engloba uma série de funções em diferentes campos de atuação que visam a saúde integral do ser. Esses campos estão relacionados à medicina alternativa/complementar/integrativa e às práticas integrativas e complementares em saúde reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde, às medicinas tradicionais orientais (Chinesa e Indiana), às medicinas naturais e à medicina antroposófica.

A profissão, portanto, é legalizada mas ainda não regulamentada por lei federal. Contudo, é regida pelo Conselho de Auto Regulamentação da Terapia Holística (CRT). Junto dele, outros Sindicatos e Associações são coadjuvantes no processo da legalidade como a ABRATH – Associação Brasileira de Terapeutas Holísticos.

Através da valorização de todas essas medicinas e o tratamento do paciente de forma global/holística – atuando no holos corpo, mente, emocional e espírito – seus resultados positivos na saúde e os inúmeros estudos científicos já realizados, temos vários cursos de formação sendo oferecidos no mercado, cujos diplomas são reconhecidos pelo MEC em caráter técnico, de especialização ou pós-graduação.

Importante mencionar que os chamados “cursos de capacitação” são considerados cursos livres profissionalizantes, o que significa que podem capacitar o profissional a atuar mas não possuem caráter de formação superior. Nesse caso, é preciso estar atento, buscar um profissional experiente e uma instituição idônea para formar-se, já que muitos tiram proveito desse momento de expansão para cobrar valores exorbitantes e transformar um serviço com caráter humano em produto comercial.

Relação das profissões conforme a Classificação Brasileira de Ocupações do Ministério do Trabalho: “Tecnólogos e Técnicos em Terapias Complementares“, incluindo Estéticas.

É possível ainda iniciar por um curso de capacitação – presencial ou à distância – e complementar com uma formação superior presencial que envolva a experiência prática, afinal estamos lidando com a saúde e também com a doença, e não significa que por ser natural não envolva responsabilidade, conhecimento técnico e prático – muito pelo contrário.

Todas as profissões mencionadas foram impulsionadas também quando do reconhecimento das práticas integrativas que complementam o sistema médico tradicional de saúde, oferecidas gratuitamente à população de diversas regiões do país pelo SUS, tanto em hospitais públicos quanto em postos de saúde.

Na plataforma de estudo chamada AVASUS, é possível cadastrar-se e realizar vários cursos de capacitação online gratuitos, abertos para qualquer pessoa que tiver interesse. Leia mais: Cursos Gratuitos sobre Práticas Integrativas em Saúde e Abordagens Terapêuticas Nesse contexto de crescimento, outras profissões com nomenclaturas diferentes, mas com princípios e estudos semelhantes também foram surgindo dentro desse cenário.

NATURÓLOGO OU NATUROTERAPEUTA

O Naturólogo ou Naturoterapeuta, uma profissão relativamente nova, baseia-se nos mesmo princípios das terapias ou práticas integrativas e complementares em saúde. O objetivo da naturologia é estudar e utilizar técnicas/métodos de tratamento naturais para prevenir doenças, recuperar e promover a saúde, o equilíbrio do organismo e a qualidade de vida. No Brasil, já há aprovação do MEC para o curso superior (bacharelado) de 4 anos, uma pela Universidade Anhembi Morumbi, de São Paulo, e outra pela Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL.

A Naturologia é considerada uma ciência que reúne conhecimentos das áreas de saúde, biológicas e humanas, tratando o indivíduo de forma holística, considerando aspectos emocionais, mentais, físicos, sociais e de sua relação com o meio ambiente. O naturólogo, portanto, preza pela harmonia entre o ser humano e a natureza. Busca conscientizar os indivíduos de sua condição de saúde e estilo de vida, preservando sua integridade psíquica e física por meio de uma abordagem multidisciplinar baseada na aplicação de uma série de terapias naturais tradicionais e modernas.

TERAPEUTA NATURALISTA

O termo Terapeuta Naturalista – menos usado – foi determinado para englobar todas as funções mencionadas acima pelo Projeto de Lei que tramita no Senado desde 2017, visando a regulamentação da profissão. Contudo, a referida proposta possui ainda mais recusas do que aprovação, principalmente porque foram elencadas neste mesmo rol de atuações as áreas das terapias psicanalíticas e psicopedagógicas – o que gerou polêmica.

Ao meu ver essa “mistura” de funções com o trabalho da medicina alternativa e complementar foi um erro, uma vez que tanto a psicologia quanto a pedagogia possuem seus próprios conselhos regulamentadores. Apenas a psicanálise não possui conselhos que fiscalizam, mas ainda assim conta com instituições que norteiam a sua atuação há muito tempo. Leia mais: Terapeuta Naturalista – Projeto de Lei do Senado busca a regulamentação da profissão

NATUROPATA

No que tange ao Naturopata, a profissão é mais antiga do que as citadas anteriormente. Surgiu mais precisamente na Alemanha como uma premissa de cura natural. Embora tenha princípios semelhantes com a área das terapias holísticas ou integrativas, a profissão de Naturopata é regulamentada e fiscalizada pelo seu Conselho Nacional.

A naturopatia ou medicina naturopata é um sistema baseado no poder de cura da natureza, cujos profissionais procuram utilizar métodos naturais ao invés dos alopáticos, esforçando-se para encontrar a causa da doença através da compreensão do ser como um todo – um princípio que rege as terapias integrativas/complementares e, da mesma forma, a chamada Medicina Preventiva – esta última desenvolvida por médicos formados.

A naturopatia com efeito benéfico utiliza uma variedade de terapias e técnicas para restabelecer a saúde do paciente, incluindo a nutrição, a mudança dos hábitos de vida e de comportamento, a fitoterapia, a homeopatia, a acupuntura e as medicinas naturais, podendo valer-se também das medicinas orientais. Há duas áreas de foco: a primeira é apoiar as habilidades de cura do próprio corpo; a segunda é capacitar a pessoa para realizar as mudanças de estilo de vida necessárias para uma melhor saúde possível. Portanto, sua ênfase deve ser na prevenção da doença e na educação de pacientes.

Nesse contexto, podemos observar semelhanças entre todas as profissões, de maneira que utilizam-se de princípios preventivos, educativos e naturais em comum. No entanto, o objetivo com esse artigo, além de apontar algumas diferenças, é incentivar o trabalho do Terapeuta em comunhão a outros profissionais da área da saúde. Inclui-se aqui a importância de manter o acompanhamento médico do paciente – caso houver – informando ao profissional de saúde os tratamentos alternativos e naturais prescritos.

Esse item jamais deve ser descartado, mesmo no que se refere aos tratamentos com as medicinais alternativas, naturais e complementares, uma vez que mesmo a prescrição de medicamentos e elementos naturais possuem contra-indicações e não devem interagir com certos medicamentos alopáticos.

Todas essas formações, mesmo que realizadas de forma responsável e através de uma instituição de ensino idônea e preparada, com o conhecimento, a experiência e a prática devidos, ainda assim não podem substituir um tratamento médico. Esse é um dos erros mais comuns daqueles que se formam nas áreas mencionadas e acreditam que podem atuar prescrevendo tratamentos para doenças graves e crônicas.

É possível sim que, dependendo do caso do paciente e com o tratamento adequado, se aliarmos a medicina tradicional alopática (quando o paciente já está em tratamento) com as medicinas alternativas, complementares e tradicionais orientais, os resultados obtidos relativo à recuperação, às mudanças de hábitos de vida ou mesmo a própria cura sejam muito satisfatórios.

