Artigos, Terapias Integrativas, Xamanismo

A Medicina do Cavalo: O Resgate do Poder Interior

Poderoso cavalo, que traz o poder de correr pelas amplas planícies, traga-me a visão clara, traga-me o reequilíbrio dos meus escudos e a conexão com a sabedoria ancestral do meu espírito, e juntos dancemos na chuva púrpura do sonho.

É a medicina do poder interior, da ação, da força, da liberdade. O cavalo simboliza as jornadas xamânicas e a projeção astral, uma vez que através delas os xamãs são capazes de voar pelos ares para alcançar os céus e dialogar com o Grande Espírito.

É evocado para trabalhar a liberdade de espírito, a força para progredir, o dom da clarividência – esta última no sentido de trazer foco, clareza mental e compreensão da jornada para sintonizarmos com nosso propósito, o que no xamanismo representa a busca da visão. Esta compreensão o cavalo nos ensina dia-a-dia, a cada passo no caminho, dado de forma firme e paciente. É uma grande medicina capaz de nos mostra como carregar nossa carga – tudo aquilo cujo compromisso material e espiritual nos dispomos – com calma e dignidade, fibra e resistência. Nos adverte de possíveis perigos, guiando na superação de obstáculos. Nos ensina a mantermos nossa liberdade em todos os níveis.

Quando evocamos o espírito do cavalo, podemos utilizar de meios de movimento no plano físico que sejam análogos ao seu trotar, através dos quais possamos sintonizar. Esses meios podem representar: fazer um percurso de corrida, andar de bicicleta em meio a natureza, dirigir uma moto ou um carro exercitando a presença nessa medicina ou mesmo cavalgar com o animal, procurando em qualquer um desses momentos pedir para estar em sintonia com seu espirito. Pode ser evocado com respeito para focalizar novos estudos e pesquisas ou para iniciar algum projeto.

Importante aqui é conectar conscientemente com o espírito do cavalo e sua alma grupo, estando aberto e atento para perceber a linguagem de resposta, ocorrendo por meio de sinais simbólicos na rotina, através de sonhos, de insights, de meditações, de memórias de outras existências ou desta vida para os que tiveram ou tem contato com cavalos. De outra forma, o retorno pode vir através de outras formas de linguagem que sua alma escolherá para se comunicar com você.

Essa medicina nos auxilia a aumentar o poder pessoal, a acessar nosso próprio poder interior e saber como usá-lo com sabedoria. Ajuda-nos a encontrar o nosso lugar no mundo, a tornar-nos independentes não apenas no nível da matéria, mas também no nível do espírito, nos ajudando a nos libertarmos, muitas vezes, de antigos obstáculos. Quando encontramos nosso propósito e desenvolvemos nosso poder interior, a liberdade e a paz habitam qualquer espaço do nosso ser, no passado, no presente e no futuro.

O espírito do cavalo nos ensina isso, a transcender o tempo e o espaço para trazermos a força motriz, a sabedoria e o senso de oportunidade para conquistarmos nosso lugar, mesmo que leve tempo – um tempo regido pela alma e pelo coração – porque o cavalo segue por caminhos que até mesmo o mais forte dos homens sucumbiu. Portanto, a lição é que nosso espírito encontre seu próprio ritmo, trilhe sua própria jornada de encontro à sabedoria interior para caminhar com beleza, leveza e graça.

Ao mesmo tempo, nos impulsiona a conhecermos os nossos limites, principalmente ao sairmos “a galope”, muitas vezes sem prestar atenção ao que está o nosso redor. Isso representa não nos deixarmos dominar pelo ego, assim como procurar evitar qualquer abuso de poder. Lembremos da compaixão, da bondade e do amor pelos outros, uma base de toda a sabedoria regida por esse animal totêmico. Na tradição dos Guerreiros do Arco-Íris, somente unidos são capazes de chegar ao Grande Espírito, galopando nas asas do cavalo alado do destino e levando consigo todos os ensinamentos dessa medicina sagrada há milênios.

No Xamanismo Ancestral, são levados em consideração os animais selvagens, não domesticados, de forma a conectar com sua força verdadeira, original. Nessa linhagem de trabalho, nada representa melhor o espírito de liberdade do que os cavalos selvagens. Para os xamãs de uma forma geral, eles são considerados elos, veículos seguros para viajar tanto no mundo físico quanto no espiritual.

