Artigos, Xamanismo

Finados: Honrando e Celebrando nossos Ancestrais

“De manhã, eu canto a canção singela de graças, como meus avós ensinaram. Canto por todos os meus parentes, por todos aqueles que vivem e respiram, até pelas pedras, pois os cristais são vivos e crescem como nós. Em nossas experiências com a vida, em nossas interações uns com os outros, aprendemos a deixar a ira de lado, aprendemos os modos da comunhão e encontramos os caminhos da resolução (…)

Muitos de nós buscam hoje, outra vez, maneiras simples de viver, maneiras dignas que não nos escravizem para pagarmos por coisas de que na realidade não precisamos, e não nos tornem cada vez mais dependentes das tecnologias que poluem a Terra. É bom cortar a nossa própria lenha, é bom fazer um fogo para cozinhar no quintal. Viver com simplicidade é viver sem grilhões.

Nossa condição, nossa posição são determinadas não pelo trabalho que realizamos externamente, mas pela obra em nossos corações e pelo modo como ajudamos os outros. O esforço para reconhecer e falar a verdade é o maior trabalho que qualquer um pode realizar. É perceber o poder da nossa mente límpida e fazer manifestar o melhor em todas as pessoas com quem percorremos o caminho da vida. Este é um dom de dar e receber. Nosso coração sente, então, que vai explodir de amor e apreço, livre dos medos que confinam.” (The Voices of Our Ancestors – As Vozes dos Nossos Ancestrais)

Em diversas culturas, o Dia de Finados é comemorado com alegria, música, dança e cor. Essa alegria tem por base honrar a vida que nos foi dada, reverenciar tanto os ciclos Vida quanto os ciclos de Morte, permitindo que a morte também tenha um lugar em nossos ciclos pessoais de vida sem que tenhamos que negá-la ou rejeitá-la, mas simplesmente percebê-la como necessária para qualquer movimento de renascimento, de recomeço, de mudança e transformação.

Nos alegramos, assim, por podermos honrar nossos antepassados e tudo o que por eles foi deixado de bom, de positivo em nosso caminhar: seus dons, talentos, realizações e avanços que imprimiram prosperidade e progresso em nossa família.

Mesmo que o legado tenha sido um caminho com “erros” ou acertos, temos a oportunidade de aprendermos e evoluirmos através dele fertilizando a terra dessas raízes naquilo que compete a nós. Muitos tendem a perder sua força porque não compreendem ou não conseguiram reconciliar-se, porque perderam a conexão com sua própria origem através da rejeição ou do não reconhecimento de seus ancestrais. Com isso, perdem a conexão com a Vida.

Neste movimento, temos a chance de nos reconciliarmos com algo que ficou pendente, que ficou incompleto, até mesmo com algo que impediu ou corrompeu o fluxo da vida por ações destorcidas. Temos, antes, o exercício da reconciliação para que haja espaço para o perdão acontecer em nosso coração. Honrando e sendo gratos pelos que vieram antes de nós adquirimos força provinda das nossas raízes – uma parte dessas raízes representa uma parte de nós, da nossa árvore ancestral.

Sob uma visão mais ampla, se pudéssemos percorrer a árvore genealógica da criação primordial do nosso ser chegaríamos à real origem de nossas vidas. Todas as pessoas que nos antecederam estão diretamente ligadas à nossa própria existência, pois caso uma delas não tivesse existido, nós também não teríamos a oportunidade de estarmos vivos.

Honrar e sintonizar com este olhar em direção ao passado, assim, significa ser grato pela vida que nos foi dada; incluir nela os que porventura foram excluídos e os que fizeram parte desta e de outras existências de nossa alma, nesta e em outras famílias – biológica, espiritual e cósmica.

É reverenciar aqueles que apenas neste plano dimensional não estão, mas que permanecem nos apoiando, nas memórias das nossas raízes, em nossos corações, nos trazendo força, vitalidade, impulso para olhar em direção ao horizonte, em direção à Vida e ao porvir dos nossos sonhos, objetivos e propósito! Namastê! ❤

 

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