Poderia citar inúmeros casos de pacientes que tratei, cujos resultados obtidos foram maravilhosos. A atuação das medicinas de forma combinada foi sem dúvida muito importante para a melhora do indivíduo em todos os níveis. Como sempre digo: quanto maior a quantidade de ferramentas que dispomos, atuando para tratar o ser humano como um todo, mais eficaz e eficiente será o uso dessa “caixa de ferramentas”, e maiores serão as possibilidades de atingirmos resultados de melhora duradouros, culminando na redução ou mesmo na ausência da medicação alopática ao longo do tempo.

Luciane Strähuber – Terapeuta Integrativa, Educadora e Consultora da Terapêutica Integrada

Fontes complementares: CBO – Ministério do Trabalho | Guia de Carreira Naturologia | Guia de Carreira Medicina Alternativa/Complementar | e-MEC – Cadastro Nacional de Cursos e Instituições de Ensino Superior | ABRATH | SINTE |

Artigos, Terapias Integrativas

O “Lado B” da Quarentena: Crie Cura no Recolhimento

Imagine se de uma hora para outra não tivéssemos alguém para conversar e compartilhar a vida? Se ficássemos sem internet e qualquer possibilidade de interação social? Qual seria a sua reação? O que você faria? Essas perguntas respondem ao resultado de muitos distúrbios emocionais e mentais do período atual, o que estou chamando de: “Lado B” da quarentena.

É nessa hora que vem um chamado forte da alma, que nos convida a relembrarmos das “atividades analógicas”, da vida que existe, sempre existiu e continuará existindo fora do caos e da realidade virtual, da profunda mudança cultural que nos arrasta para um novo paradigma social. Novamente, estamos sendo chamados a voltar para “o natural”, para o contato com as coisas simples e essenciais, com tudo aquilo que enche de significado a nossa humanidade nata, a solidariedade com respeito e a solitude com auto-amor.

Se ficarmos focados apenas nas notícias divulgadas pelas mídias de massa, estaremos fadados a frustração e ao fracasso, completamente expostos à frequência negativa de tragédia e pânico incutidas no mental coletivo – uma ferramenta nociva de controle já muito conhecida – resultando num declínio do estado equilibrado da mente, do corpo, do emocional e do espírito.  

Isso não significa que devamos estar desinformados, mas muitos de nós sabemos que o que está sendo divulgado nem sempre é a verdadeira face da moeda. Em tempos de fake news, do uso abusivo do termo pandemia e de notícias muito bem construídas para os interesses de poucos, é preciso manter ativo o nosso observador interno com filtros que buscam a informação real, mas também procurar acessar os filtros de proteção através da alma, evitando perder o foco no propósito e no que é importante para o agora.

SAÚDE MENTAL E EMOCIONAL

Com o isolamento social e a situação atual mundial, precisamos levar também o nosso olhar para uma outra direção: o aumento dos índices de solidão, depressão, ansiedade, angústia, medo e pânico, quadro que tende a potencializar distúrbios mentais e, ainda assim, criar desequilíbrios na saúde física e psicológica. 

Há pessoas que já sofriam desses distúrbios antes. Outras começaram a lidar com essa condição psicológica durante o isolamento compulsório. Assim, de todos os efeitos que a situação atual pode ter sobre a saúde mental, os transtornos de ansiedade são os mais frequentes.  Mas, o objetivo desse olhar é um só: trabalho interno para reencontrar a sanidade.

Fatores como a incerteza profissional e de um negócio próprio, problemas pessoais de relacionamento e familiares, o medo em relação a novos surtos de contágio ou o efeito do próprio confinamento geralmente são agravantes. Um estudo realizado pelo Dr. Gran Shields, da Universidade da Califórnia, destaca que a personalidade pode variar quando nos encontramos em uma situação em que o estresse é constante. 

Por outro lado, se essa situação for resolvida o mais rápido possível, o efeito será mínimo. Do meu ponto de vista, essa é uma informação preciosa: agir antes que o desequilíbrio se torne crônico. Portanto, se você sofre ou conhece alguém com algum dos distúrbios citados, sentindo desequilíbrios constantes, busque ajuda terapêutica de um profissional habilitado. O silêncio não é uma forma de proteção para você nesse momento.

Através daqueles que tenho auxiliado nessa quarentena de forma terapêutica, percebo que o gráfico crescente desses distúrbios tem ocorrido porque muitos não tinham ou não destinavam tempo para cuidar de si, para olhar para o seu interior, seja porque não podiam pelos afazeres da vida, pela família, pelos filhos, seja pelo trabalho ou porque não queriam mexer na “ferida” – faço essa observação respeitando o tempo de cada um dentro do seu próprio cenário de vida e família.

CAMINHOS DA DOENÇA E DA CURA

Em qualquer terapia há uma vertente de pensamento: o caminho da doença é o mesmo da cura. A doença é um alerta do corpo para nos proteger. É a placa de PARE! Se você olha e reconhece a doença, procura parar, compreender a sua mensagem e encontrar a raiz pela qual ela se manifesta, então é possível encontrar um meio para chegar à cura. Na maioria dos casos, há a substituição de um vazio emocional, um trauma não reconhecido, um problema de família renegado, um bloqueio traumático inconsciente e qualquer outro problema por “ocupações” das mais diversas. 

Essas ocupações podem estar relacionadas a compensações que viciam e nos tiram o foco do que precisamos ver, que ocupa o ligar e tira energia do que precisamos realizar no presente. O vício, nesse caso, é tudo o que escolhemos fazer em excesso e pelo qual não conseguimos deixar de depender – incluo aqui a dependência aos meios virtuais como forma de fuga da realidade, assim como o vício a outras pessoas para nos sentirmos bem. 

A propaganda de que vamos precisar dos meios virtuais mais do que nunca agora – mesmo que de fato sejam úteis para nos comunicarmos – não substituem o contato humano e a necessidade de pertencer. Existem muitas pessoas com depressão, crises de ansiedade, angústia e pânico mesmo fazendo uso dos meios virtuais.

Um exemplo disso foi uma pesquisa realizada no Reino Unido, país onde a solidão dos idosos já é um problema grave de saúde pública. Foi comprovado que aqueles que permanecem solitários, sem contato humano, tem os mesmos níveis de estresse de uma pessoa que fumou 15 cigarros num dia. Outra pesquisa também mostrou que os sinais de perigo ativados no cérebro pela solidão afetam a produção de glóbulos brancos, o que pode prejudicar a capacidade do sistema imunológico de combater infecções. E outro agravante são as famílias que estão sendo desfeitas por causa do excesso e do não limite ao acesso virtual.

Isso tudo ocorre para preenchermos a necessidade de pertencimento e reconhecimento que muitas vezes não temos na vida, começando pelo núcleo familiar de origem. Essa realidade é análoga a um “buraco emocional”, algo que ainda esperava para ser olhado e reconhecido, para que pudéssemos começar a jornada de cura em direção a ações internas que nos levam a soluções mais equilibradas e sadias, mesmo que a longo prazo. 

Em outros casos onde esses distúrbios já são crônicos, o quadro fica ainda mais difícil, porque nem todas as pessoas com esses distúrbios cíclicos buscam ajuda terapêutica, acham que não precisam ou não estão em condições de pedi-la, gerando um verdadeiro redemoinho de caos e atingindo todos os que estão ao seu redor. Essa dinâmica se assemelha a um buraco negro que consome energia criativa e vital do que está ao redor. 

Nesse contexto, a partir do que tenho presenciado e ao longo de anos de trabalho com terapia familiar, me refiro aos casos neuróticos que alguns vivenciam num determinado momento da vida ao reconhecer que seu sistema familiar é doente ou disfuncional. Essa doença muitas vezes é materializada em uma ou mais pessoas do sistema de forma repetitiva, ao longo de gerações. É o que chamamos de padrões transgeracionais.