Esse animal também está relacionado ao planeta Marte, cujas escrituras sagradas dos Vedas exterioriza o arquétipo de Agni – Deus Fogo. No xamanismo, devemos aprender a trabalhar, equilibrar e nutrir nosso fogo interior para que, enquanto caminhamos em meio a terras férteis ou áridas, não nos esqueçamos da alegria de viver e de criar, do prazer de cantar e dançar, da força que temos em estar no nosso lugar cumprindo nosso propósito para compartilhá-lo com aqueles que amamos e nos são importantes. O fogo rege os rituais, as celebrações e as cerimônias sagradas e, como o cavalo, é um elo entre o plano da matéria e do espírito, um elemento sagrado que nos ensina a partilharmos o conhecimento que adquirimos ao longo da jornada.

Segundo o livro das Cartas Xamânicas, um guia maravilhoso para exercitarmos o estudo das diversas medicinas dos animais e aprender a colocá-las em prática em nossa rotina, a simbologia do cavalo nos é mostrada através de uma lenda que diz:

“Roubar cavalos é roubar poder, afirmava um ditado repetido com frequência pelos antigos índios, ilustrando a estima que devotavam ao cavalo (…) O Andarilho dos Sonhos, um poderoso xamã, estava caminhando pela planície para visitar a nação Arapaho. Ele carregava seu cachimbo e a pena amarrada em seu longos cabelos negros apontava para o chão, indicando que ele era um homem de boa paz, até que ao transpor uma elevação, ele percebeu uma manada de cavalos selvagens correndo em sua direção.

O Garanhão Negro aproximou-se de Andarilho dos Sonhos e perguntou-lhe se ele empreendera sua jornada em busca de uma resposta, dizendo-lhe: – Eu venho do vazio, onde reside a resposta. Monte em meu dorso e conheça o poder de atravessar as trevas para encontrar a luz. O Andarilho dos Sonhos agradeceu o convite do garanhão negro e aquiesceu em visitá-lo quando seu poder se fizesse necessário.

A seguir, o Garanhão Amarelo aproximou-se do Andarilho dos Sonhos e ofereceu-se para conduzi-lo ao leste, onde reside a iluminação, pois assim ele poderia partilhar as respostas que lá encontrasse com os outros, instruindo-os e iluminando-os. O Andarilho dos Sonhos agradeceu, afirmando que não deixaria de usar os presentes de poder que lhe oferecera ao longo de sua jornada.

O Garanhão Vermelho então se aproximou, empinando-se alegremente, e falou com o Andarilho dos Sonhos a respeito das alegrias contidas no equilíbrio entre o trabalho, o poder e as doces alegrias dos divertimentos. Ele advertiu Andarilho dos Sonhos que prestasse atenção àqueles que entremeavam suas lições com o humor. O xamã agradeceu e prometeu-lhe que não se esqueceria de usar sempre o dom da alegria.

Quando o Andarilho dos Sonhos já estava próximo de seu destino e já podia perceber ao longe a nação Arapaho, o Garanhão Branco destacou-se da manada para permitir que o Andarilho dos Sonhos pudesse montá-lo, pois ele era o portador que carregava as mensagens de todos os demais cavalos da manada, representando a sabedoria do poder. Personificação do escudo mágico bem equilibrado, este magnifico cavalo reitera que nenhum abuso de poder será capaz de conduzir à sabedoria. O Garanhão Branco disse ao seu cavaleiro: – Andarilho dos Sonhos, você empreendeu esta jornada para aliviar o sofrimento de seus irmãos, para partilhar o cachimbo sagrado e curar a Mãe Terra.

Você adquiriu a sabedoria por meio da humildade, pois soube reconhecer que é um instrumento do Grande Espírito. Assim, enquanto eu o carrego em meu dorso, você carrega todo o seu povo em suas costas. Em sua grande sabedoria você sabe que o poder não é concedido a quem não o merece, mas unicamente àqueles predispostos a empregá-lo com discernimento e equilíbrio. O Andarilho dos Sonhos, o xamã, foi curado e transformado pela visita dos cavalos selvagens e compreendeu que sua missão, ao chegar na nação Arapaho, era a de compartilhar os presentes de sabedoria que recebera ao longo do caminho.

Ao compreender o poder do cavalo, você irá sentir-se compelido a confeccionar um escudo de equilíbrio. O verdadeiro poder é a sabedoria e esta somente é obtida quando se mantém viva a lembrança de tudo o que ocorreu com você ao longo de sua jornada aqui na terra. A sabedoria brotará dentro de você quando lembrar-se de jornadas percorridas com outros mocassins. A compaixão, a bondade, o amor e a disposição em ensinar e compartilhar os dons e os talentos que lhe foram concedidos constituem as verdadeiras sendas para o poder.”

Por Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

Fonte complementar: Cartas Xamânicas: A Descoberta do poder através da energia dos animais – Jamie Sams e David Carson

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