Artigos, Xamanismo

Crises e a Medicina do Pato: O que precisamos aprender sobre Mudança e Adaptabilidade

No Xamanismo, enquanto estudo ancestral dos animais como totens de poder, levando em consideração sua personalidade, seu comportamento, os elementos da natureza a que estão vinculados, seus hábitos e forma de viver na natureza, uma das medicinas que pode nos trazer clareza e aprendizado em meio às crises, sejam elas internas ou externas a nós – levando em consideração a crise dos transportes que acontece aqui no Brasil – é a Medicina do Pato.

No Xamanismo, vê-se os ensinamentos oriundos dos animais como práticas medicinais que podemos aplicar em nossa rotina, em nossas vidas, em nossa forma de pensar, agir e sentir o nosso Ser no meio pessoal e ao interagirmos com outras pessoas, meios e com o planeta. Essas práticas são uma ferramenta auxiliar nos processos de transformação pessoal e no autoconhecimento.

A Medicina do Pato está ligada à proteção maternal, ao conforto e à nutrição de energia – para nutrir-se emocionalmente em primeiro lugar e, assim, poder auxiliar na nutrição emocional de outros no caminho, através do afeto, do carinho, do apoio, do respeito e da flexibilidade e adaptabilidade diante das mudanças.

Esta medicina pode ser evocada através de meditações, onde ancoramos e pedimos permissão para entrar em sintonia ao espírito do animal. Ela nos ensina a equilibrar as emoções com leveza, conforto e graça – a medicina da graça também é representada pelo Cisne, um complemento importante nesta equação para lidarmos com as diversas situações que a vida apresenta da melhor forma possível, sendo gratos por tudo o que nos chega como forma de aprendizado e evolução.

Já na simbologia onírica – incluindo os estudos simbólicos de Carl Jung – o pato pode ser considerado um dos símbolos do Self pela sua capacidade de adaptação e estilo de vida distintos. Essa interpretação tem pertinência porque o pato é capaz de adaptar-se em três meios: na terra, na água e no ar.

Essa função ligada ao Self, portanto, é considerada como sendo transcendental: a capacidade que tem a psique inconsciente de se transformar e de nos levar a uma nova situação que anteriormente nos parecia bloqueada – uma das razões pelas quais uma situação de crise pode gerar uma grande mudança.

O pato, assim, está em casa em todos os domínios da natureza. Numa interpretação pessoal, o fogo sendo o quarto elemento da natureza aqui está implícito, podendo representar a crise em si, que ocorre dentro ou fora de nós.

Complementando o artigo, segue um texto bastante propício para aprofundarmos nossas reflexões acerca das mudanças que já podemos estar desempenhando em meio às crises que se apresentam. Estejamos sintonizados à Medicina do Pato para aprendermos ainda mais sobre como podemos e somos capazes de nos adaptar a qualquer meio. Um pequeno passo em direção à mudança é um grande passo em direção ao progresso. Namastê! ❤

Por Lorena Ventura, Via Clã Sacerdotisas da terra – “Estamos passando por um ‘treinamento de apocalipse’. Sem combustível nos postos, poucas frutas e legumes, quase nada de verduras, faltam itens nos mercados. Parece cena de filme, mas não é.
No futuro, se continuarmos fazendo as coisas da mesma forma, será por falta real de recursos. Falta, aliás, que já existe constantemente para pelo menos um bilhão de pessoas pelo mundo.

Tudo isso me faz ver que nós ainda dependemos MUITO dos combustíveis fósseis. Dependemos MUITO de meios de transporte de longa distância. Dependemos MUITO daquelas coisas que podem até ser úteis atualmente, mas que irão nos destruir no futuro. Que esses dias apocalípticos nos sirvam de inspiração para alterar hábitos e rotinas destrutivas.

Menos carros nas ruas, mais bicicletas. Menos consumo de alimentos que vêm de todos os cantos do mundo, mais produção local.
Mais hortas urbanas nos bairros das grandes (e pequenas) cidades. Mais fontes de energia alternativas. Mais respeito por quem produz e transporta aquilo que necessitamos – independente da distância. Mais pessoas interessadas em promover mudanças em suas vidas pessoais.

Não vai adiantar estocar comida, quando recursos como o petróleo estiverem escassos e causando o caos completo numa sociedade que se sustenta em bases frágeis. Mas adianta aprender a plantar, se organizar e montar uma horta em casa ou no bairro, compostar as sobras de alimentos. Adianta buscar os pequenos agricultores que moram mais próximo de você.

Adianta buscar novas fontes de energia. Adianta aprender a reduzir a necessidade por itens que demandam gasto de energia ou combustíveis fósseis. Adianta aprender sobre veganismo, minimalismo, sustentabilidade, horta urbana, empreendedorismo, viver (mais e melhor) com menos. Adianta mudar. Primeiro sozinho, de dentro para fora. Depois unindo-se a outros que também estão promovendo mudanças nas estruturas da sociedade.

A estrutura primeira de toda civilização é o indivíduo. Mudando o indivíduo, muda-se a sociedade. E pouco a pouco começamos a ver as mudanças individuais reverberando no mundo ao nosso redor. Novas leis, novas iniciativas, novas formas de ver e viver a vida. Junte-se ao novo.

Mas por onde começar? Por onde você quiser. Todo despertar natural começa com apenas uma transformação.
Você quer reduzir a sua produção de lixo? Parar de comer animais? Diminuir o seu vício em consumo? Emagrecer com saúde? Deixar de depender dos mercados e grandes marcas para comer, se cuidar e se vestir? Defender uma causa?
Você escolhe por onde começar.

(…) Estamos vendo o nascer de um novo mundo – e o colapso de um mundo antigo.
Por isso, tome as providências necessárias para acessar cada vez mais a realidade do novo mundo, e depender cada vez menos do velho. É mais fácil e bem mais barato do que você pensa.

Quem continuar a depender do velho mundo, vai acabar junto com ele.
E a paralisação dos caminhoneiros é só um aviso para quem quiser entender as coisas com os olhos da transformação: não coloque a sua vida nas mãos de um sistema falido. Acorde e co-crie um novo sistema: mais justo, limpo e sustentável! 

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