Esses padrões resultam em casos crônicos ou cíclicos porque tendem a se repetir, até que o problema, a pessoa doente ou a doença dentro da família seja olhada e reconhecida pelos membros mais próximos da pessoa que manifesta o distúrbio, sem “romantizá-la”. Reconhecer a realidade como ela é, os sentimentos internos que nem sempre são bons e a necessidade de auxílio em meio à solidão que o isolamento pode gerar, já é um grande passo.

Pais traumatizados, por exemplo, que não tiveram oportunidade, que não buscaram ou não buscam tratar-se e conhecer-se, acabam perpetuando padrões destrutivos e prejudiciais ao seu redor sem perceber, tendo como resultado filhos traumatizados que, por sua vez, também necessitam de tratamento. E esses pais de hoje provavelmente também foram filhos de pais traumatizados. Esse ciclo se perpetua até que um membro do sistema interrompa o processo neurótico e destrutivo, começando pela sua própria cura e equilíbrio interior – visando mudar exclusivamente a si e a sua realidade, mesmo que a família não mude.

Nessa quarentena, a rememoração, a revivência de traumas ou a re-traumatização têm sido recorrentes. Contudo, se vermos esse momento como uma oportunidade para aparar as arestas, para nos conhecermos mais, nos cuidarmos, olharmos e resolvermos o que estava pendente dentro de nós, então estamos no caminho da ação e da solução, não do problema. Estaremos indo em direção à cura na medida que construímos um terreno fértil para o nascimento de um novo Eu.

Pessoas que já estão acostumadas com a sua própria companhia, que aprenderam a olhar os seus vazios internos, a trabalhar constantemente e incessantemente para avançar, progredir e estar bem consigo na medida que liberam-se de padrões destrutivos criados ou herdados, que adquiriram um olhar sempre para frente a partir da experiência de lidar com as próprias sombras, estes estarão sentindo menos o “lado B da quarentena”. 

São aqueles que tem a coragem de olhar para as suas raízes e aprofundar o tanto quanto for necessário, de não deixar nada embaixo do tapete e nas gavetas emocionais de si, e assim certamente vão lidar melhor com toda dificuldade. Serão aqueles que saberão e procurarão tirar o melhor de situações difíceis, vendo nelas oportunidades de mudança interior, se fortalecendo para ajudar a fortalecer outros e sendo agentes de mudança para uma sociedade mais solidária. 

Foto: Elly Farytaile (Pexels)

ISOLAMENTO E PERSONALIDADE

Quem está acompanhando as notícias ouvirá que o sentimento de angústia e o medo constante do contágio aumentarão. Será mesmo? Será que esse pensamento não foi criado e está sendo projetado para que assim seja? Será que o isolamento social de fato pode mudar a nossa percepção da realidade, a nossa personalidade e o nosso caráter? O quanto você vai permitir que o leme do barco da sua vida seja controlado pelo que querem que você pense, sinta e faça? 

Certamente, o efeito do isolamento é traumático para uma determinada parte da população, especialmente para os idosos que encontram-se sem apoio e os que sofreram perdas, bem como para os que já foram diagnosticados com distúrbios mentais e psicológicos. E mesmo para aqueles de nós que estejam sentindo menos os seus efeitos porque já passaram pelo “deserto da alma”, ainda assim todos tivemos um impacto na psique de forma coletiva. 

Portanto, há sim uma mudança da nossa cognição, podendo haver também uma mudança na nossa personalidade, mas de forma a gerar transformações em direção ao progresso pessoal. Então, pergunte-se: O que está mudando em você e na sua vida após essa fase de recolhimento? O que você quer transformar em si? E o quanto você foi e está se permitindo afetar? Minha sugestão terapêutica e de muitos comunicadores é: vá atrás da fonte original das informações veiculadas através das notícias na mídia. Pesquise e investigue a fundo, até chegar na fonte da informação. Você pode se surpreender com a quantidade de fake news que vai encontrar, inclusive de fotos e imagens trabalhadas e veiculadas para parecerem algo que não é real.

Conforme alguns pensadores, sociólogos, filósofos e historiadores, há uma opinião dividida sobre o efeito do isolamento social. Contudo, como esse artigo foca na solução, na solidariedade e na importância das comunidades e inter-relações, cito Michel Wieviorka, sociólogo francês, que diz: “essa experiência nos forçará a reformular prioridades e contribuirá para criar uma sociedade mais solidária, na qual valorizaremos o apoio mútuo.” Segundo ele, a condição do vírus nos impõe uma metamorfose que devemos aproveitar para sermos melhores. 

Já segundo Michel Maffesoli, outro sociólogo francês, a crise sanitária aponta o fim do individualismo e a ressurgência de valores como o voluntarismo. Acredita que estamos vivendo o fim de um paradigma, e suas palavras ressoam no íntimo do ser quando diz: “cada vez que uma época se encerra, surge misteriosamente a emergência de uma pandemia”. Adela Cortina, professora de ética da Universidade de Valência, também nos lembra que na luta pela vida não são os mais fortes que sobrevivem, mas os que se apóiam – esse será um valor sagrado que devemos preservar e ter em mente para o futuro.

Foto: Jonathan Borba (Pexels)

ATIVIDADES SAUDÁVEIS PARA MANTER A SANIDADE

Se nossos hábitos de vida mudam, se o ambiente e o cenário em que vivemos pode nos condicionar, se acontecimentos compulsórios podem transformar aspectos da nossa personalidade, então, como podemos aproveitar esse momento desafiador criando oportunidades de mudança, de aprendizado, e trampolins de transformação? 

Se há um contexto que muda abruptamente, se somos forçados a modificar nossos hábitos, muitos aspectos da nossa personalidade e caráter podem mudar, mas de forma positiva mesmo em meio às dificuldades. Esse é o princípio da impermanência mencionada e ensinada no Budismo. Quando compreendemos que para plantar novas sementes precisamos revolver a terra, então tiramos a poeira dos joelhos e seguimos em frente.

Convido você, então, a relembrar das “atividades analógicas”, das ações que nos trazem equilíbrio, sanidade para a mente, o corpo, o emocional e o espírito. Muitos de nós estão retomando essas iniciativas por necessidade da alma, buscando por mais qualidade de vida, por mais união de princípios e propósito, por mais amor e solidarismo.

Foto: Dzenina Lukac (Pexels)

Entre elas, estão coisas simples como: 

  • Andar de bike, patinete ou roller.
  • Tomar sol sempre que possível: melhora enormemente o humor e a energia.
  • Fazer cursos online e presenciais, dividir e compartilhar conhecimentos.
  • Participar de grupos de estudos ou reunir-se com amigos mensalmente.
  • Fazer parte de trabalhos voluntários.
  • Praticar yoga ou participar de aulas de yoga online (conheço vários professores que estão ministrando aulas online durante a quarentena).
  • Praticar meditação para silenciar a mente e conectar com o silêncio da alma – alguns minutos antes de dormir e ao acordar transformam você!
  • Alongar-se e Exercitar-se com práticas orientais que ensinam a manter o Chi (energia vital) em movimento: Tai Chi, Qi Kung, Qi Gong.
  • Ler bons livros e leituras que primam pelo autoconhecimento e o auto-amor.
  • Pintar uma tela, fazer uma arte numa parede da casa ou realizar trabalhos manuais.
  • Criar receitas diferentes na cozinha: compartilhar com quem você gosta.
  • Conhecer e conversar com seus vizinhos: muitas vezes, são aqueles que estão mais próximos de você e podem ajudar quando sua família não estiver por perto.
  • Tocar instrumentos musicais analógicos.
  • Aprender e estudar uma língua nova.
  • Telefonar para um amigo com quem você não fala há tempo – importante ouvir a voz, por isso não vale só mensagem no whats ou messenger 😉
  • Contemplar e fotografar a natureza, observar os pássaros.
  • Abraçar as pessoas faz bem (mesmo de máscara)!
  • Brincar com seu animal de estimação, com seus filhos, sobrinhos, netos. 

