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Filmes, Documentários e Seriados que abordam o Feminino – Parte 3

Imagem do Filme: The Red Tent

Seguindo as pesquisas sobre filmes, documentários e seriados que envolvem abordagens sobre o feminino – tanto no que se refere ao resgate do eu feminino sagrado quanto ao que se relaciona à origem e à perpetuação de padrões e traumas – relaciono uma lista enfatizando diferentes temas, muitos deles com abordagens psicológicas importantes.

O foco sugerido está nos casos reais ou naqueles baseados em fatos reais. São esses que vejo ganhando cada vez mais espaço nas mídias e atraindo o interesse cada vez maior das pessoas. Entretanto, os filtros da nossa intuição e do nosso faro de loba precisam estar ativos porque também há muita “desinformação” sendo divulgada – dica que dou às leitoras, em especial para aquelas que buscam pesquisar, investigar e passar adiante o que for pertinente e de boa fé.

Na Era dos movimentos pela igualdade de gênero, dos direitos iguais perante homens e mulheres, aumenta também o interesse por temas feministas. Importante aqui refletirmos um pouco diante do que significa o termo feminista na sua raiz. A ideia perpetuada pela sociedade paternalista sobre isso é apenas uma: mulheres que defendem mulheres e repudiam homens.

Sim, sabemos que esse grupo também existe, contudo esse post não tem a pretensão de tratar o tema através desse ponto de vista, uma vez que uma mulher que não aprende a integrar e curar o princípio masculino dentro de si também não será capaz de resgatar, curar e integrar o princípio feminino de forma equilibrada. É o princípio básico do Yin e Yang.

Feminismo é um movimento político, filosófico e social que defende a igualdade de direitos entre mulheres e homens. O “embrião” do movimento feminista surgiu na Europa em meados do século XIX, como uma consequência dos ideais propostos pela Revolução Francesa, que tinha como lema a “Igualdade, Liberdade e Fraternidade”. As mulheres queriam estar inseridas no turbilhão de mudanças sociais que estas revoluções traziam, principalmente para se sentirem mais cidadãs em uma sociedade historicamente regida pelo patriarquismo.

No entanto, o feminismo só começou a se popularizar no mundo ocidental nas primeiras décadas do século XX, questionando o poder social, político e econômico monopolizado pelos homens. O feminismo, como muitos pensam erroneamente, não é um movimento de sexista, ou seja, que defende a figura feminino sobre o masculino, mas sim uma luta pela igualdade entre ambos os gêneros.

Atualmente, não são apenas as mulheres que se intitulam ou compartilham de pensamentos feministas – assim como existem muitas que também apoiam o esquema de uma sociedade machista – alguns homens, que se sentem “pressionados” ou incomodados com as “regras de comportamento social do machismo”, partilham da mesma visão de liberdade e direitos igualitários entre os sexos.

A partir deste período, começa a se disseminar o chamado Feminismo Radical ou Femismo – uma ramificação do pensamento feminista que acredita só ser possível “exterminar” o machismo com uma revolução profunda e geral, eliminando os regimes patriarcais. As feministas radicais ou femistas – assim como os machistas – ainda acreditam serem necessárias mudanças na legislação dos países, criando leis de proteção ao gênero feminino. Esse movimento extremista se perdeu da raiz original do movimento feminista e, por essa razão, também prejudica muitas mulheres a ponto de incentivá-las a desviar-se de caminhos sadios – incluem-se o uso de drogas, medicações clandestinas sem apoio médico, abortos clandestinos que colocam em risco a saúde da mulher, independente se esta for a sua real escolha.

Portanto, se há um princípio masculino desequilibrado e que corrompeu o princípio feminino de alguém, por exemplo, então precisamos avaliar se antes deste masculino corrompido houve um princípio feminino desequilibrado ou corrompido – porque todos nascemos de uma mãe – e vice-versa. Esse desequilíbrio pode estar em várias esferas emocionais do indivíduo, como em níveis diferentes de manifestação, das mais leves às mais primitivas dependendo dos traumas gerados, dos padrões e crenças herdados, da cultura em que estiver inserido.

Feminismo X Femismo

A origem da palavra feminismo vem do francês: feministé. Segundo o dicionário de português online: “o feminismo é um movimento social de “quebra” da hierarquização dos sexos, do sexismo e do machismo, reivindicando igualdade de direitos entre homens e mulheres.

