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Honrando a Anciã que habita em nós

Honrando a sabedoria ancestral provinda das mulheres que vieram antes de nós e a usaram com amor, honramos também nossa parte visionária e sábia, nossa curandeira, sacerdotisa, alquimista, xamã e anciã interior, e junto delas todas as ancestrais que estão na luz da consciência nos trazendo a força das suas raízes, as suas medicinas e seus conselhos – tão velhas e ao mesmo tempo tão novas sabedorias que ainda hoje são aplicadas com sucesso e eficácia.

Chegará um momento em nossa jornada interior que descobriremos nossa “parte velha”, a anciã que fomos, que somos e que habita em nós há tantas vidas, que passou por tantas culturas, que visitou tantas terras quantos foram os seus passos e as suas experiências, que teve registrada nas suas raízes a sabedoria passada também pelas suas ancestrais e adquirida ao longo dos caminhos pela dança da vida e as espirais da morte.

Quando ela se apresentar para nós, através do arquétipo que for – aquele através do qual estaremos mais identificadas – tenhamos nossa mente aberta para ouvi-la sem julgamentos, desaprendendo e desapegando nesse momento das nossas crenças, para aprender o novo que ela virá nos trazer, às vezes uma visão mais oxigenada, mais sábia e profunda de alguma experiência que estivermos vivenciando através de nossas transformações pessoais.

É com profundo amor, trazendo a força dessas raízes e a sabedoria provinda de suas medicinas, que honro minha anciã com todas as suas faces. Honrar e aprender com nossa anciã é uma forma de resgatar uma parte de nós mesmas – talvez muitas delas – assim como manter acesa a chama da nossa sabedoria, força e poder interiores, desde os nossos ossos até a nossa pele, desde as nossas raízes até os frutos que gerarmos. Ela é capaz de nos ensinar sobre onde reside o equilíbrio dos ciclos da vida e da morte dentro de nós, para que sejamos capazes, da mesma forma, de encontrar o equilíbrio da vida onde exista morte e o equilíbrio da morte onde exista vida. Ahow! Namaste!

“Por todas as mulheres mais velhas, matreiras, que estão aprendendo quando chega a hora certa de dizer o que precisa ser dito e não se calar – ou calar-se quando o silêncio for mais eloquente que as palavras.

Por todas as velhas em formação, que estão aprendendo a ser gentis quando seria tão fácil ser cruel.

Que conseguem ver que podem ‘cortar’ quando for necessário, com um corte afiado e limpo.

Que estão praticando a arte de dizer verdades com total compaixão.

Por todas as que rejeitam as convenções e preferem apertar as mãos de desconhecidos, cumprimentando-os como se os tivessem criado desde filhotinhos e os tivessem conhecido desde sempre.

Por todas que estão aprendendo a chacoalhar os ossos, balançar o barco – e a cama – além de acalmar as tempestades.

Por aquelas que são guardiãs do azeite para a lâmpada, que se mantêm em silêncio interior no culto diário.

Por aquelas que cumprem os rituais, que se lembram de como fazer o fogo a partir da simples pederneira e palha.

Por aquelas que entoam antigas orações, que se lembram dos símbolos, das formas, das palavras, das canções, das danças e do que no passado os ritos tinham o objetivo de instaurar.

Por aquelas que abençoam com facilidade e frequência.

Por aquelas mais velhas que não têm medo – ou que têm medo – e que agem com eficácia de qualquer modo.

Por elas…Que vivam muito, com força e saúde, e com um imenso espírito aberto aos ventos.” AMÉM!

Fonte complementar: A Ciranda das Mulheres Sábias – Clarissa Pinkola Estes (Mesma autora do livro Mulheres que Correm com os Lobos)

Por Luciane Strähuber – Educadora da Terapêutica Integrada

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