Artigos, Terapias Integrativas

Terapeuta Holístico, Terapeuta Naturalista, Naturopata e Naturólogo: Diferenças e semelhanças

Muitas pessoas acabam tendo dúvidas ao buscar um tratamento de medicina complementar e alternativa, um questionamento que volta e meia também aparece nos cursos que ministro para os profissionais que já estão atuando ou que desejam ingressar na área. Então, como encontrar um profissional especializado, experiente e responsável? Quais as diferenças e semelhanças dessas profissões que parecem ter o mesmo significado?

Com o passar dos anos, a crescente procura pela medicinas complementares e a ampliação das Práticas Integrativas e Complementares em saúde pelo SUS – Sistema Único de Saúde no Brasil – trouxeram a necessidade da legalidade de profissões relacionadas à área e do seu livre exercício de forma responsável.

Após serem inseridas como profissões pelo Ministério do Trabalho – através da Classificação Brasileira de Ocupações – o Naturopata é a mais antiga delas. Após ela, temos o Terapeuta Holístico, conquistando o seu espaço e reconhecimento por meio do SINTE – Sindicato dos Terapeutas, incluindo a participação de outras associações envolvidas e iniciativas do Deputado Giovani Cherini.

TERAPEUTA HOLÍSTICO

Hoje, a profissão intitulada Terapeuta Holístico ou Terapeuta Integrativo, como também podemos chamar, é reconhecida e engloba uma série de funções em diferentes campos de atuação que visam a saúde integral do ser. Esses campos estão relacionados à medicina alternativa/complementar/integrativa e às práticas integrativas e complementares em saúde reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde, às medicinas tradicionais orientais (Chinesa e Indiana), às medicinas naturais e à medicina antroposófica.

A profissão, portanto, é legalizada mas ainda não regulamentada por lei federal. Contudo, é regida pelo Conselho de Auto Regulamentação da Terapia Holística (CRT). Junto dele, outros Sindicatos e Associações são coadjuvantes no processo da legalidade como a ABRATH – Associação Brasileira de Terapeutas Holísticos.

Através da valorização de todas essas medicinas e o tratamento do paciente de forma global/holística – atuando no holos corpo, mente, emocional e espírito – seus resultados positivos na saúde e os inúmeros estudos científicos já realizados, temos vários cursos de formação sendo oferecidos no mercado, cujos diplomas são reconhecidos pelo MEC em caráter técnico, de especialização ou pós-graduação.

Importante mencionar que os chamados “cursos de capacitação” são considerados cursos livres profissionalizantes, o que significa que podem capacitar o profissional a atuar mas não possuem caráter de formação superior. Nesse caso, é preciso estar atento, buscar um profissional experiente e uma instituição idônea para formar-se, já que muitos tiram proveito desse momento de expansão para cobrar valores exorbitantes e transformar um serviço com caráter humano em produto comercial.

Relação das profissões conforme a Classificação Brasileira de Ocupações do Ministério do Trabalho: “Tecnólogos e Técnicos em Terapias Complementares“, incluindo Estéticas.

É possível ainda iniciar por um curso de capacitação – presencial ou à distância – e complementar com uma formação superior presencial que envolva a experiência prática, afinal estamos lidando com a saúde e também com a doença, e não significa que por ser natural não envolva responsabilidade, conhecimento técnico e prático – muito pelo contrário.

Todas as profissões mencionadas foram impulsionadas também quando do reconhecimento das práticas integrativas que complementam o sistema médico tradicional de saúde, oferecidas gratuitamente à população de diversas regiões do país pelo SUS, tanto em hospitais públicos quanto em postos de saúde.

Na plataforma de estudo chamada AVASUS, é possível cadastrar-se e realizar vários cursos de capacitação online gratuitos, abertos para qualquer pessoa que tiver interesse. Leia mais: Cursos Gratuitos sobre Práticas Integrativas em Saúde e Abordagens Terapêuticas Nesse contexto de crescimento, outras profissões com nomenclaturas diferentes, mas com princípios e estudos semelhantes também foram surgindo dentro desse cenário.

NATURÓLOGO OU NATUROTERAPEUTA

O Naturólogo ou Naturoterapeuta, uma profissão relativamente nova, baseia-se nos mesmo princípios das terapias ou práticas integrativas e complementares em saúde. O objetivo da naturologia é estudar e utilizar técnicas/métodos de tratamento naturais para prevenir doenças, recuperar e promover a saúde, o equilíbrio do organismo e a qualidade de vida. No Brasil, já há aprovação do MEC para o curso superior (bacharelado) de 4 anos, uma pela Universidade Anhembi Morumbi, de São Paulo, e outra pela Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL.

A Naturologia é considerada uma ciência que reúne conhecimentos das áreas de saúde, biológicas e humanas, tratando o indivíduo de forma holística, considerando aspectos emocionais, mentais, físicos, sociais e de sua relação com o meio ambiente. O naturólogo, portanto, preza pela harmonia entre o ser humano e a natureza. Busca conscientizar os indivíduos de sua condição de saúde e estilo de vida, preservando sua integridade psíquica e física por meio de uma abordagem multidisciplinar baseada na aplicação de uma série de terapias naturais tradicionais e modernas.