Já o femismo, por sua vez, pode ser considerado o sinônimo do machismo – ao mesmo tempo que é seu oposto), pois trata-se de uma ideologia de superioridade da mulher sobre o homem. O femismo, assim como o machismo, prega a construção de uma sociedade hierarquizada a partir do gênero sexual; baseada em um regime matriarcal. Assim, quem se diz feminista, ligada aos movimentos e ideologias feministas baseados na origem de sua raiz de significado, representa a luta pela igualdade de gênero em todos os níveis da sociedade.

Que esse artigo, portanto, seja útil a todos os gêneros, a todos os sexos, a todas as raças, como ferramenta de informação e esclarecimento diante de tanta “desinformação”, fake news, haters e youtubers preocupados mais com sua imagem do que com o conteúdo que partilham. E encerro com um lema que me guia sempre, como um farol em meio à vastidão dos nossos oceanos emocionais: “Nossa missão: florescer onde fomos plantados. Nosso objetivo: a paz interior. Nosso caminho: o Amor! Namaste!

DOCUMENTÁRIOS

City of Joy (imagem acima)/ A Cidade da Alegria (2018) – Todas as mulheres desse documentário contam suas histórias reais e chocantes, uma realidade invisível e que parece inconcebível ainda existir para muitas de nós. Trata sobre o que se chama de “terrorismo sexual” que ocorre na região do Congo, cujo estupro de mulheres e crianças é usado como arma de guerra.

MALALA (2017): documentário encantador, chocante e profundo no que se refere à história de Malala, sua recuperação após um atentado à sua vida e seu propósito: a luta pela educação de meninas e mulheres residentes em terras dominadas pelo Talibã.

Abrace (Embrace) 2016: sensível, emotivo, muito alegre e de grande coragem da protagonista, que expõe a própria vida e a experiência com próprio corpo para nos relembrar da máxima: precisamos nos amar como somos, precisamos amar nossos corpos como templos da alma e não como meros objetos.

Daughters of Destiny – Filhas do Destino (Feminino Corrompido e Desafios para tornar-se sagrado no conceito das “mulheres intocáveis”) (Série/ Documentario Netflix)

Gaga: Five Foot Two (2017) – Documentário sobre a jornada de vida de Lady Gaga e sua luta contra a fibromialgia, subentendida e enraizada em histórico de traumas familiares de ancestrais suas.

Gloria Allred: Justiça para todas (Seeing Allred – Netflix (2018) – Gloria Allred é uma famosa e polêmica advogada norte-americana, conhecida por opiniões que desafiam o patriarcado e por defender grandes casos envolvendo direitos das mulheres, que colocam em xeque a ideia de poder dos homens dentro da sociedade estadunidense – e, quem sabe, do mundo. Discute a vida da advogada através de sua atuação feminista e dos casos mais polêmicos defendidos por ela ao longo dos anos, cujos confrontamentos se direcionam a grandes personalidades do país, incluindo o próprio presidente em exercício, Donald Trump.

Blood Road (2017) – trajetória de uma filha em busca do local do acidente do pai, piloto da força aérea norte-americana na guerra do vietnã. Como essa jornada foi capaz de transformá-la internamente.

A Family Affair (2015) – Um jovem cineasta investiga peças perdidas do quebra-cabeças de sua família para compreender situações do passado que influenciam no presente. O foco do documentário é a sua controversa avó, e como situações reprimidas e não trabalhadas podem gerar confusões e mentiras, com medo do confrontamento para esconder a própria dor.

SERIADOS

The Red Tent (imagem acima) – A Tenda Vermelha (2015)/ 1ª Temporada – baseado num romance, traz belas cenas sobre as chamadas “tendas vermelhas” do passado, mantidas em segredo pelas mulheres porque envolviam a troca de suas experiências, sabedorias e curas ancestrais. Todas as personagens são importantes porque relatam o cotidiano das mulheres da época e a formação de uma sociedade.

MANIAC (2018) – pessoas desconhecidas são unidas por um teste farmacêutico, cuja droga promete apagar traumas emocionais. Aborda a origem de traumas familiares por diferentes pontos de vista e dá abertura para interpretações psicológicas, espirituais e quânticas.

Objetos Cortantes/ Sharp Objects (1ª Temporada/ 2018) – uma repórter confronta as sombras do seu passado ao retornar à sua cidade natal para investigar o assassinato de duas meninas. A série trata de traumas profundos, passados através de gerações. Aborda claramente os casos de hipocondria, automutilação e a “síndrome de münchaussen”. Sugiro cautela relativo à possibilidade de causar “gatilhos” psicológicos negativos naqueles que já passaram por traumas semelhantes.

