Artigos, Feminino Sagrado, Terapias Integrativas

O Arquétipo da Curadora na atualidade


Deusa_floresta

Segundo Clarissa Pínkola, em sua obra eternizada Mulheres que correm com os lobos, o arquétipo do grande curador contém sabedoria, bondade, conhecimento, solicitude e todas as outras qualidades associadas a quem cura.

Para aprofundar o conhecimento deste arquétipo que rege o feminino sagrado, tanto na mulher quanto no homem, transcrevo abaixo este maravilhoso artigo, publicado por Mani Alvarez com o nome de Mulheres Curadoras. Verdadeiras e sábias palavras arranjadas numa sinfonia de parágrafos sobre a evolução do trabalho das curandeiras no mundo atual! Salve Grande Mãe Natureza, Pachamama, Elementais, Devas, Consciências Minerais, Cristalinas, Vegetais e Animais! Salve Mãe Terra, pois tudo o que representamos em nome da Cura e do Amor é a Centelha Divina como espelhamento de tua grandiosa Consciência de Luz! Somos Todos Um! 😉

“Erveiras, raizeiras, benzedeiras, mulheres sábias que por muito tempo andaram sumidas, ou até mesmo escondidas. Hoje retornam com um diploma de pós-graduação nas mãos e um sorriso maroto nos lábios. Seu saber mudou de nome. Chamam de terapia alternativa, medicina vibracional, fitoterapia, práticas complementares…são reconhecidas e respeitadas, tem seus consultórios e fazem palestras.

As mulheres curadoras fazem parte de um antigo arquétipo da humanidade. Em todas as lendas e mitos, quando há alguém doente ou com dores, sempre aparece uma mulher idosa para oferecer um chazinho, fazer uma compressa, dar um conselho sábio. Na verdade, a mulher idosa é um arquétipo da ‘curadora’, também chamada nos mitos de Grande Mãe.

Não tem nada a ver com a idade cronológica, porque esse é um arquétipo comum a todas as mulheres que sentem o chamado para a criatividade, que se interessam por novos conhecimentos e estão sempre a procura de mais crescimento interno. Sua sabedoria é saber que somos “obras em andamento’, apesar do cansaço, dos tombos, das perdas que sofremos… a alma dessas mulheres é mais velha que o tempo, e seu espírito é eternamente jovem.

Talvez seja por isso que, como disse Clarissa Pinkola, toda mulher parece com uma árvore. Nas camadas mais profundas de sua alma ela abriga raízes vitais que puxam a energia das profundezas para cima, para nutrir suas folhas, flores e frutos. Ninguém compreende de onde uma mulher retira tanta força, tanta esperança, tanta vida. Mesmo quando são cortadas, tolhidas, retalhadas, de suas raízes ainda nascem brotos que vão trazer tudo de volta à vida outra vez.

Por isso entendem as mulheres de plantas que curam, dos ciclos da lua, das estações que vão e vem ao longo da roda do sol pelo céu. Elas tem um pacto com essa fonte sábia e misteriosa que é a natureza. Prova disso é que sempre se encontra mulheres nos bancos das salas de aula, prontas para aprender, para recomeçar, para ampliar sua visão interior. Elas não param de voltar a crescer…

remedios naturais

Nunca escrevem tratados sobre o que sabem, mas como sabem coisas! Hoje os cientistas descobrem o que nossas avós já diziam: as plantas têm consciência! Elas são capazes de entender e corresponder ao ambiente à sua volta. Converse com o “dente-de-leão” para ver… comunique-se com as plantas de seu jardim, com seus vasos, com suas ervas e raízes, o segredo é sempre o amor.

Minha mãe dizia que as árvores são passagens para os mundos místicos, e que suas raízes são como antenas que dão acesso aos mundos subterrâneos. Por isso ela mantinha em nossa casa algumas árvores que tinham tratamento especial. Uma delas era chamada de “árvore protetora da família”, e era vista como fonte de cura, de força e energia. Qualquer problema, corríamos para abraçá-la e pedir proteção.

O arquétipo de ‘curadora’ faz parte da essência do feminino, mesmo que seja vivenciado por um homem. Isso está aquém dos rótulos e definições de gênero. Faz parte de conhecimentos ancestrais que foram conservados em nosso inconsciente coletivo.

Perdemos a capacidade de olhar o mundo com encantamento, mas podemos reaprender isso prestando atenção nas lendas e nos mitos que ainda falam de realidades invisíveis que nos rodeiam. Um exemplo? Procure saber mais sobre os seres elementais que povoam os nossos jardins e as fontes de águas…fadas, gnomos, elfos, sílfides, ondinas, salamandra. As “curadoras’ afirmam que podemos atrair seres encantados para nossos jardins! Como? Plantando flores e plantas que atraiam abelhas e borboletas, gaiolas abertas para passarinhos e bebedouros para beija-flores.

Algumas plantas ‘convidam’ lindas borboletas para seu jardim, como milefólio, lavanda, hortelã silvestre, alecrim, tomilho, verbena, petúnia e outras. Deixe em seu jardim uma área levemente selvagem, sem grama, os seres elementais gostam disso. Convide fadas e elfos para viverem lá.”

Para complementar este artigo, exercer o papel de “curadora” envolve ser generosa, delicada e solícita, mas, ainda segundo Clarissa Pínkola, só até certo ponto! Neste âmbito, numa visão terapêutica deste arquétipo, acredito ser muito pertinente e interessante deixar aqui a reflexão da autora, pois existe o outro lado da moeda para aquele que trabalha com este propósito exercendo o papel de “curador” ou qualquer outro significado/ nomenclatura que se possa aplicar à palavra, tendo um dos maiores compromissos neste momento da humanidade: ensinar o outro a se curar para o despertar de sua consciência!

“Além desse ponto, esse arquétipo exerce uma influência prejudicial na nossa vida. A compulsão das mulheres no sentido de “tudo curar, tudo consertar” é uma importante armadilha formada pelas exigências a nós impostas pelas nossas próprias culturas, especialmente as pressões no sentido de que provemos que não estamos por aí sem fazer nada, ocupando espaço e nos divertindo, mas, sim, que temos um valor resgatável. Em algumas partes do mundo, pode-se dizer que o exigido é uma prova de que temos valor e, portanto, deveria ser permitido que vivêssemos. Essas pressões são inseridas na nossa psique quando somos muito jovens e incapazes de ter uma opinião sobre elas ou de lhes oferecer resistência. Elas se tornam a lei para nós… a não ser que, ou até que, as desafiemos.

No entanto, os clamores do mundo em sofrimento não podem ser todos atendidos por uma única pessoa o tempo todo. Na realidade, só podemos optar por atender àqueles que nos permitem voltar ao lar  – nosso centro de paz e equilíbrio – com regularidade; em caso contrário, as luzes do nosso coração praticamente se apagam. O que o coração deseja ajudar é, às vezes, diferente dos recursos da alma. Se a mulher valoriza sua ‘pele da alma’, ela irá decidir essas questões de acordo com sua proximidade do “lar” e com a freqüência de sua presença ali.”

Assim sendo, esta é a chave para nos mantermos exercendo ou representando este arquétipo com amor e sabedoria: auxiliar o outro no encontro do seu próprio “lar” e mantendo sempre as portas abertas para voltarmos ao nosso, num processo que só acontece através dos nossos corações! 😉

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