Artigos, Terapias Integrativas

Terapia Holística: um olhar sobre a ética profissional na Era Digital

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Estamos presenciando uma onda crescente de notícias sobre a aplicação das terapias holísticas ou práticas integrativas, da medicina complementar ou alternativa em diferentes meios de comunicação. Em tempos de hiperconectividade de informação – Era da Informação ou Era Digital – você encontra esse assunto sendo divulgado em diversas mídias online: vídeos disponíveis em canais específicos de divulgação, artigos, matérias, reportagens, redes sociais, cursos EAD – Ensino à Distância.

Se mencionássemos o assunto há dez, quinze ou vinte anos atrás, é bem provável que poucos saberiam do que se trata – e até hoje, ainda se tem dúvidas do que se trata. O que por um lado pode ser visto de forma positiva, pelo fato das práticas holísticas apresentarem-se como uma tendência interconectada à busca da saúde integral e à qualidade de vida, possibilitando resultados excelentes quando aliadas à medicina convencional e científica, por outro lado pode estar perdendo a sua essência, o seu real significado e propósito.

Tendo atuado por mais de dez anos como terapeuta holística – hoje formando não apenas terapeutas, mas educadores holísticos – e quase vinte anos trabalhando com gestão de pessoas, penso que podemos estar “perdendo algo no caminho”. Ouvimos falar sobre captação de clientes, coragem, competência, necessidade de formações diversas, missão, diplomas, associações e sindicatos que respaldam o profissional, mas quase não ouvimos falar sobre a moral, a responsabilidade, a experiência e a ética que a profissão envolve.

Nas mãos de quem pretende seguir este caminho, de quem o segue ou de quem já o seguiu reside uma responsabilidade que vai além de todo o conhecimento que precisa ser adquirido, exercido e praticado: a responsabilidade de você lidar com a vida de uma pessoa, de um indivíduo e, muitas vezes, de uma família, e isso ao mesmo tempo que é tão sério, ainda é pouco mencionado.

Você será confrontado com problemas diversos, conflitos e crises, dores e sofrimentos existenciais, doenças de ordem psicossomática e até espiritual dos seus clientes, que irão refletir a nível físico, emocional e mental, e você precisará saber como lidar com isso, além de precisar “separar” e gerenciar sua própria vida. Você terá pessoas em sua frente falando sobre tudo e o inimaginável, e precisará saber como lidar com toda essa informação sem se envolver emocionalmente, sem tentar tomar uma posição de mãe, pai ou familiar desta pessoa, sem julgar ou tecer comentários/ pensamentos pessoais, necessitando trabalhar a neutralidade e promover o sigilo de informações que estarão em jogo ao tratar, por exemplo, uma família. Além do seu conhecimento, de suas formações, de suas metas, lhe será pedido um item essencial: experiência!

Inserido nesse objetivo que visa apenas gerar reflexão – um senso crítico natural que me forma e que foi aprimorado por uma experiência exercida junto à comunicação social – é vergonhoso encontrar em algumas mídias online disponíveis certa distorção relativo à profissão e ao profissional, e até mesmo no que se refere a imagens linkadas a um artigo “esteriotipando” o terapeuta como hippie ou como uma pessoa sem credibilidade no que faz.

Da mesma forma, vemos o assunto tangenciando “aspectos marketeiros, sensacionalistas e individualistas” que resumem a atividade num produto: muito “bem empacotado” para enganar os iniciantes no assunto, esquecendo que o exercício da atividade é classificado como um serviço. A atividade de Terapeuta Holístico é classificada como um serviço livre e legal, inclusa na Classificação Brasileira de Profissões, mas ainda não regulamentada por lei federal.

Sem a presunção de criticar ou julgar qualquer um que esteja desejando classificar e exercer a atividade como um produto, uma vez que todos somos livres para expressar e construir o nosso meio de atuação, apenas faço menção a algumas perguntas: onde está a ética profissional? Em que parte do caminho a ética foi esquecida ou deixada de lado? O que certos cursos e formações de terapeutas holísticos estão de fato oferecendo e “prometendo”? Onde está a credibilidade e confiança que aquele que procura um terapeuta holístico precisa desenvolver ao conhecer o seu trabalho?

Será que estamos mais preocupados em atender um número maior de clientes para conseguir atingir metas financeiras – e nada contra aliar à profissão ao “ganha pão” de cada dia de forma justa, necessário a todo profissional da área – ou estamos de fato preocupados em possibilitar uma energia de troca justa, por meio do valor pago-recebido, como custo-benefício para ambas as partes, nos permitindo atender gratuitamente ou possibilitar uma negociação mais aberta – pagamentos realizados com trocas, doações ou num prazo que fique confortável para ambas as partes – plantando uma relação de fidelidade e confiança se preciso for, àqueles que não puderem pagar?

Portanto, não basta apenas gostarmos de lidar com pessoas ou termos o ímpeto de ajudar o outro se ainda não conseguimos compreender que existe um caminho de preparação para seguirmos algo que ainda não conhecemos e, assim, a partir da experiência galgada e percorrida, termos confiança em nós mesmos para poder atuar. Diante dessa jornada até aqui, auxiliando na formação desses indivíduos – antes de serem intitulados terapeutas ou educadores – e a partir de minha experiência profissional, vejo o quanto não é suficiente apenas uma boa qualificação ou o conhecimento teórico. Tanto o indivíduo quanto o profissional precisam exercitar o autoconhecimento, praticar o que aprenderem, realizar trabalhos voluntários, estagiar ou trabalhar em lugares diversos que lhe darão know-how e experiência.