TERAPEUTA NATURALISTA

O termo Terapeuta Naturalista – menos usado – foi determinado para englobar todas as funções mencionadas acima pelo Projeto de Lei que tramita no Senado desde 2017, visando a regulamentação da profissão. Contudo, a referida proposta possui ainda mais recusas do que aprovação, principalmente porque foram elencadas neste mesmo rol de atuações as áreas das terapias psicanalíticas e psicopedagógicas – o que gerou polêmica.

Ao meu ver essa “mistura” de funções com o trabalho da medicina alternativa e complementar foi um erro, uma vez que tanto a psicologia quanto a pedagogia possuem seus próprios conselhos regulamentadores. Apenas a psicanálise não possui conselhos que fiscalizam, mas ainda assim conta com instituições que norteiam a sua atuação há muito tempo. Leia mais: Terapeuta Naturalista – Projeto de Lei do Senado busca a regulamentação da profissão

NATUROPATA

No que tange ao Naturopata, a profissão é mais antiga do que as citadas anteriormente. Surgiu mais precisamente na Alemanha como uma premissa de cura natural. Embora tenha princípios semelhantes com a área das terapias holísticas ou integrativas, a profissão de Naturopata é regulamentada e fiscalizada pelo seu Conselho Nacional.

A naturopatia ou medicina naturopata é um sistema baseado no poder de cura da natureza, cujos profissionais procuram utilizar métodos naturais ao invés dos alopáticos, esforçando-se para encontrar a causa da doença através da compreensão do ser como um todo – um princípio que rege as terapias integrativas/complementares e, da mesma forma, a chamada Medicina Preventiva – esta última desenvolvida por médicos formados.

A naturopatia com efeito benéfico utiliza uma variedade de terapias e técnicas para restabelecer a saúde do paciente, incluindo a nutrição, a mudança dos hábitos de vida e de comportamento, a fitoterapia, a homeopatia, a acupuntura e as medicinas naturais, podendo valer-se também das medicinas orientais. Há duas áreas de foco: a primeira é apoiar as habilidades de cura do próprio corpo; a segunda é capacitar a pessoa para realizar as mudanças de estilo de vida necessárias para uma melhor saúde possível. Portanto, sua ênfase deve ser na prevenção da doença e na educação de pacientes.

Nesse contexto, podemos observar semelhanças entre todas as profissões, de maneira que utilizam-se de princípios preventivos, educativos e naturais em comum. No entanto, o objetivo com esse artigo, além de apontar algumas diferenças, é incentivar o trabalho do Terapeuta em comunhão a outros profissionais da área da saúde. Inclui-se aqui a importância de manter o acompanhamento médico do paciente – caso houver – informando ao profissional de saúde os tratamentos alternativos e naturais prescritos.

Esse item jamais deve ser descartado, mesmo no que se refere aos tratamentos com as medicinais alternativas, naturais e complementares, uma vez que mesmo a prescrição de medicamentos e elementos naturais possuem contra-indicações e não devem interagir com certos medicamentos alopáticos.

Todas essas formações, mesmo que realizadas de forma responsável e através de uma instituição de ensino idônea e preparada, com o conhecimento, a experiência e a prática devidos, ainda assim não podem substituir um tratamento médico. Esse é um dos erros mais comuns daqueles que se formam nas áreas mencionadas e acreditam que podem atuar prescrevendo tratamentos para doenças graves e crônicas.

É possível sim que, dependendo do caso do paciente e com o tratamento adequado, se aliarmos a medicina tradicional alopática (quando o paciente já está em tratamento) com as medicinas alternativas, complementares e tradicionais orientais, os resultados obtidos relativo à recuperação, às mudanças de hábitos de vida ou mesmo a própria cura sejam muito satisfatórios.

Poderia citar inúmeros casos de pacientes que tratei, cujos resultados obtidos foram maravilhosos. A atuação das medicinas de forma combinada foi sem dúvida muito importante para a melhora do indivíduo em todos os níveis. Como sempre digo: quanto maior a quantidade de ferramentas que dispomos, atuando para tratar o ser humano como um todo, mais eficaz e eficiente será o uso dessa “caixa de ferramentas”, e maiores serão as possibilidades de atingirmos resultados de melhora duradouros, culminando na redução ou mesmo na ausência da medicação alopática ao longo do tempo.

Luciane Strähuber – Terapeuta Integrativa, Educadora e Consultora da Terapêutica Integrada

Fontes complementares: CBO – Ministério do Trabalho | Guia de Carreira Naturologia | Guia de Carreira Medicina Alternativa/Complementar | e-MEC – Cadastro Nacional de Cursos e Instituições de Ensino Superior | ABRATH | SINTE |

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