A adversidade, a impermanência e os desafios da vida nos obrigam a mudar, mas também despertam em nós qualidades criativas e forças interiores que desconhecíamos, nos dando a possibilidade de construir novos valores e crenças, novas habilidades e capacidades, uma realidade mais sadia.

Essa parte da jornada nos convida a olharmos para o que estava obscurecido, tudo o que não reconhecemos, o que negamos e não olhamos antes – para uns uma pedreira a ser trabalhada ou uma montanha de gelo a ser derretida; para outros, um deserto a ser atravessado ou uma noite da alma a ser iluminada. A jornada é longa, mas a colheita dos esforços e do trabalho interior é certa!

Esse tempo nos exige, sem ressalvas, a lapidarmos o nosso ser de forma profunda, a descer nas nossas raízes para de lá tirar a força e a sabedoria que precisamos para seguir adiante, para trazermos o que temos de melhor – afinal os diamantes são criados sob pressão. E todos nós temos escolhas à nossa frente que determinarão o nosso destino. Quem você espera ser e está trabalhando para se tornar a partir das suas ações no agora? Esse será o seu propósito e o seu destino.

Luciane Strähuber – Educadora e Consultora da Terapêutica Integrada

Fonte complementar: Folha de São Paulo: O que os grandes filósofos estão dizendo sobre o Covid | O Globo (Cultura): “A pandemia é o sinal de uma crise civilizatória” | Uol (Universa): Formas de reduzir a solidão entre idosos | Uol (Longevidade): Como lidar com a solidão na velhice?

Artigos, Educação e Sustentabilidade, Filmes, Vídeos e Documentários Gerais, Orgânicos: Produtos e Alimentação

O Alimento é o Nosso Medicamento: 15 Documentários Especiais sobre o tema

Nesse artigo, relaciono uma série de documentários baseados em histórias e experiências reais, pessoas que escolheram seguir um caminho com mais qualidade de vida e saúde mudando suas rotinas.

Essa é uma jornada que particularmente comecei a trilhar há muito tempo e que posso dizer, por experiência própria, que beneficia a própria família, amigos e clientes, extende-se à comunidade local e vai além do alimento propriamente dito, tornando-se um propósito de vida. Depois que você entra nessa espiral de saúde integral, é difícil você voltar atrás porque o seu corpo, a sua mente e o seu espírito são muito beneficiados, e a sua energia vital também.

Junto dessa proposta também estão documentários que trazem esclarecimentos de especialistas no assunto, de forma educativa e com dados científicos sobre aspectos que muitas vezes são velados pela indústria alimentícia e as grandes empresas detentoras dos seus direitos, produtos que nos prejudicam e intoxicam gerando doenças e distúrbios.

Aqui você vai estar consciente de notícias e informações divulgadas ao longo da história, que propuseram benefícios ilusórios para alimentos ditos saudáveis ou inofensivos, quando na verdade, através do merchandising e das mídias de massa, foram criados e pagos para gerar desinformação e definir hábitos nocivos à sociedade – um objetivo unicamente lucrativo para poucos.

Contudo, em meio a desinformação gerada, ainda existem muitas pessoas preocupadas com a disseminação da informação real. Nesses exemplos de luta, educação, superação, união e propósito, há projetos lindos sendo colocados em prática de forma crescente. Assista os trailers e inspire-se!

Que essas histórias e jornadas inspirem você no caminho, assim como me inspiro todos os dias ao nutrir o que construo no agora: “o alimento do futuro”. Compartilhe essas inspirações com seus grupos de convívio e sua família, nutra os seus sonhos e, se souber de mais projetos como estes, multiplique! Informação de verdade é Luz e consciência. Nós somos o que comemos. Namaste! ❤

  • DEMAIN (AMANHÃ – 2016)
  • FOOD CHOICES (ESCOLHAS ALIMENTARES – 2016)
  • FORK OVERS KNIFE (TROQUE A FACA PELO GARFO – 2011)
  • WHAT THE HEALTH (QUE SAÚDE É ESSA – 2017)
  • ROTTEN (Série-Documentário | Episódio 1 – 2018| Episódio 2 – 2019)
  • FEDUP (SUPER ALIMENTADO – Sobre os males dos alimentos processados e com altos níveis de açúcar e gordura hidrogenada – 2016)
  • GMO-OMG (Sobre o perigo dos Alimentos transgênicos ou geneticamente modificados – 2013)
  • FAT, SICK AND NEARLY DEAD (Gordo, Doente e Quase Morto – 1 e 2 |Produzidos por Joe Cross em 2010 e 2014 – Sobre a mudança radical na vida de muitas pessoas que adotaram a sucoterapia e os sucos detox em sua rotina, à base de orgânicos)
  • THE KIDS MENU (CARDÁPIO PARA CRIANÇAS – Produzido por Joe Cross – 2016)
  • FOOD CHAINS (2014)
  • COWSPIRACY: O SEGREDO DA SUSTENTABILIDADE – 2014)
  • LIVE AND LET LIVE (VIVA E DEIXE VIVER – 2013)
  • FOODMATTERS (VOCÊ É O QUE VOCÊ COME – 2008)

O Documentário Food Matters é educativo. Aborda uma temática presente na vida de todos nós em qualquer tempo: a alimentação. Um conhecimento que não é novo, mas que precisa ser relembrado para que fiquemos longe das ilusórias facilidades para solucionar a fome através dos Fast Foods; ou ainda para mascarar sintomas através dos medicamentos alopáticos como base de negócio da indústria farmacêutica.

Será que ao invés de tratar a consequência poderíamos nos preocupar mais em tratar a causa? A alimentação equilibrada, natural e orgânica representa, nesse caso, um dos caminhos e ferramentas de prevenção. Ela pode ser sim o nosso medicamento! O filme também salienta a relação alimento-solo no que se refere a parâmetros agrícolas, e como isso pode interferir na nossa saúde em todos os níveis começando pelo uso de pesticidas, herbicidades, agrotóxicos e uma água não potável.

Traz a reflexão da relação alimento-organismo e o poder de cura e manutenção através da nutrição orgânica: rica em frutas, vegetais crus, sucos verdes, ingestão de muita água para eliminar toxinas, abordando os considerados “super-alimentos” como as algas, o própolis, o mel, a geléia real, o pólen, o quinoa, o inhame, o cacau, entre tantos outros que contém em si uma farmácia ambulante natural.

Da mesma forma, dal sobre a grande parte de vitaminas e minerais que nosso corpo necessita para se manter saudável e com um sistema imunológico forte, tendo como norte os fundamentos de Hipócrates – o Pai da Medicina Moderna.

  • FOOD INC. (ALIMENTOS S.A – 2008)

O documentário Food, Incorporated – Alimentos S.A. retrata os perigos e as transformações operadas na indústria alimentícia norte-americana, afirmando seus efeitos prejudiciais à saúde pública, ao meio ambiente e aos direitos dos trabalhadores e dos animais. Lembrando que esse processo também ocorre aqui no Brasil, não sendo de menor importância.

Todos nós podemos mudar essa realidade a qualquer momento, provocar mudanças e quebrar paradigmas apenas optando por melhor qualidade de vida e mais alimentos orgânicos, hoje abundantes no mercado se comparados há 20 anos atrás. Faça sua parte, mesmo achando que você ainda é uma gota no oceano! Faça essa gota tornar-se oceano levando essa informação e consciência àqueles que você conhece. A sua parte pode fazer toda a diferença na vida de alguém.

Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

Artigos, Mensagens YEHUÁ

Floresça suas Dores

Foto de NileStyle.com

“Transforme a dor que reside nos seus ossos e nas suas raízes em rosas perfumadas que nascem em meio a morte, à semelhança da vida que sempre renasce e recomeça.

As rosas não perderão os seus espinhos, tampouco a leveza das suas pétalas e a exuberância do seu perfume. Os ossos não perderão as suas memórias, tampouco os novos padrões que você criar com as verdades essenciais da sua alma.

As raízes não perderão a sua história, tampouco a força e o movimento que você conquistou pelo mérito de um árduo trabalho interior. Essa história honra todos aqueles que, antes de você, buscaram a mesma vitória, o mesmo caminho: o Caminho do Coração.

Quando da morte a vida puder nascer, brotar e florescer, você terá passado por um ciclo completo da noite da alma e, assim, poderá levar flores, perfumes, sabedoria e experiência por onde passar.

A sua jornada será uma placa no caminho para outros nessa busca, que como você ousaram transgredir velhas crenças e interromper ciclos destrutivos em eterna entropia.

As pegadas deixadas pela sua experiência serão um farol para outros em busca de si. Assim como você, eles irão em direção à confiança e à certeza que brotam do peito quando a alma precisa agir e o coração diz “sim”.

A experiência de trilhar a noite da alma, de mergulhar nas profundezas dos oceanos emocionais, de ter que atravessar os desertos interiores herdados e registrados nas células ou criados nesta e em outras existências, trazem a sabedoria que também reside na escuridão: um lugar de “não-mente”, mas repleto de essência e significado.

Transforme seu corpo de dor em Vida. Permanecer no sofrimento é dar alimento para que esse corpo de dor continue existindo e se retro-alimentando com mais dor. Nosso corpo é sim capaz de florir!! 

Tantas quantas forem as suas mortes interiores, tantas quantas forem as coisas que você liberar – porque já não possuem mais espaço dentro de você para florescer, tantos serão os novos espaços surgindo para novas rosas brotarem e florescerem. 

Se você já é capaz de ver suas dores florescendo, deixando de ser morte para ser vida, você já tem nas suas costas o apoio de muitas gerações, o apoio da sua alma e da sua consciência superior.  

Permita a vida florescer de dentro das suas mortes. Permita a transformação da morte em adubo para mais vida ser criada. Permita que as cores e a beleza da vida ocupem os novos espaços dentro de você – agora vazios de morte.

Preencha-os com tudo o que traz alegria de viver e um propósito claro: ele será o seu norte. Decrete com clareza o que você quer transformar. Decrete com firmeza o que você precisa desapegar e o que você permite ficar e, a cada passo, sem pressa, esteja aberto para receber e também doar.

Mantenha o seu coração aquecido como o fogo na lareira, mesmo em dias nublados, chuvosos ou tempestuosos. Mantenha as flores que recém despertarem com uma terra boa e fértil, e nutra-as com a água pura dos sentimentos que vem do coração.

Elas são os seus sonhos, os projetos vindouros, os ideais progressistas em benefício do todo, os “filhos do amanhã”, a memória inconfundível das tribos da paz: vozes que ecoam no tempo e no espaço e nos relembram do que somos capazes de criar, construir e conquistar. De dentro para fora, moldamos a realidade ao nosso redor.”

Mensagem de ©Yehuá – Por Luciane Strähuber

Artigos, Constelação Familiar, Terapias Integrativas

Lealdades Invisíveis: Mandatos Transgeracionais que nos travam

Esse é um tema recorrente, abordado através da visão e dos trabalhos das Constelações Familiares e da Psicogenealogia. Em outras vertentes como a Terapia Cognitiva, a Gestalt-Terapia, a Hipnoterapia e a “Constelação do Trauma” – trabalho desenvolvido por Franz Ruppert Sheldrake no tratamento de simbioses destrutivas nos relacionamentos – esse assunto também é levado em consideração.

A proposta desse artigo é trazer esclarecimentos diante do que comumente chamamos de autosabotagens, levando o nosso olhar para reencontrarmos nosso verdadeiro Eu e o nosso propósito de alma. Através da conscientização do que não é nosso, dos padrões de pensamento e comportamento que estejamos repetindo, abre-se um caminho possível à autorealização, para que possamos ter uma vida mais leve e equilibrada sem termos que carregar nas costas “pesos” herdados. Aquele que está no caminho do autoconhecimento, mesmo que leve tempo, sabe que terá que atravessar o deserto interior e mergulhar fundo, conhecer a noite da alma.

Quando nunca estamos satisfeitos com os nossos relacionamentos ou com a nossa profissão, quando não conseguimos nos manter por muito tempo num relacionamento com um parceiro(a) ou quando parece que há uma divisão interior em nós – uma voz que diz “sim” e outra que diz “não” – é possível que estejamos obedecendo ao que se chama de Mandatos Transgeracionais: crenças que se tornaram padrões no sistema familiar e que foram passados de geração após geração como modelos a serem seguidos, lealdades ou normas a serem obedecidas.

Segundo a Constelação Familiar, conforme observada por Bert Hellinger e outros terapeutas como Joan Garriga, Stephan Hausner e Marianne Franke, somos todos movidos por lealdades invisíveis e inconscientes relativo a integrantes do nosso sistema familiar. E tudo aquilo que não enfrentamos em vida, que não queremos ver ou nos conscientizar, acaba se tornando o nosso destino.

Essas lealdades são a dinâmica de fundo, o que ocorre nos bastidores do palco do histórico familiar, que nos posiciona de forma a repetirmos acontecimentos difíceis contidos na história da rede familiar de origem – à semelhança de uma teia tecida ao longo de gerações e que, com o tempo, possui padrões que se repetem como forma de compensações.

INCONSCIENTE FAMILIAR

Todo sistema familiar possui seu próprio campo inconsciente imaterial, onde todos os acontecimentos vividos por seus integrantes estão registrados. Talvez, possamos dizer que dentro de nós reside uma “Matrix Familiar” (termo que me vem em mente nesse momento). Por sua vez, essas experiências do sistema são acessadas pelo inconsciente pessoal de todos os indivíduos que fazem parte do grupo familiar. Na Alquimia, por exemplo, vemos isso como a Flor da Vida, onde cada membro representa uma pétala dessa flor, e todos estão interconectados e interligados entre si.

Bert Hellinger observou em seu trabalho que a busca pela necessidade de pertencimento na família nos coloca na rota de repetirmos acontecimentos difíceis do nosso sistema, como uma forma de solidariedade familiar. Sofremos para acompanhar alguém que sofreu antes. Fracassamos para acompanhar alguém que fracassou. Somos infelizes porque ser feliz nos faria diferente de um sistema familiar que enfrentou muitos infortúnios e infelicidades no seu caminho.

Lembrando que aqui ser diferente é um risco ao pertencimento. Um exemplo disso é: se houveram perdas financeiras significativas na geração dos avós, filhos e netos podem repetir isso tendo uma realidade de dificuldade financeira ou mesmo não conseguindo manter e usufruir da riqueza que criaram. É como se, mesmo sem ter vivido o que causou sofrimento em outra geração, a pessoa buscasse uma forma de experienciar aquela dor, igualando-se aos que vieram antes, sofrendo junto. Pertencendo.

INCONSCIENTE PESSOAL

Esse movimento invisível, na grande maioria das vezes é conduzido pelo inconsciente, algo que a pessoa faz sem perceber racionalmente que está repetindo um acontecimento anterior. Em sua experiência de vida, ela consegue identificar que sofre, que a vida está difícil, que há emoções que são sentidas e que ela não sabe de onde surgem, mas tem muita dificuldade em mudar as emoções ou alterar essas condições, vivenciado-as continuamente.