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E falando em ética por definição: a palavra “ética” vem do grego ethos e significa aquilo que pertence ao “bom costume”, “portador ou propriedade de caráter”, referindo-se a princípios universais, ações que acreditamos que não mudam independentemente do lugar onde estamos, buscando a fundamentação teórica para encontrar o melhor modo de viver e conviver. A ética, assim, diferencia-se da moral – embora ambas possam estar andando juntas – pois enquanto esta se fundamenta na obediência, na disciplina a costumes e hábitos recebidos, a ética busca fundamentar as ações morais por meio da razão.

Numa explicação mais geral – já que dependendo da área de atuação, a ética possui enfoques específicos – é comum que atualmente seja definida como “a área da filosofia que se ocupa do estudo das normas morais nas sociedades humanas”. Busca explicar e justificar os costumes de um determinado agrupamento humano, bem como fornecer subsídios para a solução de seus dilemas mais comuns. Neste sentido, ética pode ser definida como a ciência que estuda a conduta humana, e a moral é a qualidade desta conduta.

Agora, trazendo o foco para o conceito de ética profissional, temos: é o conjunto de normas éticas que formam a consciência do profissional e representam imperativos ou princípios de sua conduta. Ser ético é agir dentro dos padrões convencionais, é proceder bem, é não prejudicar o próximo. Para isso, relaciono neste artigo o Código de Ética do Terapeuta Holístico, evitando o reducionismo, mas mantendo o caráter reflexivo da abordagem: Código de Ética do Terapeuta Holístico segundo SINTE – Sindicato dos Terapeutas.

Que esta reflexão, tecida com profunda gratidão por todas as experiências vividas, as relações estabelecidas com seres humanos tão especiais, o aprendizado interior, o crescimento pessoal e o desenvolvimento profissional, possa contribuir para nos manter atentos e “despertos” perante o que nos é oferecido como “verdade”.

Que possamos construir uma relação harmônica entre a ética profissional e as novas tecnologias, procurando nutrir parcerias que beneficiem todos os envolvidos no processo de comunicação integrada dos meios digitais. Que possamos realizar escolhas conscientes diante do que pretendemos informar e, da mesma forma, receber. E que, acima de tudo, lembremos sempre de vibrar amor, seriedade, responsabilidade e ética em tudo o que fizermos: o que você decidir informar em uma mídia digital, direta ou indiretamente, explícita ou subliminarmente, vibrará a sua intenção!

Despeço-me transcrevendo algumas linhas que descrevem um pouco desta ética profissional com um olhar mais holístico de sua atuação. Mesmo acreditando que a palavra “juramento” poderia aqui ser substituída, mantenho o relato fidedigno do autor. Namastê! 😉

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Juramento do Terapeuta Holístico

Perante todos os poderes do homem e de Deus, perante nossas próprias consciências, juramos fazer dos ensinamentos básicos do Terapeuta Naturista Holístico uma chama sempre viva, que iluminará perenemente retos caminhos que devemos seguir em busca da verdade, do direito e da fé para com os nossos semelhantes, diante dos poderes que nos foram conferidos, através do conhecimento do ser humano num todo: corpo, mente e espírito.

Em busca da união entre o homem, a terra e o universo, tudo faremos para que o homem apareça sobre sua verdadeira imagem, protegido pelo inalienável direito de liberdade e Amor ao próximo, sentimentos inabaláveis que transmutarão os seres humanos em constelações de um todo único universo. Jamais deixaremos nos intimidar pela aparente fraqueza da espécie humana, jamais empregaremos o ódio, a vingança ou a acusação para com o nosso semelhante.

Usaremos sempre da maior cautela e respeito possível, ao analisarmos nossos semelhantes e antes de estruturarmos a nossa concepção, prometemos viver os dramas que descobrimos, para assim, conscientemente, acharmos dentro dos princípios da Ciência Holística, necessários mecanismos que lhes sirvam de defesa para o completo restabelecimento de seu equilíbrio físico, mental e espiritual. Juramos não transformar esses conhecimentos em situação mercantilizadora. Muito ao contrário, faremos de nossas naturais fraquezas, novas forças para continuarmos o nosso trabalho de pesquisa da Ciência Holística.

Todas as descobertas úteis deverão transformar-se em direito comum ou com o qual procuraremos moldar a humanidade, não ao sabor de nossas exigências, mas sim na imperiosa norma das leis naturais que interligam o homem com o universo.

Em conjunto lutaremos, ao lado do respeito para com os complicados mistérios da evolução humana, com desprendimento de igualdade e compreensão. Só assim, caminharemos para os nossos verdadeiros destinos através da História, criando sempre condições para que o sentimento do respeito, do amor e da caridade possam habitar em nossas mentes. Juntos nos conduziremos em busca da evolução através dos diálogos e das pesquisas.

Nunca nos contentaremos com uma só verdade e, ao lado das relações humanas que, acima de tudo, criaremos em nosso habitat, chegaremos à análise científica de todos os desequilíbrios psíquicos, físicos, energéticos e espirituais que assolam a humanidade, para assim, dentro do vasto campo da Ciência Holística que adotamos por doutrina, encontrar as verdadeiras soluções onde quer que estejamos.

Sem os limites impostos pelos costumes religiosos, políticos ou pela moral radicalizadora: prometemos usá-la em beneficio do ser, cause o impacto que causar, numa missão que sabemos, difícil e árdua, mas que por isto mesmo, juramos hoje transformá-la em nosso único e idealístico sacerdócio, unindo o microcosmo ao macrocosmo – o homem ao universo. Caminho único para chegarmos a “DEUS” (Texto extraído do Livro: Código de Ética dos Terapeutas Holísticos – Dr. A. Norberto O. Pinto).

Luciane Strähuber

 

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