Leah Remini: Aftermatch/ Cientologia: Toda a Verdade (1ª e 2ª Temporada em diante – 2016/ 2017/ 2018) – Aborda a história real de pessoas  e famílias que sofreram traumas derivados do seu ingresso na ideologia da Cientologia, a maioria sendo filhos e filhas de pais que já faziam parte da organização tida como um culto com bases militaristas, autoritárias e abusivas.

DARK (2017) – Disparada uma das melhores séries para compreendermos porque passado, presente e futuro estão interconectados pelas nossas raízes ancestrais e como a ação de um influencia a vida de todos. Uma obra maravilhosa para esclarecer os padrões e crenças que herdamos, os papéis familiares que foram trocados, abandonados ou reprimidos, os fios emaranhados dos desequilibrios e relcaionamentos que uma constelação familiar explica. Excelentes atores e construção de personagens.

The Sinner (1ª Temporada 2017) – foco na personagem Cora/ 2ª Temporada (2018) – foco em todas as personagens femininas, ambas interconectadas por padrões, crenças e traumas famliares dentro de uma mesma comunidade.

Patrick Melrose (2018) – Seriado muito bem dirigido e com excelentes atores, cujas cenas não despertam “gatilhos” psicológicos. Trata de traumas relativo a abusos sexuais, tanto por parte de homens quanto de mulheres.

Jessica Jones (2ª Temporada – 2018) – foco nas personagens de Jessica Jones e sua mãe.

Glow (Gorgeous Ladies of Wrestling)/ 1ª Temporada (2017) e 2ª Temporada (2018) – Seriado divertidíssimo e, ao mesmo tempo, com uma pegada leve e inteligente, ambientada nos anos 80 e baseada em eventos reais. Mostra os desafios de ser mulher numa sociedade machista da época com profundidade emocional, abordando situações que muitasmuheres passam na vida e que ficam guardados nos bastidores: nas “suas sombras”.

Luke Cage (2ª Temporada – 2018) – foco nas personagens de Maryah e sua Filha, seguindo as crenças e padrões familiares que só levaram ao fracasso. Aborda um pouco do histórico dos negros jamaicanos nos EUA, onde reside a origem de alguns traumas carregados e repetidos pelas futuras gerações.

The OA – feminino sagrado (1ª Temporada/ 2ª Temporada prevista para 2019)

Sense 8 (Último Episódio – 2018)

FILMES

Capitã Marvel (imagem acima – Estréia em Março/ 2019)

Ant-Man and The Wasp/ Homem-Formiga e a Vespa (2018) – foco na personagem de Evangelini Lilly e o trauma referente à perda da mãe.

Pantera Negra (2018) – foco nas personagens de Okoyê (o feminino que defende o seu país, o sistema patriarcal) X a personagem de Nakya (o feminino que defende a vida acima das ideologias de uma sociedade, um princípio do feminino sagrado). Leia mais: Consciência Negra: Raízes além do tempo e da cor da pele

Wonder Woman/ Mulher-Maravilha (2017) – Leia mais em: A Voz da Superação: O Chamado da União

Mother! (Feminino Corrompido) – Filme visceral. Perfeito para reflexão sobre os padrões de sacrifício ainda existentes no mundo atual. Mulher: ciclo de sacrificar-se para criar/ Homem: ciclo de criar para sacrificar – culto ao deus fálico ainda acontece revestido de outras máscaras.

Kûkai: Legend of the Demon Cat / A Lenda do gato demônio (2017 – Drama oriental baseado num romance (obra/ lenda). Foco na personagem da princesa Yang Yang (Sandrine Pinna) e reflexão sobre as consequências de um trauma às futuras gerações.

HIDDEN FIGURES (ESTRELAS ALÉM DO TEMPO– 2016): é um filme baseado em história e fatos reais, um drama biográfico baseado no livro homônimo de Margot Lee Shetterly. Conta a história de três mulheres que precisaram lidar com o preconceito arraigado para que conseguissem ascender na hierarquia da NASA, além de provar sua competência dia após dia pelo simples fato de serem mulheres negras. Em plena Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética disputam a supremacia na corrida espacial, ao mesmo tempo em que a sociedade norte-americana lida com uma profunda cisão racial.

FRIDA – A Biografia de Frida Kahlo (2002) – sempre lembrando de um ícone de grande importância na história do movimento feminista.

Por Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada/ Saúde Integral/ Feminino Sagrado

Leia também:  Filmes que abordam o Feminino Sagrado: cura para o inconsciente – Parte 1/ Filmes que abordam o Feminino sagrado – Parte 2/ O Feminino Corrompido e sua Jornada de Superação

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