Como traz Hellinger em seus estudos, esta pessoa está vinculada a dor de seu sistema familiar através de uma lealdade profunda e invisível, que a faz garantir seu pertencimento ao sistema replicando aquilo que foi difícil e pesado para seus antepassados. Um dos materiais base no desenvolvimento da terapia de Constelação Familiar foi o livro Invisible Bonds (Lealdades Invisíveis). Na busca pela definição do que seria a lealdade dentro do sistema, os autores descrevem que anteriormente ao aparecimento da lealdade, deve existir uma expectativa estruturada no grupo em relação aos quais todos os membros assumem um compromisso.

Dessa forma, para “ser percebido” como membro do grupo, todos os integrantes devem interiorizar o espírito das expectativas deste sistema e assumir comportamentos e atitudes relacionados ao que é esperado, cumprindo dessa forma os Mandatos Interiorizados ou Transgeracionais.

OS MANDATOS TRANSGERACIONAIS

Nosso sistema familiar é o grupo que dá origem a nossa vida. Ele é o principal sistema que participamos e que temos a necessidade interna de pertencer. Isso é instintivo em nosso inconsciente e atua de forma profunda em nosso ser. 

As regras internas, o certo e o errado, o bom e o ruim, as noções do sucesso e do fracasso, do que deve ser feito ou não, são todos mandatos que recebemos através do nosso vínculo com o nosso sistema familiar. Assim, os acontecimentos experienciados como um todo compõe aquilo que forma nossa visão do mundo e nossa ação na vida.

As definições desses mandatos moldam aquilo que vemos como possibilidade de caminhar na vida. Elas formam a área que temos “livre” para nos desenvolver segundo as crenças da família. Essa liberdade, entretanto, é uma ilusão porque está contida dentro de parâmetros que se provam muitos difíceis de ultrapassar, e quando ultrapassados, exigem um alto custo emocional a ser pago.

Uma das passagens dos livros de Hellinger diz: “Observei que, em seus pensamentos e ações, as pessoas estão vinculadas a um campo. Ele (o campo) determina o que percebemos e o que fazemos. Dentro dele temos, naturalmente, uma certa liberdade de ação, mas julgar que alguém possa por livre decisão abandonar o campo é uma ilusão pelo qual muitos pagam.”

São essas regras internas do sistema, aos quais estamos conectados pela nossa lealdade, que nos fazem repetir destinos difíceis. Repetimos porque queremos assegurar nosso pertencimento, e fazemos isso espelhando comportamentos e acontecimentos já vividos pelo sistema familiar.

PADRÕES E CRENÇAS INTERIORIZADAS

Não são apenas os traços físicos que herdamos dos nossos antepassados e da nosso origem cultural, mas também formas de comportamento, talentos e dons, qualidades e fraquezas, medos e traumas, lealdades amorosas ou destrutivas. As experiências carregadas de emoção são registros que carregamos na mochila da mente e do inconsciente coletivo familiar.

Nosso comportamento de adesão às regras relacionais, ao que o grande clã entende como “norma”, faz com que sejamos reconhecidos e pertençamos, o que causa uma sensação ilusória de segurança, a velha crença: “se pertenço e sou reconhecido, então existo”. Contudo, muitas vezes não questionamos mandatos inconscientes, e concordamos com histórias que não são nossas, mas que as tomamos como se fossem desde o nosso nascimento.

Elas são uma herança que nos bloqueia e que dificulta o avanço da nossa existência, uma vez que estão geralmente carregadas de medos, de sofrimentos, de situações traumáticas, de mensagens silenciosas mascaradas de “escolhas pessoais”. Esta bagagem define os elos de simetria ou identificação que temos com nosso sistema familiar.

Algumas transmissões de um mandato transgeracional podem estar ligadas a:

  • Escolha ao celibato.
  • Crianças que vieram de lares agressivos.
  • Crianças que assistiram violências de pessoas que foram abusadas.
  • Filhos de pais que se foram e nunca mais voltaram.
  • Filhos de pais ou mães que faleceram cedo e que os irmãos mais velhos tiveram que assumir o fardo de um papel materno ou paterno para suprir a ausência.
  • Crianças que foram prometidas aos santos por promessas de suas mães.
  • Crianças que foram abandonadas pelos pais por falta de dinheiro, de cuidado ou em consequência de morte e guerras.
Arte de Josephine Wall

Todas estas vivências, carregadas de fortes emoções, de perdas, de saudade, de tristeza, de ódio, de raiva, de amor, de paixão, de destemperança, registram inconscientemente contextos de vidas pretéritas que surtem reflexos de lealdade ou reparação e que ecoam como ideias próprias.

Essas crenças podem ressoar como mantras nos ouvidos das pessoas, desde a fase de pré-concepção ou concepção, aquelas que vivem algumas das tristezas relacionadas acima e cimentam no inconsciente delas mensagens de que ter um relacionamento pode ser algo muito doloroso de carregar. Alguns exemplos seriam: “Antes só do que mal acompanhado” | “Homens não valem nada” | “Mulheres são vadias” | “Casamento é uma prisão” | “Artistas são vagabundos” | “Lugar de mulher é pilotando o fogão” | “Você precisa se sacrificar para ser feliz”| “Você precisa trabalhar muito para ganhar dinheiro”…E por aí vai.

Observemos o caso de um artista repudiado por uma família que aspirava que ele continuasse a sucessão de médicos renomados no sistema – ou o oposto, várias gerações sucessivas de médicos, onde alguns se descobrem infelizes na profissão. Vejamos a mulher que acredita que “não tem outra saída” em sua vida do que se casar com um homem que a mantenha; quem não pode viver seu amor livremente por medo da retaliação; um filho que “deve gostar” de futebol ou uma filha que “não pode” jogar futebol porque é coisa de menino; quem ama estudar um tema que, para a família, “não tem futuro”; aquele que está convencido que a vida não faz sentido sem o seu parceiro(a).

PSICOGENEALOGIA

Dentro do contexto da Psicogenealogia, é comum descobrirmos que pessoas que decidiram pelo celibato, ou ainda que decidiram ficar sozinhas possuem algo em comum (podendo haver ao longo das gerações semelhança de nome, de data de nascimento, concepção próxima ou de vinculo à morte de algum antepassado) e podem estar simetricamente relacionadas à:

  • Membros que faleceram muito cedo, de mortes traumáticas e não processadas pelo sistema familiar.
  • Antepassados que sofreram agressões por parte de um companheiro, podendo chegar à morte.
  • Membros do sistema que foram abandonados.
  • Parentes cuja paixão foi condenada e o relacionamento proibido (causas podem estar ligadas a diferença econômica, cultural, de raças ou tabus sociais).
  • Abortos do sistema familiar.
  • Mulheres que foram “aprisionadas”, sufocadas, castradas por seus companheiros.
  • Mulheres que morreram no parto.
  • Crianças que nasceram e cujas mães morreram no parto.
Nesse vídeo, as lealdades que operam nos bastidores do nosso ser ficam bem claras.

Também é possível que a decisão de passar por esta existência sem construir um relacionamento de casal esteja relacionada à uma lealdade de vocação espiritual de algum outro membro do sistema familiar. Famílias italianas, por exemplo, há não muitos anos atrás desejavam que um de seus filhos fosse optante pela vida religiosa. Estar vinculado simetricamente a um membro com esta vocação ou até mesmo um mandato (ter seguido a vida religiosa por imposição dos pais e não por opção), faz com que suas “escolhas” estejam condicionadas às dele.

Outra questão, que remonta tempos não tão distantes e que é importante trazer à luz, era o preconceito e a vergonha que as famílias tinham do seu entorno social, cultural, étnico ou até mesmo religioso, quando haviam membros do sistema familiar que informavam sua homossexualidade ou até mesmo jovens meninas que engravidavam de seus namorados. 

Muitos homossexuais foram tratados como doentes, foram expulsos de suas casas, foram assassinados ou até mesmo internados em seminários ou conventos por entenderem que tratava-se de uma doença, de um desvio de comportamento. Também as jovens meninas eram escondidas em conventos, como se optantes da vida religiosa fossem, para que tivessem seus filhos – este fato já é pauta de diversos filmes baseados em fatos reais.

UM OLHAR EM BUSCA DA CURA, EM BUSCA DE SI

Através da Constelação Familiar ou de qualquer uma das abordagens citadas, é possível observarmos o que atua no inconsciente pessoal, assim como o que leva o indivíduo a repetir em sua vida acontecimentos difíceis da sua história familiar. Ver e experienciar o contato com o inconsciente é uma das principais forças de cura proporcionadas por esse trabalho terapêutico, porque traz à luz da consciência o que estava esquecido, excluído, obscurecido pelas memórias do tempo.

É possível que fiquemos cientes da nossa lealdade, de como ela atua nos sabotando e travando nosso progresso e prosperidade, e então possamos experimentar o “distensionamento” do sistema como um todo – que pedia a atenção para algo que necessitava ser visto, incluído e integrado com respeito, para depois ser liberado para seguir o seu próprio curso e destino.

Nesse estágio terapêutico, damos um lugar no nosso coração àquele que foi excluído, compreendemos que o sofrimento que tínhamos não era nosso, mas podemos ajudar liberando-o, sendo a voz ou o choro que muitos ancestrais não puderam expressar. E em alguns casos, realizar um ritual de reverência ou mesmo uma cerimônia de um luto que não ocorreu na época também são ferramentas de ajuda.

Quando esse fator visto é liberado, o instinto de pertencimento é capaz de gerar melhores estratégias para nós e os envolvidos, sem tanto “peso”, custo emocional ou mesmo custo de saúde. Essas estratégias vão auxiliando na mudança de padrões, mais conectados com o nosso movimento pessoal – em oposição ao movimento do sistema – para que possamos nos sentir parte do sistema sem tomarmos para nós os encargos de todo o grupo.

É neste distensionamento que reside um dos grandes resultados da terapia em Constelação Familiar: permite a qualquer um encontrar uma possibilidade de movimento mais leve, com mais significado, menos desgaste emocional e com respeito maduro aos acontecimentos difíceis do sistema familiar de cada um.

Conscientizar-se de si e compreender os mecanismos internos que nos movem é um caminho para a cura, para olharmos também com consciência e respeito às lealdades inconscientes e para os mandatos transgeracionais. O que nos compete é apenas a nossa própria mudança interior, o que significa que não temos o poder de mudar o destino de outros membros da família nem de modificar o “script interior” das suas lealdades invisíveis.

Esse é o ponto em que aprendemos a conviver com os outros aceitando-os como são, nos mantendo humildes. E para exercermos de fato o livre arbítrio, para desenvolvermos a verdadeira autonomia e encontrarmos uma forma equilibrada de pertencer ao nosso sistema familiar sem “peso”, é necessário que tenhamos consciência dos padrões que nos condicionam, nos travam e nos sabotam, para assumir o nosso verdadeiro lugar no sistema familiar. Trilhar o caminho do autoconhecimento é conhecer as nossas luzes e também as nossas sombras.

Luciane Strähuber – Educadora, Consultora e Terapeuta Integrativa

Fontes complementares: 1. “Invisible Bonds” (Lealdades Invisíveis) – Ivan Boszormenyi-Magy e Geraldine M. Spark | 2. “Um Lugar para os Excluídos” – Bert Hellinger | 3. “Simbiose e Autonomia nos Relacionamentos” – Franz Ruppert | 4. “A Simteria Oculta do Amor” – Bert Hellinger | Sites: 5. Lealdades Invisíveis – Psicologia | 6. Lealdades Invisíveis – Raízes da Mente | 7. HS Constelação – “Lealdade Invisível: Quando cedemos nossa vida por um vínculo familiar” | 8. Filmes renomados sobre o tema: “PHILOMENA” (2013), de Stephen Frears (Baseado em história real) e “A Voz do Coração”, de Christophe Barratier (2003).

Artigos, Constelação Familiar

O Fascínio pelo Papel da Vítima: No problema temos companhia

Através da abordagem sistêmica e da visão do trabalho de Constelação Familiar, trago este tópico como forma de reflexão tanto para quem se encontra no papel da vítima, quanto para aquele que, de fora dele, procura encontrar formas sadias de conviver com quem está dentro dele.

Em muitos casos, aquele que se encontra no papel da vítima não percebe o distúrbio e os males que causa para si e para os outros com quem convive, agindo inconscientemente e acreditando que pessoas e o mundo geralmente não estão ao seu favor.

De outra forma, quando é desempenhado com certa consciência, a pessoa pode utilizar-se de jogos manipulatórios e chantagens emocionais para conseguir que o outro faça sempre o que ela quer. Afinal, mantendo-se no papel de vítima recebe atenção, mesmo que com isso gere sofrimento.

Essa segunda situação pode manifestar-se desde a forma como essa pessoa conseguia o que queria dos pais, em detrimento a um amor almejado e não recebido ou correspondido, até a maneira como ela conseguia existir no ambiente familiar.

Foto: Jonas Mohamadi – Pexels

Procurando manter um olhar de neutralidade e não julgamento perante ser bom ou ruim estar presente neste papel, como terapeutas precisamos respeitar a condição atual do paciente, uma vez que para sair dele requer muito trabalho interior e coragem. Um processo que vai depender do tempo, da realidade e do histórico familiar de cada um.

Isso representa encontrar novas formas de relacionar-se consigo e com os outros. Redescobrir partes de si que ficaram perdidas, que precisam ser reencontradas, restabelecidas no seu devido lugar, acalentadas e amadas, porque foram esquecidas pelo tempo nas gavetas emocionais da criança interior.

Para isso, a constelação familiar, realizada com um profissional que tenha experiência, pode ser uma ferramenta útil para começar a equilibrar o processo de ordem e pertencimento desta pessoa na hierarquia familiar, assim como trazer clareza e equilíbrio entre o dar e o receber – certamente em desequilíbrio em alguma parte do percurso familiar. Isso permite identificar porque razão é tão difícil abandonar o papel de vítima e, com ele, o sofrimento.

Existem diversas abordagens que podem explicar a escolha por essa roupagem. Todos os processos decorrem mais ou menos inconscientemente, uma vez que os limites são permeáveis.

  • O sofrimento tornou-se um sentimento: a pessoa está acostumada e através do qual a sua vida se organizou. Este hábito é tão rotineiro que ainda que a pessoa sofra, ela pode sentir-se bem com ele. Para pôr fim ao sofrimento, exige-se uma mudança de hábitos. Esta mudança pode conseguir-se através de decisões conscientes ou ocorrências do destino.
  • O sofrimento é a única possibilidade de se sentirem intensamente: “sofro, por tanto sinto-me, logo existo”. Ele converte-se na experiência mais intensa das suas vivências. Embora possa parecer contraditório, este paradoxo observa-se com frequência. Muitas vezes, os pacientes queixam-se de uma sensação de vazio difícil de suportar depois de ”terem se despedido” do seu sofrimento (Aqui, é importante preenchermos esse vazio com coisas que nos trazem alegria de viver e aquecem nossos corações. Um dos exercícios que indico é redescobrir dons e talentos natos, dar atenção a eles e realizá-los. Essa é uma possibilidade que ajuda a dar sentido a esse vazio).
  • O sofrimento recompensa, como no clássico caso de quem se beneficia através da doença. Enquanto se sofre, recebe-se mais amor, cuidado e dedicação. Através da doença, por exemplo um enfarte do miocárdio, conseguir-se-á ser mais importante. Tudo gira em torno desse acontecimento.
Foto: Vinicius Malata – Pexels
  • O sofrimento eleva o sofredor a uma melhor posição. Porque ele sofre, sente-se numa melhor posição relativamente aos seus semelhantes e daí surge a exigência, que é inconsciente na maioria dos casos. Uma vez que essa exigência é inadequada, não chega a conseguir cumprir-se, motivo pelo qual o papel de vítima e de sofredor se reforçam. Expressões tais como “ninguém me compreende” ou “estão todos contra mim” são convicções básicas dessas vítimas “crônicas”, que permanecem cativas no círculo vicioso do sofrimento.
  • O sofrimento pode ser reconhecido socialmente e condicionar o sentimento de pertença a um grupo. A sociedade compadece-se superficialmente das “pobres mulheres abandonadas”, enquanto aos “homens abandonados” não lhes reconhece socialmente o direito ao seu sofrimento. As “mulheres abandonadas” formam um grupo que se lamenta, afirma e motiva reciprocamente. Quando a mulher abandona o seu papel de vítima, deixa de pertencer a este grupo. Desta forma, embora pese todos os aspectos de significação, também os grupos de auto-ajuda correm riscos. Frequentemente, a identidade do grupo ordena que somente se possa participar quando se sofre. Observação: é natural que num grupo de auto-ajuda o sofrimento das pessoas envolvidas seja genuíno, afinal foram unidas por ele para o superarem. Contudo, é importante que haja evolução dessas pessoas, mudanças de comportamento, de hábitos e melhorias na vida, assim o grupo cumpre o seu propósito. Caso contrário, as pessoas envolvidas permanecem prisioneiras num ciclo vicioso que pode ser destrutivo.
  • O sofrimento caracteriza-se geralmente pela passividade, portanto, deixar a posição passiva significa agir! Neste contexto positivo, significa assumir uma responsabilidade e “entrar em ação”. Observa-se que os sofredores sentem uma forte inibição para colocar-se em ação, devido às implicações familiares procedentes de gerações anteriores – geralmente residentes em traumas. Nestes casos, os sintomas são o fracasso e a falta de trabalho. Aferrar-se ao papel da vítima serve para “não chegar a ser assim, como os pais e os avós” – segundo palavras de Bert Hellinger: “aquilo que nego ou excluo torna-se parte de mim”.
Foto: Gustav Lundbor – Pexels
  • O sofrimento pode ser mal interpretado e, dessa forma, restabelecer a própria inocência. Por medo de reconhecer a autoria – alguma ação que tiveram de que se envergonham ou de que sentem culpa – a pessoa refugia-se no papel de vítima e volta a ser aparentemente inocente. Como exemplo, pode-se mencionar o papel de muitas pessoas durante o III Reich, que depois da guerra tornaram ao papel de vítimas: “nunca tinham ali estado”. O papel de vítima aqui é quase um fenômeno de massas e foi, durante muito tempo, socialmente aprovado. Esta “falta de reconhecimento” da própria culpa provoca novamente o sofrimento das gerações seguintes.
  • A culpa nunca é minha”. Como compensação pela culpa “não reconhecida” dos sacrificadores em gerações anteriores, os membros da família subsequentes sentem-se responsáveis infundadamente. Estas implicações provocam uma persistência no papel de vítima. Por lealdade com as vítimas dos sacrificadores, sentem-se traidores quando abandonam esse papel. Assim que o amor pelo sacrificador ganhe espaço, poderá deixar-se com ele os fatos que lhe correspondem, resolvendo-se dessa forma a compulsão para o sacrifício. Para os descendentes das vítimas, vale frisar que também eles podem permanecer no papel de vítima “por lealdade aos seus antepassados”. Os sintomas destes sofredores são similares, são formas graves de doença e depressão.
Foto: Rodrigo Santos – Pexels

Nas obras de Bert Hellinger, ainda encontramos uma reflexão sobre o tema: “O papel de vítima é a mais refinada forma de vingança. E por quê? Pessoas ou grupos, quando se vitimizam fazendo-se de incapazes, se tornam os oprimidos bonzinhos, tirando toda a responsabilidade de seus próprios ombros.

Quem assume o papel de vítima está dizendo para o mundo que tem uma condição intrinsecamente desfavorável e desprivilegiada em relação aos demais. Quer passar a ideia de que não faz porque não pode. Então, isso mobiliza pessoas a fazerem por ele o que ele mesmo deveria estar fazendo por si.

Aquele que se vitimiza lança um olhar de cobrança sobre todos, o que faz os demais se sentirem culpados e devedores. A vítima se coloca no lugar de “poder tudo”, pois o outro é “devedor” dela sempre. Afinal, o mundo lhe deve. Ao se colocar nesse lugar, nesse papel, nessa condição, põe no outro o rótulo também de opressor, mau, culpado.

No papel de vítima, ele se sente como a pessoa boa, injustiçada, e o outro é o mau. Pois o outro só poderá ser o opressor ou o devedor, e assim vai sempre ser olhado como alguém pequeno. Essa é a vingança velada.”

Foto: Andreia Piacquadio – Pexels

Assim, perante essas abordagens e reflexões, fica a pergunta: o que fazer para sair do papel da vítima, para desindentificar-se dele, para assumir a responsabilidade perante si e sua vida, para ser a única autoridade em seu mundo?

É preciso olharmos para o que foi excluído, reconhecê-lo e devolver o problema a quem de direito, integrando apenas o que for bom, para que essa parte ocultada ou excluída na família não torne-se um “parasita” que rouba a nossa energia vital, a nossa clareza mental para agir, para que não ocupe o lugar vazio que será gerado dentro de nós quando traumas forem liberados – seja a energia de um trauma pessoal ou de um fato ocorrido em gerações passadas.

Esse lugar vazio, esse território que nos pertence, poderá ser preenchido com o que tem importância para nós, com o que nos traz alegria, nos fortalece e nos faz progredir, sejam dons e talentos, relacionamentos com pessoas mais saudáveis, um novo emprego ou um projeto de vida, evitando uma divisão mental diante do que é nosso e do que é do outro – divisão essa que cria confusão interior, nos embota os sentidos e a clareza, nos impede de agir em prol do nosso próprio bem.

Isso requer coragem e persistência para que tomemos as rédeas de nossa vida e sejamos a única autoridade em nosso mundo, mesmo que leve tempo. Isso requer que reassumamos o nosso poder pessoal, nos perguntando: “Para quem estamos destinando o nosso poder? Com quem está o poder da nossa vida?” Dar o primeiro passo em direção ao que se quer e seguir com ação constante, mesmo um pouco a cada dia, é um caminho para uma solução possível.

Se você tem interesse em aprofundar nesse assunto e conhecer as engrenagens intrínsecas a partir de casos reais, além de como esse papel de vítima pode desenvolver-se para um papel de perpetrador, recomendo a leitura dos livros: “Simbiose e Autonomia nos Relacionamentos: o trauma da dependência e a busca da integração“, de Franz Ruppert, e “A Simetria Oculta do Amor“, de Bert Hellinger.

Luciane Strähuber – Terapeuta Integrativa e Educadora da Terapêutica Integrada

Fonte complementar: Enfermedad que Sana. Sintomas Patológicos y Constelaciones Familiares” – Ilse Kutschera e Christine Schäffler – Traduzido do castelhano por Eva Jacinto